segunda-feira, 9 de março de 2009

Mudança (*)

O momento presente é de crise profunda, que em Portugal, apesar de tudo, não se sente de forma tão acentuada porque o país vive em deterioração de há vários anos para cá. A verdade, contudo, é que as nossas empresas não são especialmente competitivas em nenhum sector. Quanto ao nosso Estado, genericamente, prima pela ineficiência. Este é o país onde a Justiça prevê crimes de corrupção activa em actos lícitos! Este é o país onde existem 38 mil processos fiscais pendentes nos tribunais, avaliados em 13 mil milhões de euros – quase 10% do PIB! Este é o país onde o Estado consome perto de 50% de toda a riqueza gerada! No meio de tudo isto, a maioria dos cidadãos, verdade seja dita, também não se rala muito e vive o seu dia a dia sem rasgo nem perspectiva. Em suma, nesta trajectória, Portugal não tem futuro. Infelizmente, eu acredito que o actual sistema político partidário não serve a generalidade dos portugueses. Em Portugal, a democracia indirecta está afastada da população. E as consequências são evidentes: uma parte dos cidadãos deixou de participar nos actos eleitorais; a outra parte virou à esquerda porque inveja os privilégios daqueles que vivem na órbita do Estado. Assim, creio que só há uma alternativa: um novo regime, presidencialista e de democracia directa – uma administração pública simples e menos onerosa –, e uma nova direcção estratégica para o país marcada por uma revolução fiscal. Portugal precisa de mais regulação e de Justiça que funcione, mas não precisa de mais Estado na economia nem de mais impostos sobre os contribuintes. Portugal precisa de ter futuro. (*) Artigo publicado no jornal Meia Hora a 9 de Março de 2009.

2 comentários:

Jose Simoes disse...

"democracia directa"

Se não me engano a última vez que ouvi falar nesse termo foi na voz do "Coronel" Kadaffi (Gaddafi) da Líbia.

O que quer dizer que não tem nenhum significado por si.

José Simões

Filipe Garcia disse...

olá José, obrigado pelo comentário aqui no MP

tal como no outro post, nao importará explorar as ideias e não os autores?

pessoalmente nao sou um especial defensor do presidencialismo ja que me parece um sistema mais sujeito ao risco

a democracia parlamentar corre o risco de ter estrangulamentos, é certo, mas está com o risco mais diversificado

agora também nao me parece que lá pq kadaffi falou em 'democracia directa' o termos esteja inquinado por si proprio...