terça-feira, 26 de maio de 2009

Porque sobe o preço do petróleo?



Os preços do petróleo subiram cerca de 75% desde os mínimos no final de 2008. É de esperar que o preço esteja correlacionado com os níveis de actividade económica e pode parecer estranho que os preços subam num contexto de crise. Qual o motivo da subida?

Do lado da oferta não se pode falar de uma escassez de petróleo, mas nota-se que os membros da OPEP estão a agir de forma mais concertada.

É na procura que se encontram as causas. A procura "física" de petróleo não está ainda a aumentar, excepção feita aos reforços de reservas estratégicas de alguns países. Já a procura para investimento tem aumentado consideravelmente. É habitual que os mercados antecipem os ciclos económicos, pelo que esta procura por investidores é sinal de confiança. Há outros factores, mais interessantes. Receia-se uma espiral inflacionista no futuro, provocada pelas injecções de liquidez feitas pelos bancos centrais e pelos planos de intervenção dos governos. Compra-se petróleo para cobrir o risco de inflação já que se os preços subirem, o petróleo tenderá a subir mais. O dólar poderá desvalorizar mais, o que também atrai compradores às matérias-primas. Em resumo, a subida é mais suportada no investimento que na procura "física".

Investir em petróleo é possível em várias formas: contratos de futuros e equiparados, fundos, índices e acções do sector. Mas é pouco sensato que um investidor não experimentado entre no mercado sem aconselhamento adequado. Não que a sua opinião seja pior que a dos "experts", mas porque são instrumentos financeiros com complexidade, em que é simples perder-se muito dinheiro sem se saber muito bem porquê.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Meia Hora em 26 de Maio de 2009

 

3 comentários:

Anónimo disse...

Meu ponto de vista: O petróleo sobe porque o consumo pouco ou nada diminuiu. Não houve nem há, e ainda bem, uma verdadeira crise económica que faça baixar abruptamente por exemplo o numero de veículos nas estradas, não só em Portugal, mas no resto do mundo.

Gostei do seu artigo acerca dos veículos ecológicos. Há décadas que os construtores guardam na gaveta projectos de veículos eléctricos e/ou movidos a hidrogénio. Só não passam do papel porque os "lobbys" não deixam. Sem a receita das gasolinas, os governos, a começar pelo nosso,não teriam receita para aprovar OE.
Cumprimentos.

Trader

Pedro Barbosa disse...

É evidente que guardam esses projectos na gaveta. Fazem porque não tem suficientes incentivos a desenvolve los. E tal acontece porque o curto prazo é mais importante do que o longo e os governos não querem aumentar o petroleo no curto, pelos efeitos colaterais.

Como defendo desde há muito, a sustentabiliadde só acontecerá quando o petróleo bater de forma constante os valores de 140-180 dólares, ou mais ainda, conduzindo a uma necessidade efectiva de fontes alternativas maiores.

Ou, o Code Green americano arrancar mesmo, via governamental, por motivos de autonomia politica.

Filipe Garcia disse...

eu, que sou um céptico, acho que desta vez vai haver um shift

o negocio está a ficar capitalizado, há vontade política e cívica e, como eu disse no texto (que não é este artigo, mas sim este >>> http://mercadopuro.blogspot.com/2009/05/sera-que-pega.html ) "há a consciência por parte dos construtores da oportunidade “única” na renovação global do parque automóvel, em que o first mover será muito premiado."

alias basta ver a batalha tecnológica nas baterias que está em curso.

a este propósito ver:

http://money.cnn.com/2009/04/14/technology/keegan_battery.fortune/index.htm

http://money.cnn.com/2009/04/13/technology/gunther_electric.fortune/index.htm

http://money.cnn.com/2009/04/14/autos/taylor_electric.fortune/index.htm