sexta-feira, 27 de maio de 2011

Amplificar



A CNE pediu a suspensão de um polémico tempo de antena do PND, no qual se compara Alberto João Jardim a alguns conhecidos ditadores e tiranos da História mundial.

Provavelmente, esse vídeo não irá mais para o ar no espaço eleitoral gratuito - que já "ninguém vê" - mas ganhou espaço em todos os telejornais e redes sociais.

No youtube o vídeo tem dezenas de milhares de visualizações, com a mensagem a chegar a mais pessoas do que qualquer outro tempo de antena.

Ou seja, foi a própria queixa junto da CNE, por parte dos que se consideram atingidos, que amplificou a mensagem.
Há que aprender com estes casos.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 27 de Maio de 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fugir ao problema



A Europa continua sem a determinação de abordar a questão da dívida soberana de uma forma institucional e vai "varrendo o lixo para debaixo do tapete".

As respostas passam por atirar dinheiro às dificuldades, sem resolver nem o problema do crescimento e sem alterar o sistema de governo da União Monetária. A construção do projecto europeu implica uma orientação mais federalista ou então um grande passo atrás.

A estratégia actual parece ser arrastar a situação para 2013, altura em que um novo sistema entrará em vigor (e em que muitos dos governantes já não estarão no poder...)

Mas isso não resolve o problema de base: como fazer com que os países europeus cresçam, sejam fiscalmente disciplinados e que a Europa seja cada vez mais uniforme em todas as suas dimensões.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 19 de Maio de 2011

Desvalorizar



Cada vez mais vozes pedem a saída de Portugal do euro com o argumento que isso permitiria desvalorizar a moeda e, dessa forma, tornar as exportações mais competitivas.

Sustentar a competitividade na desvalorização cambial é um ponto de vista retrógado e de quem está habituado às externalidades para fazer negócio.

Dito de outra forma, pedir uma moeda mais fraca é o mesmo que esperar um subsídio para poder sobreviver no mercado. Faz parte da tendência muito portuguesa, de sustentar a competitividade e a produtividade com base em custos baixos.

Deve apostar-se sim na capacidade de vender por outros atributos que não o preço. A estrutura de custos deve ser eficiente, mas não esmagada. Quem quer desvalorizar não quer, com certeza, ser melhor.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 20 de Maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Sociedade Ideal

É o aumento da população mundial e o crescimento dos mercados emergentes que mais tem contribuido para a subida do preço das matérias primas ou, pelo contrário, é o refugio na bolsa dos commodities agro-alimentares por parte dos grandes especuladores internacionais?

Independentemente das opiniões que existam, esta tendência está a gerar um problema de subsistência da industria agro-alimentar nacional. Para o resolver, há quem defenda (artigo de opinião IACA) a indexação dos preços das matérias primas aos contratos elaborados entre esta Indústria e a Grande Distribuição, uma vez que o reflexo de aumento no P.V.P. seria diminuto.

É defendido que com esta indexação a sociedade em geral poderia sair a ganhar: A industria agro alimentar, porque não comprometia a sua continuidade por questões meramente financeiras; A população, porque não via o seu emprego posto em causa; A grande distribuição, porque asseguraria a sustentabilidade dos seus fornecedores nacionais e manteria a dimensão e poder de compra do seu mercado.

É certo que com esta política da indexação viriam os adeptos da defesa do controle da inflação e de que os efeitos perniciosos para o mercado deste “imposto injusto” seriam ainda maiores. Será ? E o aumento do desemprego ? Nesta fase não será ainda mais crítico ?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mente sã



Quando se fala das grandes tendências em vigor, é quase sempre esquecido um comportamento que continua em franco e inédito crescimento: a prática de actividade física. Seja na rua, em ginásios ou noutros locais, é inédito o interesse e entusiasmo que os portugueses demonstram pelo desporto.

É excelente. Se houver o devido acompanhamento, a saúde agradece. Mas é na mente que os resultados são mais relevantes. Ao praticar desporto reservamos tempo para nós, organizamo-nos melhor e compreendemos que é possível chegar a objectivos aparentemente inalcançáveis, se trabalharmos para tal.

É bom, faz bem e é gratificante.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 13 de Maio de 2011

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Bastará a Ajuda Externa?

Apesar da ajuda externa ser uma boa notícia, preocupa-me o Futuro.

Continuo a não ver indícios de alterações que permitam antever uma evolução da maturidade democrática.

A democracia não é, por si só, o garante de uma sociedade próspera, justa e solidária; ou não teríamos chegado onde estamos. A Democracia tem subjacente uma infinidade de modelos de organização e relação do estado e da sociedade, mais ou menos permissivos à corrupção e/ou pressão de certos lóbis. Estes, por via dos políticos e demais intervenientes podem perverter a vontade dos eleitores.

Se não apostarmos na mudança que vença as debilidades da nossa Jovem Democracia, não bastará a ajuda externa para construirmos um Portugal melhor.

António Jorge

Marketeer e Docente Universitário

Publicado no Jornal Metro em 12Mai11

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um fado agridoce

Foto: Luís Ferreira

Como bom rebanho somos eternos crentes, esperando pacientemente a salvação. Temos dificuldade em aceitar responsabilidades e, muito mais grave, em tomar mão do nosso destino. Os “outros” são a tábua da solução: paradoxalmente, ainda que a culpa seja sempre deles, serão eles que nos virão salvar.

Assim, a intervenção da famosa troika deixa um sabor agridoce: não foi o inferno anunciado, nem a redenção desejada. Com afinco e diligência cumpriu a sua missão: um plano de saneamento das contas públicas portuguesas. Não fora a atracção pelas minudências, poderíamos aproveitar este mote para regenerar Portugal.

Publicado no Jornal Metro em 11-Mai-2011

Conselho Consultivo



As melhores empresas e instituições têm um Conselho Consultivo. Trata-se de um conjunto de pessoas convidadas a dar conselhos e orientações.

Normalmente são indivíduos experientes e com competências relevantes. Para que os conselhos sejam imparciais, opta-se por quem não tenha interesses directos, nem nas instituições, nem nos assuntos a debater.

Faz todo o sentido cada um de nós ter o seu conselho consultivo. Não se trata de pedir opiniões, invariavelmente aos mesmos amigos. Importa escolher, dentro da rede de contactos e em função da confiança e competências, as pessoas mais indicadas para um determinado assunto. Vale a pena contar com as opiniões dos outros de forma sistemática. A melhor ideia raramente é a primeira.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 10 de Maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Temos um Plano!



É prematuro fazer um balanço completo do acordo entre Portugal e a troika. Mas pode já dizer-se que é positivo que Portugal não tenha sido forçado a “misturar” o Fundo de Estabilização da Segurança Social com os dinheiros do Estado e que os subsídios de Natal e de Férias não tenham sido cortados.

Mas o que merece destaque é que, aparentemente, Portugal passa a ter um plano de actuação estruturado para o médio prazo, algo de inédito nas últimas décadas.

O plano inclui política fiscal, regulação e supervisão financeira e estratégias para os orçamentos, privatizações, sistema de Saúde, PPP's, administração e empresas públicas.

Ter um plano é mais que meio caminho andado para se conseguir chegar a um futuro melhor.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 6 de Maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Outsourcing de política

Supostamente, a troika veio para resolver o mais urgente e global dos problemas da economia portuguesa: o sistemático défice orçamental. Ironicamente, vai iniciar um conjunto de medidas que atacam o mais importante dos problemas: a falta de competitividade - o problema estrutural.
Se se confirmar que o plano vai incluir aumento da liberalização em sectores protegidos como a energia ou comércio de fármacos, alterações na celeridade da justiça e liberalização da legislação de trabalho, pode ser que toda esta crise orçamental tenha vindo por bem, para Portugal poder fazer outsourcing de política.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Pânico e o Bloqueio



Num dos excelentes artigos do livro "What the Dog Saw", Malcom Gladwell fala de como sucumbimos à pressão, distinguindo entre pânico e bloqueio (panic vs choke). Em pânico, reage-se de forma muito linear, recorrendo a instintos básicos e sofrendo de "estreitamento da percepção". São assim as situações em que há risco iminente de vida: opta-se por soluções instantâneas, normalmente irracionais... e erradas.

Diferente é uma situação de bloqueio. Nessas alturas, o racional predomina de forma exagerada, impedindo-nos de agir com naturalidade, prejudicando a performance. Bons exemplos são a marcação de um penalty decisivo ou uma conversa com alguém que desejamos verdadeiramente impressionar.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado no jornal Metro em 29 de Abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O exemplo vem de cima

Preparação, trabalho (sem tolerância de ponto), responsabilidade e descrição, tem sido o lema da Troika, evidenciando um código de conduta exemplar.

Não pretendem esconder informação, mas simplesmente dar enfoque ao essencial: Falar com quem interessa, ouvir atentamente, encontrar soluções para os problemas e decidir bem. Só depois tornar público as conclusões, colocando em cima da mesa toda a verdade, doa a quem doer.

Esta atitude é paradigmática do rigor que deveria ser seguido por todos, principalmente por aqueles que nos dirigem e representam, enquanto país.

Um exemplo a seguir para as decisões difíceis que vamos ter pela frente na próxima década.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sentido de Urgência

Serão os políticos os únicos culpados pelo estado do país? Não são. Os culpados somos nós, os cidadãos, no papel de eternas vítimas, como se Portugal fosse uma ditadura onde o povo não tem expressão.

Falta-nos uma sociedade com cidadania, capacidade de sacrifício e noção de comunidade - no sentido de saber quando é necessário estabelecer uma cruzada conjunta para mudar. Mas mais que tudo, o que falta a este país é sentido de urgência. Foi com esse sentido de urgência que Alemanha e Finlândia saíram de crises muito piores nos anos 40 e 80 respectivamente.

sábado, 23 de abril de 2011

Social Media Killer App

Coolhunters e trendseekers têm discutido como evoluirão os social media e que sustentabilidade têm no futuro. Para mim, está claro que são uma plataforma que veio para ficar e que terão muitas evoluções importantes, em especial na fusão de outras tendências, como geo referenciação e internet móvel. O que matará um dia os social media?

O share of time dos clientes!

O tempo dos clientes é a única coisa que não cresce, não possui a elasticidade desejada. Portanto, quando chegarem alternativas que substituam o contact-joy em termos de captação do interesse deles, os social media têm de se reinventar para não morrer.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Contratos e Apertos de Mão



A leitura de um artigo de Dan Ariely e experiências profissionais recentes reforçaram decisivamente uma ideia latente: é mais importante construir relações de confiança e de compromisso pessoal do que apostar em contratos "à prova de bala".

Os contratos conferem segurança, abrangência e contexto, mas podem também intimidar, limitar e colocar todo o foco do relacionamento na forma em detrimento da substância.

Não me interpretem mal: claro que há utilidade e necessidade de contratos, mas em muitas situações deveríamos, sobretudo, trabalhar a relação.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 15 de Abril de 2011

Misturar Dinheiros



Preocupam-me as notícias que dão conta da utilização do Fundo de Estabilização da Segurança Social para financiar o Estado, através da compra de dívida.

É aceitável que o FESS possa comprar dívida pública, embora o valor em carteira já seja acima de 55% do total. Porém, há dois problemas a ter em conta:
  • Está em causa a independência dos gestores do fundo, que devem perseguir os objectivos do fundo de estabilização e não do Estado.
  • Tão ou mais importante, ao misturar dinheiros e objectivos, corre-se o risco de numa futura intervenção externa o país ser obrigado a utilizar o dinheiro da segurança social para pagar dívidas ao estrangeiro, algo que seria penalizador para todos e arruinaria a estabilidade de um sistema que até agora tem estado equilibrado.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro

Incendiários



A imprensa deve ser totalmente livre, mas os leitores devem ser críticos e cuidadosos.
É surpreendente o frenesim dos media nacionais em torno da crise financeira, incendiando ânimos e desejando que os piores cenários se concretizem; afinal isso seriam mais notícias!
Longe de mim querer ocultar factos ou "dourar a pílula" quando sabemos que a situação é delicada, mas para quê assustar ao chamar de "lixo" o que não é lixo? Porquê arriscar semear o pânico em torno dos bancos e das empresas promovendo comportamentos de desespero?
Por um punhado de audiência sacrifica-se o rigor, a verdade e até o civismo. É pena.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 13 de Abril de 2011

roadmap

"Estamos em 1951. A Alemanha, depois de conduzida por políticos loucos, mas apoiados pelo seu povo, estava dividida, ocupada por potências estrangeiras - e tinha uma enorme dívida soberana para pagar. A reconstrução do país e o seu crescimento económico eram incompatíveis com os encargos do serviço de dívida acumulada, antes e depois da guerra. Começaram então duras negociações - conduzidos pelo lado alemão pelo histórico presidente do Deutsche Bank, Hermann Abs - entre o Governo alemão e representantes dos Governos dos países credores que levaram ao estabelecimento, em 1953, de um acordo de pagamento que, ainda hoje, constitui um excelente estudo de caso de resolução de dívidas soberanas. (...) O acordo adoptou três princípios fundamentais: 1 - Perdão / redução substancial da dívida; 2 - Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo; 3 - Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.", Avelino de Jesus, hoje, no Jornal de Negócios, em "Um resgate alemão" (página 37).

Go & Get

Pessoas, famílias, câmaras municipais, governos, empresas, organismos e instituições fazem planos, tácticas e estratégias em linha como os seus objectivos e desejos, tendo em conta limitações e recursos. Não tem mal nenhum. É bom.
É bom, Mas não chega. É preciso agir, realizar, executar. Mas agir não é só tentar, não é só fazer a sua parte e ficar com um bom argumento de defesa caso os demais falhem. É necessário chegar, atingir, concretizar. É vital assegurar um sucesso de execução, independentemente dos obstáculos e restrições.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LOL & OMG

O mais tradicional de todos os dicionários do mundo – o Oxford English Dictionary – acrescentou à sua lista de palavras as siglas OMG (oh my god) e lol (laughing out louds), uma década e meia depois do inicio massivo da sua utilização, que aconteceu com a explosão chat então celebrizada com as redes irc.

Apesar de tardio, este é o primeiro passo oficial e definitivo de uma nova geração de semântica, uma semântica da geração net, que será a primeira semântica verdadeiramente com origem na multidão das massas, e não num punhado de intelectuais.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O melhor é de graça!



O contexto de crise que se vive em Portugal deverá acentuar-se em 2011, o que levas as famílias a questionarem-se como reagir. Evidentemente, todas as eficiências ou poupanças que se consigam concretizar serão bem vindas, mas é essencial mudar de mentalidade.

Devemos tomar consciência que somos muito mais responsáveis pelo nosso destino do que parece. As nossas opções e comportamentos condicionam o nosso sucesso e felicidade.

Mais importante ainda, será aprender a viver de forma menos consumista e abrangendo todas dimensões da nossa vida: desenvolvimento pessoal, a família, amigos, colegas, o bem estar físico, as paisagens, o Sol. O que nos faça mais felizes... porque as melhores coisas da vida são gratuitas.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 1 de Abril de 2011


quarta-feira, 23 de março de 2011

"Li no Facebook!"



Temos assistido a uma alteração dramática na disseminação das notícias. Antes, circulavam pelos canais tradicionais como jornais, rádio ou televisão. Mais tarde, com a democratização da internet, as notícias começaram a aparecer primeiro na versão online desses media.

Mas hoje, verifica-se que grande parte das notícias, sobretudo as mais importantes, são primeiro difundidas nas redes sociais com o Twitter ou Facebook. Mesmo assim, os media tradicionais não perdem valor nesta nova realidade. Cabe-lhes validar a informação obtida nas redes sociais, bem como agregar, investigar e aprofundar.

Ficamos a saber de algo quando lemos no Facebook, mas só damos real valor após a credibilização conferida pelos dos meios tradicionais.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 23 de Março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Seth Godin



Seth Godin é um autor americano cujo blog vale a pena seguir diariamente. Todos os dias há textos excelentes, quase sempre curtos, sobre negócios, empresas, mercados ou pessoas.

Há dias, Godin falava do "Processo de duas etapas". Segundo ele, numa primeira fase devemos equacionar tudo, explorar, especular e procurar ainda mais; depois, de forma implacável, há que rejeitar, eliminar e escolher. Ao escolher, não se volta ao primeiro passo. Escolher é um compromisso que deve ter consequências.

Estas regras aplicam-se a quase tudo, mas há muita confusão entre estes dois passos. No primeiro, normalmente não se é suficientemente ambicioso. E no segundo é comum haver hesitações e recuos.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 16 de Março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

O Estado da Europa

As recentes medidas do PEC 4 do Governo português, visam reforçar o compromisso junto dos mercados e das Instituições Europeias, com os quais estamos obrigados a cumprir as metas orçamentais estabelecidas para os próximos três anos.

A crueldade das medidas, em que os mais desprotegidos são os mais afectados, veio colocar a nu a forma cega e fria de como alguns Decisores não olham a meios para atingir os fins.

A situação e a decisão tomada é muito grave. Mas muito mais grave do que isso, são os comentários dos responsáveis máximos desta “nossa” Europa, que de forma surpreendente e unanime, vieram prontamente declarar que as medidas escolhidas são as mais acertadas, são as mais justas e são aquelas que colocam o país no caminho certo.

Com este tipo de responsáveis, nunca teremos uma Europa Unida, tanto em termos políticos, como consequentemente em termos de mercado.

sábado, 12 de março de 2011

Avaliar os Intangíveis

No final, o que verdadeiramente conta para um Analista é medir o resultado alcançado. Mas um Gestor não pode medir apenas uma parte da história.
É preciso ir influenciando os inputs das Equipas que levam a esses resultados, medindo as coisas que realmente contribuem para as receitas, verificando se estão correlaccionadas com os objectivos definidos, avaliando e adaptando o "jogo" a novas adversidades, garantindo que os resultados estão alinhados com o caminho preconizado.
Se monitorizarmos todos estes factores, saberemos sempre quando alguma coisa está errada, antes que esta fique espelhada no resultado final.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mais do que Remessas

Comunidades portuguesas, Fonte: MNE.
Partindo de 5 milhões de emigrantes, percebemos que 1/3 dos portugueses se encontra espalhado pelos 4 cantos do Mundo.
Estes e outros números (remessas de 2,4 mil milhões de euros em 2010) são apenas uma parte da força da diáspora.
Acrescida por nova vaga de emigração, a oportunidade torna-se mais evidente: com portugueses de sucesso nas mais diversas geografias, encontramos verdadeiros facilitadores capazes de apoiar a difícil tarefa de internacionalização das empresas portuguesas, sobretudo as de menor dimensão.
É uma rede poderosa que deve ser convenientemente valorizada, e que seria sensato não desperdiçar!
Publicado no Jornal METRO em 10-Mar-2011.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Aprender com Fleming



No final dos anos 20, Alexander Fleming descobriu a penicilina. Reza a História que decidiu não patentear a descoberta, pois achava que facilitaria a difusão de algo que poderia tratar muitas infecções. Não só se tratou de uma atitude altruísta, como revelou um grande afecto para com a sua descoberta, desejando que fosse utilizada o mais amplamente possível.

Isto a propósito da tendência para proteger demasiadamente as criações e as descobertas. Lamento quem receia partilhar o conhecimento, a produção artística ou técnica de uma forma egoísta e com a avidez de rentabilizar trabalho, momentos de inspiração ou até de sorte. Além de colocarem barreiras ao progresso ou à fruição, denotam enorme insegurança na capacidade de continuarem um passo à frente dos demais.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 3 de Março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Em tempos de revolução, a União faz a Força

O crédito continua escasso e a retrair o investimento das empresas portuguesas, principalmente das que têm uma vertente exportadora e que competem com outras companhias no exterior que não lutam com a mesma dificuldade.

O problema é grave. Não garantindo crédito de médio e longo prazo para o investimento no desenvolvimento de novos produtos, aquisição de equipamentos novos, etc, as empresas tornam-se obsoletas, logo menos competitivas.

É pena só ser a médio prazo, mas a cultura de junção de esforços entre as empresas nacionais acabará por vingar, seja por via de fusões proactivas, seja através de incentivos em programas especiais para esses fins, e irão garantir a obtenção de verdadeiras sinergias, permitindo continuar a vencer os mais “fortes” em algumas áreas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

D-Raise do Comércio Justo

O Comércio Justo, considerado uma importante tendência há poucos anos, está em decréscimo , fruto do cepticismo dos consumidores da isenção do processo e da qualidade dos produtos, entre outros.
No meu ponto de vista esta é uma boa noticia, não porque tenha razões para duvidar e da qualidade dos produtos destas origens supostamente controladas, mas porque esta assimetria, a ser permanente e definitiva, assumia uma relevante assimetria nos mercados, criando concorrência noutros mercados, que de justa nada tem.
Quando tem tempo, o mercado tem sempre razão. Sempre.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Parvoíces



Uma canção aglutinou jovens adultos insatisfeitos, que preparam uma manifestação nacional.

Encorajo as manifestações de insatisfação, mas não aceito o argumento que ter estudado implica ter um emprego bem pago.

Antes de mais, uma licenciatura não garante competência profissional. Depois, há que entender que "ter um curso" já não é exclusivo, passando a ser quase "standard". O argumento revela uma filosofia de direitos adquiridos e não de mérito.

Finalmente, esta geração transpira egoísmo geracional, ignorando que os problemas económicos são ainda mais cruéis para os mais velhos, com menos hipóteses de reinserção laboral... e que se sacrificaram para os colocar a estudar.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 25 de Fevereiro de 2011


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Viktor Frankl: Why to believe in others [From TED.com]

Este vídeo, que é famoso, sintetiza porque é que temos sempre de pensar em superação e em elevar expectativas relativamente aos outros.


Search for meaning

In this rare clip from 1972, legendary psychiatrist and Holocaust-survivor Viktor Frankl delivers a powerful message about the human search for meaning -- and the most important gift we can give others.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Receita



Nos últimos dois anos venho dedicando boa parte dos meus tempos livres à leitura.

Após mais de meia centena de livros, emergem as ideias que mais vezes são sugeridas como caminho que leva ao sucesso de pessoas e organizações.

Clareza de objectivos (saber onde se quer chegar), definição de metas ambiciosas em público, disciplina na alocação de tempo e equilíbrio entre as várias dimensões na vida pessoal são sugestões que parecem óbvias e facilmente serão aceites.

A receita é tão simples quanto essencial; a grande dificuldade está na implementação. E é aí que, na maior parte das vezes, se faz a diferença.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 18 de Fevereiro de 2011


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Absurdo no TGV

Um quadro dos transportes ferroviários franceses apresentou recentemente a “Internet no TGV” numa conferência de inovação. Com pompa, informou que o projecto custara 60 milhões de euros, detalhando todas as dificuldades técnicas e mencionando o preço do serviço: 5€ por hora!
Gastaram 60 milhões na criação de um serviço commodity com limitações técnicas num comboio de alta qualidade, e ainda tentam cobrar! O leaning point é que, em serviços diferenciados, a cobrança de um custo por um serviço anula frequentemente o valor percepcionado do cliente, que a assume a um custo marginal nulo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hi5 vs Myspace

Para além do crescimento do Facebook como plataforma social media, também o Twitter, LinkedIn e o MySpace cresceram, enquanto o Hi5, TST e Orkut não param de cair.
O sucesso do Myspace, em contraponto com o insucesso do Orkut e Hi5, deve-se ao facto destes se terem sabido reposicionar quando alguém assumiu a liderança e ocupou a sua antiga quota. Enquanto o Hi5 pensava poder combater o Facebook, o Myspace especializava-se num nicho (música), tornando-se o melhor do nicho.
Twitter e LinkedIn já eram os melhores nos seus. O líder não agrada a todos, deixando espaço para o complementar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Conversas corajosas

A vida dos Credores não tem sido fácil, mas o mesmo se pode dizer dos Devedores. Os primeiros porque lutam contra o aumento da sinistralidade da sua carteira de crédito e os segundos porque quando vêm pedir ajuda e aconselhamento, muitas vezes já é tarde.

A via mais eficaz para os Credores é explorarem proactivamente os primeiros sinais de dificuldades dos Devedores, contactando-os antes do incumprimento, surpreendendo-os ao abordar as dificuldades de frente, e motivando-os a interagir e a reagir, antes do problema se tornar maior e mais difícil de domar.

Aqueles Devedores que aceitarem imediatamente uma alteração de atitude perante as suas dívidas, devem ser utilizados na construção de um razoável indicador de uma potencial recuperação.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Divergência

Muito se tem falado sobre crise, liquidez e divida pública. Será que vem o FMI? Novos programas de estabilidade? Que factura vão os portugueses pagar?
Não se tem contudo falado do maior risco: divergência. Enquanto Portugal continuar no grupo dos PIGS, a Irlanda e a Grécia estiverem como estão, a Bélgica, Itália e Espanha tiverem os seus problemas, estaremos no pelotão de trás, o que é bem diferente de estar atrás isolado. Se divergirmos dos restantes países e ficarmos mal enquanto eles resolvem os seus problemas, teremos dores de cabeça a sério.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PPR (1989-2010)



No último ano em que os PPR constituíam um instrumento de poupança fiscal, não foram capazes de atrair o interesse esperado. O valor alocado foi apenas 3% acima do registado em 2009, registando, ainda assim, uma subida.

Tudo indicava que 2010 seria um ano de crescimento considerando que, até Setembro, estavam investidos quase 2400 milhões de euros, mais 17% do que em 2009. O mais provável é que muitos portugueses tenham feito os PPR mais cedo e que, para outros, não tenha sido possível fazê-lo, quer por falta de rendimento disponível, por terem optado por outras aplicações ou pelo consumo, ou ainda por uma menor confiança no sector bancário e segurador no final do ano.

Para 2011 espera-se a “pulverização” dos PPR por lhes terem sido retirados grande parte dos benefícios fiscais, tornando-os desinteressantes. Recordemos o que sucedeu com as Contas Poupança-Habitação, que “desapareceram do mapa” após deixarem de contar com esses benefícios.

Muitos consideram que a eliminação dos benefícios fiscais dos PPR desincentiva a poupança, mas os PPR eram, quase sempre, apenas instrumentos de eficiência fiscal. O benefício associado à sua subscrição era desequilibrado em favor do contribuinte, razão pela qual o governo terá decidido alterar a legislação. Por outro lado, só os agregados familiares com maior capacidade financeira tinham acesso à subscrição de PPR.

Se é verdade que é necessário promover a poupança junto dos portugueses, sobretudo para a reforma, reconheça-se que o PPR era quase sempre subscrito para poupar no IRS e não por se pensar no futuro. Prova disso é que grande parte das subscrições era efectuada pelo valor exacto que proporcionava o benefício fiscal óptimo.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Diário Económico em 10 de Fevereiro de 2011 (pág. 4)


Dívida Secular



Nos EUA discute-se a hipótese de o governo emitir títulos de dívida de muito longo prazo, que podem mesmo chegar aos 100 anos.

Recentemente a Goldman Sachs emitiu a 50 anos e o México a 100. Estas obrigações, que têm um carácter praticamente perpétuo, são normalmente muito bem recebidas pelo mercado, dado que pagam um juro superior por o prazo de pagamento ser maior.

Vale a pena recuar século XVIII quando as acções de rendimento perpétuo de 5% da "Companhia dos Mares do Sul" foram cobiçadas por todos os ingleses. A "aventura" acabou mal.

Pergunto-me qual será a intenção de pagar por parte de quem se endivida a um "prazo" tão longo.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 10 de Fevereiro de 2011


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O fim dos portais?

Há meia década atrás os portais detinham a liderança do tráfego da Internet, agregando numa única página as ligações para outros sites, uma função de procura e os básicos da informação.
Hoje, quase todos os portais perdem espaço, e muitos já desapareceram. Em Portugal só SAPO resiste, enquanto Aeiou, IOL e Clix perdem tráfego de forma acelerada, e a nível internacional passa-se o mesmo, consequência da importância do Google como homepage, complementada por sites de redes sociais e blogues próprios. Falta saber se os mais drivers aguentam o tráfego conquistado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Black Swan Black Swan Black Swan Black Swan

Tive oportunidade de assistir ontem ao filme do moment o : Black Swan, um filme que relata a preparação e estreia de uma das coreografias do Lago dos Cisnes na Companhia de Ballet de NYC. É evidente que se trata de um grande filme que ficará na História do Cinema, desde logo pela excepcional actuação de Natalie Portman (Globo de Ouro), mas também pela trama e sobretudo pelas mensagens que estão atrás dessa mesma trama, que são muitas e relevantes.

Comentar cinema não é a minha praia, nem este é o foro apropriado para tal. No entanto, há uma das discussões que o filme não encerra, mas abre, no seu pano de fundo de largo espectro:

A personagem principal, Nina, é uma lutadora pela perfeição, apurando a técnica até ao limite, mas agindo de forma frívola, recalcada e distante com os demais aspectos da sua vida, em especial os sociais. A sua arquirival (dicotomia amiga/inimiga que procurava o mesmo pepal principal na peça) é a sua antítese: luta pelo ballet, mas tem vida fora dele. E que vida!

A questão é portanto: devemos enfocar-nos ao limite naquela que é a nossa prioridade (profissional ou pessoal), ou devemos diversificar interesses e lutar opela mesma, sem deixar de viver , socializar e ter as mais variadas componentes da vida?

Muito embora a primeira resposta possa de uma forma mais imediata merecer mais atenção, sobretudo porque se está muitas vezes a competir com pessoas completamente centradas no seu trabalho ou prioridade, a minha opinião é que os excepcionais são aqueles que conseguem ser bons em algo, sem deixar de viver o resto. Sem terem de prescindir da sua vida, dos seus amigos, de outras prioridades, da sua saúde mental e fisica, do que entenderem. Sem prescindirem demasiado.

Estes serão os afortunados, porque alcançarão objectivos, prescindidno de menos, o que os frustra menos quando têm falhas intermédias, e os projecta mais quando alcançam sucessos. Mas a minha opinião vai mais longe. Não é só melhor para eles. é melhor para todos. Teremos pessoas menos psicóticas, mais equilibradas e todos - literalmente todos - beneficiamos com isso.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dilema no BCE



A subida dos preços na zona euro está atingir valores acima dos 2%. A inflação subjacente ("core") continua baixa e, se tivermos em conta toda a zona euro, verifica-se que o desemprego está nos 10.1% - um valor historicamente elevado.

O problema é que a situação na Alemanha é quase a oposta em termos de desemprego, registando-se a taxa mais baixa dos últimos 18 anos. Tudo indica que as negociações salariais serão muito favoráveis aos trabalhadores, pressionando os preços em alta.

O BCE depara-se com a situação difícil de “escolher” entre o que é mais aconselhável para a zona euro ou para a sua maior economia o que, desta vez, não é exactamente a mesma coisa.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 4 de Fevereiro de 2011


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Temos a inflação de volta?



A estimativa rápida da inflação da zona euro de Janeiro, mostrou uma subida homologa dos preços de 2.4%, o mais alto desde finais de 2008. Estima-se que mais de 1 p.p. da subida seja explicada pela energia e alimentação.

O petróleo (Brent) já está perto de 100 dólares e commodities com o milho e o trigo, especialmente este último, têm subido de forma significativa. São preços com potencial de contágio ao resto da economia, ainda que não seja essa a visão predominante. É provável que a inflação homóloga se mantenha acima de 2% durante todo o ano.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado no jornal Metro em 2 de Fevereiro de 2011

Blogues Maduros?

O tráfego em blogues tem tido um comportamento curioso. As visitas ao Wordpress e Blogger diminuíram, mas ao Blogspot cresceram. Tal significa que se escreve menos em blogues, mas lê-se mais. A explicação: cada vez existir mais repositório online, o que alimenta um aumento de tráfego via search.
Informações de outro estudo mostram que depois de muitas experiências, uma grande parte dos bloggers abandona os seus espaços ou desvitaliza-os, enquanto um menor grupo de blogues se tornam especializados e activos, quase profissionais.
Chegou a maturidade à blogolândia?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Shazamization


A few days ago, at an European Marketing Seminar,  I was surprised by a new key future concept - Shazamization.

Actually, this is a very simple idea and obviously relates to the known mobile app "Shazam", which allows everyone to identify the artist and the song title from a small bit of music.

Goggles, from Google, is now able to recognize some objects and places. All you have to do is take a snapshot picture, upload it and ask the clouded software to do the trick.

So, "Shazamization" is the ability of identifying, using a portable device camera, objects, places and perhaps even people. That could lead to a purchase decision or searching for more info related.

This might be revolutionary as a business model for retail an advertising, at least!


Filipe Garcia

Economist at IMF, Informação de Mercados Financeiros - Portugal

Article published at "Metro" in January 28th, 2011.

Facebook Killer

O sucesso do Facebook como rede social é hoje inquestionável. A questão que agora se coloca é qual será o sucessor em termos de social media? Quem vai destronar o Facebook e como? O next hype pode vir a ser o programa ou serviço online que subtraia com automatismos a informação do Face e permita colocá-la noutras plataformas, potenciando mutações rápidas e em massa de plataformas de rede social e devolvendo democracia ao sector. Ou seja, em vez de um próximo Facebook, poderemos assistir a um serviço diferenciado que torne as redes sociais um commodity.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Shazamization


Há dias, numa conferência sobre tendências de marketing, fui surpreendido com um novo termo para o futuro - shazamization.

A ideia é simples e relaciona-se o aplicativo "Shazam", que permite identificar em segundos uma música que estejamos a ouvir em qualquer lugar.

A última versão do "Goggles" (da Google) começa a permitir reconhecer objectos e locais, bastando tirar uma foto e pedir ao programa para os reconhecer.

Shazamization é a capacidade de identificar, através das lentes do telemóvel, um objecto, um local e talvez pessoas, com objectivo de compra ou de mais informações.

É um conceito revolucionário para o comércio e para a publicidade, pelo menos.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 28 de Janeiro de 2011


domingo, 23 de janeiro de 2011

Open Source

O open source mudou radicalmente a indústria de software na última década. Com o Linux e Wikipedia como exemplos mais visíveis do sucesso deste conceito, muitas são as áreas onde voluntários produzem soluções semelhantes do que a indústria especializada. A questão que hoje se coloca é se faz sentido governos e universidades públicas apoiarem e protegerem este conceito, sempre em prol de maior e mais célere progresso. A minha opinião é que não devem existir apoios sistemáticos ao open source, sob pena da regulação criar assimetrias com prejuízos no resto da indústria, sem vantagem para ninguém.