quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Presos no meio

Foto: Luís Ferreira

Mesmo para os mais distraídos começa a tornar-se evidente que não podemos continuar a importar o nível de vida que nos habituámos nos últimos anos. Temos usufruído de rendimentos bastante superiores à riqueza que criamos, só possíveis pelo elevadíssimo endividamento internacional que a nossa economia padece. Aliás, esta situação cria um curioso paradoxo: os sinais visíveis parecem mostrar que nunca se viveu tão bem em Portugal, estando o país cada vez mais pobre.
Colhe algum consenso que, das poucas opções viáveis que nos resta, ganhar quota no comércio internacional parece ser a via para resolver este persistente desequilíbrio das nossas contas externas. Ou seja, para garantir a viabilidade do país precisamos ter empresas fortemente competitivas, capazes de gerar bens transaccionáveis e focadas em mercados externos.
Se, do ponto de vista global, o problema parece estar cabalmente formulado, a nível empresarial há ainda um longo caminho a percorrer, sobretudo no que toca à inovação, à dimensão e às competências.
São problemas particularmente relevantes porque o país atingiu um estádio de desenvolvimento onde arrisca ficar “preso no meio” – com salários que são demasiado altos para competir com a Ásia e a Europa Central e Oriental na transformação de produtos de baixo valor acrescentado; e produtos que não oferecem uma percepção de valor suficiente para competir com economias mais avançadas.
Este desafio é gigante mas não impossível: os sectores e as empresas que são exemplo de sucesso no Mundo inteiro motivam!
Artigo publicado no Jornal "Meia-Hora" em 19-02-2009.

2 comentários:

Nuno Gaspar disse...

2009.02.17 00:00 "Portugal
A Vivaleite, uma cooperativa de produtores de leite formada em 2007 cujas empresas estão instaladas há largos anos na região de Lisboa e Vale do Tejo, tomou a decisão de cancelar as exportações de leite para Espanha devido aos atrasos do Estado nos reembolsos do IVA"

http://www.anilact.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5646&Itemid=1

Anónimo disse...

Tornou-se evidente que estamos expostos as exportaçoes. Mas criar condiçoes para isso nao e facl, porque o mercdo de exportadores esta um red ocean. Cada pais dá melhores condiçoes, e ha um limite para tudo, um ponto a partir do qual nao vale a pena melhorar competitividade (subsidios, licenças...).

Como actulmente se vive uma crise de confiança e de emprego, é dificil calcular este ponto, ja que nao se trata de uma funçao meramente operacional.

para mim o que e liquido e que se deveriam criar condiçoes unicas ao nivel fiscal para sectores em que Portugal nao tem industrias montadas, de forma a trabalhar apenas na linha dos marginais variaveis e criar problemas apenas a outros mercados.

Pedro Barbosa