Num destes dias estava de carro com a família na nossa viagem matinal em direcção à escola e emprego, ouvindo no rádio as habituais notícias sobre a crise e os dantescos números de despedimentos. Questionei-me se estas circunstâncias, que ganham relevância quando associadas ao endividamento das famílias e à necessária prioridade nas opções de consumo, não deveriam ter efeito no número de viaturas particulares, por vezes ocupadas só pelo condutor, que diariamente asseguram os movimentos pendulares casa-trabalho. Esta utilização predominante do transporte particular em detrimento do colectivo tem um conhecido impacto na nossa “dependência energética”, no ambiente (emissões atmosféricas e ruído) e na sociedade (tempo dispendido nos trajectos, stress).
Como inverter esta situação? Que alertas transmitir à sociedade? Aplicar “portagens” à entrada de viaturas nos centros urbanos (como a Congestion Charge em Londres)? Aumentar os incentivos estatais para manter ou reduzir as tarifas dos transportes públicos? Dissuadir a utilização do transporte individual, favorecendo políticas de car-sharing? Melhorar a rede de transportes públicos, aumentando em particular a sua complementaridade e difusão? Todas estas soluções foram já testadas, com melhores ou piores resultados, mas é importante melhorar a mobilidade urbana, tornando-a mais sustentável a médio e longo prazo.
É urgente que este caminho seja desenvolvido privilegiando uma abordagem realista à nossa sociedade e às nossas cidades. Mas será que tudo não deveria começar numa política eficaz e coerente de ordenamento do território?
Francisco Parada
