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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Talento que brilha

A criatividade, em doses generosas de atitude e de capacidade, é vital para o padrão de vida que o modelo social europeu requer. A geração de valor que sustente o nosso nível de bem-estar deve ser encontrada numa acutilante procura pelo distinto, que revele, através de inusitados caminhos, aptidão para formular ideias criadoras.
Assim, o maior desafio reside em acolher, estimular e orientar as nossas mentes brilhantes para um desenvolvimento sustentado. Implicando territórios, organizações e pessoas, devemos responder à questão central: como usar o imenso poder da criatividade?
Luís Ferreira, Exertus – Consultores
Publicado no jornal METRO em 19-Abr-2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Fazer Acontecer

Tempo houve de diagnósticos; esgotaram-se já argumentos; é momento de agir. A verdade é que vai uma diferença colossal dos que apenas dão palpites aos que fazem acontecer: a ousadia de falhar.

Dêmos atenção aos protagonistas que estão a fazer acontecer a mudança, que semeiam ideias e palmilham novos caminhos pondo, com arte e engenho, projectos em marcha. Audazes e perseverantes empreendem a travessia, não se quedando pelo tradicional queixume.

Seria também útil retirar palco aos profissionais da treta que alvitram soluções sobre demasiados assuntos – pena que não façam acontecer…

Luís Ferreira, Exertus – Consultores

Publicado no jornal METRO de 15-Mar-2012.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Com a verdade me enganas

Por vezes transparecem no espaço mediático as lutas de poder e influência que estão em marcha. Cada vez mais, comunicar – o acto de pôr em comum – assemelha-se a um teatro de marionetas; um jogo de espelhos entre o que se diz sem querer e o que se quer sem dizer. Paradoxalmente, mesmo quando não se quer e não se diz, está-se a comunicar.
Neste circo são tão graves os espaços cinzentos, onde há sobreposição e ruído, quanto os brancos, em que, ao nada inscrever, se deixa espaço para que cada um lá coloque o que bem entender – seja na forma, seja no conteúdo…
Luís Ferreira, Exertus – Consultores
Publicado no jornal Metro em 26-Jan-2012

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O joio e a floresta

Tempos difíceis exigem maior sentido crítico: saber separar o trigo do joio e não confundir a árvore com a floresta.

A este propósito parece-me perigoso – além de demagógico – o caminho que se vem seguindo de perseguição às remunerações mais elevadas. Se não percebermos que talento e criatividade são portas de saída da situação em que nos encontramos, jamais conseguiremos alicerçar um plano de sucesso.

Tal como é louvável corrigir oportunismos e injustiças, é fulcral premiar e distinguir o mérito, resistindo à tentação de cortar os picos para nivelar – não traz melhores resultados e inibe muitas soluções.

Luís Ferreira, Exertus - Consultores.

Publicado no jornal Metro em 10-Nov-2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Day After

Foto: Luís Ferreira

Falta futuro à gestão e, sobretudo, à comunicação da crise. Inconsistentemente, atiram-nos com os “porquês” das fortes medidas de austeridade, escasseando, porém, os “para quê” e os “como”. Para estar disponível para a mudança, preciso saber melhor o caminho e com que cores se pinta o dia seguinte.

Neste particular, mais parecem aqueles – governo, líderes de opinião e mass media – apostados em comunicar a desgraça do que os que deveras promovem a construção de um caminho alternativo. Em 37 anos de democracia, criámos bombeiros e alguns gestores; fomos incapazes de gerar estadistas – de largas vistas e brilho de futuro.

Luís Ferreira, Exertus – Consultores

Publicado no Jornal Metro em 30-Set-2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Regresso às Origens

Portugal hesita entre o que já foi e o que há-de ser. Talvez, como escreve J. Gil, tenha medo de existir. Porém, um lado positivo da “crise” é obrigar-nos a fazer escolhas – criteriosas, selectivas e rápidas.

Convicto que poderemos ser o que quisermos mas não tudo o que queremos, a nossa economia deve reencontrar áreas de valor distintivas e aí concentrar esforços. O mar, a floresta ou o sol serão os recursos mais preciosos? Então construamos inteligentemente redes de competitividade e inovação viradas para fora e o futuro. Dispersar recursos mantém a clientela feliz, mas hipoteca o amanhã.

Luís Ferreira, Exertus – Consultores

Publicado no Jornal Metro em 1-Set-2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vinhas velhas

Foto: Luís Ferreira

Por cá contam-se cerca de 30 mil empresas exportadoras. Alargar esta base implica envolver em negócios internacionais fatia significativa de PME – desafio tão exigente quanto aliciante.

A ambição é ingrediente de base mas não suficiente. Para atingir resultados é decisivo combinar pensamento e planeamento estratégicos com criatividade e resiliência. Por fim, polvilhar com agilidade e diferenciação, na certeza que temos que superar os outros.

Tal como nas vinhas velhas, devemos enxertar a energia de novas práticas nas virtudes tradicionais das PME.

Luís Ferreira, Exertus - Consultores

Publicado no Jornal METRO em 03-Jun-2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um fado agridoce

Foto: Luís Ferreira

Como bom rebanho somos eternos crentes, esperando pacientemente a salvação. Temos dificuldade em aceitar responsabilidades e, muito mais grave, em tomar mão do nosso destino. Os “outros” são a tábua da solução: paradoxalmente, ainda que a culpa seja sempre deles, serão eles que nos virão salvar.

Assim, a intervenção da famosa troika deixa um sabor agridoce: não foi o inferno anunciado, nem a redenção desejada. Com afinco e diligência cumpriu a sua missão: um plano de saneamento das contas públicas portuguesas. Não fora a atracção pelas minudências, poderíamos aproveitar este mote para regenerar Portugal.

Publicado no Jornal Metro em 11-Mai-2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mais do que Remessas

Comunidades portuguesas, Fonte: MNE.
Partindo de 5 milhões de emigrantes, percebemos que 1/3 dos portugueses se encontra espalhado pelos 4 cantos do Mundo.
Estes e outros números (remessas de 2,4 mil milhões de euros em 2010) são apenas uma parte da força da diáspora.
Acrescida por nova vaga de emigração, a oportunidade torna-se mais evidente: com portugueses de sucesso nas mais diversas geografias, encontramos verdadeiros facilitadores capazes de apoiar a difícil tarefa de internacionalização das empresas portuguesas, sobretudo as de menor dimensão.
É uma rede poderosa que deve ser convenientemente valorizada, e que seria sensato não desperdiçar!
Publicado no Jornal METRO em 10-Mar-2011.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Nós, Portugal, o poder ser"

Somos um povo tolerante, aberto e universalista. Três singelas mas preciosas qualidades que, transformadas em habilidades, poderiam ser a especiaria do novo milénio.
Os ventos de hoje querem-se cooperantes. Exigem diálogo que estabeleça pontes; capacidade de partilha e facilidade de compreender e por em comum.
Tudo isto está na essência de ser português. Ou seja, para voltar a mostrar novos mundos ao Mundo basta que acreditemos noutro fado.
"Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo " (F. Pessoa).
Publicado no Jornal "METRO" em 5-Jan-2011

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fundos Perdidos

A economia portuguesa perdeu a última década na convergência com a Europa: o nosso rendimento médio estagnou em torno de 3/4 da média comunitária. Torna-se visível o resultado das políticas adoptadas e o magro impacto dos generosos fundos de coesão recebidos da UE. Neste particular, enquanto políticos falam da incapacidade de absorção dos fundos, beneficiários revelam excessiva burocracia e rigidez na sua aplicação.

Talvez uns e outros tenham razão. O grande problema é que o País é o mesmo e a competitividade da economia é que padece.

Não seria altura de articular soluções que efectivamente criem riqueza e prosperidade?

Publicado no Jornal METRO em 25-Nov-2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Plano Inclinado

Abro um planisfério curioso: a imensa China ocupa o centro; à direita todas as Américas; bem na esquerda, a velha Europa (Portugal faz parte do Extremo Ocidente...). Desde Hong Kong não é difícil perceber a velocidade com que o Mundo está a ganhar novas formas. A profundidade e a verdadeira natureza das mutações em curso serão, por ventura, menos claras. Sente-se o murmúrio da bomba social em formação, ainda sem entender se a mão será suficientemente forte para a moldar. De uma forma ou de outra, novos planos são precisos. Publicado no Jornal METRO em 3-Nov-2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O rei vai nu!

Vaidosamente, ostentamos o traje da Europa há um quarto de século.
O precioso tecido foi sendo cerzido com estradas, estádios e rotundas; com escolas, hospitais e museus; com chips e programas mirabolantes. É certo que Portugal mudou radicalmente, recuperando parte do atraso: da liberalização da economia à mutação social, afirmando alguns dos méritos nacionais.
Porém, ainda que mais que mais perto, a Europa é hoje uma realidade cada vez mais remota. Falhámos no essencial: a conquista do nosso espaço diferenciado e a convergência real.
A factura chegou - estamos todos a pagá-la!
Luís Ferreira, Exertus - Consultores.
Publicado no jornal "METRO" em 30-Set-2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Persistir no Sucesso

Se a pequena inveja deixar ver, encontramos uma nota comum nos bons exemplos de sucesso: persistência.
Singrar na vida exige abnegação, inabalável (auto)disciplina e boa dose de ambição. A persistência é, pois, chave de sucesso. Depois - só muito depois - poderá vir a sorte ou um rasgo de génio - o poder do acaso.
Acredita-se pouco nisto. A frágil sociedade de consumo imediato escolhe sucessivamente os caminhos mais fáceis, mais breves e perigosos, escondendo dificuldades e esquecendo desafios. Hipotecamos o futuro, desde a base - a educação - até ao topo - o rumo do País.
Luís Ferreira, Exertus - Consultores
Publicado no jornal "METRO" no dia 23-Set-2010.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Curto-circuito

Para lá das imposições e com algum custo, vamos percebendo que uma consolidação orçamental séria implica reduzir funcionários e privatizar alguns serviços, procurando eficiência na "coisa pública" numa nova noção de Estado.
Infelizmente, estas opções entram em curto-circuito na nossa jovem democracia: como é preciso alterar privilégios instalados na função e serviços públicos, mas não se ganham eleições sem esta significativa franja de eleitores, não conseguimos levá-las a cabo, deixando engordar o "monstro".
Estamos no momento da verdade: temos País à altura desta vital reforma?
Artigo publicado no Jornal METRO em 14-Jul-2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Crescimento inteligente e sustentável

O desenvolvimento dinâmico e coeso do país implica regiões com modelos competitivos coerentes e exigentes - capazes de apoiar o relançamento internacional das economias regionais. Só será sustentável se abandonarmos a escala macrocéfala de Lisboa, ponderando criteriosamente, entre eficiência e coesão, os efeitos das políticas.
Os actores regionais, amorfos e dispersos, têm que inteligentemente se comprometerem neste desafio, para além do protesto ou reivindicação. Muito do futuro do País passa por aqui.
Artigo publicado no jornal "METRO" em 17-Jun-2010.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cooperação Competitiva

Foto: Luís Ferreira
Como podemos pedir a empresas, de pequena dimensão, restritos recursos (humanos, tecnológicos e financeiros) e delicado acesso a informação relevante, que conquistem novos mercados?
Ainda que a internacionalização deva ser missão nas PME portuguesas, verifica-se que acções isoladas são respostas limitadas às exigências do mercado global.
Pelo contrário, a cooperação competitiva pode ser um instrumento relevante: aportando escala, agilidade, inovação e produtividade, a par da dispersão do esforço e do risco. Contudo, exige visão, estratégia e resiliência – em muitos casos, uma verdadeira revolução na cultura empresarial nacional.
Publicado no Jornal "METRO" em 16-Abr-2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

N-11

Next Eleven
A par dos BRIC, os Next Eleven serão as próximas potências na economia do sec. XXI.
Salvo a Coreia do Sul e o menos desenvolvido Bangladesh, são países recém-industrializados (Filipinas, México e Turquia) ou em desenvolvimento (Egipto, Indonésia, Irão, Paquistão, Nigéria e Vietname).
Além de elevada população, partilham auspiciosa combinação de crescimento: estabilidade macroeconómica, maturidade política, abertura ao comércio e ao investimento e qualidade de educação.
Enquanto Portugal força a estabilidade ao crescimento, atentemos os N-11: pelo exemplo e desafio.
Publicado no jornal "METRO" em 6-Abr-2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Projectar Portugal

“Made in Portugal” é vital para vencer no exterior: ao distinguir a nossa marca associamos os atributos que queremos ver reconhecidos.
Dispendiosas tentativas têm sido feitas. Sobre resultados falarão os que regularmente contactam estrangeiros e sucessivamente têm que explicar quem somos e do que somos capazes.
Poderia resolver um filme de produção mundial que, através dos feitos de Quinhentos, mostrasse a notável estratégia de expansão portuguesa, apoiada em inovador processo de I&D. Clarificaríamos a nossa curiosa ligação à Economia do Conhecimento.
Publicado no jornal "METRO".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

No tempo certo

Foto: Luís Ferreira
Houve momento de respostas urgentes – pacificar ânimos, injectar liquidez, intervir em sectores sensíveis, acalmar mercados. Com o restaurar da confiança e a retoma no horizonte, é tempo de apostas prioritárias – aproveitar a recuperação da economia para fazer germinar novos modelos de desenvolvimento assentes em inovadores factores competitivos.
Situações exigentes requerem respostas inteligentes. Com diminuta margem de manobra, Estados, empresas e famílias, vêem-se obrigados a ser muito rigorosos e decididos nas apostas a levar a cabo. É vital ter uma noção clara dos diferentes planos de tempo onde actuam estas escolhas: destrinçar aquelas próximas, de curto prazo, das mais estratégicas dirigidas a um tempo mais dilatado. Muito perigosa é a mistura das estações. Ceder à pressão do dia-a-dia e à urgência de interesses imediatos, hipotecando o futuro, não sendo capaz de dinamizar diligentemente as acções – mais críticas – de longo prazo.
Do Estado espera-se drástico emagrecimento e séria aposta na reestruturação das principais referências da economia; das empresas, afastando-se da subsídio-dependência, que tenham resiliência e audácia, ousando uma criatividade diferenciadora; das famílias que substituam os apelos de consumo por maior planeamento do futuro. A todos é prescrita visão mais lata, menos facilitadora e menos egoísta.
Publicado no jornal "METRO" em 18-Jan-2010