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quinta-feira, 5 de março de 2009

Parados no trânsito

Num destes dias estava de carro com a família na nossa viagem matinal em direcção à escola e emprego, ouvindo no rádio as habituais notícias sobre a crise e os dantescos números de despedimentos. Questionei-me se estas circunstâncias, que ganham relevância quando associadas ao endividamento das famílias e à necessária prioridade nas opções de consumo, não deveriam ter efeito no número de viaturas particulares, por vezes ocupadas só pelo condutor, que diariamente asseguram os movimentos pendulares casa-trabalho. Esta utilização predominante do transporte particular em detrimento do colectivo tem um conhecido impacto na nossa “dependência energética”, no ambiente (emissões atmosféricas e ruído) e na sociedade (tempo dispendido nos trajectos, stress).
Como inverter esta situação? Que alertas transmitir à sociedade? Aplicar “portagens” à entrada de viaturas nos centros urbanos (como a Congestion Charge em Londres)? Aumentar os incentivos estatais para manter ou reduzir as tarifas dos transportes públicos? Dissuadir a utilização do transporte individual, favorecendo políticas de car-sharing? Melhorar a rede de transportes públicos, aumentando em particular a sua complementaridade e difusão? Todas estas soluções foram já testadas, com melhores ou piores resultados, mas é importante melhorar a mobilidade urbana, tornando-a mais sustentável a médio e longo prazo.
É urgente que este caminho seja desenvolvido privilegiando uma abordagem realista à nossa sociedade e às nossas cidades. Mas será que tudo não deveria começar numa política eficaz e coerente de ordenamento do território?
Francisco Parada
Publicado no Jornal Meia Hora, dia 5/3/2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A caminho de Copenhaga

O papel de liderança no combate às Alterações Climáticas tem sido assegurado pela UE quase desde o início da Administração Bush na presidência dos EUA. Este papel tem tido destaque a nível internacional na implementação do Protocolo de Quioto, com reflexos directos a nível interno. As decisões do Conselho Europeu de Dezembro 2008, onde foi atingido um acordo de princípio sobre o pacote legislativo “Energia e Clima - 20 20 20 em 2020” são disso um exemplo. Este pacote de objectivos (redução de 20% das emissões de gases com efeito de estufa, aumento das energias renováveis para 20% do total energia produzida e redução do consumo de energia em 20%) será fundamental para garantir uma redução da dependência energética externa europeia e uma maior “descarbonização” da economia. No entanto em 2009 poderá ocorrer a passagem de testemunho ou a partilha deste papel de liderança, com o “efeito Obama” a atingir o combate às Alterações Climáticas. A UE e os EUA, agora com nova administração, reconhecem a urgência deste combate, encarando-o como uma oportunidade para desenvolvimento de novas tecnologias, materiais e práticas energeticamente eficientes, garantindo ainda a promoção do emprego nestas áreas (a UE prevê 1 milhão de empregos na indústria das energias renováveis em 2020). O ano 2009 será decisivo para uma nova agenda no combate às Alterações Climáticas. Dezembro reservar-nos-á a definição de um conjunto de compromissos mundiais que consagrarão o sucedâneo do Protocolo de Quioto. Será que no nosso léxico vai passar a existir a expressão “Protocolo de Copenhaga”? Faltam só 335 dias.
Artigo publicado no jornal Meia-Hora de 5 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Antes sê-lo que parecê-lo!

Ao ler um artigo de uma consultora internacional sobre o impacto que as alterações climáticas têm na avaliação financeira das empresas, deparei-me mais uma vez com a crescente “tangibilização” económica das obrigações ambientais das organizações.
Esta é hoje em dia só uma das vertentes relevantes para uma adequada gestão das organizações, onde se destacam também o efectivo retorno para os accionistas e para a sociedade.
É o equilíbrio entre estes três vectores (económico, ambiental e social) que a sociedade espera que as organizações atinjam, tornando-se assim um veículo para se atingir o tão almejado desenvolvimento sustentável. E numa sociedade cada vez mais globalizada, informada, exigente e consciente das suas aspirações e desejos, espera-se que o progresso e desempenho para se atingir este objectivo sejam periodicamente reportados.
Surgem assim, como peças preferenciais de comunicação, os relatórios de sustentabilidade ou de responsabilidade social, suportados em princípios basilares como a ética, transparência, informação fidedigna e alinhamento entre comunicação e actuação no quotidiano. Ora todos estes princípios adquiriram um “novo significado” devido à crise financeira que temos observado nas últimas semanas, e às consequências que daí advieram.
Recuperar a confiança perdida é um desafio para todas as organizações, em especial para aquelas que têm realizado o seu caminho rumo ao desenvolvimento sustentável. Não há receitas mágicas, mas a coerência entre os valores defendidos e praticados pode ser um indutor para a recuperação. Cá estaremos para ver e analisar. Artigo publicado no jornal “Meia Hora” a 21/10/2008