quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A arte da guerra à portuguesa



"A Arte da Guerra", de Sun Tzu, foi uma das leituras de Verão. É um livrinho essencial para as várias dimensões da nossa vida. Dos vários "ensinamentos" destacaria: é melhor vencer sem combater, é crucial que as guerras tenham desfechos rápidos, não se deve encurralar o inimigo e o desfecho da guerra é normalmente fácil de prever.

Maus exemplos há em todo o lado. À vista de todos está o processo Carlos Queiroz, um case-study de má gestão.
A FPF, Queiroz, ADoP e Governo resolveram, impoderadamente, iniciar uma guerra, que vai ser demorada. Queiroz está encurralado e o desfecho está fácil de prever: todos vão perder.

Sun Tzu continua a perceber muito do assunto, com 2400 anos de avanço.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 2 de Setembro de 2010


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rentrée

Acabou a Silly Season, ou assim dizem.
Efeitos da crise ou talvez não, facto é que este ano mais portugueses passaram as férias cá dentro. Não são (só) estatísticas, são certezas de quem viu metade dos amigos trocar a Tunísia, o Recife e outras maravilhas do mundo pelo Alentejo, Algarve ou Vidago.
Não se pense contudo que tal obedece a campanhas de captação por “interesses nacionais”. O turismo está a crescer porque esta economicamente mais interessante, entre as novas gamas de preço e a qualidade da oferta. E é neste caminho que se afirmará como o principal activo de Portugal no futuro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Reconstruir a Oferta

A mudança de atitudes dos consumidores, o aumento da concorrência, a lenta recuperação económica e as novas regulamentações, terão um impacto significativo nas receitas das empresas em geral.
Aqueles que acreditam que seu negócio vai recuperar quando a economia normalizar, estão redondamente enganados. As principais empresas mundiais estão a reconstruir a sua oferta e a alinhá-la com o que os clientes estão dispostos a pagar.
Mas os pequenos também o podem fazer e devem começar a investir desde já em recursos e ferramentas para entender melhor o que os clientes querem, que tipo de inovações parecem estar a ter sucesso no mercado e como ter uma distribuição eficiente.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PuraMente #47 - Ubuntu

Nome: Ubuntu
Autor: Bob Nelson e Steve Lundin
Data (Original): Março 2010

Frase:”Não se deve subestimar o poder do trabalho colaborativo e a identidade da comunidade” Keywords: Colaboração; Cooperação; Colectivo; relacionamento; Ubuntu; África;

Apreciaçao: ***
Os autores descrevem o conceito Ubuntu – uma forma de vida tradicionalmente usada em algumas partes de África antes da sua importação para a gestão note americana – através do recurso a uma história de ficção que se centra numa grande multinacional americana. O cenário parte de um gestor incapaz de liderar o seu grupo de trabalho, compensando com trabalho individual os maus resultados de cada um, substituindo-se finalmente às suas funções, para evitar danos maiores na empresa. Este gestor terá a ajuda de um nativo africano emigrado para os Estados Unidos para frequentar um MBA – dando origem ao desenvolvimento das técnicas Ubuntu.

Mais do que uma técnica, estratégia ou framework, o Ubuntu é apresentado como uma forma de estar na vida com origem ancestral, politicamente situada entre os heróis da África do Sul Nelson Mandela e Bispo Tutu, que terão estado na sua disseminação na famosa reconciliação pós apertheid. Esta filosofia parte da premissa que todos fazemos parte de uma grande família e que beneficiamos de nos tratarmos com confiança e respeito. Ubuntu assenta nas semelhanças em vez das diferenças e cria uma base de solidariedade no trabalho em grupo que se centra não no altruísmo generoso, mas na crença real de que tal cria, numa visão de longo prazo, valor para o próprio, e para todos.
O livro tem aplicação na gestão, sobretudo em áreas de Recursos Humanos ou Liderança, encerrando uma série de princípios mais ou menos óibvios, mas nem sempre praticados, sobre partilha e teambuilding. Por outro lado, algumas das suas secções parecem roçar o exagero na sua abordagem excessivamente simplista de que tudo se resolve com partilha e trabalho comum, aparentando retirar algum protagonismo ao mais elementar principio que induz competitividade : a meritocracia.

Um livro recomendável, sem ser prioritário.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A Lei é para cumprir



Quando a lei "anti-tabaco" entrou em vigor em Portugal, a qualidade de vida melhorou. Voltou a ser possível frequentar locais públicos sem que o nocivo, incómodo e incivilizado fumo estivesse presente.

Os fumadores teriam os seus espaços próprios, não se tratando de uma discriminação, mas de um auto-afastamento. Mas já se nota o tradicional laxismo português e, sobretudo à noite, proliferam os maus exemplos onde a lei não é cumprida. Voltou o "castigo" aos não-fumadores, em vez de serem penalizados os que não cumprem a lei.

Num "país a sério" as leis são respeitadas. E se não o forem, as autoridades têm o dever de actuar.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 27 de Julho de 2010, pág 7


segunda-feira, 26 de julho de 2010

África, Terra de Oportunidades

A crise veio clarificar as oportunidades de desenvolvimento económico para Portugal. Confirmou a exportação como principal caminho para a criação de riqueza e relevou África como Terra de Oportunidades. Entre a adesão à União Europeia e a crise, o País privilegiou as ligações à Europa e seus subsídios. Com a crise a afectar também a Europa, África ressurgiu. Hoje, como no passado, quem não tem um amigo a trabalhar em África? é nestes países que muitos portugueses vencem o desemprego. António Jorge Marketeer e Docente Universitário Publicado no Jornal Metro de 22Jun10

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mau Exemplo

Os Governos têm a obrigação moral de ser sempre o primeiro exemplo nas respectivas economias. Baixar os impostos e aumentá-los e de seguida não é coerente. Isentar SCUTs e depois de se fixarem novas migrações internas baseadas nessas decisões, decidir taxá-las não é responsável. Decidir pela cobrança em algumas SCUTs e outras não é uma descriminação vergonhosa.
Ser incapaz de executar a taxação é uma anedota trágica. Subsidiar a natalidade para depois a cancelar não é pois uma excepção, mas a continuidade do mau exemplo do Estado Português.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A crise não é para todos



A previsão mais recente do Banco de Portugal aponta para uma redução de 0.9% do consumo privado em 2011.

Caso venha a concretizar-se, esta previsão significa mais dificuldades para as empresas, que terão serão confrontadas com uma redução da procura.

Contudo, o mesmo relatório desagrega o consumo privado em bens duradouros e não duradouros. Os primeiros deverão recuar 12% no ano que vem, mas o consumo de bens não duradouros ainda crescerá 0.2%. Com as exportações líquidas a crescer 3.7% no mesmo período, percebe-se que há empresas melhor posicionadas que outras para atravessar a crise.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 16 de Julho de 2010


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Curto-circuito

Para lá das imposições e com algum custo, vamos percebendo que uma consolidação orçamental séria implica reduzir funcionários e privatizar alguns serviços, procurando eficiência na "coisa pública" numa nova noção de Estado.
Infelizmente, estas opções entram em curto-circuito na nossa jovem democracia: como é preciso alterar privilégios instalados na função e serviços públicos, mas não se ganham eleições sem esta significativa franja de eleitores, não conseguimos levá-las a cabo, deixando engordar o "monstro".
Estamos no momento da verdade: temos País à altura desta vital reforma?
Artigo publicado no Jornal METRO em 14-Jul-2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

PuraMente #46 - The Art of Asking

Nome: The Art of Asking

Autor: Terry Fadem

Data Original: Dezembro 2008

Frase: " Ask Better Questions, Get better Answers”"

Keywords: ask; question; leadership, information; answer;

Apreciação: ***

Terry Fadem escolheu como tema um cliché altamente relevante para a gestão, sem prejuízo de outros. É fazendo perguntas que se obtém respostas, e é com estas que, contrastanto com a informação já disponível, se evolui. Frequentemente, factores sociais limitam os adultos de realizar as questões certas nos momentos chave, condicionando a aprendizagem e a procura de uma solução realmente melhor – é pela falta destes factores sociais que as crianças aprendem de forma mais célere e eficaz.

O livro aborda este tema de uma forma séria e profissional, esclarecendo que, para lá da atitude – ter a coragem de fazer as necessárias perguntas em ambientes onde estas não são sempre fáceis – é necessário ter consciência da importância de fazer as perguntas certas, as que aumentam a probabilidade de acrescentar informação marginal relevante.

O autor fornece um framework baseado num conjunto de técnicas e regras que procuram conduzir gestores num caminho de eficácia, dando particular importância a saber ouvir. As técnicas exploram igualmente a forma como as questões são realizadas, em particular a linguagem não verbal. O autor propõe um modelo assertivo, em que as questões mais difíceis e relevantes são colocadas sem rodeios, nos momentos indicados, sem nunca as adiar.

O livro supera as expectativas iniciais na segunda parte, que se concentra em explicar como é possível maximizar as possibilidades de obtenção das respostas desejadas, um complemento aos conteúdos sobre perguntas e sobre as técnicas para saber ouvir.

Esta obra nem sempre facilita a tarefa dos leitores pela sua escrita cinzenta e compacta, compensado por um alargado e interessante conjunto de exemplos com potencial de aplicabilidade. Trata-se de um livro recomendável para gestores e empresários, obrigatório na área da Gestão de Pessoas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Já não chega

Quem passar os olhos nos suplementos de emprego dos jornais portugueses verificará pelo menos duas coisas: a oferta educativa continua a ser cada vez maior e as instituições de ensino superior estão a dramatizar a necessidade de se fazer o 2º ciclo. Tal facto não deve surpreender, visto que a competitividade no mercado de trabalho aumenta em cada dia, e começa hoje a estar claro que, enquanto os mais seniores se devem dedicar à formação contínua ao longo da carreira, os mais júniores deparam-se com uma nova realidade: uma licenciatura já não chega.

Tendências em Vigor



As grandes alterações raramente se notam no dia-a-dia. Convivemos com a mudança, mas temos dificuldades em mudar de paradigma.

Neste momento detectam-se três grandes tendências a nível global:
1. Desalavancagem: processo pelo qual se reduz o excesso de endividamento de países, bancos, empresas e famílias.
2. Nivelamento: tendência de aproximação entre as várias zonas do globo. Não só a nível económico, mas também nos direitos, gostos e protecção. Uns avançam e outros recuam.
3. Regulação: cada vez maior intervenção do Estado na vida dos cidadãos, empresas e economia em geral. Provocada pelo medo da mudança, pressão social e necessidade de receitas.

(Baseado no relatório bimestral IMF que pode ser consultado AQUI)

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 7 de Julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

Desincentivar o trabalho



Recentemente o Estado adoptou, e bem, medidas para desincentivar a permanência no subsídio de desemprego, fomentando a procura de um posto de trabalho.

A decisão de cobrar portagens em vias de comunicação sem alternativas - em vários casos construídas onde antes se situavam as vias de comunicação originais - contribui para que volte a valer a pena ficar em casa.

Muitos portugueses foram empurrados para a periferia ou escolheram o local para viver no pressuposto de ter acessibilidades sem custos para o utilizador. Agora, simplesmente deixa de compensar continuar a trabalhar ou procurar um novo emprego.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 6 de Julho de 2010


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Redescobrir o cliente



Uma das externalidades positivas da actual crise reside na maior preocupação com a qualidade dos balanços das instituições financeiras. A sustentabilidade dos bancos passou a ser uma preocupação de topo, também reforçada pelos sistemas de regulação e acordos de Basileia, num processo que só agora está a começar.

[Nesse contexto, é interessante que o mercado comece a prestar atenção a rácios como o créditos/depósitos, até porque com Basileia III a caminho, as instituições financeiras terão de se adaptar rapidamente para não serem obrigadas a capitalizar-se de forma abrupta, ou a encolher o seu negócio.]

É de louvar que surja o interesse em saber o grau de alavancagem dos bancos, os riscos em que incorrem e os meios de financiamento. O processo de desalavancagem da economia ocidental está em curso e tudo o que puder ser feito para evitar que o balão "estoure", em vez de esvaziar lentamente, será bem vindo.

Com o mercado monetário paralisado e com a "nova" concorrência do Estado na captação de poupança, os bancos despertam para a necessidade de se financiarem nos clientes. Note-se que a total dependência da banca face aos depositantes também não seria desejável, dado o carácter potencialmente volátil do comportamento dos clientes. Mas os números sugerem que esse risco não existe. Pelo contrário, os bancos portugueses estão dependentes do financiamento externo, o que actualmente é arriscado e caro.

Por outro lado, atrair depósitos ajuda no envolvimento do cliente com o banco, numa estratégia integrada de marketing que vai além da mera e dispendiosa sucessão de promoções publicitárias.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo a publicar no Diário Económico em 5 de Julho de 2010 (pág. 29)


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ladrão que rouba Ladrão...



O Estado deve ser um exemplo de conduta ética.
Com o objectivo de pressionar contribuintes em evasão fiscal, o Estado português, a exemplo de outros na Europa, prepara-se para comprar listas de clientes que foram roubadas de um banco suíço. Retirar vantagens a partir de informação roubada é dar um mau exemplo aos portugueses.
O crime de receptação - obter vantagens com base em algo que foi obtido ilicitamente - está previsto no artigo 231º do Código Civil português.
Em democracia os fins não podem justificar os meios.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 2 de Julho de 2010


Just a Game?

O Mundial de Futebol foi o motivo para, pela primeira vez, a TV Norte Coreana transmitir em directo um evento à escala global para os seus cidadãos. O governo francês perante o descalabro que foi a participação da sua selecção viu-se obrigado a intervir directamente no assunto buscando justificações para o sucedido. Em sentido contrário o primeiro ministro Neo Zelandêz prometeu receber os seus jogadores como heróis dada a excelente prestação dos All White. Será o futebol apenas um jogo?

Pedro Tuna

Administrador da RoomDimensions - Soluções Tecnológicas para Salas de Controlo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O NOVO AEROPORTO

Há planos para a construção de um novo aeroporto de Lisboa com custos estimados de 4 mil milhões de Euros, descontando as habituais derrapagens financeiras das obras públicas. O país não tem dinheiro e há alternativa. A maioria das grandes cidades europeias tem aeroportos vocacionados para companhias “low cost” nos arredores. Estas representam 30% do tráfego da Portela. É esta a solução de baixo custo que Portugal precisa para o aeroporto de Lisboa e que resolve o “problema” da Portela para os próximos 30 anos.
Publicada no Jornal Metro de 30 de Junho de 2010
http://bit.ly/9f8GSc
Miguel Braga miguel.braga@gmail.com Administrador Rule of Thumb Ltd.

domingo, 27 de junho de 2010

Cidades Donut

A ideia de fundir várias cidades que fazem parte do mesmo pólo urbano, acarreta, para além da vantagem de notoriedade, o aumento de potencial de captação de investimentos.
No entanto, existe uma vantagem que hoje se torna mais relevante: é uma forma alternativa de se minorar o efeito Donut das cidades, em que o meio fica vazio e o anel ao seu redor preenchido, por vezes em excesso. Hoje, são periferias a ter espaço e capacidade para instalar grandes superfícies e complexos habitacionais que esvaziam o núcleos, descaracterizando as metrópoles.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Hoje vou fazer dinheiro


Sou proprietário de vastas terras nesta era medieval. A colheita está fraca e exagerarei nas despesas. Preciso fazer dinheiro. Mais impostos? Sim, mas já não chega. Quero algo a que ninguém consiga escapar.

Eureka! Vou cobrar portagens dentro da propriedade! Já recebo de quem vem de longe e aproveita para refrescar os cavalos aqui, mas agora taxarei os meus camponeses. Eles têm que passar de uma quinta para a outra, do poço para o estábulo, do palheiro para o meu palácio. 

Pagarão sempre que se mexerem, não interessa se não têm opção. Só não vou cobrar - para já - naquelas terras mais a Sul, as terras do Rei. Primeiro pagam a Norte, depois logo se verá.


Filipe Garcia
Publicado na página 13 do jornal Metro em 25 de Junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Europa é boa



Em breve aumentará a contestação ao projecto europeu. A Europa já tem os inimigos em Portugal, acantonados numa perspectiva datada do mundo, num saudosismo histórico serôdio. Mas é provável que as restrições financeiras, cuja responsabilidade será única e erradamente atribuída à Europa, constituam arma de arremesso para quem preferia estar miseravelmente isolado.

A Europa tem melhorado a nossa vida em dimensões que já nem damos conta. E a tolerância, liberdade, mobilidade, democracia, oportunidades, respeito e paz, não estando nos níveis ideais, são cada vez mais reforçados de geração em geração.

Não se deixem enganar: a Europa é boa para Portugal.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 18 de Junho de 2010



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Crescimento inteligente e sustentável

O desenvolvimento dinâmico e coeso do país implica regiões com modelos competitivos coerentes e exigentes - capazes de apoiar o relançamento internacional das economias regionais. Só será sustentável se abandonarmos a escala macrocéfala de Lisboa, ponderando criteriosamente, entre eficiência e coesão, os efeitos das políticas.
Os actores regionais, amorfos e dispersos, têm que inteligentemente se comprometerem neste desafio, para além do protesto ou reivindicação. Muito do futuro do País passa por aqui.
Artigo publicado no jornal "METRO" em 17-Jun-2010.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

16 de Junho - Debate - Tendências, o que vem aí?



Este é um evento que conta com a participação de três participantes do Mercado Puro.
Apareçam porque vai valer a pena!

Realiza-se no dia 16 de Junho, na EGP-UPBS ( Pólo dos Salazares), pelas 19 horas, o debate “Tendências: o que vem aí?”, uma discussão sobre tendências de mercado.

Para o evento foram convidados pela EGP-UPBS:

  • Filipe Garcia, Economista da IMF e analista de mercados financeiros
  • Pedro Barbosa, autor do livro “Speculations and Trends” e gestor na área do grande consumo
  • Francisco Parada, especialista em ambiente e sustentabilidade
  • Luís Meireles, especialista em infra-estruturas de transportes.

A entrada é livre.

sábado, 5 de junho de 2010

Crescer com oferta responsável

À semelhança do Estado, a maioria dos empresários está a aumentar o seu foco no aumento das receitas.
No passado, as empresas geravam receitas através da criação da procura, recorrendo a preços promocionais ou com descontos, abertura de novas lojas, e outras estratégias inerentes ao retalho para aumentar o volume de negócio.
Acontece porém que, não só a procura é mais difícil de gerar nos dias de hoje, como também as estratégias orientadas para volumes se tem revelado destrutiva de valor e criadora de riscos excessivos.
É nesta procura de um novo modelo de crescimento das receitas, que é necessário alavancar recursos inter-organizacionais para orientar os clientes a escolhas responsáveis, em troca de relações consolidadas.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sempre mais impostos!



Mais uma vez, os governos atacam o défice e a dívida pública sobretudo pela via da receita. É a fórmula "fácil", socializando-se ineficiências sem alterar a vida do Estado. Resulta numa economia menos sustentável e competitiva, em que os cidadãos são menos livres nas suas escolhas.

Curiosamente, as empresas mal geridas utilizam o mesmo princípio, necessariamente ao contrário. Em vez de desenhar estratégias que permitam melhorar, cortam nos custos indiscriminadamente. Sempre a via mais fácil.

Querendo ver uma oportunidade em cada crise, espero que seja possível repensar o papel do Estado.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 4 de Junho de 2010


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ser Primeiro

A Apple ultrapassou a Microsoft em capitalização bolsista tornando-se a maior empresa tecnológica do mundo. Isto pareceria impossível há uns anos, mas num mercado livre qualquer um pode ambicionar ser líder. O carismático Presidente da Apple Steve Jobs superou uma doença gravíssima e provou que para se ser o maior é preciso sonhar, arriscar, inovar, não ter medo de errar, não agradar a todos e, sobretudo, trabalhar muito. Que este feito inspire cada um de nós a dar o máximo e a sermos melhores de dia para dia. Publicado no Jornal Metro, 2 de Junho de 2010 http://www.readmetro.com/show/en/Lisbon/20100602/1/11/ Miguel Braga miguel.braga@gmail.com Sócio Gerente Rule of Thumb Ltd

Mais dinheiro

As recentes medidas de austeridade anunciadas pelo executivo de José Sócrates retiram poder de compra a portugueses de todas as classes sociais, prejudicando, em particular os que têm mais acesso a liquidez.
No entanto, a permanência das economias europeias em estado de crise de liquidez mantém o juro a níveis historicamente baixos, e isso faz com que a maioria dos portugueses poupe muito dinheiro nos seus créditos à habitação, muito mais do que paga nos aumentos de impostos referidos. Para os que mantém emprego, a crise compensa e o poder de compra é maior.

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Decoupling" à portugesa

A palavra "decoupling" tem sido utilizada nos últimos anos para descrever a capacidade de os países emergentes já não dependerem das economias ocidentais para crescer. Em termos mais genéricos, o "decoupling" refere-se à quebra da ligação entre uma variável dependente e a sua causa provável.

Em Portugal, a evolução positiva que se tem registado nos indicadores de confiança das empresas e no volume de produção da indústria contrasta com o pessimismo crescente das famílias. Estaremos perante um "decoupling" à portuguesa, em que a uma maior actividade empresarial não corresponde mais emprego e confiança das famílias? No longo prazo é pouco provável que os dois agregados possam caminhar de forma separada, mas é fácil compreender as diferenças actualmente observadas.

As famílias encontram-se pressionadas há vários meses, sensíveis às más notícias: economia anémica, desemprego em alta, medidas de consolidação orçamental (incluindo aumento de impostos), situação política instável e alguma desconfiança no sistema financeiro. As empresas não são imunes ao mesmo contexto, mas a sua veia exportadora tem-lhes permitido navegar por mares de maior optimismo, pelo menos por agora.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Diário Económico em 1 de Junho de 2010 (pág. 14)


domingo, 30 de maio de 2010

Contra-Natura



A disciplina financeira que se exige a Portugal é tão necessária como contra-natura. Não temos tradição de finanças públicas sustentáveis, sempre com financiamento "especial".

Mal nasce, Portugal conquista terras e riquezas aos mouros. Depois expande-se por África e por mar. Séculos a viver de impostos, ouro, especiarias e escravos. O Brasil independente força a 4 das 5 falências da nossa História. Entre dificuldades chega-se à 2ª GM, onde acumulámos ouro e outras reservas. Em democracia vieram os dinheiros do FMI e a seguir da Europa, que agora se esgotam. Desde 1974 o país não regista um superavit orçamental ou comercial.

Será possível mudar um país assim?


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 28 de Maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Escassez do crédito

O pânico sobre a escassez do crédito ainda não está instalado, mas o nervosismo dos vários players é evidente.
E compreende-se a preocupação, uma vez que o crédito desempenha um papel vital para a actividade económica e para o bem-estar dos indivíduos.
A 87ª posição mundial (num total de 135) que Portugal já ocupa no Indicador da acessibilidade do crédito, recentemente divulgado pelo Banco Mundial, não facilita a concretização de negócios e compromete o futuro próximo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Puramente #45 - The End of The Free Market

Nome: The End of the Free Market

Autor: Ian Bremmer

Data Original: Maio 2010

Frase: "Who Wins the War Between States and Corporations?"

Keywords: State Capitalism, Economics, Communism, China, Market

Apreciação: ****

O novíssimo livro de Ian Bremmer trata de ciência económica e política, numa abordagem pouco habitual e altamente contemporânea. O autor começa por relembrar que, apesar da Guerra Fria ter terminado há décadas, as sociedades tendem a considerar que ainda vivemos num paradigma de economia política onde existem dois conceitos antagónicos: o capitalismo e o comunismo. No entanto, uma terceira estratégia, situada algures entre estas duas, constitui uma tendência crescente e imbatível: o capitalismo estatal.

O capitalismo estatal constitui uma forma muito menos inflexível de governar os mercados a partir de um comando central, onde as empresas existem e actuam de forma livre mas controlada, gratas por ganhar dinheiro, mas reguladas de acordo com objectivos políticos. Trata-se de um movimento em formação contínua há tempo suficiente para que se considere credível e real, segundo Bremmer. A formulação do nome e o seu posicionamento como um novo modelo económico constitui uma novidade que por si só justifica a aquisição do livro.

Na primeira parte do livro, Bremmer explica o que é o capitalismo estatal, contextualizando-o no passado histórico e económico e justificando a lógica que sustentou a sua progressiva criação. O autor dedica a segunda metade a discutir os problemas que este modelo pode acarretar nas macroconomias nacionais e microeconomias empresariais, onde a criação de valor e capital passa de ser o fim para um meio, sendo o novo fim um objectivo político.

Dificuldades à parte, o modelo parece ganhar forma de tendência, com países como a China Arábia Saudita, Ucrânia, Índia e mesmo a Rússia a enveredarem pela sua utilização progressiva. Por saber fica se o modelo sofrerá do mesmo problema que o comunismo, a incapacidade de controlar centralmente uma economia.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Go Ahead!

A maior limitação para que as empresas se rejuvenesçam permanentemente é a gestão de riscos, que se pode transformar, quando não bem percebida pela organização, num travão à produção de novas ideias e sobretudo à sua colocação em prática.
Esta realidade, consequência de sistemas de incentivos demasiado focados em resultados de curto prazo, conduz a que os gestores evitem muitas novas ideias, com receio do insucesso. A boa novidade, que urge agora aproveitar, é que os tempos de caos que se vivem nos mercados “dão permissão” aos gestores para experimentar algo novo.
Go Ahead!

domingo, 23 de maio de 2010

Puramente #44 - How to Win Friends and Influence People

Nome: How to Win Friends and Influence People

Autor: Dale Carnegie

Data Original: Julho 1937

Frase: "Manage people but letting them think they are managing"

Keywords: Influence, Relationship, Leadership, Sales, Effectiveness, Motivation

Apreciação: ****

“Como ganhar amigos e influenciar as pessoas“ é uma obra de referência, que importa recordar na altura em a Simon & Shuster relançou uma nova edição. Datado de 1937, este livro é um clássico com mais de 15 milhões de cópias vendidas um pouco por todo o mundo, apesar de por cá não ter um grande índice de notoriedade. O livro de Carnegie continua hoje actual, pelo que se justifica a selecção para a coluna Puramente, tendencialmente muito leading no que trata à escolha de obras bibliográficas.

A actualidade da obra relaciona-se com o facto da mesma tratar do entendimento da natureza humana, um factor intemporal, que apenas necessita do enquadramento contextual das mudanças geracionais que se verificaram no pós guerra. Uma leitura destas 320 páginas resulta em que quase todos os conceitos se aplicam hoje como ontem. O autor sustenta que o sucesso financeiro de uma pessoa ou de uma empresa assenta 15% em know how e 85% na capacidade de exprimir ideias, assumir liderança e criar entusiasmo e motivação nos grupos de trabalho.

Dale considera fundamental que os gestores evitem criticas directas, iniciando o processo por uma autocrítica ou procurando compreensão e soluções, em vez de encontrar responsáveis e culpabilizá-los. Por outro lado, expressar reconhecimento e fazer as pessoas acreditar que os objectivos e ideias são delas são passos vitais para a eficácia do processo. O autor aconselha ainda todos os leitores promover encontros presenciais e recordarem-se dos factos principais dos doutros, como os seus nomes, interesses pessoais e outra informação familiar.

O livro peca apenas por ter como base uma relação comercial, num tempo em que o longo prazo não era tão valorizado como nos mercados actuais, mas ainda assim é uma obra recomendada.

sábado, 22 de maio de 2010

Portugal, Criança Pequena

O Estado Português comporta-se como uma criança pequena, incapaz de aprender com os erros de outros, obrigando os seus cidadãos a um modelo insustentável e inconsistente, por incompetência.

Todos sabem que só se pode gastar aquilo que consegue auferir, com excepção dos Governos portugueses. Em vez de cortar na despesa, mexeram sempre na receita, de forma que agora só um aumento de impostos e outras taxações poderia controlar a dívida. Esta medida não é um acto de maturidade mas de desespero, fruto de irresponsabilidade acumulada na construção de uma economia insustentável.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Mundo vai acabar?




O Mundo vai acabar?

O Mundo vai acabar? Provavelmente não, com o devido respeito às profecias Maya. A zona euro chegou ao "momento da verdade", decidindo se teremos mais integração entre os países. Os políticos têm que se entender, mas não há motivos para se ficar paralisado pelo medo.

O Mundo mudou? Sim, mas não é de agora. Estamos a corrigir dos excessos de crédito nas economias ocidentais e em adaptação ao processo de Globalização. Notar que nos anos 80 eram países da América Latina os responsáveis por mais de metade da dívida externa mundial. Hoje o Top 3 mundial é composto pelos EUA, Reino Unido e Alemanha.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado na pág. 13 do jornal Metro em 21 de Maio de 2010



Carreira ou Família?

Trazer uma criança ao mundo, nos dias que correm, para além de uma responsabilidade é um desafio. Até as medidas do controlo do défice irão penalizar as famílias em função do rendimento e não do rendimento per capita. Todos os países europeus apresentam uma taxa de natalidade baixa demais para manter o seu actual nível populacional. Um dos principais factores para a redução do nível de nascimentos é um adiamento da formação familiar devido à formação profissional. Unidades de cuidado infantil, horários de trabalho flexíveis e equiparação entre os sexos, são alguns exemplos que tardam a implementar-se, mas são urgentes como tantas outras reformas.
Publicado no Jornal Metro em 20/05/2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Roulotes Duvidosas

Roulotes duvidosas As tímidas alterações verificadas no sector do retalho farmacêutico produziram efeitos positivos. A maior competitividade teve como consequência mais e melhores farmácias, unidades abertas todos os dias da semana, ou todas as horas do dia. Quem são os beneficiados? Os clientes! Urge no comércio uma liberalização, de forma a aumentar a competitividade e melhorar o serviço ao cliente - prioritárias são as aberturas todos os dias da semana e, considerando limitações de ruído, a liberalização de comércio nocturno, hoje estranhamente limitado a estações de serviço e roulottes duvidosas.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Transporte teconolóGico bem alternatiVo?

Foi anunciada a suspensão da Terceira Travessia do Tejo, que inclui o último troço da linha de Alta Velocidade entre Lisboa e Madrid. Quer isto dizer que, quem utilizar o comboio de AV entre as duas capitais, terá de encontrar uma solução de transporte entre Poceirão e Lisboa. Esta situação, suspensão parcial de uma linha, que obrigará a uma demorada entrada em Lisboa, fez-me lembrar o defunto projecto original do Metro Mondego, no qual, entre Ceira e Lousã, considerava uma solução tecnológica alternativa... autocarro? Frederico Moniz Artigo publicado no Jornal Metro em 12 de Maio de 2010 (pág. 7)

A caminho dos “Estados Unidos da Europa”?



Esta pergunta surgiu no blog do Financial Times, em reacção ao plano apresentado pelos responsáveis europeus. Aparentemente, a crise da dívida soberana está a servir de catalisador para uma maior união entre os estados membros. Não só os países concordaram em apoiarem-se mutuamente de uma forma sem precedentes, como em prescindir de alguma soberania fiscal, submetendo-se a programas de consolidação orçamental rigorosos. Pela sua natureza, o plano significa uma maior integração europeia.

Deve notar-se que a reacção dos mercados foi mais positiva nas acções e obrigações do que no mercado cambial. Isto explica-se porque o risco de default de países e empresas - sobretudo bancos - caiu, mas o valor relativo do euro não saiu reforçado. Ao comprar obrigações através dos bancos centrais, o BCE acaba por ceder à vontade dos políticos europeus, manifestando perda de independência. Simultaneamente, sinaliza um processo de monetização da dívida. Dito de outra forma, um dos pilares do plano parece ser a emissão de toda a moeda necessária para cobrir eventuais dificuldades de crédito. Não é um bom sinal para o valor do euro no longo prazo, tal como não foi para o dólar quando a Fed fez o mesmo. Se em 2008 e 2009 a Fed comprava activos subprime (plano TARP) para salvar bancos, o BCE está a comprar obrigações para salvar países e os bancos que têm exposição elevada ou concentrada a esses países.

Estamos perante um momento histórico. Só uma união fiscal, em que as decisões orçamentais são mais centralizadas, permitirá dar sustentabilidade à Zona Euro. Numa Europa com essa configuração, os países do centro assumiriam com naturalidade um papel predominante. Sendo a Alemanha o país com maior dimensão, dinâmica e músculo financeiro, poderia ditar as  regras e ser, finalmente, uma potência hegemónica. A decisão é dos europeus, mas é bem provável que tenha chegado a hora de existir uma clarificação.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal i em 12 de Maio de 2010 (pág. 13)


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vulcão especulativo

A decisão da EU e do FMI de criarem um mecanismo de ajuda financeira de 720 mil milhões de euros, teve um efeito positivo nos mercados animando o carrossel da bolsa, que perspectiva um aumento dos plafonds de liquidez aos países europeus que possam vir a necessitar de eventuais ajudas urgentes.
Permanecem dois problemas: O custo do crédito para as empresas e famílias mantêm-se porque a medida em nada altera o risco da república, e o mais preocupante é que há receio de tudo isto ser em vão, se não se conseguir parar com o vulcão especulativo que está em actividade há bem mais tempo do que o Islandês Eyjafjallajokull, e que tem vindo a destruir pessoas, famílias, culturas, empresas, cidades e países.