domingo, 28 de fevereiro de 2010

Projectar Portugal

“Made in Portugal” é vital para vencer no exterior: ao distinguir a nossa marca associamos os atributos que queremos ver reconhecidos.
Dispendiosas tentativas têm sido feitas. Sobre resultados falarão os que regularmente contactam estrangeiros e sucessivamente têm que explicar quem somos e do que somos capazes.
Poderia resolver um filme de produção mundial que, através dos feitos de Quinhentos, mostrasse a notável estratégia de expansão portuguesa, apoiada em inovador processo de I&D. Clarificaríamos a nossa curiosa ligação à Economia do Conhecimento.
Publicado no jornal "METRO".

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ética Duvidosa

Na lei e na ética, a publicidade deve ser realizada no espaço destinado a anúncios, perceptível aos consumidores de forma transparente. No entanto, o espectro radiofónico está infestado de publicidade encapotada, realizada fora do espaço dos tradicionais spots. Aos locutores é pedido para falarem sobre produtos, serviços e marcas de forma supostamente natural, como se fosse uma recomendação pessoal, quebrando toda a lógica que separa edição de publicidade.
Uma vergonha sem controle, que torna as emissoras menos credíveis e de uma ética duvidosa.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um Modelo de Negócio Saboroso

A capacidade das empresas inverterem ortodoxias da indústria, traduz-se muitas vezes em inovação ao nível do modelo de negócio.
Muitos exemplos são prova disso, mas o mais referido é o lançamento de empresas de aviação low-cost que revolucionaram a indústria.
No entanto, numa altura em que a economia mundialmente se retrai, vemos em Portugal uma empresa que, apostando na qualidade e quebrando as ortodoxias da fast-food, lançou o conceito de hambúrger gourmet.
Os resultados são claros: uma enorme aceitação do consumidor e um hambúrger excepcional!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

G Generation

Eis-nos perante uma nova Geração, que vem substituir a Geração Y ou geração tecnológica. Esta é a Geração G, aquela em que a Ganância dá lugar à Generosidade e que acredita na partilha e dádiva enquanto forças motrizes de uma nova sociedade. Reconhecemos a Geração G pela sua participação em Causas, para as quais doam dinheiro e mobilizam amigos; revêmo-la na adesão a serviços em cuja produção participam e que pagam ao preço que consideram justo... . À primeira vista uma ameaça para o Marketing, esta geração constitui-se como uma nova oportunidade para as empresas que assumem os mesmos princípios.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A lógica dos spreads



Após a crise financeira mundial, os bancos foram obrigados a rever a sua análise de risco e a ajustar os spreads a aplicar aos seus clientes. Na verdade, tratou-se um ajustamento no sentido do “bom senso”, dados os muitos casos de particulares e empresas com condições de financiamento que tinham tanto de favoráveis como de injustas e irracionais. Aliás, esse foi um dos factores que provocou a crise [mundial].

Dada a preocupação com a Grécia e eventual contágio a Portugal, o risco país aumentou, arrastando a generalidade das instituições nacionais. As condições de financiamento dos bancos nacionais deterioraram-se, sobretudo em termos relativos. Se o rating da República for novamente revisto em baixa, o efeito no modelo de negócio dos bancos será ainda mais forte e terá repercussões nos clientes.

É neste contexto que devem ser lidos as subidas nos preçários da banca. Com rácios de capital mais exigentes, o malparado a crescer e com custos de financiamento relativamente mais elevados, os spreads, em média, só podem subir.

A baixa nos spreads implícitos nos créditos de taxa fixa parece ser apenas uma convergência de preços, mas que efectivamente poderá captar mais clientes para essa modalidade.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Diário Económico em 18 de Fevereiro de 2010 (pág. 37)


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Novas Oportunidades Sem Falsas Promessas









Nem todos nascem num berço que lhes permita perfazer o 12º ano.

Neste âmbito, o programa “Novas Oportunidades” tem méritos, permitindo a muitos conseguir de uma forma mais rápida a equivalência ao 12º ano.

Sucede que temos em Portugal uma obsessão de “embelezar” a estatística para ficar bem “na fotografia” dos índices de educação. Há que equilibrar esta ânsia com um mínimo grau de exigência e qualidade, sob pena de estarmos a fabricar falsos sonhos.

Miguel Braga
Sócio Gerente, Rule of Thumb Ltd


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Grécia também dá prejuízo


"The council of EU finance ministers said Athens must comply with austerity demands by March 16 or lose control over its own tax and spend policies altogether. It if fails to do so, the EU will itself impose cuts under the draconian Article 126.9 of the Lisbon Treaty in what would amount to economic suzerainty.

While the symbolic move to suspend Greece of its voting rights at one meeting makes no practical difference, it marks a constitutional watershed and represents a crushing loss of sovereignty" (texto integral aqui)

Ao ler esta notícia é impossível não pensar em Portugal e em algo que se escreveu no "Mercado Puro" há uns meses, bem antes da "crise dos défices" - Portugal dá Prejuízo.





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Buzz sem privacidade

Utilizador do Google desde a sua fase embrionária e com Gmail há uma longa década (!!), tenho o perfil ideal para testar e gostar do novo Google Buzz. A verdade é que, dois dias depois, tenho dificuldade em compreender este lançamento.
Desde logo, o nome. Se a Yahoo lançou há dois anos o Buzz, porque raio vai a Google lançar o mesmo nome, quando tinha o Wave registado e já com pré-awareness? Incompreensível e triste!
Depois, esperava um produto completo e intuitivo. Fácil de usar é, mas não se percebe bem onde está o valor acrescentado e ao fim de um bocado percebe-se que para um uso intensivo não parece ser um produto maduro, muito longe do pseudorival Facebook.
Mas realmente grave - e indesculpável - é a falta de privacidade aguda. A Google decidiu colocar vários users em auto-following (um verbo inventado pelo tb rival Twitter), e o modo standard como "public", por defeito. Ou seja, logo para começar, as pessoas tem acesso a saber quem são as pessoas com quem cada uma das outras supostamente mais se relaciona via Gmail. É grave e procupante, e deve ser corrigido imediatamente.
Claro que a Google lançou este produto sem estar maduro, ao contrário do que fez com o próprio Google e com o Gmail (4 anos em beta test, na altura em que já era bem melhor do que o Hotmail). As razões são simples: o Facebook está a captar quase um milhão de novos clientes por dia e o mercado de publicidade que a Google domina depende de tráfego. Como o facebook tem um número de pageviews muitissimo superior a qualquer site Google - incluindo o Youtube - pela qualidade de visulizações que os seus users fazem, a Google não pode perder tempo e lançou-se como pode.
Claro que o Buzz irá criar o seu espaço - desde logo porque vai captar parte importante do tráfego Twitter, mesmo que ainda esteja a permitir a importação de posts de lá, mas sobretudo porque tem na integração de videos e chat uma vantagem gigante sob o Facebook, que nao está optimizado para videos e tem um chat desastroso. por outro lado, está numa fase de mudanças com falhas constantes e crashes que nao ajudam. Já a Google tem um produto de chat aceitável - longe da qualidade do MSN e do Skype, mas ainda assim aceitável.
Preocupada estará também a eBay, que tanto depende do mercado advertising. As suas apostas no Skype, Paypal, Mobile e demais formatos não têm conseguido transformar tráfego em dinheiro, e existe o risco de uma tendência de concentração no mundo Google/Gmail/Facebook/ Yahoo/Hotmail/Youtube.
A tendência deverá ser a optimização do Share of Time dos users, que tendencialmente pretenderão usar a maior parte do seu tempo online em torno de um motor de busca, um mail/accounter e uma rede social, não usando mais do que três sites de forma realmente intensa. Quem conseguir estar neste core e tiver um bom algoritmo de publicidade (só a Google tem actualmente) será o líder do mercado online nos próximos anos.
Apesar da desilusão, o Buzz - integrado e melhorado - promete.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Orçamento de Estado

O mercado automóvel, importante fonte de receitas fiscais, caiu mais de 24% em 2009.

Para 2010, o Estado tinha uma óptima oportunidade de emendar a política fiscal e dinamizar um sector que emprega cerca de 100.000 profissionais. Mas não, a visão curta continuou a imperar e a eliminação do IVA sobre o ISV – exigida pela União Europeia – será compensada por um aumento de 20% do ISV.

O mercado não vai recuperar, as receitas fiscais vão baixar e as medidas de apoio social vão aumentar. Será que ninguém no Governo sabe projectar contas a médio prazo?
André de Castro Pinheiro

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pink Gaga



Lady Gaga é o fenómeno pop do momento. Para além dos recursos artísticos convencionais, Gaga inova e provoca constantemente, a nível estético, nas performances e atitudes. Nos últimos Grammy, o dueto inesperado com Elton John estava destinado a ser o momento alto da noite.

Mas não foi. Pink, artista relevante, mas de menor dimensão, surpreendeu com um número ao estilo “Cirque de Soleil” e ofuscou o brilho de Gaga.

Os Grammy mostraram o que um terreno competitivo pode produzir: Performances disruptivas, inovadoras, de qualidade superior e, literalmente, sem rede..


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 4 de Fevereiro de 2009





domingo, 7 de fevereiro de 2010

A tecnologia ao serviço da verdade

As escutas telefónicas e a filmagem de movimentos têm sido um instrumento fundamental para a investigação criminal e para a protecção dos cidadãos em geral. A devassa da nossa vida privada é um mal menor e é um caminho que não tem retorno nas sociedades modernas. Os efeitos colaterais que às vezes provocam são uma migalha ao lado das vantagens inerentes ao conhecimento da verdade dos factos. O crescente uso das tecnologias na defesa dos cidadãos é um activo que as leis têm que preservar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Porto Prejudicado

As estatísticas mostram que o Grande Porto tem sido prejudicado na alocação de investimento público, o que aumenta as assimetrias.
Os novos recuos governamentais têm o centro de massa no Metro do Porto e na ligação TGV Porto-Vigo, enquanto o Aeroporto de Lisboa continua a ser a prioridade. Noutros tempos, existiriam receios eleitorais, mas o Porto foi estrategicamente posicionado como pólo separatista, de forma a descredibilizar qualquer protesto. E assim se perde a competitividade e o emprego.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Advogados da Apple

O principal activo da Apple já não é a genialidade de Steve Jobs , a simplicidade dos sistemas ou a unicidade do seu design, mas a defesa que os seus fiéis consumidores fazem da marca.

O lançamento do iPad foi mais um exemplo de fogo de artificio que a Apple, com ajuda de clientes e de uns media rendidos, conseguiu realizar, sem investimentos publicitários.

Os clientes da Apple são autênticos advogados da marca, defendendo-a genuína e apaixonadamente, o que tem mais valor do que qualquer anúncio.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os pecados da Igreja



A influência cada vez menor da Igreja Católica na sociedade portuguesa ficou bem patente na discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não que a Igreja pudesse impedir a nova lei, mas talvez se esperasse maior receptividade à sua mensagem, até em círculos mais oficiais.

É certo que a tradição cristã ainda persiste e que os pais continuam a enviar os filhos para a Catequese, mais por entenderem como bons os valores do cristianismo do que pela vontade de verem os filhos seguirem a doutrina católica.

A Igreja estará a pagar pelos seus pecados, atitudes com que se afastou, talvez de forma definitiva, de uma sociedade mais moderna e informada.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 2 de Fevereiro de 2009

(nova série de artigos com 600 caracteres aprox.)

O Valor está nas Marcas

As marcas são uma garantia e uma referência social. Hoje olha-se muitas vezes o Outro à luz da frase: “diz-me que marcas usas, dir-te-ei quem és”; o que faz da marca o elemento central da criação de valor nas empresas. O problema é que os empresários portugueses investem muito na base do provérbio popular “ver para crer”, ou seja investem no que vêem e tocam, e consideram a marca apenas como o produto e rótulo, sendo incapazes de perceber que o verdadeiro valor desta está no que pensam os consumidores. António Jorge Marketeer Publicado no Jornal Metro a 1Fev10

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Puramente #40 - Supercorp

Nome: SuperCorp
Autor: Rosabeth Kanter
Data Original: Agosto 2009
Frase: " How Vanguard Companies Create Innovation, Profits, Growth, and Social Good"
Keywords: Inovação; Crescimento; Mudança; Ciclo de Vida; Manter liderança; Persistência; Diplomacia;
Apreciação: ****
Rosabeth Kanter, professora da mítica Harvard Business School, destaca nesta obra um conjunto de importantes aspectos relacionados com a competitividade num mundo cada vez mais globalizado e em mutação contínua. Kanter explora de forma sistemática e pormenorizada os factores que considera vitais para ter sucesso num ambiente de proeminente mudança de shift tecnológico, económico e sobretudo cultural.
O livro, que teve um imediato sucesso no campus, saltou rapidamente para os tops de outras universidades importantes no espectro do mundo académico americano, como é o caso de Kellog´s.
A autora advoga que as empresas que irão sobreviver e sustentar-se no futuro são aquelas que reúnem simultaneamente grandes doses de energia, abundantes listas de contactos, um voraz apetite por comunicação, flexibilidade, facilidade em sair da zona de conforto, em particular para ambientes de grande ambiguidade e turbolência e – primordial – uma crença sistemática e consistente por parte dos colaboradores de que os valores e princípios da sua empresa são muito mais do que um “simples emprego”.
O enfoque de Kanter encontra-se, como era de esperar, alinhado com as tendências de sustentabilidade, factor que cruza não raras vezes com os aspectos culturais de posicionamento da empresa e da respectiva liderança, relacionando-os de forma pormenorizada com a motivação do corpo enérgico da sociedade.
Esta obra ganha especial destaque pela sua abordagem prática, repleta de bons e contemporâneos exemplos, bem como de checklists completas e detalhadas e anotações relevantes e provavelmente importantes no momento de aplicação das teorias enunciadas.
Sem sem uma obra disruptiva ou obrigatória, Supercorp parece ser um livro sobretudo eficaz para a gestão contemporânea.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Direitos de Autor

O lançamento do livro “Speculations and Trends”, livre de direitos de autor e aberto para que a sociedade o utilize em seu proveito, veio relançar a discussão sobre o tema da propriedade intelectual e dos direitos que cada criador tem e deve ter sobre as obras que produz.
Refira-se que os direitos de autor são uma barreira ao desenvolvimento célere do conhecimento, porquanto atrasam, limitam ou impedem a utilização da informação para criação de novas versões, melhoradas ou diferentes. O remix de conteúdos da área do conhecimento – mashups - tem acelerado aquilo que se designa vulgarmente por sociedade do conhecimento, onde países como a Índia, Rússia e China desempenham um papel cada vez mais relevante, fruto da sua flexibilidade em matéria de direitos de autor. Naturalmente, os direitos de autor foram criados para remunerar os autores e esse é um assunto que tem de ser resolvido, agora que urge liberalizar a utilização das obras – sejam músicas, filmes ou livros.
Na sociedade de hoje, os autores dispõem de um sem número de outras formas de remuneração, como concertos, seminários, conferências ou pareceres, para além do mais óbvio : a venda dos seus produtos. Há quem confunda uma margem da venda de um produto de sua criação com proibição de reprodução e limitação de utilização das obras. Se a primeira é legítima e recomendada, a segunda faz parte do passado.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

E você? (*)

É minha convicção de que a grande decisão geopolítica que se avizinha é o referendo ao federalismo europeu no espaço da zona euro. Ocorrerá, provavelmente, dentro de poucos anos. Ao contrário de outras tentativas de integração, realizadas noutros tempos da nossa História, a União Europeia, como nós a conhecemos hoje, assenta num conjunto de benefícios e responsabilidades mútuas. É uma espécie de clube privado, onde, até aqui, o principal elo de ligação tem sido o euro. Ora, tal como um governo que inicia uma nova legislatura, o euro também teve direito ao seu período de graça. Mas esse período de graça acabou. Na ausência de uma união política entre os membros da zona euro, a indisciplina de alguns convidados do clube está finalmente a emergir. Como? Na forma de uma crise das finanças públicas, na Grécia, na Irlanda e, em breve, noutros países, entre os quais Portugal. A opção de sair do euro, diz-se, não é opção. Contudo, nos mercados, como a crise bancária do ano passado evidenciou, um “bluff” mal feito pode custar muito caro. Assim, se nada mudar, e sem espaço para se aumentarem impostos, a despesa pública em alguns países europeus cairá drasticamente. À contestação social que surgir, seguir-se-á a pressão para abandonar o euro; para gáudio da multidão, mas sem benefício para o país. Será, pois, nesse dia que alguém exclamará: votemos pela Europa! E você…como reagirá? (*) Publicado no jornal METRO a 22 de Janeiro de 2010.

Plano B

B-Task

Frequentemente, as organizações necessitam de competências fora do seu âmbito central de actuação, sobretudo em áreas ligadas às novas tecnologias. Nestes casos, ou em necessidades ocasionais de conhecimentos em áreas onde a empresa não tem competências desenvolvidas, a solução mais comum da gestão contemporânea passa por um denominador comum: subcontratação.

Dentro das empresas, nos níveis e funções mais improváveis, os gestores encontrariam quase sempre alguém com microcompetências que satisfariam as necessidades mais imediatas, sem o investimento em tempo e dinheiro que o outsourcing exige. Cozinheiros que sabem integrar o iPod com o Blogger, repositores que podem resolver problemas de manutenção nas arcas frigorificas ou telefonistas com competências no Photoshop são situações recorrentes e quase permanentes nas empresas, fruto de outras experiências profissionais e hobbies ou interesses pessoais dos respectivos colaboradores. Em alguns casos, a empresa poderia aproveitar estas competências, poupando tempo e dinheiro e motivando os recursos. Noutros, mais estruturais, poderia utilizar os conhecimentos para o briefing da subcontratação.

As empresas não utilizem estas competências complementares dos seus recursos por desconhecimento, pelo que parece fazer sentido reinventar processos noutras áreas da gestão de pessoas, nomeadamente nos projectos de desenvolvimento pessoal.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PuraMente #39 - Micro Trends

Micro Trends
Nome: Micro Trends
Autor: Marc Penn & E. Kinney Zalesne
Data Original: Outubro 2007
Frase: "Surprising tales of the way we live today"
Keywords: trends; social; economy; health; lifestyle; education;Technology
Apreciação: ***
Micro Trends é uma curiosa e interessante mistura de livro técnico com romance, no sentido que divaga de forma conscientemente pouco cientifica – área que não aprofunda demasiado para tornar a obra mais acessível a todos - sobre temas da maior importância, dando-lhe o rigor estatístico necessário.
O livro está dividido em 15 capítulos, que representam agrupamentos de assuntos considerados críticos pelos autores, em matéria de tendências para os próximos anos. Micro Trends trata dos pequenos grupos de tendências que criarão grandes alterações no futuro próximo, explorando de forma intrigante as diferenças entre as pessoas e como essas diferenças, sistematizadas no fim da uniformização, podem consistir na resposta para os muitos dos problemas.
Noutro registo, Micro Trends demonstra que “small is the new big”, através de um completo exercício de nano-sociologia, explanado através de análises em áreas como negócios, imagem, adolescência, vida em família, religião, cultura, educação, política, entretenimento ou dieta. Mark Penn sustenta a tese de que serão micro tendências nestas áreas que condicionarão o futuro e acelerarão a mudança. A importância da tese relaciona-se com o facto de se tratarem de micro tendências pouco estudadas, acompanhadas e vigiadas, o que conduz a uma conclusão da insuficiente informação que os gestores e políticos actuais têm sobre o futuro, bem como – não menos importante – em conhecer a origem e explicação dos problemas na nascente do seu caudal, antes de se tornarem grandes e incontroláveis rios, repletos de cocktails de micro razões potenciais, dificilmente estudáveis ou tratáveis.
Micro Trends não é um livro obrigatório, mas recomenda-se a todos que procurem conhecer fenómenos sociais que influenciam o futuro próximo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

No tempo certo

Foto: Luís Ferreira
Houve momento de respostas urgentes – pacificar ânimos, injectar liquidez, intervir em sectores sensíveis, acalmar mercados. Com o restaurar da confiança e a retoma no horizonte, é tempo de apostas prioritárias – aproveitar a recuperação da economia para fazer germinar novos modelos de desenvolvimento assentes em inovadores factores competitivos.
Situações exigentes requerem respostas inteligentes. Com diminuta margem de manobra, Estados, empresas e famílias, vêem-se obrigados a ser muito rigorosos e decididos nas apostas a levar a cabo. É vital ter uma noção clara dos diferentes planos de tempo onde actuam estas escolhas: destrinçar aquelas próximas, de curto prazo, das mais estratégicas dirigidas a um tempo mais dilatado. Muito perigosa é a mistura das estações. Ceder à pressão do dia-a-dia e à urgência de interesses imediatos, hipotecando o futuro, não sendo capaz de dinamizar diligentemente as acções – mais críticas – de longo prazo.
Do Estado espera-se drástico emagrecimento e séria aposta na reestruturação das principais referências da economia; das empresas, afastando-se da subsídio-dependência, que tenham resiliência e audácia, ousando uma criatividade diferenciadora; das famílias que substituam os apelos de consumo por maior planeamento do futuro. A todos é prescrita visão mais lata, menos facilitadora e menos egoísta.
Publicado no jornal "METRO" em 18-Jan-2010

domingo, 17 de janeiro de 2010

Não basta parecê-lo. É preciso sê-lo.

À medida que as pessoas vão incrementando a compra de produtos e serviços on-line, é muito provável que se questionem cada vez mais se aquilo que é percepcionado é garantido. Actualmente, antes de comprarem on-line, ainda querem ser tranquilizadas por alguém que conhecem, como um pai, um amigo ou colega de trabalho. O rating atribuído a um fornecedor, garantindo que é trustworthy, será determinante no incentivo e incremento das compras on-line.

PuraMente #38 - Drive

Nome : Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us

Autor: Daniel Pink

Data Original: Dezembro 2009

Frase: "A ciência é apenas uma das formas de compreender o mundo – Boa sorte na era da Arte e da Emoção"

Keywords: Motivação; Maslow; Motivação 3.0; Comportamento; Recursos Humanos; Eficácia

Apreciação: ****

Depois do sucesso da “Nova Inteligência”, uma obra que constituiu um relevante milestone na explicação sobre as competências da área direita e esquerda do cérebro, Daniel Pink surge agora com Drive – A Verdade Surpreendente sobre o que nos motiva, publicado originalmente na última semana de 2009. É raro - muito raro – assistir-se a um autor que a um grande sucesso surpreenda rapidamente com outra obra relevante e que não seja uma repetição maquilhada da anterior.

Drive é uma obra sobre motivação. Pink divide os estágios de motivação em 3 gerações, que caracteriza com exemplos interessantes: a Motivação 1.0, que funciona como um sistema operativo e que se regula por fazer cumprir os objectivos mínimos da humanidade, como comida, roupa, reprodução – a base da pirâmide de Maslow, repetida variadas vezes neste livro; a Motivação 2.0, caracterizada com base na cenoura : prémio por resultado ou castigo por não obtenção dos objectivos - funciona bem em geral, mas não é suficiente em muitas situações; A Motivação 3.0 pretende superar algumas lacunas da segunda geração, como o enfoque no curto prazo ou o comportamento menos ético.

Pink divide a motivação em dois tipos – tipo I e tipo X – representando as motivações intrínsecas e extrínsecas das pessoas. As primeiras estão menos expostas a prémios e aceleradores externos, e mais a valores e vontades próprias, ao gozo e ao prazer. As segundas possuem três elementos principais: autonomia, controlo e propósito.

Num mundo cada vez mais competitivo, o conteúdo de Drive – que sustenta a importância das motivações intrínsecas raramente tratadas pelas organizações - ganha relevância e torna-o em mais uma obra de incontornável importância.

Sinais pouco claros

Foto: Luís Ferreira

Num cenário em que a componente mais financeira da crise parece estar controlada – as enérgicas medidas devolvem lentamente a confiança e a estabilidade ao sistema financeiro –, a sustentabilidade da recuperação e a nova ordem mundial revelam outra dimensão do problema, porventura um desafio bem mais exigente e complexo.

São magras as previsões de recuperação da economia mundial para 2010 e ainda menos generosas para os Estados Unidos – cujo modelo de negócio faliu – e a Europa – com graves problemas em gerir défices públicos que treparam para níveis muito acima do desejado. Espera-se rápida e robusta recuperação da economia chinesa, que tem servido de motor ao desenvolvimento global nos últimos anos, e aposta-se no dinamismo dos mercados emergentes.

Porém, ainda que parca, a recuperação das principais economias industriais tem revelado outra debilidade: o novo modelo de desenvolvimento não resolve, como tradicionalmente, o problema do desemprego. Aliás, por paradoxal que possa parecer, pode até agravá-lo. Novos vectores de desenvolvimento valorizam a inovação, a sociedade do conhecimento e o imperativo da sustentabilidade, requerendo uma força de trabalho mais qualificada e versátil mas, seguramente, menos numerosa.

Os países, com ênfase nos europeus, enfrentam um importante teste à sua criatividade: como transitar para um modelo sustentável de desenvolvimento sem provocar uma expressiva destruição de emprego?

Publicado no jornal "Metro" em 15-Jan-2010.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Geração X precisa de ajuda

Apesar de altamente qualificados, esta geração tomou medidas pouco seguras para garantir a sua independência financeira - um problema agravado pela crise. Têm desenvolvido maus hábitos financeiros e estão mal preparados para planear o seu futuro nesta frente, situação agravada pela pouca formação nesta área. Esta geração não está a conseguir alcançar o patamar financeiro dos seus pais e, muitos deles, acabam por viver o dia-a-dia. Vivem momentos críticos, em que o modo de vida é o "chapa ganha chapa gasta".

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Jovens alienados (*)

O maior problema que o mundo desenvolvido atravessa nos dias de hoje é o aumento do desemprego, que continua a crescer. Na Europa e nos Estados Unidos, a taxa de desemprego ronda os 10%, porém, essa média esconde um fenómeno cada vez mais inquietante: o desemprego entre os jovens. Em Espanha, na camada etária compreendida entre os 16 e os 24 anos de idade, cerca de 43% dos jovens estão desempregados! Na Irlanda, no mesmo universo de idades, 27% não tem emprego. Na Grécia, a leitura é sensivelmente idêntica: 25% dos jovens estão sem nada para fazer. E em Portugal, o drama é semelhante. Além disso, se à idade, juntarmos outros elementos como a raça, minorias religiosas e afins conseguem-se detectar divergências ainda maiores. É o caso dos jovens negros na América, entre os quais o desemprego é superior aos 50%! O problema é especialmente delicado, na medida em que, também, é neste mundo ocidental que se concentram os principais desequilíbrios demográficos: demasiados idosos, relativamente poucos jovens e pesadas estruturas de Segurança Social para financiar. Assim, a alienação dos jovens e, em especial, os reduzidos incentivos à sua integração no mercado de emprego constituem erros estratégicos muito graves. A alternativa está na frugalidade do Estado: menos despesa. E, de seguida, menos impostos: reduzir IRS, IRC e Contribuições Sociais. Mais emprego, maiores oportunidades. (*) Publicado no jornal Metro a 8/01/2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Money for nothing

Recentemente, o congresso dos Estados Unidos aprovou o financiamento de novas medidas anti-pirataria nos Estados Unidos, num valor total de 30 milhões de dólares. Se no orçamento de estado dos EUA este é um valor irrisório, no contexto de artistas independentes, é astronómico. Esse montante serviria para financiar várias acções, desde uma tour europeia a cerca de 2000 bandas, a exemplo de uma banda que decidiu iniciar uma angariação de fundos com esse propósito, ou financiar em parte um bom número de filmes de orçamento mais modesto.
Pode não ser papel do governo financiar estas "aventuras", mas é questionável se também o é ajudar entidades cujos métodos não diferem muito de um sistema de protecção do tipo "máfia". Esses métodos aparecerão "justificados" nos media, contando histórias sobre o drama das editoras durante o lançamento dos números de 2009 e tentando justificar as quebras de vendas em meia dúzia de "piratas" e não na recessão ou num modelo de negócio falido.
Vale a pena ainda referir mais um escândalo onde os protagonistas voltam a ser os alegados "representantes" dos artistas: No Canadá, a associação fonográfica local foi processada, num valor que pode chegar aos 4 mil milhões de Euros. O motivo? Uso inapropriado de músicas em compilações, utilizadas num formato de "use primeiro, pague depois". E quando chega o "depois" ?
Luís Silva
Crítico Musical

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um querer de verdade

É normal no início de cada ano avaliarmos o que foi feito, o que ficou por fazer e identificarmos objectivos para o ano que agora nos desafia.
Neste balanço, normalmente damo-nos conta que muito ficou por fazer. Ou porque não estavam reunidas as condições, ou porque não surgiu a oportunidade. Talvez tenha sido por falta de tempo, ou de verbas. Seja porque motivo for, na maior parte das vezes, os objectivos não se cumpriram.
Para se conseguir não basta querer, é preciso querer muito.
Um desses exemplos, é o de uma pequena equipa de voluntários que decidiu ajudar um orfanato no longínquo Uganda. Inicialmente, no Natal de 2006, a ideia era a de enviar brinquedos para as crianças. A partir daí, a ambição foi crescendo e os desafios cada ano maiores. Foram enviadas cabras e coelhos, redes para mosquitos e roupa mas o grande projecto para 2009 era o de construir um poço que proporcionasse água potável ao orfanato, naquele que seria um primeiro passo para a auto sustentabilidade da instituição.
Seja porque motivo for, este grupo conseguiu criar as condições e a oportunidade, encontrou o tempo e as verbas. Seja porque motivo for, um grupo de Portugueses fez com que hoje, no meio de África, corra um poço de água potável para crianças necessitadas.
Numa altura onde se traçam objectivos deixe-me perguntar-lhe:
O que quer para este novo ano?
O que quer de verdade para 2010?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Puramente #37 - A Ciência das Compras

Nome: A Ciência das Compras

Autor: Paco Underhill

Data Original: Outubro 1999

Frase: "O óbvio nem sempre é aparente"

Keywords: compras; centro comercial; loja; comportamento; consumidor; observar;

Apreciação: ****

Esta é a primeira vez que o PuraMente menciona um livro de gestão contemporânea escrito no século passado. A razão é que não existem obras posteriores sobre esta temática que possam substituir os estudos de Underhill. Curiosamente, existem outras obras especializadas em áreas do comportamento do consumidor e da gestão de retalho, mas nenhuma com a abrangência deste.

A Ciência das Compras estuda com detalhe os aspectos relacionados com o mindset dos consumidores no momento da compra, mencionando com um detalhe profissionalmente relevante e pessoalmente divertido os aspectos de comportamento que cada um de nós tem determinados momentos, espaços ou situações. A função primária do livro é saber como compram os consumidores e porquê.

Paco explora e explica factores muito relevantes para os gestores das várias áreas do retalho, em especial nas zonas de interacção vendedor-comprador, e sempre num plano B2C (business to consumer). As zonas de abrandamento, as distâncias entre móveis e o desagrado do toque, o posicionamento da sinaléctica, as quotas do mobiliário, as limitações das mãos e a influência dos olhos, os tempos de paragem cerebral para absorção de mensagens e a forma como as pessoas em geral e os clientes em particular se movem são exemplos de variáveis que influenciam as decisões de compra.

Noutro registo, o livro aborda as diferenças de comportamento entre o homem e a mulher, mostrando a relevância no ciclo de compra e contextualizando estas diferenças como exemplo de alterações de comportamento em distintos segmentos.

A obra de Paco Underhill vale a pena pela sua singularidade e abrangência, apesar do seu carácter excessivamente prático – cujos danos colaterais são menos estrutura e conclusão lógica – e de alguma desactualização nos exemplos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A falsa partida

Quando escrevo este texto (sexta-feira 18) a Conferência de Copenhaga está num impasse. Apesar da presença dos principais líderes Mundiais, o último dia deste encontro não trouxe ainda quaisquer novidades sobre o cenário de combate às alterações climáticas num cenário pós-Protocolo de Quioto.

A discussão centrou-se na definição de objectivos de redução de emissões de gases com efeito de estufa (80 % de redução até 2050 para os países ricos é uma das propostas), no financiamento aos países subdesenvolvidos e no papel que as economias emergentes terão num futuro acordo climático. Mas esta foi também a conferência onde ficou evidente que a nova ordem Mundial também existe para as questões climáticas (as 2 maiores potências, EUA e China, são também os maiores emissores e decisores) e que a clivagem entre as intenções dos países “ricos” e as expectativas de desenvolvimento dos países “pobres” é uma realidade.

Esta falsa partida do sucessor de Quioto traduz-se numa oportunidade perdida. Uma oportunidade para se iniciar a alteração de paradigma energético e dos nossos hábitos de consumo, mas também para nos adaptarmos de forma decisiva às consequências das alterações climáticas. Com ou sem acordo vinculativo as mudanças são necessárias e urgentes. As discussões certamente continuarão mas um acordo eficaz só existirá com uma efectiva partilha de responsabilidades entre todos. Aguardamos as cenas dos próximos episódios durante 2010.

Francisco Parada

Engenheiro Artigo publicado no Jornal Metro de 21 de Dezembro

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Eucalipto



O anúncio da passagem da Red Bull Air Race para Lisboa apenas confirma o que já se suspeitava há meses.

É certo que estamos num espaço concorrencial e que isso inclui a disputa, entre cidades, pelos melhores eventos. Mas, ao que se diz, Lisboa ganhou por apresentar patrocínios elevados, concedidos por empresas cuja gestão é, no mínimo, influenciada pelo Estado. Essas empresas teriam a ganhar sensivelmente o mesmo se apoiassem o evento no Porto, Coimbra, Faro ou em outra cidade. É concorrência? Não, o que temos é abuso de posição dominante.

É mais um sintoma de como o país é centralizado. Não é a maior maldade que se faz às regiões, já que as verbas do QREN, por exemplo, têm um impacto mais duradouro. Em vez de se tentar promover um desenvolvimento harmonizado, cai-se na tentação engordar a capital, onde tudo tem que acontecer. Nada sobra para as outras cidades.

Lisboa é um eucalipto que seca o país.

Fico triste pelo Porto? Sim, mas fico muito mais triste por Portugal. O país não tem estratégia, está cada vez mais desequilibrado e menos sustentável.

Esperemos que no Domingo o Porto marque pontos, pelo menos no futebol, como tem acontecido nas últimas décadas.

Mas não chega....


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 17 de Dezembro de 2009

(remake do post A "Face Oculta" dos Aviões, de 7 de Dezembro de 2009)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PuraMente #36 - Speculations & Trends



Nome: "Speculations & Trends"

Autor: Pedro Barbosa

Editora e Data: Vida Económica - 2009

Frase: "Não olhe para o retrovisor, porque o que está à frente dificilmente será igual ao que ficou lá atrás"

Palavras Chave: "Global Trends"; "Harvard Trends"; "Mashup"; "Antecipe-se"; "Wisdom of Crowds"; 

Apreciação: ****

É prudente avisar desde já: a análise a este livro é especial. O autor, Pedro Barbosa, é um dos responsáveis por esta coluna semanal e eu próprio tive o prazer de prefaciar "Speculations & Trends". Por este motivo, este texto pode sofrer algum enviesamento, ainda que involuntário.

"Speculation & Trends" propõe-se falar de tendências para os próximos três anos. Num registo bastante informal, e sem a pretensão de adivinhar o futuro, tenta-se ler no presente os sinais do que poderá acontecer a partir de agora.

A primeira parte resume uma visão do autor e de 712 pessoas que foram consultadas na preparação do livro, numa lógica de "mashup" e "Sabedoria das Multidões". Divide-se em oito capítulos, onde são abordados assuntos distintos como consumo, saúde, tecnologia, energia, entre outros. Na segunda parte, o autor recorre menos ao "vox populi" e a "trend setters", preferindo dissertar em pequenos textos sobre assuntos discutidos em meios académicos, com destaque para Harvard.

Deve reforçar-se a ideia que, neste livro, não se encontra apenas a perspectiva do autor. Houve o cuidado de consultar centenas de pessoas e fontes, muitas opiniões e críticas. O leitor, mais do que procurar respostas, deverá abordar criticamente o que vai encontrando página a página, permitindo as suas próprias especulações e reflexões.  Também por isso, "Speculation & Trends" pretende dirigir-se aos intelectualmente curiosos e forward thinkers.

Um outro aspecto que torna o livro diferente é o facto de não ter direitos de autor, podendo ser livremente copiado ou citado, em parte ou no seu todo. É uma tentativa do autor de se antecipar, ou ser um dos pioneiros na adopção de uma tendência de "open source" e "mashup". Porque, como o autor defende, no futuro o conhecimento será cada vez mais livre e passível de ser utilizado e acrescentado pela comunidade. 

Uma obra altamente recomendável.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios de 16 de Dezembro de 2009


Uma questão contabilística

Cada vez mais as empresas têm a sua actividade assente em projectos ou empreitadas, com elevados factores de imprevisibilidade, o que as “obriga” a recorrer ao trabalho temporário, dada a inflexibilidade do actual código de trabalho, para evitar danos maiores aquando da suspensão de um dos projectos em que se encontrem envolvidas.

Não será a melhor forma de estabelecer relações contratuais, mas adapta-se à realidade.

Já não é aceitável eternizar relações contratuais assentes nesta ferramenta quando a necessidade de trabalho é permanente.Um utilizador frequente é o Estado; reduz os custos com pessoal e foge às regras dos contratos colectivos de trabalho e consequentes regalias.

Acontece que muitos dos colaboradores neste regime, após cumprirem o limite de 24 meses de trabalho, são enviados para o desemprego, sendo novamente chamados 3 ou 4 meses depois. A alternativa é recrutar outras pessoas que vão ter de aprender a fazer aquilo que as anteriores já sabiam, com a consequente improdutividade.

Com esta atitude nada se ganha. Estas pessoas deixam de produzir mas o seu custo mantém-se no estado, mas agora pelo pagamento do subsídio de desemprego.

Troca-se a conta, mantém-se o custo, elimina-se a produção!

Não seria mais racional mantê-las no activo? Pelo menos o seu custo, suportado por todos os contribuintes, era ressarcido pelo seu esforçado desempenho.

Jorge Serra
Gestor

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Um Mundo mais Verde? Depende de Si

Com a incapacidade das Instituições em executarem um caminho que permita a preservação do Planeta, temos de ser nós, os indivíduos, a determinar esse caminho e a velocidade da caminhada; para o efeito podemos usar as decisões de compra e o voto político. Quem não se lembra do boicote aos produtos indonésios em prol da causa de Timor ou da não compra de determinadas marcas porque produziam os seus produtos em fábricas com exploração infantil ou porque utilizavam produtos geneticamente modificados; se quisermos, poderemos voltar a fazê-lo. As empresas embora tenham como objectivo o lucro, tem de o obter atendendo às preferências e comportamentos dos seus consumidores; é pois aí que se inicia a nossa capacidade de intervenção, preferindo produtos mais verdes e sancionando produtos ou origens mais poluentes. As empresas estão disponíveis para fazer a sua parte; são exemplo as investigações que desenvolvem e os novos produtos que colocam no Mercado, os edifícios energeticamente mais sustentáveis e as embalagens retornáveis e não deriváveis do petróleo. Por outro lado, o direito de voto exercido em eleições, também pode sancionar propostas governativas que não contemplem este eixo de sobrevivência estratégica. Não desanimemos, tenhamos presente a nossa vontade, actuemos em conformidade, e um Mundo mais Verde será uma consequência. António Jorge Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas Publicado no Jornal "Metro" a 11Dez09

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Post atípico : Back Here!

Foi ontem e hoje publicado o livro "Speculations & Trenbds " - "Tendências 2010-2012", lançamentos no El Corte Inglés de Lisboa e Gaia Porto.
O livro é, em toda a linha, made in Mercado Puro. Escrito por mim, prefaciado pelo Filipe Garcia e com a ajuda de muitos dos co-autores deste blog. Obrigado a todos, mais detalhes em www.speculationsandtrends.com Este post serve de base a um pedido de deculpas a todos pela minha relativa distância dos conteúdos do Mercado Puro, nestas semanas de preparação do livro. Continuei as minhas colaborações habituais com o Metro e Jornal de Negócios, mas com uma cadência menos acelerada. Estou aqui para dizer-vos : estou de volta. Obrigado a todos que ajudaram na construção do livro e estiveram nos seus lançamentos. Um abraço, Pedro Barbosa

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Inquérito: como classificamos esta década?

O jornal "Público" tem um inquérito on-line que me fez reflectir um pouco.
A questão é muito clara:
Como classificaria esta década?
A resposta talvez não tão simples: 1 - Década da Crise 2 - Década dos Países Emergentes 3 - Década da Internet e da Tecnologia 4 - Década da Ecologia 5 - Década do Terrorismo
E no que toca ao "Mercado Puro", como é que cada distinto membro responde a esta questão?
Existem algumas sugestões de resposta que não necessariamente as do "Público"?
...
Alguns marcos dos anos 2000, elaborado com ajuda da Wikipedia:
Uma longa década que "começa" com os atentados de 9/11 ao World Trade Center e "termina" com a eleição do primeiro presidente negro nos EUA, tendo pelo meio a guerra no Afeganistão, a invasão e a guerra no Iraque, a independência de Timor-Leste (2002)...
Uma das décadas mais estáveis e prosperas da economia mundial até finais de 2007 quando a crise económica coloca em risco a economia mundial, levando muitos países a entrar em recessão e pondo, inclusivamente, em causa o próprio modelo de desenvolvimento assente na globalização. A China atinge um crescimento económico sem precedentes, anunciando a sua entrada (liderança?) no restrito clube das superpotências mundiais...
Na tecnologia, são inúmeras as novidades - quase uma revolução (?)
Cresce a penetração da banda larga, revolucionando as tecnologias de informação e comunicação – desde a popularização dos serviços de mensagens instantâneas (MSN, Skype, entre outros) aos primeiros serviços de relacionamento on-line e às redes sociais (Twitter, MySpace, Hi5 e Facebook, etc.); Assinala-se o início do movimento conhecido como Web 2.0, tendo como principais ícones a Wikipédia, o Google Knol, o Youtube, os Blogs e Fóruns de discussão, o Twitter e a construção colectiva do Linux; aplicativos comuns de desktop passam gradualmente a ser fornecidos online;
Enquanto a Microsoft lança o Windows XP, o Windows Vista e o Windows Seven, havendo já a previsão para o lançamento do Windows Azure (sistema operacional para a computação em nuvem), a Apple renova os seus paradigmas tecnológicos, lançando o Mac OS X e computadores com chip da Intel;
A disquete cai em desuso, sendo substituído pelo CD-R, DVD, pen-drive e o ressurgimento dos cartões-de-memória; O Blu-ray substitui o DVD, que por sua vez torna obsoleto as fitas VHS; todavia, em 2009 já é anunciado o desenvolvimento do Holographic Versatile Disc ou HVD que é a nova tecnologia de discos ópticos que promete suceder ao Blu-ray;
A Apple lança o iPod e o Iphone, revolucionando o mercado de telemóveis e de MP3 players;
Enquanto os MP3 e MP4 Players, os telemóveis, os computadores portáteis e ultra portáteis e as câmaras digitais se tornam populares, novos conceitos, como a computação em nuvem, dão os primeiros passos…
No cinema, voltaram filmes antigos como Casablanca, 2001, uma Odisseia no Espaço, etc. e sagas de filmes antigos como o Indiana Jones; Na televisão, popularizam-se os reality shows, como o Big Brother, a par do surgimento de séries americanas de grande sucesso como LOST, Grey's Anatomy, Ugly Betty, Heroes, Prison Break e 24 horas.
A escocesa Susan Boyle torna-se célebre no mundo todo após ter no reality show inglês "Britain's Got Talent", batendo um recorde de visualizações de vídeos na internet.
A ciência permite concluir a sequenciação do ADN humano;
A descoberta do planeta-anão Éris, maior que Plutão, motiva a redefinição do sistema solar, criando a categoria dos planetas-anões, dentro da qual foram incluídos Éris e Plutão, além do antigo asteróide Ceres. Esses planetas formaram um grupo separado dos planetas principais, que voltaram a ser oito;Descoberto Gliese 581 c, o primeiro planeta possivelmente habitável fora do sistema solar;
A NASA confirma a existência de água em Marte e na Lua; Reacende-se a polémica referente ao Aquecimento Global e a sustentabilidade passa a estar na ordem do dia;
A nave Voyager 1 chega à heliopausa e ultrapassa os limites do sistema solar…
Maravilhoso Mundo Novo!