segunda-feira, 25 de maio de 2009

Será que pega?



Há décadas que se fala dos automóveis eléctricos como os “carros do futuro”. Durante muito tempo nada aconteceu de relevante para além do sucesso relativo dos veículos híbridos, mas que são dependentes do motor de combustão. O panorama do sector poderá sofrer uma alteração significativa, primeiro com a introdução de veículos com sistema paralelo (desenhados para um funcionamento com motor eléctrico e com a combustão como suporte) e depois com o aparecimento de carros 100% eléctricos. A duração das baterias tem constituído um obstáculo lógico, mas a tecnologia está a evoluir.

Um dos sinais de que um produto poderá singrar é o tipo de investidores que nele aposta. Warren Buffet adquiriu no Outono passado 10% da BYD por 230 milhões de dólares. Esta empresa chinesa de automóveis eléctricos obrigou-o a abandonar um dos seus princípios - conhecer bem o negócio. No entanto, entendeu que estava perante uma enorme oportunidade, num sector que ainda é estranho para a maioria.

Esta semana, os Estados Unidos aprovaram novos e ambiciosos limites para as emissões de gases por veículos automóveis. A lei, a responsabilidade ambiental e a moda tenderão a ajudar o carro eléctrico a conquistar mercado, logo que as performances e autonomia sejam aceitáveis.

A indústria tem resistido a desenvolver o mercado, dado que parte importante das receitas advém da manutenção e não da venda dos veículos. Sabe-se que os motores eléctricos necessitam menos de manutenção, pelo que há uma ameaça ao modelo de negócio. Porém, há a consciência por parte dos construtores da oportunidade “única” na renovação global do parque automóvel, em que o first mover será muito premiado.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Meia Hora de 22 de Maio de 2009

1 comentário:

Filipe Garcia disse...

para reforçar, sou um céptico, acho que desta vez vai haver um shift

o negocio está a ficar capitalizado, há vontade política e cívica e como disse no texto "há a consciência por parte dos construtores da oportunidade “única” na renovação global do parque automóvel, em que o first mover será muito premiado."

alias basta ver a batalha tecnológica nas baterias que está em curso.

a este propósito ver:

http://money.cnn.com/2009/04/14/technology/keegan_battery.fortune/index.htm

http://money.cnn.com/2009/04/13/technology/gunther_electric.fortune/index.htm

http://money.cnn.com/2009/04/14/autos/taylor_electric.fortune/index.htm