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quinta-feira, 28 de abril de 2011

O exemplo vem de cima

Preparação, trabalho (sem tolerância de ponto), responsabilidade e descrição, tem sido o lema da Troika, evidenciando um código de conduta exemplar.

Não pretendem esconder informação, mas simplesmente dar enfoque ao essencial: Falar com quem interessa, ouvir atentamente, encontrar soluções para os problemas e decidir bem. Só depois tornar público as conclusões, colocando em cima da mesa toda a verdade, doa a quem doer.

Esta atitude é paradigmática do rigor que deveria ser seguido por todos, principalmente por aqueles que nos dirigem e representam, enquanto país.

Um exemplo a seguir para as decisões difíceis que vamos ter pela frente na próxima década.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Na senda do Dragão

A economia chinesa mantêm um forte crescimento e a recente recessão apenas criou uma pequena turbulência, dado o gigantesco pacote de estímulos que anima a procura doméstica.
Ninguém quer deixar de participar na robustez desta economia e não é por acaso que, praticamente, todas as 500 maiores empresas americanas já lá estão instaladas.
Quem lá está precisa de batalhar muito para sobreviver, mas não investir na China, é garantia de que os concorrentes chegarão lá primeiro.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Urgência nas urgências

Os serviços de urgência melhoraram em meios de diagnóstico, mas o número de reclamações dos utentes em 2009 subiu 14% face a 2008.
Permanece uma falta de organização, cultura e princípios básicos no que toca ao relacionamento dos profissionais de saúde com os doentes, demonstrando que as reformas encetadas ainda não foram suficientes e que os hospitais não conseguiram resolver o problema das "falsas" urgências. Mas a estadia na urgência, que já de si é dolorosa, poderia não ser tão penosa para o doente e para os próprios profissionais, se a todo o momento se pensasse que estamos na presença de vidas humanas, doentes física e psicologicamente.
Tudo seria melhor, se os profissionais de saúde encarassem a urgência não como um frete e nem sequer como um mal necessário para subirem na carreira. No entanto, parece-me existir uma preocupação ... a de garantir a formação contínua, a qual assegura a ascensão na privada de forma sustentada.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A nossa neve


A modalidade de Golfe lidera a nível mundial em número de praticantes Federados, e o prazer que esta prática induz espalha-se pelo Globo, movimentando enormes receitas ao nível do turismo. Portugal, e a zona do Algarve em particular, reúne condições fantásticas para a prática desta modalidade, a nível do clima, em número de campos e infra-estruturas turísticas de apoio aos jogadores, conseguindo captar praticantes de todo o mundo ao longo de todo o ano. No Centro e Norte do país, onde aliás existem dois dos campos mais antigos da Europa, o Oporto e o Lisbon, a modalidade tem vindo a crescer mais lentamente dado o menor fluxo de turistas, contudo surgem iniciativas e projectos para o desenvolvimento sustentado desta modalidade, pese embora muito dependente de grandes projectos imobiliários, cujos impactos ambientais tem sido desde sempre uma preocupação do Ministério do Ambiente.

A recente publicação de normas ambientais para o planeamento, projecto, construção e exploração dos campos de golfe, vem ajudar a desmistificar a ideia de que o Golfe é inimigo do ambiente. Na realidade, é a prática desportiva que mais interage com o ambiente e que se preocupa cada vez mais com estas questões, com relevância no crescimento do mercado europeu de golfe, estimado em 1 milhão de viagens por ano (motivação primária) e prevendo-se uma duplicação deste valor até 2015.

A nova visão do Golfe que se tem vindo a sentir por parte dos organismos e entidades em matéria de ambiente, tem assim contribuído para que o golfe se afirme cada vez mais como um sector estratégico da economia nacional que, bem dinamizado, poderá representar para um futuro não muito longínquo, o que a neve representa para a receita turística de muitos países europeus.

Pedro Sequeira

domingo, 3 de maio de 2009

As Crises e os seus Ciclos

Ao longo da nossa História ocorreram várias crises e apesar da actual - “bolha” imobiliária e de crédito nascida nos EUA em 2007/2008 - ainda não ter terminado, também já faz parte dos registos dessa História. Os mais incautos demonstram sempre uma grande surpresa pelo surgimento das crises, tentando encontrar rapidamente os seus responsáveis e as razões da sua origem, levando à exploração máxima da sua teorização e, consequentemente, à divulgação de estudos e opiniões que tentem ajudar a encontrar saídas para a crise, muitas vezes desmistificando-a para tentar criar uma “onda” de optimismo que, ajude a ultrapassar os obstáculos e detectar oportunidades.
Mas, olhando para um estudo da variação percentual do Índice S&P 500, http://wallstreetblips.dailyradar.com/story/total_returns_from_1825_to_2008/, http://pt.wikipedia.org/wiki/S&P_500 podemos constatar que dos últimos 184 anos 30% apresentam variações negativas, ou seja um total de 55 anos. Ainda com base na análise deste Índice, o ano de 2008 ficará para a história como um dos piores de sempre, apresentando uma variação negativa superior a 30%. Igual ou pior só mesmo os anos de 1931 e 1937, com variações negativas superiores a 40 e 30%, respectivamente.
As crises acompanham-nos portanto ao longo de décadas e a actual, só deve ser considerada uma surpresa pela dimensão com que se manifestou, havendo quem a compare a um misto da Grande Depressão (1929-1932) e do Choque Petrolífero (1970). Aliás, se compararmos as principais características destas duas crises com a actual, em todas elas tivemos crise, no crédito, uma “bolha” nas matérias-primas, um problema de inflação e um problema de deflação (ainda possível na actual crise). A incógnita que ainda permanece é a duração que esta recessão global vai durar, incerteza que perturba a apetência pelo risco por parte dos investidores.
Mas, apesar dos mercados do crédito ainda não estarem a funcionar normalmente, dificultando o financiamento da actividade económica, e o mercado habitacional dos EUA ainda não ter estabilizado, já se nota que os menos incautos (investidores bem informados) andam a aproveitar alguma tendência flat do mercado, assumindo maiores riscos e a melhorar os seus retornos.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Crédito mais caro

O custo de financiamento no mercado por parte da Banca em geral não tem actualmente como referência a Euribor, mas sim taxas de mercado em contratos de financiamento que têm implícitos spreads superiores a 2% sobre a Euribor. Isto significa que o clima de incerteza que se vive nos mercados financeiros continua, afectando a circulação de liquidez e a capacidade de obtenção de fundos nos mercados financeiros internacionais. Houve assim um incremento significativo dos prémios de risco praticados no mercado, com impacto nas respectivas emissões de dívida das Instituições Financeiras.
Pode-se assim dizer que as diversas medidas de política económica tomadas, nomeadamente a conjugação de taxas de juro oficiais muito baixas, medidas de estabilização e recapitalização do sector financeiro e prestação de garantias aos bancos, não estão a ser suficientes para garantir o normal funcionamento dos mercados e a fluidez necessária ao acesso de fundos. Ora é precisamente esta situação que leva a Banca a reflectir nos seus preços o custo dos recursos dos clientes, o risco de crédito, o custo dos seus financiamentos e investimentos, bem como a margem de remuneração aos seus diversos accionistas.
Dito isto, e se já se dizia que a Banca têm vindo a subir os spreads cobrados aos seus clientes, a verdade é que a subida vai continuar e de forma implacável, pois não vai ser possível à Banca continuar a manter preços inferiores ao custo do funding.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mais palavras sobre a crise, para quê ?

«Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la».
Albert Einstein

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Banca em 2009

Temos vindo a assistir nos últimos tempos a uma incursão sustentada sobre a banca, nomeadamente nas críticas de falta de apoio conveniente às pequenas e médias empresas. O momento é adverso para este sector, mas o atirar de culpas para a banca não é de agora, como toda a gente sabe. Também não pretendo fazer aqui juízos de valor sobre os vários intervenientes no sector bancário, sem contudo deixar de referir que é patente a ignorância sobre o que se está realmente a passar, num vasto leque de comentadores políticos. A verdade é que a banca está e estará sempre a apoiar as empresas e os particulares, pois se tal não acontecer deixa de ter razão de existir. Mas é evidente que os bancos não estão imunes às regras do mercado, onde a falta de liquidez e confiança induz cuidados redobrados na concessão de crédito. E a questão é que este critério selectivo na concessão de novo crédito vai continuar ao longo de 2009, com ou sem aval do Estado. Isso será insofismável, sob pena de a própria banca portuguesa não resistir, e aí sim seria um problema ainda maior para as empresas. Vamos por isso assistir por parte deste sector, e ao longo de 2009, a uma estratégia de gerir melhor o que existe in the box. Em primeiro lugar manter como prioritária a correcta gestão dos recursos (leia-se poupanças), fundamental para que na sua maturidade os resgates sejam mínimos, evitando saídas silenciosas. Em segundo lugar, à crescente sofisticação dos clientes a banca responderá com mais certificação de processos e pessoas, garantindo maior profissionalismo e transparência, e reforçando a proximidade junto dos clientes. Em terceiro lugar haverá um crescimento selectivo no segmento das empresas, com cuidados redobrados na atribuição de crédito novo e no acompanhamento das operações em curso. Esta estratégia clara de diminuir a alavancagem existente no crédito, obrigará a encontrar alternativas para manter o nível adequado de receita. Isso será alcançado através da maior produtividade dos agentes comerciais, encontrando alternativas à dependência do crédito, nomeadamente através do reforço do cross-selling e colocação de novos produtos. Por último o repricing terá que continuar, uma vez que as condições do mercado internacional assim obrigam, e também porque a degradação da situação económica e financeira das empresas provocará um dowm-grade no seu rating. Este efeito do aumento dos spreads será contudo atenuado pelo efeito de descida das taxas Euribor. Assim teremos um 2009 mais difícil para as empresas e particulares, e teremos a confirmação de que a banca não é um sector de beneficência, mas sim um sector que apoia empresas e projectos que tenham viabilidade económica e financeira, capazes de criarem valor, mas também de reembolsar correctamente as responsabilidades creditícias.

domingo, 30 de novembro de 2008

Impacto da volatilidade dos preços das matérias-primas nos mercados alimentares

O contraste entre os mercados alimentares dos países europeus e dos países subdesenvolvidos é abissal. Senão vejamos: Foi notícia neste verão o grande aumento do preço das matérias-primas para a indústria alimentar, o que nos leva a pensar qual o impacto desta volatilidade de preços em duas famílias de rendimentos antagónicos. Assim, uma família padrão Europeia com uma receita mensal que ronde os 6.000 euros gasta 20% em alimentação, ou seja 1.200 euros. Destes 20%, apenas 10% são gastos em bens essenciais tais como leite, carne e cereais, ou seja estes últimos representam 2% do total gasto em alimentação, isto é apenas 24 euros. Em contraponto, uma família africana de um país subdesenvolvido e que aufere um rendimento mensal que ronda os 43 euros, gasta por mês em alimentação 80% desse rendimento, ou seja 34 euros. Desses, o arroz e os restantes cereais representam 70% do total da alimentação, ou seja representam 60% do total gasto em bens essenciais, isto é 20 euros e 40 cêntimos. Deste cenário se concluiu que, para os europeus, um aumento significativo no preço das matérias-primas, pouco impacto tem nos gastos mensais em alimentação base, no entanto, para uma família africana subdesenvolvida, é a diferença entre a subsistência e a fome. É certo que estamos a viver uma fase em que o preço das matérias-primas voltou a valores razoáveis, no entanto, a volatilidade destes preços ditará sempre a melhor ou pior sorte destes povos subdesenvolvidos, uma vez que a Europa mantêm uma política paternalista (porque lhe dá jeito escoar os excedentes) em vez de uma política de formação adequada e que permita o auto desenvolvimento desses países, nomeadamente neste sector primário. Verdade ou mentira?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A Avaliação no mercado escolar público

A escola pública é de uma forma geral utilizada por camadas diferenciadas da população e é daqui que sai uma grande parte dos futuros líderes deste país. O direito a uma educação digna e competente é por isso um direito fundamental de todos. Está unanimemente aceite que a Avaliação Individual de Desempenho dos professores é necessária. Mas é preciso que se diga que é necessária porque contribui para o seu desenvolvimento profissional e através do qual o Ministério da Educação procura identificar em que medida o desempenho de cada professor, contribui para satisfazer os Objectivos estratégicos e atingir os Resultados do Governo das Escolas. E os objectivos estratégicos e os resultados do governo das escolas, são seguramente melhorar a educação de todos nós, em prol de um futuro melhor para o nosso país. O modelo de avaliação que tanta polémica tem suscitado, surge assim como um passo de gigante na alteração do status quo de um “modelo de avaliação” de professores ultrapassado. Acontece que o passo foi demasiado grande, dado o gap entre o estado actual e o que se pretendeu dar, e daí terem surgido os problemas conhecidos. Mas seria importante que se conseguisse alcançar um entendimento para que a Avaliação Individual de Desempenho fosse realizada mediante 4 dimensões: As “Competências”, em que se avalia um conjunto de capacidades e conhecimentos demonstráveis que possibilitam um desempenho de excelência; as “Características Pessoais”, em que se avalia um conjunto de atributos e atitudes de natureza qualitativa desejáveis no governo das escolas; os “Objectivos individuais", centrados na actividade e conteúdo da função; e um “Plano de Desenvolvimento Pessoal”, com acções de desenvolvimento centradas nas competências. Das três últimas dimensões seria normal que surgisse uma Nota de Avaliação, uma vez que a dimensão “Competências” deveria ter apenas como objectivo suportar o desenvolvimento dos professores. Mas é absolutamente necessário diferenciar através do mérito, criando quotas, porque num qualquer conjunto de profissionais é sempre possível hierarquizar. E obviamente que qualquer modelo necessita de momentos de interacção formal entre Avaliado e Avaliador, visando um efectivo feedback e a uma consistência de princípios na forma como se avaliam os professores. Desta forma o mercado escolar público tenderá a ter mais qualidade, será mais competitivo, e obrigará a uma actualização permanente de quem ensina e de quem pensa quais as estruturas adequadas a um ensino de excelência.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A inveja dos sinais de abrandamento na economia chinesa

A tendência de desaceleração das exportações chinesas continua. A crescente sofisticação dos produtos exportados pela China tem sido mais evidente, os ganhos de produtividade por via de baixos custos também já tiveram melhores dias, e a apreciação da sua moeda eliminou a vantagem competitiva que a China nos habituou em momentos de crise, onde a dinâmica das exportações apresentava movimentos contra ciclo. O abrandamento económico irá inevitavelmente afectar as exportações chinesas e, por sua vez, afectar o dinamismo que o sector industrial tem apresentado. Apesar deste inevitável cenário, a China deverá crescer em 2009 acima dos 7%. Fantástico !

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A importância crescente da Gestão do Risco

Nos últimos quatro anos a gestão do risco conheceu um desenvolvimento muito acentuado e tornou-se imprescindível face aos níveis de crescimento do negócio de crédito. O Novo Acordo de Capital (Basileia II), que entrou definitivamente em vigor no início deste ano, fez com que a banca em geral fosse obrigada a introduzir novos conceitos e práticas no domínio do risco de crédito, na melhoria dos sistemas de rating e na profunda revisão de algumas normas internas, tais como o rigor e transparência na avaliação do risco de crédito das diferentes contrapartes (discriminando claramente os bons dos maus clientes), melhorando as garantias (minimizando as perdas em caso de incumprimento), e uma maior disciplina no pricing (incorporando todos os factores de risco existentes). Muitas das pequenas e médias empresas não estão conscientes desta nova realidade e o aumento significativo dos seus gastos financeiros podiam ser reduzidos, caso existisse uma visão consciente da gestão do crédito. Parece-me premente que as empresas, particularmente aquelas que têm “bons negócios” dentro de portas aumentem o rigor e a exigência no consumo dos seus capitais, através de uma gestão financeira qualificada, dando enfoque numa cultura de risk awareness de forma a garantirem uma gestão do seu crédito adequada às novas exigências do mercado financeiro e à actual realidade da escassez do crédito. O mercado global irá agradecer, pois empresas com melhor rating implicarão sempre melhor retorno para quem financia, mas também melhor qualidade e preço para os consumidores finais.