sábado, 20 de novembro de 2010

A Democracia é uma prioridade?



Quase me passava despercebida uma sondagem da Economist Intelligence Unit segundo a qual 65% dos inquiridos consideram que a estabilidade é mais importante do que a democracia nos estados emergentes. É verdade que não tive acesso aos detalhes do estudo, mas o tema merece reflexão.

Num contexto de cada vez maior tensão económica, e de sistemas, entre os países e com a ascendência clara da China na cena mundial, não deixa de ser inquietante pensar que podem ser as próprias sociedades a preferir sistemas de governo menos democráticos. Brincava-se (?) há alguns meses com a necessidade suspensão da democracia em Portugal, mas esse é apenas um sinal de como a democracia não está a conseguir satisfazer as necessidades dos povos.

Os democratas devem ter em mente que as formas de governo também concorrem entre si.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 19 de Novembro de 2010



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cinema 3D

Cinema 3D

Será a 3ª dimensão uma novidade? Não será ainda embrionário sob vários aspectos? Afinal de contas, a terceira dimensão não passa de um engano do olho, ou, ainda, de uma alucinação da mente - e não é, de todo, novidade no mundo da arte. Já no início do séc. XX Duchamp brincava com ela, nas suas peças vídeo em que o espectador é atirado para a outra dimensão através de ilusões de óptica - e não nos enganemos, fazia tudo em analógico, sem truques digitais ou tecnologia de ponta, nesta altura em que não era necessário vender óculos 3D para se ver melhor...

Ana Enes

Licenciada em artes plásticas

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Plano Inclinado

Abro um planisfério curioso: a imensa China ocupa o centro; à direita todas as Américas; bem na esquerda, a velha Europa (Portugal faz parte do Extremo Ocidente...). Desde Hong Kong não é difícil perceber a velocidade com que o Mundo está a ganhar novas formas. A profundidade e a verdadeira natureza das mutações em curso serão, por ventura, menos claras. Sente-se o murmúrio da bomba social em formação, ainda sem entender se a mão será suficientemente forte para a moldar. De uma forma ou de outra, novos planos são precisos. Publicado no Jornal METRO em 3-Nov-2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Caixa de Pandora



A situação económica, financeira e demográfica do país obrigará a mudar, nem que seja por ultimato externo.

Enfrentaremos questões como o aumento da idade da reforma; A legislação laboral, nomeadamente horas de trabalho semanais, o estatuto das horas extraordinárias, flexibilidade de contratação, impostos sobre o trabalho; A reestruturação das relações do Estado com os seus funcionários e outras entidades; O espectro de intervenção do Estado e apoios sociais: âmbito, valor e duração.

Há poucas condições políticas e sociais para mudar. As pessoas não percebem, nem querem perceber, que vivem acima das possibilidades há décadas e persistirão franjas políticas a alimentar a ilusão.

Será difícil implementar as reformas estruturais essenciais a adaptar os portugueses a um mundo mais competitivo, exigente e implacável.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 12 de Novembro de 2010



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Diálogo sobre Portugal

Um jornal especializado em assuntos de economia desafiou-me ontem com algumas perguntas, a que tentei dar resposta. Pensei que seria interessante colocar aqui este diálogo, para tentar informar e suscitar debate acerca da situação actual.

1 - Quais são as pressões externas/internacionais que explicam o agravamento do risco de Portugal? Porquê?


Sem prejuízo das culpas próprias, há que notar um aumento da aversão ao risco global nas últimas semanas.
As bolsas estão a ficar pressionadas, o dólar em alta e os yields da Irlanda acima dos 9%, as casas de clearing a exigir mais margem para transaccionar dívida irlandesa e a Goldman Sachs a aconselhar a intervenção do FMI nos dois países. Estamos também em vésperas de G20.
Portugal tem responsabilidade por criar as condições de base, mas os últimos movimentos têm pouco a ver com a situação portuguesa propriamente dita.
 
2 - A nível interno há algo que esteja igualmente a pressionar? O quê?

Há a noção da existência de riscos de instabilidade política e de pouca força do governo, que poderá colocar em risco o processo de consolidação orçamental. Nota-se também a ausência de condições políticas para operar reformas de fundo. No entanto, não creio que, neste momento, sejam só factores internos a provocar a recente alta no yields.
 
3 - A solução para acalmar os mercados de dívida está nas mãos de Portugal ou depende de instâncias internacionais? Que medidas podem ou devem ser tomadas?

Penso que "a solução" não estará totalmente nas nossas mãos, pelo menos para a questão do curto prazo. E mesmo uma intervenção do FMI/UE apenas na forma do recurso ao fundo especial de apoio não resolveria a questão estrutural. Torna-se necessário alterar a forma de funcionamento do Eurogrupo, no sentido de definir formas de governance, hipótese de reestruturação de dívida pública, entre outros aspectos que confiram maior sustentabilidade à UEM.
Em termos nacionais, torna-se necessário olhar para o longo prazo e caminhar para défices 0 (zero), senão mesmo superavites. Portugal terá passado o "tipping point" em termos de dimensão da dívida e dada a capacidade de o Estado gerar receitas, as responsabilidades assumidas parecem incomportáveis, traduzindo-se num défice estrutural e quiçá crescente.
O problema é que vejo poucas condições políticas e sociais para mudar. As pessoas não percebem, nem querem perceber, que o país vive acima das possibilidades há muitos anos. As pessoas vão recusar-se a aceitar e haverá franjas políticas a alimentar a ilusão, mas que é apenas isso, uma ilusão. Tudo isso impede as reformas estruturais essenciais a adaptar o país a um mundo novo que é muito mais competitivo e exigente.
 
4 - Considera que os receios dos investidores sobre a dívida portuguesa são excessivos ou normais? Porquê?

Intuitivamente apetece dizer que 7% a 10 anos é muito alto e que um spread face à Alemanha de 5% é exagerado. Mas são valores que resultam, efectivamente, do estado de divergência orçamental a que chegamos e que se parece vir a agravar.
Faz sentido que nos tentemos colocar no lugar dos nossos credores e perceber qual seria a nossa reacção. Aliás, não foi a opinião pública e alguns partidos contrários a Portugal auxiliar a Grécia?  E porquê? Porque se achava que era arriscado, que o dinheiro poderia fazer falta e que não se deveria entrar no moral hazard de ajudar quem foi indisciplinado. Pois é assim mesmo que os "investidores" olham para Portugal.
 


domingo, 7 de novembro de 2010

Facebook Fall

Acabam de entrar na Web, no ultimo minuto mais de 800.000 de posts e entradas no Facebook ou sobre a rede social. Nunca foi tão falada, eologiada, criticada e sobretudo utilizada. Com excepção do close market chinês, o face tomou a absoluta dianteira as social network mundiais, a caminho dos 600 milhões de utilizadores.
No entanto, o Face poderá estar a substimar os seus users. As necessidades destes são mutáveis de uma forma demasiado rápida e as exigências também. Basta aparecer alguém com um projecto que introduza a actual plataforma com outras vantagens (e há várias possiveis) - para poder por em causa este projecto. Para isso são precisos três factores:
1. Projecto que incorpore as funcionalidades actuais e acrescente algo de novo e relevante
2. seja um fashion spot e escalável (=> exige grande operador)
3. sejam possiveis importar os conteudos já publicados no face, ou pelo menos as connections, para lá
Nos últimos tempos, a pressão interna pelos lucros no FB fez com que a companhai iniciasse um processo de apagão em muitos perfis de empresa, procurando desta absurda e indesejável forma recuperar perfis pagos e investimento publcitário.
Em paralelo, a Google fechou as portas ao Facebook oficialmente e chamou, no passado dia 5, o Facebook de ter uma estratégia hipócrita, porque bebe os contactos do gmail, mas não permite a sua exportação (apenas o permite para o Hotmail, propriedade da Microsoft, accionista de referencia do Facebook). O Facebook, omitiu isto dos seus utilizadores, simulando online que esta funcionalidade existe!
Para espanto dos mais atentos, o Facebook continua a permitir fazer um contact import do Gmail, simulando o seu carregamento, para invariavelmente terminar com um pomposo " todos os contactos desta lista já se encontram no facebook ou já foram convidados".
Não tenho qualquer dúvida em afirmar o que sei ser da maior polémica : Facebook Fall.
Ou o Face se regenera e respeita os seus parceiros e utilizadores rapidamente, ou acelera o caminho de um tema muito pouco falado nos dias de hoje... The Next Facebook.
Está hoje claro que o Twitter não se perfilha como substituto, mas é provável que venha a ser um poderoso módulo da next hype.
Vamos estar atentos.

Guarda Pretoriana

Num país com as maiores dificuldades de poder de compra, emprego e qualidade de vida, existe um sector – nuclear para as famílias - que permanece em regime de semi monopólio.
Guardado por fortificações chamadas Associação Nacional de Farmácias e Infarmed, o comércio de medicamentos resiste à liberalização, gerindo pequenas cedências e adiando as decisões para melhoria de serviços e redução de preços – que nem deviam ser tabelados, apenas limitados por cima. A guarda pretoriana que defende este monopólio e impede a proliferação livre de mais e melhores farmácias prejudica os portugueses, dia após dia.

Triângulo Virtuoso

Em 2009, dez anos depois da transferência de soberania de Macau para a China, foram assinados vários acordos bilaterais entre os dois países. Apenas um ano depois, precisamente neste fim de semana, tivemos a maior delegação chinesa de sempre no nosso país e que culminará com a assinatura de mais uma série de acordos.
Fruto deste novo relacionamento, o comércio bilateral entre os dois países tornou-se mais relevante mas, em termos de investimento, Portugal não tem conseguido atrair capitais chineses e as nossas empresas investem pouco na China.
Sabemos também que, ao longo da última década, a China tem reforçado significativamente as suas relações comerciais com Angola e Moçambique, dois países que também fazem parte das nossas prioridades no comércio internacional e cuja língua nos tem permitido encurtar distâncias.
Ora quando há interesses comuns que se cruzam, é mais fácil alcançar o êxito nos negócios, e a "plataforma" de Macau é mais uma região que conhecemos bem por razões históricas, podendo ser melhor utilizada no reforço do estratégico triângulo Europa, África, China.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As bombas-correio podem ser paradas pela comunicação...

A voz concedida, através dos Media, às actividades das forças terroristas é uma forma de lhes conceder poder e uma das principais razões dos ataques. Sabe-se, por experiência do passado, que a forma de esvaziar o terrorismo da sua missão é garantir que não surge na agenda de temas dos media e, consequentemente, pública. Põe-se a questão da liberdade e competitividade da imprensa e do direito à informação, mas perante esta eficaz arma contra o terrorismo, não seria uma medida a considerar no futuro? Silenciá-lo? Não lhe dar voz nos Media? Ana Paula Cruz Planeamento Estratégico, Adpress, Comunicação Global

A Brincadeira



Indicadores do grande retalho mostram, desde 15 de Outubro, uma forte queda nas vendas, na casa dos dois dígitos.
Esta situação circunscreve-se apenas à zona Norte. Na Grande Lisboa, por exemplo, regista-se uma quebra residual, entre 1% a 3%.

A explicação é simples e tem a ver com a implementação de portagens nas ex-scut, que tem provocado resistência às deslocações, mesmo dentro do mesmo concelho ou entre concelhos limítrofes. O custo e a falta de disponibilidade de meios fáceis de pagamento estão simplesmente a "paralisar" as pessoas. Mesmo as ex-scut registam até menos 30% de passageiros. Simultaneamente, as vias "alternativas" saturaram e o tempo de deslocação duplicou em alguns casos.

As mesmas fontes falam no desaparecimento de clientes galegos.

[Se não fosse tão sério, tão discriminatório e tão previsível, até poderia ter piada.]


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 4 de Novembro de 2010


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As horas da justiça

Convocatória para um julgamento às 14h. Início às 14h40. Às 16h30 o tribunal adia por um mês a audição de duas testemunhas, que lá permaneciam desde as 14h, e chama a primeira testemunha. São entretanto 17h30 e o tribunal volta a adiar por um mês o depoimento de mais uma testemunha, uma vez que os serviços encerram às 17h.
Esta situação real na justiça, tem paralelo em muitos outros sectores e demonstra falta de organização. Os nossos processos de tomada de decisão falham no tempo, na forma e demasiadas vezes no conteúdo. O resultado final só pode ser a inépcia.

Retrocesso



Nos anos 70 a propaganda política era feita através de murais, muitas vezes verdadeiras obras de arte que povoavam o imaginário de todos. Pintar os muros era a forma possível de comunicação de massas, embora muitas vezes resvalasse para o mero vandalismo. Os anos 80 trouxeram o cartaz, invadindo indiscriminadamente as paredes, muros, casas e até automóveis. Em ambos os casos as campanhas eleitorais - efémeras por natureza - resistiam por demasiado tempo, poluindo o país de várias formas.

As duas décadas seguintes trouxeram, felizmente, mais civismo, maturidade e preocupações estéticas na propaganda partidária. Mas, na era das redes sociais, dos smartphones e dos mass media para lá de maduros, ainda há quem pinte mensagens sobre a próxima greve geral nas paredes das cidades. Que lástima, que vandalismo, que retrocesso.
Nota: a foto acima não é actual.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 27 de Outubro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É preciso ter calma



A impossibilidade de se chegar a um acordo relativamente ao orçamento de 2011 em Portugal merece alguma atenção e obriga a focar no que é importante.

Não obstante a questão orçamental poder levar também a uma crise política, parece-nos que há algum dramatismo e exagero na forma como a questão está a ser tratada, nomeadamente pelos media e nas “conversas de bastidores”. É relativamente comum assistir a impasses orçamentais e a crises políticas em todo o mundo, sem que daí surjam situações dramáticas para os agentes económicos. Não pretendemos desvalorizar o actual momento económico-financeiro do país, mas as empresas devem tentar focar no seu negócio e tomar decisões sem se deixar envolver por um clima demasiadamente “quente” e até emotivo.

Na minha opinião, a economia portuguesa, nomeadamente o seu sistema financeiro, estiveram bem mais em risco no final de 2008 e no início de 2009 do que agora. Mais do que isso, os clientes de Portugal estão hoje em crescimento e não em recessão ou em “choque” como nessa altura. A eventualidade de uma intervenção do FMI (apenas um dos cenários para já) nem seria catastrófica para as empresas.

Esta é uma crise inevitável do Estado português, após muitos anos de défices e de endividamento externo. Há vasos comunicantes, mas é muito mais uma crise do Estado que uma crise do país e ainda menos uma crise das empresas, que deverão continuar a monitorizar as suas condições de negócio como até aqui, sem se deixar influenciar em demasia pelo frenesim que beneficia sobretudo os media e alguns sectores políticos.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Next Best

No actual ambiente de contenção, o aspiracional e o desejo, em vez de perderem força, ganham nova e mais relevante dimensão. É neste cenário que cada vez menos há espaço para produtos médios e soluções médias. Há espaço – e sempre haverá - para o melhor em tudo, (a um preço aceitável) e a nova tendência é um grande espaço para o next best – algo muito parecido com o “best”, sem ser best. Adoptado pelas empresas “fast second”, o next best permite aos consumidores terem algo muito parecido com o desejável, pouco depois, mas a cerca de metade do preço. O cliente avatar agradece!

domingo, 24 de outubro de 2010

A colher o que semeamos

Os êxitos que Portugal tem alcançado na diplomacia da política externa e que culminam na recente eleição para o Conselho de Segurança da ONU, têm sido amplamente reconhecidos.

O mérito é dos diplomatas e governantes, que ao longo dos anos têm vindo a construir uma imagem de um país tolerante, agregador para com as minorias e interventivo nas acções de paz espalhadas pelo mundo.

Falhamos porém na construção de uma imagem de um país sem risco, com um baixo nível de corrupção, uma gestão financeira sã, uma legislação credível e uma política fiscal estável.

Sem este trabalho bem feito, nada valeram as acções da diplomacia económica junto do mercado financiador e investidor, e que agora em plena crise nos “tiram o tapete”.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Arbitragens



Em 2005 Levitt e Dubner escreveram "Freakonomics", que terá vendido mais de 4 milhões de exemplares. A mensagem do livro é simples: as pessoas respondem a incentivos.

Isto a propósito da proposta do Orçamento de Estado para 2011, que pode incentivar comportamentos "interessantes". Com o IRC a 25%, o IVA a 23%, IRS e Segurança Social a subir é lícito perguntar que incentivo haverá para as empresas continuarem a facturar face à alternativa de um pronto pagamento informal.

Este incentivo é ainda maior se o prestador do serviço ou mercadoria for um trabalhador independente. Por outro lado, os "salários" em dinheiro são cada vez mais interessantes para empregador e empregado.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 22 de Outubro de 2010


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Moda PT

Está a terminar o ciclo dos três maiores eventos de moda em Portugal. O Moda Lisboa primeiro, o Portugal Fashion depois e esta semana a Winter Fashion Week, também no Grande Porto. Há alguns anos que Portugal se tem afirmado na moda muito perto dos maiores clusters mundiais.
Tendo em conta que a aposta em design, diferenciação e valor acrescentado é o caminho óbvio para um país e sector que saíram da zona de subcontratação, este resultado é relevante. Falta agora sustentar a ligação com marcas nacionais que se possam afirmar de forma sustentada no mercado global.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

África Dela

Um contacto numa Sexta Feira, convenientemente depois das 18H, para um convite alegadamente irrecusável: uma oportunidade única em África, para ficar de oito a dez anos, tão bem paga que permitia passar à pré reforma directamente. Inadvertidamente, piscou os olhos… Teria ela pedido para abdicar de viver a minha vida actual? Suplicara a alguém para ganhar mais?
Quererá sequer uma pré reforma? Num mundo plano, a deslocalização começa a ser um factor tão commodity que o executive search o assume como semi obrigatório. A verdade é que compete com outros valores que para alguns ainda são prioritários…

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Banca em acção

A reforma de regulação financeira vai ter impacto na actividade dos Bancos em geral, mas há três claras implicações que algumas Instituições já estão a tentar ultrapassar.

No aumento da despesa, tentam resolver a questão através da redução dos custos do serviço e no aproveitamento dos seus pontos de venda para alavancar o negócio; Na pressão sobre as receitas, anunciam novos produtos e lançam uma nova estratégia de preço; Na diminuição dos lucros, concentram-se em transparência, responsabilidade e justiça.

O dinamismo habitual do sector bancário já está em campo e será interessante acompanhar o resultado final das suas acções.

sábado, 16 de outubro de 2010

Devemos encantar os clientes?


De acordo com o senso comum, os clientes são fieis às empresas que os encantam ou seja, que conseguem surpreender, excedendo as expectativas. Esta perspectiva é ensinada na generalidade das escolas de gestão, mas está a ser posta em causa por estudo elaborado pelo Corporate Executive Board nos EUA, citado na HBR.

De acordo com os resultados, encantar o cliente incrementa apenas marginalmente a fidelização. O que a aumenta é resolver os seus problemas de forma consistente e reduzir o esforço do cliente. O impulso para castigar a empresa por mau serviço é muito mais forte do que o de recompensar as performances excelentes. Back to Basics?.


(Este é o "post" número 500 do Mercado Puro. Parabéns a todos!

Filipe Garcia
Publicado no jornal Metro em 15 de Outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tempo de fazer o mea culpa

Com maior ou menor dificuldade temos conseguido ultrapassar os obstáculos do presente, mas sem preparar bem o futuro. Individualmente, vivemos de uma forma que prejudica as gerações futuras e sempre à espera do paternalismo do Estado. Somos pouco responsáveis na poupança, não garantindo a nossa sustentabilidade financeira, e não estudamos regularmente, abdicando de ajustar as nossas habilitações às necessidades dinâmicas do mercado. Colectivamente, o Estado vai muito para além de assegurar os recursos básicos e não se concentra na arte de legislar, e as Empresas, não asseguram a inclusão dos trabalhadores seniores. Está na hora de agir e não ficarmos à espera de milagres.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

InGestão Pública

O Banco de Portugal veio culpar a função pública pela fraca produtividade do país, essencialmente porque “ganham demais para o que produzem”. Na minha opinião, eles não ganham demais, produzem é de menos, porque são em número excessivo, culpa alheia aos mesmos. A sua produtividade é baixa porque o modelo de sistema de incentivos é para lá de mau: é péssimo.
No PEC3, cortam-se os prémios e as promoções, conseguindo-se assim piorar ainda mais a produtividade: face ao desespero do curto prazo comprometeu-se o longo, dando o pior exemplo de gestão possível.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mercado Ibérico Único

Abolir o roamming nas comunicações entre Portugal e Espanha poderá vir a facilitar a vida das muitas empresas que operam conjuntamente nos dois lados da fronteira. E são já demasiadas nessa situação para que se possa ignorar o que esta e outras medidas análogas poderão trazer de positivo. Para Portugal a possibilidade de alargar o seu mercado de acção para o país vizinho é, mais do que uma boa oportunidade, uma necessidade extrema.

Pedro Tuna

Publicado no Jornal Metro em 7 de Outubro de 2010

Mercado Puro Internacional

500 posts e três anos depois da sua nascença, o Mercado Puro continua a ter um tráfego constante, sem grandes subidas nem relevantes descidas no tráfego ao longo dos dias, das semanas e dos meses.
Importante é dizer que cada vez mais se trata de um blogue multinacional, não só nos membros da sua equipa, como também nos seus visitantes. Na análise mensal homóloga, e pela primeira vez desde sempre, Portugal soma menos de 50% das visitas. É sobretudo do Brasil, Estados Unidos e Canadá que surgem as visitas, mas também de Espanha, Itália e Coreia do Sul.
O Mercado Puro é publicado 4 vezes por semana no Jornal Metro e constitui um dos mais antigos projecto syndicate em Portugal.

sábado, 9 de outubro de 2010

Constrangimentos

No universo dos países da OCDE, Portugal apresenta um dos maiores índices de restritividade da legislação laboral, com o maior índice de número de “contratos sem termo” e um dos menores índices nos “despedimentos”.

De acordo com o World Economic Forum, este factor é destacadamente o segundo maior problema ao desenvolvimento dos negócios em Portugal. Ligeiramente superior a este factor, só mesmo a burocracia e ineficiência governamental. A política de impostos, a regulamentação fiscal e as inadequadas habilitações das forças de trabalho, merecem igualmente destaque.

Estes problemas são reais, mas ano após ano a opinião do mercado mantem a estatítica ou seja, os problemas estão por resolver e continuamos desfocados do essencial.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Porque sobe o euro?



O euro encontra-se no valor mais alto desde Fevereiro, recuperando as perdas associadas à crise da dívida soberana.
É provável que a China esteja na origem deste movimento, comprando euros e obrigações de países como a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.
Com esta estratégia a China desvaloriza ainda mais a sua moeda e pode estar a tornar refém a própria zona euro.
Se acumular obrigações suficientes, a China poderá ameaçar vendê-las e ter os europeus nas mãos, como já acontece face aos Estados Unidos.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 8 de Outubro de 2010


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Shiuuuu !

“Não se pode dizer mencionar marcas”, segredava esta semana uma voz feminina na M80. Nos 104.1 da RFM falava-se no tráfego junto ao hipermercado, como se houvesse apenas um, e nas três letrinhas da TSF mencionava-se o centro comercial para evitar a marca Colombo.
Já não bastava o resto do país ter de adivinhar que se fala de Lisboa, para termos todos de ficar sem perceber bem o que nos dizem só pela estilo provinciano e bacoco de evitar marcas.
Salva-se a Escola Alemã (de Lisboa, ora então), que deve ser uma espécie de instituição neutra, porque ainda não é anunciante. Só por isso…

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O rei vai nu!

Vaidosamente, ostentamos o traje da Europa há um quarto de século.
O precioso tecido foi sendo cerzido com estradas, estádios e rotundas; com escolas, hospitais e museus; com chips e programas mirabolantes. É certo que Portugal mudou radicalmente, recuperando parte do atraso: da liberalização da economia à mutação social, afirmando alguns dos méritos nacionais.
Porém, ainda que mais que mais perto, a Europa é hoje uma realidade cada vez mais remota. Falhámos no essencial: a conquista do nosso espaço diferenciado e a convergência real.
A factura chegou - estamos todos a pagá-la!
Luís Ferreira, Exertus - Consultores.
Publicado no jornal "METRO" em 30-Set-2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Hora de Agir

A participação dos cidadãos dentro dos partidos é crítica para alcançarmos as mudanças desejadas nestes, na política e no país. Os partidos são o espaço, por excelência, onde numa Democracia, os cidadãos têm o poder de intervir e votar para influenciar escolhas, lideranças, o rumo do país. Como Platão disse: "A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores." A iniciativa Adere, Vota e Intervém dentro de um Partido. Cidadania para a Mudança fala e deixa falar disto mesmo. Vale a pena espreitar.

Queixas & Atitudes

Passamos os dias em queixinhas. Queixas de que o Governo não governa ou não sabe governar, queixas dos impostos e da economia, queixas dos preços e dos salários, queixas do emprego e do patrão, do chefe e dos colegas, queixas da falta de educação dos filhos que nós próprios educamos, queixas do tempo e até queixas do azar, como se a sorte fosse um direito.
Hoje, chegou a ver de eu me queixar. Queixar-me de todos estes queixinhas, de todo este queixume. Chega, basta, párem. Já não há paciência para vos ouvir, para nos ouvir. Para mudar e melhorar não são precisas palavras, mas atitudes.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma Questão de Coragem

Nos próximos dias decorrerá um novo leilão de dívida pública, sendo que a probabilidade dessa operação ter sucesso é cada vez menor. Em caso de insucesso, tudo fica em causa! A começar pelos pagamentos à função pública.

Numa altura em que se discute o orçamento de 2011, é tempo de ver se este governo tem ou não a coragem para tomar as medidas necessárias. Se não a tiver, a intervenção do FMI será uma realidade, e aí as medidas serão dramáticas.

É tempo de pensar em Portugal e não em votos. Haja coragem!

Jorge Serra

Gestor

Publicada no Jornal Metro em 23/09/2010

Igreja On Demand

A geração prosuming já tinha dado à costa muitas soluções à medida dos consumidores, mas é a primeira vez que os aspectos teológicos chagam ao pico da globalização desta forma.
Nos Estados Unidos chegou a Igreja On-Demand, conceito em que cada pessoa pode criar a sua própria igreja de forma célere e económica. A ideia pode ser teologicamente escabrosa, mas tem algum sentido, dado que as igrejas assentam em diferentes religiões, que dependem apenas de crença e interpretação.
É evidente que o maior risco reside no abuso da fé alheia, sobretudo num tema de tão difícil regulação.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Persistir no Sucesso

Se a pequena inveja deixar ver, encontramos uma nota comum nos bons exemplos de sucesso: persistência.
Singrar na vida exige abnegação, inabalável (auto)disciplina e boa dose de ambição. A persistência é, pois, chave de sucesso. Depois - só muito depois - poderá vir a sorte ou um rasgo de génio - o poder do acaso.
Acredita-se pouco nisto. A frágil sociedade de consumo imediato escolhe sucessivamente os caminhos mais fáceis, mais breves e perigosos, escondendo dificuldades e esquecendo desafios. Hipotecamos o futuro, desde a base - a educação - até ao topo - o rumo do País.
Luís Ferreira, Exertus - Consultores
Publicado no jornal "METRO" no dia 23-Set-2010.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"More Small Firms means More Jobs"



Na Harvard Business Review de Julho/Agosto fala-se da correlação entre crescimento económico regional e a presença de muitas empresas de pequena dimensão com carácter empreendedor.

As regiões dos EUA que nos últimos 33 anos incentivaram a criação de empresas desse tipo registaram, para além de maior crescimento económico, um número superior de postos de trabalho, criando emprego a uma taxa 9% mais alta.

Isto contraria a ideia de aposta na fixação de grandes empresas que geram muitos empregos no momento zero, mas que dificilmente alargam a base de trabalhadores. "More Small Firms Means More Jobs", implicando uma cultura de risco e empreendedorismo.

Desencorajar o empreendedorismo só interessa a uma perspectiva centralista e dirigida.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 21 de Setembro de 2010


sábado, 18 de setembro de 2010

Crédito mais caro e difícil



O objectivo fundamental de Basileia III é fortalecer o sistema financeiro, reduzindo a probabilidade de crises e falências no futuro. Os bancos são unânimes em reconhecer a pertinência das alterações, mas reconhecem que Basileia III reduzirá o montante disponível para emprestar. É de esperar maior dificuldade de acesso ao crédito e preços mais elevados, sobretudo às instituições mais pequenas, sem acesso directo ao mercado de capitais.

Os clientes aforradores terão, em princípio, razões para ficar satisfeitos com a reforma, porque o sistema ficará mais sólido. Porém, para os tomadores de fundos, é bem provável que as relações com os bancos se deteriorem, dado que o acesso e o preço do crédito lhes serão menos favoráveis.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 17 de Setembro de 2010

Cidadania digital

Portugal tem a sexta maior taxa de infecção de vírus do mundo virtual, segundo dados recentes da Microsoft. Por outro lado, encontra-se entre os países civilizados onde a taxa de aquisição de programas oficiais é mais baixa.
Nem mesmo os sites governamentais fogem a esta realidade, o que demonstra um paradoxo que interessa conhecer: Estamos na linha da frente na utilização das plataformas de última geração comunicacional, mas na Idade do Bronze da respectiva cidadania.
É verdade que o problema não é local e existem outros argumentos a considerar, mas é relevante tomas consciência destes factos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Rentrée do Desenvolvimento

A base do desenvolvimento Económico e Social de uma Sociedade é a Educação, e este mês inicia-se um novo Ano Lectivo. Este factor crítico de desenvolvimento tem sido objecto de alterações polémicas e de eficácia discutível. Os resultados da Educação surgem no longo prazo, de forma consistente, para o bem e para o mal; isto é, boas medidas terão impacto positivo e más medidas um impacto negativo no futuro do País e das Pessoas. Importa-nos que o Estado pense a Educação numa óptica de longo prazo. António Jorge Marketeer e Docente Universitário Publicado no Jornal Metro de 10Set10

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Bom Comercial Vende

Um bom comercial é difícil de encontrar, alguém que se dedique à profissão com competência e vontade de evoluir nessa carreira. As vendas são vistas como o parente pobre de uma organização. É nitidamente mais “chique” ser-se marketeer ou financeiro m

as a verdade é que sem um forte departamento comercial todos os outros deixam de fazer sentido. Um comercial competente é um filão para uma empresa e deverá ser sempre estimado e estimulado.

Pedro Tuna, Metro, 8 de Setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Abusar do voluntariado



Ponto prévio sobre os bombeiros voluntários: merecem todos os elogios e gratidão, bem como o apoio necessário em caso de fatalidade. Porém, a utilização por defeito do voluntariado no combate aos incêndios e outros acidentes permite ao Estado desresponsabilizar-se.

Empurra-se para o 'teatro de operações' quem não está, não pode e nem tem de estar devidamente equipado e preparado. Ou seja, a quase ausência do Estado atira voluntários para o risco.

Em geral, o voluntariado deve cuidar de causas emergentes, nichos ou as que, por algum motivo, não conseguem ser abordadas pelo Estado ou pelo mercado.

Os bombeiros são heróis mas não deviam TER de ser.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 7 de Setembro de 2010


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

WWW.CRISE?

WWW.CRISE? Manuel Névoa Associação Portuguesa de Management Depois da crise económica que rebentou há cerca de dois anos, eminentes opinion makers alertaram para os riscos de uma evolução em W – breve recuperação seguida de novo afundanço. Os problemas vão circulando de bloco para bloco e mesmo a China, apesar de já se ter assumido como a 2ª maior economia mundial, também sente algumas dificuldades. Temos que nos habituar a esta nova realidade – tal como a internet ajudou a consolidar a globalização, também a economia mundial passou a viver num estado recorrente – uma crise www.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A arte da guerra à portuguesa



"A Arte da Guerra", de Sun Tzu, foi uma das leituras de Verão. É um livrinho essencial para as várias dimensões da nossa vida. Dos vários "ensinamentos" destacaria: é melhor vencer sem combater, é crucial que as guerras tenham desfechos rápidos, não se deve encurralar o inimigo e o desfecho da guerra é normalmente fácil de prever.

Maus exemplos há em todo o lado. À vista de todos está o processo Carlos Queiroz, um case-study de má gestão.
A FPF, Queiroz, ADoP e Governo resolveram, impoderadamente, iniciar uma guerra, que vai ser demorada. Queiroz está encurralado e o desfecho está fácil de prever: todos vão perder.

Sun Tzu continua a perceber muito do assunto, com 2400 anos de avanço.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 2 de Setembro de 2010


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rentrée

Acabou a Silly Season, ou assim dizem.
Efeitos da crise ou talvez não, facto é que este ano mais portugueses passaram as férias cá dentro. Não são (só) estatísticas, são certezas de quem viu metade dos amigos trocar a Tunísia, o Recife e outras maravilhas do mundo pelo Alentejo, Algarve ou Vidago.
Não se pense contudo que tal obedece a campanhas de captação por “interesses nacionais”. O turismo está a crescer porque esta economicamente mais interessante, entre as novas gamas de preço e a qualidade da oferta. E é neste caminho que se afirmará como o principal activo de Portugal no futuro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Reconstruir a Oferta

A mudança de atitudes dos consumidores, o aumento da concorrência, a lenta recuperação económica e as novas regulamentações, terão um impacto significativo nas receitas das empresas em geral.
Aqueles que acreditam que seu negócio vai recuperar quando a economia normalizar, estão redondamente enganados. As principais empresas mundiais estão a reconstruir a sua oferta e a alinhá-la com o que os clientes estão dispostos a pagar.
Mas os pequenos também o podem fazer e devem começar a investir desde já em recursos e ferramentas para entender melhor o que os clientes querem, que tipo de inovações parecem estar a ter sucesso no mercado e como ter uma distribuição eficiente.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PuraMente #47 - Ubuntu

Nome: Ubuntu
Autor: Bob Nelson e Steve Lundin
Data (Original): Março 2010

Frase:”Não se deve subestimar o poder do trabalho colaborativo e a identidade da comunidade” Keywords: Colaboração; Cooperação; Colectivo; relacionamento; Ubuntu; África;

Apreciaçao: ***
Os autores descrevem o conceito Ubuntu – uma forma de vida tradicionalmente usada em algumas partes de África antes da sua importação para a gestão note americana – através do recurso a uma história de ficção que se centra numa grande multinacional americana. O cenário parte de um gestor incapaz de liderar o seu grupo de trabalho, compensando com trabalho individual os maus resultados de cada um, substituindo-se finalmente às suas funções, para evitar danos maiores na empresa. Este gestor terá a ajuda de um nativo africano emigrado para os Estados Unidos para frequentar um MBA – dando origem ao desenvolvimento das técnicas Ubuntu.

Mais do que uma técnica, estratégia ou framework, o Ubuntu é apresentado como uma forma de estar na vida com origem ancestral, politicamente situada entre os heróis da África do Sul Nelson Mandela e Bispo Tutu, que terão estado na sua disseminação na famosa reconciliação pós apertheid. Esta filosofia parte da premissa que todos fazemos parte de uma grande família e que beneficiamos de nos tratarmos com confiança e respeito. Ubuntu assenta nas semelhanças em vez das diferenças e cria uma base de solidariedade no trabalho em grupo que se centra não no altruísmo generoso, mas na crença real de que tal cria, numa visão de longo prazo, valor para o próprio, e para todos.
O livro tem aplicação na gestão, sobretudo em áreas de Recursos Humanos ou Liderança, encerrando uma série de princípios mais ou menos óibvios, mas nem sempre praticados, sobre partilha e teambuilding. Por outro lado, algumas das suas secções parecem roçar o exagero na sua abordagem excessivamente simplista de que tudo se resolve com partilha e trabalho comum, aparentando retirar algum protagonismo ao mais elementar principio que induz competitividade : a meritocracia.

Um livro recomendável, sem ser prioritário.