
Nesta sexta-feira cumpriram-se 89 anos sobre o famoso crash bolsista de 1929. Este ano o dia voltou a ser animado - um dos dias mais movimentados da história recente do mercado cambial. Apenas me recordo de movimentos desta grandeza e volatilidade em Outubro de 1998 no dia em que a Rússia não conseguiu honrar os seus compromissos, já num contexto de crise asiática. Não é nada comum ver moedas do G7 a variar 16% num dia entre si – foi quanto a libra caiu face ao iene (o euro esteve a perder 10%). Aliás este foi o pior dia para a moeda britânica desde a crise do SME em 1992, em que abandonou o sistema. As volatilidades implícitas estão em máximos históricos, o que além de significar que é caríssimo construir estratégias com opções, dá a entender que os próprios operadores de mercado estão à espera de mais dias agitados e sem fazer ideia para onde vão as taxas de câmbio. Em momentos como estes o melhor parece ser evitar decisões radicais. São períodos de grande tensão e emoção, normalmente más conselheiras. Porém, devem ser tratados objectivos e limites.
Os movimentos mais recentes nas moedas estão relacionados com a liquidação de posições de investimento a nível global e posterior repatriação de capitais e ainda com o processo em curso de redução de alavancagem no sistema financeiro. A liquidez é procurada por todos – “Cash is King”. É isso que justifica que as moedas que saem “vencedoras” sejam o dólar, iene e franco suíço. Estas divisas foram muito utilizadas nos últimos anos para endividamento para alavancar fundos de investimento que se encontram agora em grandes dificuldades e que estão obrigados a sair a qualquer preço, seja nas acções, seja no câmbio. Adicionalmente há necessidade dessas divisas nos países de origem, sobretudo EUA e Japão, o que força a repatriação.
O mercado está também muito “desconfiado” da solidez das contas na Zona Euro e Reino Unido e da capacidade de reacção efectiva do sistema financeiro e da economia como um todo. Há sinais aparentemente inócuos, mas que devem ser lidos com alguma atenção. O facto de a Dinamarca se ter visto forçada a subir as taxas de juro em 0,5% no contexto actual parece querer dizer que os capitais não se estão a sentir seguros na Europa, mesmo na que não é “emergente”. A queda da coroa da Noruega, ainda que com a ajuda do petróleo, é um indicador no mesmo sentido.
O que parece evidente é que a crise financeira está ainda muito longe de terminar e que será necessária muita paciência e sangue frio. As empresas devem estar sobretudo atentas à deterioração do seu ambiente operacional e que consequências essa alteração poderá trazer para a sua situação financeira futura. O nível de endividamento actual poderá ser adequado hoje, mas o mesmo pode não acontecer daqui a alguns meses.
E nessa altura não é certo que a banca possa ter a liquidez necessária para emprestar a todos os que dela necessitam.













Percorrer um centro comercial e ser atendido com simpatia, começa a ser uma excepção que confirma a regra do mau atendimento que se verifica no comércio em geral. Não considero que seja apenas um problema português mas algo que também se verifica em países mais desenvolvidos, como Espanha, Alemanha ou França. 








