sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Porque sobe o euro?



O euro encontra-se no valor mais alto desde Fevereiro, recuperando as perdas associadas à crise da dívida soberana.
É provável que a China esteja na origem deste movimento, comprando euros e obrigações de países como a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.
Com esta estratégia a China desvaloriza ainda mais a sua moeda e pode estar a tornar refém a própria zona euro.
Se acumular obrigações suficientes, a China poderá ameaçar vendê-las e ter os europeus nas mãos, como já acontece face aos Estados Unidos.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 8 de Outubro de 2010


6 comentários:

Jose Simoes disse...

"Se acumular obrigações suficientes, a China poderá ameaçar vendê-las e ter os europeus nas mãos, como já acontece face aos Estados Unidos"

OS EUA+UE ainda devem ter força para impôr um boicote (pacífico) comercial e financeiro à China Continental. Chama-se a isso exercer a soberania não pactuar com a escravatura.

Aliás mais cedo ou mais tarde terão de o fazer, ou então passarmos a trabalhar por uma tijela de arroz ao dia.

Há no entanto esperança, hoje mesmo o prémio nobel da paz foi atribuida a um dissidente Chinês.

Filipe Garcia disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Pedia um esclarecimento sobre o que disse. Quando diz "devem ter força" quer dizer "têm a força necessária" ou "deveriam ter a força necessária".

Quanto a boicotes... não há boicotes pacíficos.

Esta é uma situação importante, em que os interesses dos diversos blocos são antagónicos.

Jose Simoes disse...

citação

Pedia um esclarecimento sobre o que disse. Quando diz "devem ter força" quer dizer "têm a força necessária" ou "deveriam ter a força necessária".

fim de citação

Eu quis dizer "têm a força necessária" e, acrescento agora, quando o problema se colocar, "terão a força necessária".

Não há boicotes pacíficos, é uma questão do significado das palavras. Referia-me a um boicote tipo eua-cuba (sobre o qual muito à a falar), mas com livre circulação de pessoas porém tendo limites à circulação de dinheiro/serviços/mercadorias

Embora não tenha referido este boicote terá de ser exercido também sobre os paraísos fiscais e paraísos criminais, sem o qual esse boicote não será possível.

Filipe Garcia disse...

Obviamente que não é assunto para duas linhas, mas parece-me impossível fazer um bloqueio à China mimetizando o de Cuba. Hoje o supply chain mundial está todo montado na China. Bloquear a China é bloquear quase toda a esfera produtiva mundial. É quase como lá em casa fazer um bloqueio à companhia das águas. Nestas coisas os bloqueios funcionam pouco... Teríamos mais a perder do que a ganhar, penso eu.

Jose Simoes disse...

Ora, falta de imaginação.

Poderíamos impor uma taxa de 20% sobre os produtos originados na China. (20% é um valor ou calhas, mas realista).

A China is deixar de vender? Duvido. eles não saberiam o que fazer com os produtos e com a mão de obra barata e grande agitação social interna teriam com taxas muito elevadas de desemprego. numa sociedade que já ganhou alguns hábitos de consumo. E o PC Chinês já teve um susto na praça Tienamen.

Isso ia aumentar a nossa inflação? Sim, mas a inflação é melhor que a deflação e socialmente mais gerível.

Por outro lado o governo arrecadava uns dinheiros a mais e os nossos produtos tornar-se-iam mais competitivos (na verdade os efeitos serão os mesmos que apreciar o valor da moeda chinesa em 20%, só que nós estaríamos no controlo, e o estado metia algum dinheiro ao bolso).

Eu acho que estas soluções são realistas, apenas alguns lobis estão contra e esses lobis controlam facilmente orgãos não eleitos.

Mas opção será na rua.

Pedro Sequeira disse...

Estamos a falar da 2a potência mundial e em velocidade cruzeiro para 1a potência. Não me parece realista essa guerra económica dos 20%. A vida económica não é assim tão simples. Nós, Europeus (principalmente os do sul), temos é que fazer o nosso trabalho de casa e não andar a gritar nas ruas que não aceitamos a reforma para lá dos 60 anos. Deixem os chineses fazer o seu caminho, que também irão encontrar muitas paredes. Quanto a nós, temos uma luzinha ao fundo do túnel de esperança, mas vai depender de nós que essa luz não seja o comboio a vir contra nós.