sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Banca em 2009

Temos vindo a assistir nos últimos tempos a uma incursão sustentada sobre a banca, nomeadamente nas críticas de falta de apoio conveniente às pequenas e médias empresas. O momento é adverso para este sector, mas o atirar de culpas para a banca não é de agora, como toda a gente sabe. Também não pretendo fazer aqui juízos de valor sobre os vários intervenientes no sector bancário, sem contudo deixar de referir que é patente a ignorância sobre o que se está realmente a passar, num vasto leque de comentadores políticos. A verdade é que a banca está e estará sempre a apoiar as empresas e os particulares, pois se tal não acontecer deixa de ter razão de existir. Mas é evidente que os bancos não estão imunes às regras do mercado, onde a falta de liquidez e confiança induz cuidados redobrados na concessão de crédito. E a questão é que este critério selectivo na concessão de novo crédito vai continuar ao longo de 2009, com ou sem aval do Estado. Isso será insofismável, sob pena de a própria banca portuguesa não resistir, e aí sim seria um problema ainda maior para as empresas. Vamos por isso assistir por parte deste sector, e ao longo de 2009, a uma estratégia de gerir melhor o que existe in the box. Em primeiro lugar manter como prioritária a correcta gestão dos recursos (leia-se poupanças), fundamental para que na sua maturidade os resgates sejam mínimos, evitando saídas silenciosas. Em segundo lugar, à crescente sofisticação dos clientes a banca responderá com mais certificação de processos e pessoas, garantindo maior profissionalismo e transparência, e reforçando a proximidade junto dos clientes. Em terceiro lugar haverá um crescimento selectivo no segmento das empresas, com cuidados redobrados na atribuição de crédito novo e no acompanhamento das operações em curso. Esta estratégia clara de diminuir a alavancagem existente no crédito, obrigará a encontrar alternativas para manter o nível adequado de receita. Isso será alcançado através da maior produtividade dos agentes comerciais, encontrando alternativas à dependência do crédito, nomeadamente através do reforço do cross-selling e colocação de novos produtos. Por último o repricing terá que continuar, uma vez que as condições do mercado internacional assim obrigam, e também porque a degradação da situação económica e financeira das empresas provocará um dowm-grade no seu rating. Este efeito do aumento dos spreads será contudo atenuado pelo efeito de descida das taxas Euribor. Assim teremos um 2009 mais difícil para as empresas e particulares, e teremos a confirmação de que a banca não é um sector de beneficência, mas sim um sector que apoia empresas e projectos que tenham viabilidade económica e financeira, capazes de criarem valor, mas também de reembolsar correctamente as responsabilidades creditícias.

1 comentário:

Filipe Garcia disse...

penso que o grande desafio da banca para os próximos tempos é mesmo restaurar a sua credibilidade institucional

ate aqui os bancos eram vistos como experts e apesar de nao serem 'baratos' como geradores de valor

hoje os bancos sao percepcionados como tao bons/maus gestores como quaisquer outros (ver caso madoff) e como destruidores de valor

o restaurar dessa credibilidade é essencial para que os bancos possam voltar (?) a cumprir o seu papel na economia