sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Opiniões em "contramão"



Fazer previsões audaciosas e contra a corrente é uma boa forma de tentar a sorte.
 
Consegue-se imediatamente alguma publicidade no momento da previsão pelo efeito de "choque". E mais tarde, se a sorte sorrir e ela se concretizar, foi "ele", o "tal indivíduo" que acertou. Se alguém surgir a prever um grande terramoto daqui a dois meses e se acertar, será um entendido, um fora de série. Se errar ninguém se lembra.

Estamos habituados a tácticas destas há décadas, quando o país parava para ouvir as previsões do ano que vem dos astrólogos e videntes do costume. Mas o fenómeno não conhece nem fronteiras nem assuntos.

Desconfio muito deste tipo de previsões. Mas confesso, cairei em tentação. Mesmo que do outro lado da barricada esteja o prémio Nobel da economia, todos os banqueiros centrais e milhares de analistas. 

Há que reconhecer que as economias ainda não bateram no fundo e que a situação vai piorar. Mas estou com "pouca vontade" de alinhar no cenário quase consensual de uma crise muito prolongada, até 2010, 2011, 2012... Não
que esse cenário não se possa materializar, mas esta crise tem contornos muito diferentes das anteriores, nomeadamente na velocidade a que os factos se vão desenrolando.

As bitolas que usamos normalmente para definir períodos de recessão e de recuperação podem não servir agora. A rapidez com que a economia caiu poderá ser a mesma da inversão, dadas as medidas "limite" que estão a ser tomadas e a vontade que existe de sair do "pesadelo".

É perfeitamente plausível que a recuperação económica seja bem mais rápida do que o "consensus" prevê.


Filipe Garcia

Artigo publicado no jornal Meia Hora de 12 de Dezembro de 2008

3 comentários:

Pedro Sequeira disse...

Filipe ! Não posso estar mais de acordo contigo ... e até pode dar jeito, uma vez que posso acabar por ser "o individuo" que se encostou a um pensamento acertadíssimo :). Mais a sério, sinceramente também acho que há muito envolvimento de Entidades, a vários níveis, que ambicionam inverter rapidamente esta crise, levando-me a arriscar também que isto vai mudar mais rápido do que se pensa. Mas também acho que já te vi mais pessimista em finais de Outubro, nomeadamente quanto ao que estava a acontecer na China, e quando comentaste as minhas "meia dúzia" de linhas.

Pedro Barbosa disse...

Filipe,

Procura definir o que tens em mente com rápida. Pensas que 2009 resolve o assunto?

E como arriscas ser 2009, nomeadamente em termos de impacto na produção industrial, factor que poderá ser indutor de vários indices pela sua relação com o emprego (e PIB).

E sobretudo importa perceber a base da argiumentação. tem a ver com as medidas actuais e potencialmente futuros dos BC e Governos? Ou tem a ver com o facto da situação económica tger um fim á vista e os early birds começarem a descontar isso, comprando e investindo, gerando um movimento circular positivo?

Podes esclarecer, tendo em conta a ousadia da aposta?

Filipe Garcia disse...

vamos por partes:

1. a minha mensagem essencial é: "calma com os consensos de uma desgraça económica q se alastra até 2011 ou mais pq a situação não tem paralelo e por isso não há previsoes que considero crediveis"

2. as medidas que estao a ser tomadas (ver por exemplo hj a FED a cortar para perto de 0%) sao ineditas; tal suporta o cenario de que isto é diferente. O Nobel pode ter razao, mas sinceramente acho q se tiver é um bocado por sorte... isto é mesmo diferente de tudo o q ja se viu

3. (sequeira) estou MUITO, HIPER, MUITISSIMO pessimista para o curto prazo; nao vimos o fim disto, nem por perto e o 1º trimestre de 2009 deverá trazer numeros q se nao fosse por nao ter graça nenhuma ate davam para rir; o desemprego então... vai disparar em muitos países

4. entendo q este meu discurso pareça meio sinuoso, qse pós-moderno. Concedo. Mas o que quero dizer é que nesta fase o mundo parece qu evai acabar e eu acho que isso nao vai acontecer e acho que as vendas de natal de 2009 podem ser melhores do que as de 2008.