terça-feira, 28 de setembro de 2010

Queixas & Atitudes

Passamos os dias em queixinhas. Queixas de que o Governo não governa ou não sabe governar, queixas dos impostos e da economia, queixas dos preços e dos salários, queixas do emprego e do patrão, do chefe e dos colegas, queixas da falta de educação dos filhos que nós próprios educamos, queixas do tempo e até queixas do azar, como se a sorte fosse um direito.
Hoje, chegou a ver de eu me queixar. Queixar-me de todos estes queixinhas, de todo este queixume. Chega, basta, párem. Já não há paciência para vos ouvir, para nos ouvir. Para mudar e melhorar não são precisas palavras, mas atitudes.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma Questão de Coragem

Nos próximos dias decorrerá um novo leilão de dívida pública, sendo que a probabilidade dessa operação ter sucesso é cada vez menor. Em caso de insucesso, tudo fica em causa! A começar pelos pagamentos à função pública.

Numa altura em que se discute o orçamento de 2011, é tempo de ver se este governo tem ou não a coragem para tomar as medidas necessárias. Se não a tiver, a intervenção do FMI será uma realidade, e aí as medidas serão dramáticas.

É tempo de pensar em Portugal e não em votos. Haja coragem!

Jorge Serra

Gestor

Publicada no Jornal Metro em 23/09/2010

Igreja On Demand

A geração prosuming já tinha dado à costa muitas soluções à medida dos consumidores, mas é a primeira vez que os aspectos teológicos chagam ao pico da globalização desta forma.
Nos Estados Unidos chegou a Igreja On-Demand, conceito em que cada pessoa pode criar a sua própria igreja de forma célere e económica. A ideia pode ser teologicamente escabrosa, mas tem algum sentido, dado que as igrejas assentam em diferentes religiões, que dependem apenas de crença e interpretação.
É evidente que o maior risco reside no abuso da fé alheia, sobretudo num tema de tão difícil regulação.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Persistir no Sucesso

Se a pequena inveja deixar ver, encontramos uma nota comum nos bons exemplos de sucesso: persistência.
Singrar na vida exige abnegação, inabalável (auto)disciplina e boa dose de ambição. A persistência é, pois, chave de sucesso. Depois - só muito depois - poderá vir a sorte ou um rasgo de génio - o poder do acaso.
Acredita-se pouco nisto. A frágil sociedade de consumo imediato escolhe sucessivamente os caminhos mais fáceis, mais breves e perigosos, escondendo dificuldades e esquecendo desafios. Hipotecamos o futuro, desde a base - a educação - até ao topo - o rumo do País.
Luís Ferreira, Exertus - Consultores
Publicado no jornal "METRO" no dia 23-Set-2010.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"More Small Firms means More Jobs"



Na Harvard Business Review de Julho/Agosto fala-se da correlação entre crescimento económico regional e a presença de muitas empresas de pequena dimensão com carácter empreendedor.

As regiões dos EUA que nos últimos 33 anos incentivaram a criação de empresas desse tipo registaram, para além de maior crescimento económico, um número superior de postos de trabalho, criando emprego a uma taxa 9% mais alta.

Isto contraria a ideia de aposta na fixação de grandes empresas que geram muitos empregos no momento zero, mas que dificilmente alargam a base de trabalhadores. "More Small Firms Means More Jobs", implicando uma cultura de risco e empreendedorismo.

Desencorajar o empreendedorismo só interessa a uma perspectiva centralista e dirigida.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 21 de Setembro de 2010


sábado, 18 de setembro de 2010

Crédito mais caro e difícil



O objectivo fundamental de Basileia III é fortalecer o sistema financeiro, reduzindo a probabilidade de crises e falências no futuro. Os bancos são unânimes em reconhecer a pertinência das alterações, mas reconhecem que Basileia III reduzirá o montante disponível para emprestar. É de esperar maior dificuldade de acesso ao crédito e preços mais elevados, sobretudo às instituições mais pequenas, sem acesso directo ao mercado de capitais.

Os clientes aforradores terão, em princípio, razões para ficar satisfeitos com a reforma, porque o sistema ficará mais sólido. Porém, para os tomadores de fundos, é bem provável que as relações com os bancos se deteriorem, dado que o acesso e o preço do crédito lhes serão menos favoráveis.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 17 de Setembro de 2010

Cidadania digital

Portugal tem a sexta maior taxa de infecção de vírus do mundo virtual, segundo dados recentes da Microsoft. Por outro lado, encontra-se entre os países civilizados onde a taxa de aquisição de programas oficiais é mais baixa.
Nem mesmo os sites governamentais fogem a esta realidade, o que demonstra um paradoxo que interessa conhecer: Estamos na linha da frente na utilização das plataformas de última geração comunicacional, mas na Idade do Bronze da respectiva cidadania.
É verdade que o problema não é local e existem outros argumentos a considerar, mas é relevante tomas consciência destes factos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Rentrée do Desenvolvimento

A base do desenvolvimento Económico e Social de uma Sociedade é a Educação, e este mês inicia-se um novo Ano Lectivo. Este factor crítico de desenvolvimento tem sido objecto de alterações polémicas e de eficácia discutível. Os resultados da Educação surgem no longo prazo, de forma consistente, para o bem e para o mal; isto é, boas medidas terão impacto positivo e más medidas um impacto negativo no futuro do País e das Pessoas. Importa-nos que o Estado pense a Educação numa óptica de longo prazo. António Jorge Marketeer e Docente Universitário Publicado no Jornal Metro de 10Set10

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Bom Comercial Vende

Um bom comercial é difícil de encontrar, alguém que se dedique à profissão com competência e vontade de evoluir nessa carreira. As vendas são vistas como o parente pobre de uma organização. É nitidamente mais “chique” ser-se marketeer ou financeiro m

as a verdade é que sem um forte departamento comercial todos os outros deixam de fazer sentido. Um comercial competente é um filão para uma empresa e deverá ser sempre estimado e estimulado.

Pedro Tuna, Metro, 8 de Setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Abusar do voluntariado



Ponto prévio sobre os bombeiros voluntários: merecem todos os elogios e gratidão, bem como o apoio necessário em caso de fatalidade. Porém, a utilização por defeito do voluntariado no combate aos incêndios e outros acidentes permite ao Estado desresponsabilizar-se.

Empurra-se para o 'teatro de operações' quem não está, não pode e nem tem de estar devidamente equipado e preparado. Ou seja, a quase ausência do Estado atira voluntários para o risco.

Em geral, o voluntariado deve cuidar de causas emergentes, nichos ou as que, por algum motivo, não conseguem ser abordadas pelo Estado ou pelo mercado.

Os bombeiros são heróis mas não deviam TER de ser.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 7 de Setembro de 2010


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

WWW.CRISE?

WWW.CRISE? Manuel Névoa Associação Portuguesa de Management Depois da crise económica que rebentou há cerca de dois anos, eminentes opinion makers alertaram para os riscos de uma evolução em W – breve recuperação seguida de novo afundanço. Os problemas vão circulando de bloco para bloco e mesmo a China, apesar de já se ter assumido como a 2ª maior economia mundial, também sente algumas dificuldades. Temos que nos habituar a esta nova realidade – tal como a internet ajudou a consolidar a globalização, também a economia mundial passou a viver num estado recorrente – uma crise www.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A arte da guerra à portuguesa



"A Arte da Guerra", de Sun Tzu, foi uma das leituras de Verão. É um livrinho essencial para as várias dimensões da nossa vida. Dos vários "ensinamentos" destacaria: é melhor vencer sem combater, é crucial que as guerras tenham desfechos rápidos, não se deve encurralar o inimigo e o desfecho da guerra é normalmente fácil de prever.

Maus exemplos há em todo o lado. À vista de todos está o processo Carlos Queiroz, um case-study de má gestão.
A FPF, Queiroz, ADoP e Governo resolveram, impoderadamente, iniciar uma guerra, que vai ser demorada. Queiroz está encurralado e o desfecho está fácil de prever: todos vão perder.

Sun Tzu continua a perceber muito do assunto, com 2400 anos de avanço.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 2 de Setembro de 2010


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rentrée

Acabou a Silly Season, ou assim dizem.
Efeitos da crise ou talvez não, facto é que este ano mais portugueses passaram as férias cá dentro. Não são (só) estatísticas, são certezas de quem viu metade dos amigos trocar a Tunísia, o Recife e outras maravilhas do mundo pelo Alentejo, Algarve ou Vidago.
Não se pense contudo que tal obedece a campanhas de captação por “interesses nacionais”. O turismo está a crescer porque esta economicamente mais interessante, entre as novas gamas de preço e a qualidade da oferta. E é neste caminho que se afirmará como o principal activo de Portugal no futuro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Reconstruir a Oferta

A mudança de atitudes dos consumidores, o aumento da concorrência, a lenta recuperação económica e as novas regulamentações, terão um impacto significativo nas receitas das empresas em geral.
Aqueles que acreditam que seu negócio vai recuperar quando a economia normalizar, estão redondamente enganados. As principais empresas mundiais estão a reconstruir a sua oferta e a alinhá-la com o que os clientes estão dispostos a pagar.
Mas os pequenos também o podem fazer e devem começar a investir desde já em recursos e ferramentas para entender melhor o que os clientes querem, que tipo de inovações parecem estar a ter sucesso no mercado e como ter uma distribuição eficiente.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PuraMente #47 - Ubuntu

Nome: Ubuntu
Autor: Bob Nelson e Steve Lundin
Data (Original): Março 2010

Frase:”Não se deve subestimar o poder do trabalho colaborativo e a identidade da comunidade” Keywords: Colaboração; Cooperação; Colectivo; relacionamento; Ubuntu; África;

Apreciaçao: ***
Os autores descrevem o conceito Ubuntu – uma forma de vida tradicionalmente usada em algumas partes de África antes da sua importação para a gestão note americana – através do recurso a uma história de ficção que se centra numa grande multinacional americana. O cenário parte de um gestor incapaz de liderar o seu grupo de trabalho, compensando com trabalho individual os maus resultados de cada um, substituindo-se finalmente às suas funções, para evitar danos maiores na empresa. Este gestor terá a ajuda de um nativo africano emigrado para os Estados Unidos para frequentar um MBA – dando origem ao desenvolvimento das técnicas Ubuntu.

Mais do que uma técnica, estratégia ou framework, o Ubuntu é apresentado como uma forma de estar na vida com origem ancestral, politicamente situada entre os heróis da África do Sul Nelson Mandela e Bispo Tutu, que terão estado na sua disseminação na famosa reconciliação pós apertheid. Esta filosofia parte da premissa que todos fazemos parte de uma grande família e que beneficiamos de nos tratarmos com confiança e respeito. Ubuntu assenta nas semelhanças em vez das diferenças e cria uma base de solidariedade no trabalho em grupo que se centra não no altruísmo generoso, mas na crença real de que tal cria, numa visão de longo prazo, valor para o próprio, e para todos.
O livro tem aplicação na gestão, sobretudo em áreas de Recursos Humanos ou Liderança, encerrando uma série de princípios mais ou menos óibvios, mas nem sempre praticados, sobre partilha e teambuilding. Por outro lado, algumas das suas secções parecem roçar o exagero na sua abordagem excessivamente simplista de que tudo se resolve com partilha e trabalho comum, aparentando retirar algum protagonismo ao mais elementar principio que induz competitividade : a meritocracia.

Um livro recomendável, sem ser prioritário.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A Lei é para cumprir



Quando a lei "anti-tabaco" entrou em vigor em Portugal, a qualidade de vida melhorou. Voltou a ser possível frequentar locais públicos sem que o nocivo, incómodo e incivilizado fumo estivesse presente.

Os fumadores teriam os seus espaços próprios, não se tratando de uma discriminação, mas de um auto-afastamento. Mas já se nota o tradicional laxismo português e, sobretudo à noite, proliferam os maus exemplos onde a lei não é cumprida. Voltou o "castigo" aos não-fumadores, em vez de serem penalizados os que não cumprem a lei.

Num "país a sério" as leis são respeitadas. E se não o forem, as autoridades têm o dever de actuar.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 27 de Julho de 2010, pág 7


segunda-feira, 26 de julho de 2010

África, Terra de Oportunidades

A crise veio clarificar as oportunidades de desenvolvimento económico para Portugal. Confirmou a exportação como principal caminho para a criação de riqueza e relevou África como Terra de Oportunidades. Entre a adesão à União Europeia e a crise, o País privilegiou as ligações à Europa e seus subsídios. Com a crise a afectar também a Europa, África ressurgiu. Hoje, como no passado, quem não tem um amigo a trabalhar em África? é nestes países que muitos portugueses vencem o desemprego. António Jorge Marketeer e Docente Universitário Publicado no Jornal Metro de 22Jun10

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mau Exemplo

Os Governos têm a obrigação moral de ser sempre o primeiro exemplo nas respectivas economias. Baixar os impostos e aumentá-los e de seguida não é coerente. Isentar SCUTs e depois de se fixarem novas migrações internas baseadas nessas decisões, decidir taxá-las não é responsável. Decidir pela cobrança em algumas SCUTs e outras não é uma descriminação vergonhosa.
Ser incapaz de executar a taxação é uma anedota trágica. Subsidiar a natalidade para depois a cancelar não é pois uma excepção, mas a continuidade do mau exemplo do Estado Português.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A crise não é para todos



A previsão mais recente do Banco de Portugal aponta para uma redução de 0.9% do consumo privado em 2011.

Caso venha a concretizar-se, esta previsão significa mais dificuldades para as empresas, que terão serão confrontadas com uma redução da procura.

Contudo, o mesmo relatório desagrega o consumo privado em bens duradouros e não duradouros. Os primeiros deverão recuar 12% no ano que vem, mas o consumo de bens não duradouros ainda crescerá 0.2%. Com as exportações líquidas a crescer 3.7% no mesmo período, percebe-se que há empresas melhor posicionadas que outras para atravessar a crise.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 16 de Julho de 2010


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Curto-circuito

Para lá das imposições e com algum custo, vamos percebendo que uma consolidação orçamental séria implica reduzir funcionários e privatizar alguns serviços, procurando eficiência na "coisa pública" numa nova noção de Estado.
Infelizmente, estas opções entram em curto-circuito na nossa jovem democracia: como é preciso alterar privilégios instalados na função e serviços públicos, mas não se ganham eleições sem esta significativa franja de eleitores, não conseguimos levá-las a cabo, deixando engordar o "monstro".
Estamos no momento da verdade: temos País à altura desta vital reforma?
Artigo publicado no Jornal METRO em 14-Jul-2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

PuraMente #46 - The Art of Asking

Nome: The Art of Asking

Autor: Terry Fadem

Data Original: Dezembro 2008

Frase: " Ask Better Questions, Get better Answers”"

Keywords: ask; question; leadership, information; answer;

Apreciação: ***

Terry Fadem escolheu como tema um cliché altamente relevante para a gestão, sem prejuízo de outros. É fazendo perguntas que se obtém respostas, e é com estas que, contrastanto com a informação já disponível, se evolui. Frequentemente, factores sociais limitam os adultos de realizar as questões certas nos momentos chave, condicionando a aprendizagem e a procura de uma solução realmente melhor – é pela falta destes factores sociais que as crianças aprendem de forma mais célere e eficaz.

O livro aborda este tema de uma forma séria e profissional, esclarecendo que, para lá da atitude – ter a coragem de fazer as necessárias perguntas em ambientes onde estas não são sempre fáceis – é necessário ter consciência da importância de fazer as perguntas certas, as que aumentam a probabilidade de acrescentar informação marginal relevante.

O autor fornece um framework baseado num conjunto de técnicas e regras que procuram conduzir gestores num caminho de eficácia, dando particular importância a saber ouvir. As técnicas exploram igualmente a forma como as questões são realizadas, em particular a linguagem não verbal. O autor propõe um modelo assertivo, em que as questões mais difíceis e relevantes são colocadas sem rodeios, nos momentos indicados, sem nunca as adiar.

O livro supera as expectativas iniciais na segunda parte, que se concentra em explicar como é possível maximizar as possibilidades de obtenção das respostas desejadas, um complemento aos conteúdos sobre perguntas e sobre as técnicas para saber ouvir.

Esta obra nem sempre facilita a tarefa dos leitores pela sua escrita cinzenta e compacta, compensado por um alargado e interessante conjunto de exemplos com potencial de aplicabilidade. Trata-se de um livro recomendável para gestores e empresários, obrigatório na área da Gestão de Pessoas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Já não chega

Quem passar os olhos nos suplementos de emprego dos jornais portugueses verificará pelo menos duas coisas: a oferta educativa continua a ser cada vez maior e as instituições de ensino superior estão a dramatizar a necessidade de se fazer o 2º ciclo. Tal facto não deve surpreender, visto que a competitividade no mercado de trabalho aumenta em cada dia, e começa hoje a estar claro que, enquanto os mais seniores se devem dedicar à formação contínua ao longo da carreira, os mais júniores deparam-se com uma nova realidade: uma licenciatura já não chega.

Tendências em Vigor



As grandes alterações raramente se notam no dia-a-dia. Convivemos com a mudança, mas temos dificuldades em mudar de paradigma.

Neste momento detectam-se três grandes tendências a nível global:
1. Desalavancagem: processo pelo qual se reduz o excesso de endividamento de países, bancos, empresas e famílias.
2. Nivelamento: tendência de aproximação entre as várias zonas do globo. Não só a nível económico, mas também nos direitos, gostos e protecção. Uns avançam e outros recuam.
3. Regulação: cada vez maior intervenção do Estado na vida dos cidadãos, empresas e economia em geral. Provocada pelo medo da mudança, pressão social e necessidade de receitas.

(Baseado no relatório bimestral IMF que pode ser consultado AQUI)

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 7 de Julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

Desincentivar o trabalho



Recentemente o Estado adoptou, e bem, medidas para desincentivar a permanência no subsídio de desemprego, fomentando a procura de um posto de trabalho.

A decisão de cobrar portagens em vias de comunicação sem alternativas - em vários casos construídas onde antes se situavam as vias de comunicação originais - contribui para que volte a valer a pena ficar em casa.

Muitos portugueses foram empurrados para a periferia ou escolheram o local para viver no pressuposto de ter acessibilidades sem custos para o utilizador. Agora, simplesmente deixa de compensar continuar a trabalhar ou procurar um novo emprego.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 6 de Julho de 2010


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Redescobrir o cliente



Uma das externalidades positivas da actual crise reside na maior preocupação com a qualidade dos balanços das instituições financeiras. A sustentabilidade dos bancos passou a ser uma preocupação de topo, também reforçada pelos sistemas de regulação e acordos de Basileia, num processo que só agora está a começar.

[Nesse contexto, é interessante que o mercado comece a prestar atenção a rácios como o créditos/depósitos, até porque com Basileia III a caminho, as instituições financeiras terão de se adaptar rapidamente para não serem obrigadas a capitalizar-se de forma abrupta, ou a encolher o seu negócio.]

É de louvar que surja o interesse em saber o grau de alavancagem dos bancos, os riscos em que incorrem e os meios de financiamento. O processo de desalavancagem da economia ocidental está em curso e tudo o que puder ser feito para evitar que o balão "estoure", em vez de esvaziar lentamente, será bem vindo.

Com o mercado monetário paralisado e com a "nova" concorrência do Estado na captação de poupança, os bancos despertam para a necessidade de se financiarem nos clientes. Note-se que a total dependência da banca face aos depositantes também não seria desejável, dado o carácter potencialmente volátil do comportamento dos clientes. Mas os números sugerem que esse risco não existe. Pelo contrário, os bancos portugueses estão dependentes do financiamento externo, o que actualmente é arriscado e caro.

Por outro lado, atrair depósitos ajuda no envolvimento do cliente com o banco, numa estratégia integrada de marketing que vai além da mera e dispendiosa sucessão de promoções publicitárias.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo a publicar no Diário Económico em 5 de Julho de 2010 (pág. 29)


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ladrão que rouba Ladrão...



O Estado deve ser um exemplo de conduta ética.
Com o objectivo de pressionar contribuintes em evasão fiscal, o Estado português, a exemplo de outros na Europa, prepara-se para comprar listas de clientes que foram roubadas de um banco suíço. Retirar vantagens a partir de informação roubada é dar um mau exemplo aos portugueses.
O crime de receptação - obter vantagens com base em algo que foi obtido ilicitamente - está previsto no artigo 231º do Código Civil português.
Em democracia os fins não podem justificar os meios.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 2 de Julho de 2010


Just a Game?

O Mundial de Futebol foi o motivo para, pela primeira vez, a TV Norte Coreana transmitir em directo um evento à escala global para os seus cidadãos. O governo francês perante o descalabro que foi a participação da sua selecção viu-se obrigado a intervir directamente no assunto buscando justificações para o sucedido. Em sentido contrário o primeiro ministro Neo Zelandêz prometeu receber os seus jogadores como heróis dada a excelente prestação dos All White. Será o futebol apenas um jogo?

Pedro Tuna

Administrador da RoomDimensions - Soluções Tecnológicas para Salas de Controlo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O NOVO AEROPORTO

Há planos para a construção de um novo aeroporto de Lisboa com custos estimados de 4 mil milhões de Euros, descontando as habituais derrapagens financeiras das obras públicas. O país não tem dinheiro e há alternativa. A maioria das grandes cidades europeias tem aeroportos vocacionados para companhias “low cost” nos arredores. Estas representam 30% do tráfego da Portela. É esta a solução de baixo custo que Portugal precisa para o aeroporto de Lisboa e que resolve o “problema” da Portela para os próximos 30 anos.
Publicada no Jornal Metro de 30 de Junho de 2010
http://bit.ly/9f8GSc
Miguel Braga miguel.braga@gmail.com Administrador Rule of Thumb Ltd.

domingo, 27 de junho de 2010

Cidades Donut

A ideia de fundir várias cidades que fazem parte do mesmo pólo urbano, acarreta, para além da vantagem de notoriedade, o aumento de potencial de captação de investimentos.
No entanto, existe uma vantagem que hoje se torna mais relevante: é uma forma alternativa de se minorar o efeito Donut das cidades, em que o meio fica vazio e o anel ao seu redor preenchido, por vezes em excesso. Hoje, são periferias a ter espaço e capacidade para instalar grandes superfícies e complexos habitacionais que esvaziam o núcleos, descaracterizando as metrópoles.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Hoje vou fazer dinheiro


Sou proprietário de vastas terras nesta era medieval. A colheita está fraca e exagerarei nas despesas. Preciso fazer dinheiro. Mais impostos? Sim, mas já não chega. Quero algo a que ninguém consiga escapar.

Eureka! Vou cobrar portagens dentro da propriedade! Já recebo de quem vem de longe e aproveita para refrescar os cavalos aqui, mas agora taxarei os meus camponeses. Eles têm que passar de uma quinta para a outra, do poço para o estábulo, do palheiro para o meu palácio. 

Pagarão sempre que se mexerem, não interessa se não têm opção. Só não vou cobrar - para já - naquelas terras mais a Sul, as terras do Rei. Primeiro pagam a Norte, depois logo se verá.


Filipe Garcia
Publicado na página 13 do jornal Metro em 25 de Junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Europa é boa



Em breve aumentará a contestação ao projecto europeu. A Europa já tem os inimigos em Portugal, acantonados numa perspectiva datada do mundo, num saudosismo histórico serôdio. Mas é provável que as restrições financeiras, cuja responsabilidade será única e erradamente atribuída à Europa, constituam arma de arremesso para quem preferia estar miseravelmente isolado.

A Europa tem melhorado a nossa vida em dimensões que já nem damos conta. E a tolerância, liberdade, mobilidade, democracia, oportunidades, respeito e paz, não estando nos níveis ideais, são cada vez mais reforçados de geração em geração.

Não se deixem enganar: a Europa é boa para Portugal.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 18 de Junho de 2010



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Crescimento inteligente e sustentável

O desenvolvimento dinâmico e coeso do país implica regiões com modelos competitivos coerentes e exigentes - capazes de apoiar o relançamento internacional das economias regionais. Só será sustentável se abandonarmos a escala macrocéfala de Lisboa, ponderando criteriosamente, entre eficiência e coesão, os efeitos das políticas.
Os actores regionais, amorfos e dispersos, têm que inteligentemente se comprometerem neste desafio, para além do protesto ou reivindicação. Muito do futuro do País passa por aqui.
Artigo publicado no jornal "METRO" em 17-Jun-2010.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

16 de Junho - Debate - Tendências, o que vem aí?



Este é um evento que conta com a participação de três participantes do Mercado Puro.
Apareçam porque vai valer a pena!

Realiza-se no dia 16 de Junho, na EGP-UPBS ( Pólo dos Salazares), pelas 19 horas, o debate “Tendências: o que vem aí?”, uma discussão sobre tendências de mercado.

Para o evento foram convidados pela EGP-UPBS:

  • Filipe Garcia, Economista da IMF e analista de mercados financeiros
  • Pedro Barbosa, autor do livro “Speculations and Trends” e gestor na área do grande consumo
  • Francisco Parada, especialista em ambiente e sustentabilidade
  • Luís Meireles, especialista em infra-estruturas de transportes.

A entrada é livre.

sábado, 5 de junho de 2010

Crescer com oferta responsável

À semelhança do Estado, a maioria dos empresários está a aumentar o seu foco no aumento das receitas.
No passado, as empresas geravam receitas através da criação da procura, recorrendo a preços promocionais ou com descontos, abertura de novas lojas, e outras estratégias inerentes ao retalho para aumentar o volume de negócio.
Acontece porém que, não só a procura é mais difícil de gerar nos dias de hoje, como também as estratégias orientadas para volumes se tem revelado destrutiva de valor e criadora de riscos excessivos.
É nesta procura de um novo modelo de crescimento das receitas, que é necessário alavancar recursos inter-organizacionais para orientar os clientes a escolhas responsáveis, em troca de relações consolidadas.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sempre mais impostos!



Mais uma vez, os governos atacam o défice e a dívida pública sobretudo pela via da receita. É a fórmula "fácil", socializando-se ineficiências sem alterar a vida do Estado. Resulta numa economia menos sustentável e competitiva, em que os cidadãos são menos livres nas suas escolhas.

Curiosamente, as empresas mal geridas utilizam o mesmo princípio, necessariamente ao contrário. Em vez de desenhar estratégias que permitam melhorar, cortam nos custos indiscriminadamente. Sempre a via mais fácil.

Querendo ver uma oportunidade em cada crise, espero que seja possível repensar o papel do Estado.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 4 de Junho de 2010


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ser Primeiro

A Apple ultrapassou a Microsoft em capitalização bolsista tornando-se a maior empresa tecnológica do mundo. Isto pareceria impossível há uns anos, mas num mercado livre qualquer um pode ambicionar ser líder. O carismático Presidente da Apple Steve Jobs superou uma doença gravíssima e provou que para se ser o maior é preciso sonhar, arriscar, inovar, não ter medo de errar, não agradar a todos e, sobretudo, trabalhar muito. Que este feito inspire cada um de nós a dar o máximo e a sermos melhores de dia para dia. Publicado no Jornal Metro, 2 de Junho de 2010 http://www.readmetro.com/show/en/Lisbon/20100602/1/11/ Miguel Braga miguel.braga@gmail.com Sócio Gerente Rule of Thumb Ltd

Mais dinheiro

As recentes medidas de austeridade anunciadas pelo executivo de José Sócrates retiram poder de compra a portugueses de todas as classes sociais, prejudicando, em particular os que têm mais acesso a liquidez.
No entanto, a permanência das economias europeias em estado de crise de liquidez mantém o juro a níveis historicamente baixos, e isso faz com que a maioria dos portugueses poupe muito dinheiro nos seus créditos à habitação, muito mais do que paga nos aumentos de impostos referidos. Para os que mantém emprego, a crise compensa e o poder de compra é maior.

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Decoupling" à portugesa

A palavra "decoupling" tem sido utilizada nos últimos anos para descrever a capacidade de os países emergentes já não dependerem das economias ocidentais para crescer. Em termos mais genéricos, o "decoupling" refere-se à quebra da ligação entre uma variável dependente e a sua causa provável.

Em Portugal, a evolução positiva que se tem registado nos indicadores de confiança das empresas e no volume de produção da indústria contrasta com o pessimismo crescente das famílias. Estaremos perante um "decoupling" à portuguesa, em que a uma maior actividade empresarial não corresponde mais emprego e confiança das famílias? No longo prazo é pouco provável que os dois agregados possam caminhar de forma separada, mas é fácil compreender as diferenças actualmente observadas.

As famílias encontram-se pressionadas há vários meses, sensíveis às más notícias: economia anémica, desemprego em alta, medidas de consolidação orçamental (incluindo aumento de impostos), situação política instável e alguma desconfiança no sistema financeiro. As empresas não são imunes ao mesmo contexto, mas a sua veia exportadora tem-lhes permitido navegar por mares de maior optimismo, pelo menos por agora.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Diário Económico em 1 de Junho de 2010 (pág. 14)