sexta-feira, 26 de junho de 2009

A nova febre do ouro



O ouro fascina o Homem desde sempre, levando a exageros e a movimentos de massas. Os preços do ouro estão a subir mais de 35% desde Outubro, tendo já estado em alta de quase 50% quando, em Fevereiro, atingiu a cotação de 1000 dólares por onça. Num prazo mais longo a valorização é ainda mais impressionante, com o metal precioso a triplicar de preço desde 2001. Esta febre do ouro fará sentido?

A subida de preços dos últimos meses pode explicar-se por três razões: grande influxo de dinheiro que regressou aos fundos de matérias primas, descida do dólar e procura de activos de refúgio num contexto de crise. Os argumentos a favor do ouro já se tornaram populares a ponto de serem discutidos em qualquer café ou conversa de amigos, o que é, no mínimo, um sinal de alerta. Mas qual a sustentabilidade desta subida? Não será uma nova "bolha" especulativa?

Olhando para as estatísticas mais recentes do World Gold Council verifica-se que o consumo de ouro para joalharia caiu 24% no primeiro trimestre do ano, em termos homólogos. A utilização do metal na indústria caiu 31% no mesmo período. Em 2008 já se tinha registado uma queda, embora inferior a 10%, face ao ano anterior. Já o investimento em ouro "físico" disparou 248% e sob a forma de activos financeiros subiu uns impensáveis 540%!

Há dois anos o investimento em ouro há representava 25% da procura total, mas representou nos primeiros três meses de 2009 essa valor já era superior a 60% do mercado. Bastará que o interesse investidor se atenue para que os preços caiam a pique.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Meia Hora de 26 de Junho de 2009


2 comentários:

Anónimo disse...

Desde o momento que o mercado do ouro passou a ser refugio tornou-se tao volatil como os demais (embora em pereiodos menos concentrados). Ja tem pouca corelacçao com o seu consumo como destino final, pelo que e irrelevante saber como anda a joelharia.

Mais curioso e o inverso : a joelharia continua exclusiva apesar da quebra por causa do "mercado pararelo" (compra de ouro como investimento), muito maior do que o seu.

Pedro Barbosa

Filipe Garcia disse...

Estás enganado.

É absolutamente relevante e imprescindível conhecer, compreender e prever a estrutura da procura de um qualquer mercado (e já agora da oferta) se quisermos ter uma opinião sobre o mesmo.

Saber como andam as diversas componentes e compreender, como diz o artigo, a alteração estrutural nas componentes da procura é absolutamente essencial para compreender as oscilações de preço em todos os prazos.

É precisamente por se fazerem análises pouco diligentes sobre o que motiva a oferta e a procura que se leva ao erro na tomada de decisão, comprando caro demais ou vendendo ao desbarato.

O que o artigo diz, para quem quiser compreender, é que o ouro subiu devido à evolução da procura na sua componente de investimento. Mantendo-se a oferta física de ouro relativamente constante e aumentando a oferta de derivados, o investimento de ouro terá de continuar a CRESCER para que os preços se MANTENHAM, situação que aconteceu com o petróleo há um ano.

De resto é justo analisar que o ouro está "caro" em termos históricos, como se pode ver em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Historico_ouro.gif

O gráfico está só até 1999, mas hoje o ouro está a $940.