domingo, 8 de dezembro de 2013

Líder informal

As organizações saudáveis costumam recompensar os seus colaboradores que tomam a iniciativa de liderar e não apenas aqueles que têm autoridade formal para o fazer.

Em vários sectores da sociedade, seja a nível empresarial seja a nível político, muitos líderes emergentes assumem que não podem fazer a diferença com as suas posições actuais e resolvem esperar pela sua oportunidade. Faltou capacidade de auto-análise e de assumir riscos.

A experiência e a legitimidade são úteis, mas não devem ser pré-requisitos para a liderança. Ter paciência é uma virtude, mas às vezes não se pode esperar para obter a permissão de liderar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Português


http://idp.somosportugueses.com

Na semana passada a revista “Monocle” destacava o crescimento de influência da língua portuguesa no mundo.

Há cerca de duas décadas, o crescimento da internet e o intensificar do processo de globalização faziam crer que a língua inglesa iria constituir-se como idioma de utilização e alcance universais, reprimindo todas as demais.

É verdade que o inglês é cada vez mais o “denominador comum” na comunicação internacional, mas os mesmos processos de inovação tecnológica e de globalização, ajudados pela demografia, estão a intensificar o uso dos idiomas nativos, que acabam por ser agente de facilitação de relações e negócios.

Dos interfaces aos contratos, passando pelos média ou pelas artes, línguas como o português são cada vez mais importantes.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Metro em 24 de Setembro de 2012



domingo, 9 de setembro de 2012

Vulnerabilidades



O BCE anunciou ontem um programa de compra de obrigações em mercado secundário até 3 anos, para países que peçam ou tenham pedido um regaste.

Trata-se de uma ferramenta temporária que, se resultar, poderá transformar-se numa solução mais permanente para afastar receios quanto a uma implosão do euro.

O corolário desta estratégia pode resumir-se desta forma: Países sob planos de consolidação orçamental e de desalavancagem, em que as maturidades médias das suas dívidas vão sendo cada vez mais curtas, logo tornando os países em questão mais vulneráveis no longo prazo.

Nesse sentido, é uma “solução” que coloca muito mais poder no BCE e na UEM.

Filipe Garcia

Publicado no jornal Metro em 7 de Setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012


Apple  e o novo iPhone




Quase um ano com a Apple sem o seu mítico Steve Jobs. O seu sucessor, Tim Cook, soube conduzir a empresa aos melhores resultados de sempre, cumprindo de forma essencial o papel da transição.

 Mas se a nova Apple não para de ganhar dinheiro, a verdade é que continua a vender o que antes criou, e não arriscou até hoje nada em inovação , um dos pilares de sucesso.

É por isso que o novo iPhone, a ser apresentado na próxima semana, é mais do que um novo gadget: é a cartada que a nova Apple joga para mostrar que superou a transição e tem um futuro que não fique atrás do seu passado.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Títulos


Nas últimas semanas a discussão acerca de licenciaturas, equivalências e Bolonha tem absorvido a atenção dos portugueses, ao nível dos media tradicionais, redes sociais, conversas de circunstância e até do Parlamento.

Do que se lê e ouve, destaca-se uma conclusão quase unânime: em Portugal dá-se demasiada importância aos títulos académicos. Se é verdade que a ausência de uma licenciatura no currículo pessoal, parece colocar em causa a(s) competência(s), fará sentido desvalorizar tanto o curso superior?

Noutros países o título pode não ser tão importante, mas não deixa de atestar um percurso académico. E aí é que está o problema: um grau académico deve ser apenas uma validação de um percurso... académico. Nada mais do que isso.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Metro em 18 de Julho de 2012



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Discussões Privadas


O crescimento dos grupos de discussão, sobretudo no Facebook e Linkedin, altera substancialmente a difusão de informação na internet. Até agora, grande parte do debate entre internautas acontecia de forma aberta, nomeadamente através de fóruns e blogues. As conversas podiam ser pesquisáveis posteriormente, aproveitando-se os conteúdos gerados, de que todos poderiam beneficiar. Foi assim que muitos se informaram sobre saúde, destinos turísticos, produtos e muitos outros temas.

Com os “grupos”, os conteúdos não ficam disponíveis para todos. A discussão é privada, o que tem algumas vantagens, mas toda a troca de informação fica escondida... e desperdiçada.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Metro em 21 de Junho de 2012



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Maus Ventos


Espanha colocou ontem dívida de curto prazo acima de 5%, acima do que paga Portugal. As taxas a 10 anos já estão bem acima de 7%, nível que é considerado “crítico” e cujo nosso país nem chegou a pagar, solicitando previamente uma ajuda financeira internacional.

Mesmo que não tenha as características de um “resgate” clássico, Espanha deverá necessitar de mais assistência em breve, associada a um plano de austeridade.

A economia portuguesa tem no seu vizinho o principal cliente (24% de todas as exportações). Se a procura interna cair em Espanha como aconteceu por cá, os efeitos em Portugal serão relevantes..

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Metro em 20 de Junho de 2012



sexta-feira, 15 de junho de 2012

Nuestros Hermanos


Com um plano de resgate anunciado (e outro provavelmente a caminho), Espanha depara-se finalmente com a fria realidade do sobreendividamento. Lá, tal como cá, muito do crescimento resultou do dinheiro que foi injectado na economia a partir de dívida bancária. Em Espanha a bolha imobiliária, mais duradoura do que em Portugal, apenas piorou o cenário.

Não há inocentes neste caso: bancos, governos, empresas e famílias, todos tentaram tirar partido do festim de dinheiro fresco e foi bom enquanto durou. Nos dois países, a crise de 2008 poderá ter precipitado os acontecimentos, mas apenas os antecipou.

Na Ibéria estamos todos juntos. Mais uma vez.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Metro em 15 de Junho de 2012



sexta-feira, 18 de maio de 2012


O Instagram, Pinterest e Path são mais sexy do que o Facebook por serem menos mainstream, mais orientados para o mobile, terem melhores apps e serem menos comerciais.

A questão é a sustentabilidade. Ao comprar o Instagram,o Facebook pode aprender a ter melhores apps (mais rápidas, mais kool,mais instintivas), mas não consegue nada do resto.

Tendência : os users a gostarem cada vez mais das opções menos comerciais, preferindo apps divertidas e instantâneas que maximizem a partilha em menos segundos e toques, escolhendo aplicações onde os amigos possam estar mas não estejam todos os demais.

A começar pelos pais.




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Incompreensível


Como esperado, a Grécia terá de realizar nova consulta eleitoral após não ter sido possível formar governo com base nos resultados das últimas eleições. De acordo com as regras gregas, devem ser marcadas novas eleições em meados de Junho. Entretanto, a crise política grega acentua-se e o consenso é que o país está cada vez mais próximo da bancarrota e da saída do euro. As sondagens mostram que o partido SYRIZA, que ficou em segundo lugar no último escrutínio e que rejeita o resgate financeiro acordado com a troika, está bem colocado para vencer as eleições. É evidente que os gregos já não se revêem nos partidos e políticos que estiveram no poder nas últimas décadas, mas cerca de dois terços apoiam a manutenção do país no euro, conscientes das consequências de regressar ao dracma, mesmo que se esteja a falar de efeitos de longo prazo. A Grécia está geograficamente próxima de países com moeda própria, o que não os tem conduzido a um nível de vida superior ao seu. Turquia, Bulgária, Albânia, Roménia, Sérvia, Roménia e Hungria são alguns exemplos.

Podem argumentar-se questões de moralidade económica, mas o facto é que a Grécia só “cairá” se os países mais importantes da zona euro assim o entenderem. A economia grega representa cerca de 2.5% do PIB da zona euro e ainda menos da União Europeia. Portanto, pode dizer-se que, formalmente, serão os gregos a optar sair, mas tal só sucederá por reacção ao que tem sido imposto pelos países do centro. Se a Grécia sair, é porque terá sido “empurrada” pelos demais pois haveria a capacidade financeira de a resgatar. Ainda acreditamos que esse cenário é o mais racional.

É, para nós, incompreensível que os países do centro estejam a ponderar a hipótese da saída da Grécia. Se ela se vier a concretizar, gera-se um evento de altíssimo risco para o euro e para a própria União Europeia. Saído a Grécia, a pressão sobre Portugal, Espanha e Itália pode revelar-se insuportável e constituir o princípio do fim da União Europeia. Num cenário em que os gregos querem permanecer no euro e em que é do interesse da UEM (pelo menos) que a Grécia não saia, é difícil de perceber como se pode estar tão próximo de um desfecho contrário. Sabe-se que o euro (e uma Europa forte e unida) tem muitos inimigos: Estados Unidos, Grã-Bretanha e Rússia à cabeça, mas a decisão não cabe a estes protagonistas. E é fácil concluir que é do interesse dos periféricos manter a situação actual.

A única explicação histórica para uma eventual saída da Grécia será a vontade da Alemanha em abandonar o projecto europeu.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros



Tendência : depois das guerras de patentes Oracle vs Google + Facebook vs Yahoo + Apple vs Samsung ... um novo approach relativamente ao patenteamento está a ser planeado.

Unit Licence Rights são patentes transformadas em acções que podem democratizar este sector. A ideia é que as patentes sejam comercializadas como unidades de acções para cada unidade de produção efectivamente transaccionada, e que o preço de utilização dessa ideia/inovação não seja fixo por alguém que limite o mercado, mas seja definido pelo próprio mercado numa lógica de procura e oferta.

Para breve.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Erro de casting




Ter uma boa ideia de negócio e depois não preparar bem a sua implementação, é meio caminho andado para correr mal. Foi o que aconteceu hoje no feriado do 1º de Maio numa importante cadeia de distribuição moderna.

A ideia de 50% de desconto para compras superiores a 100 euros até pode ter sido boa, mas foi mal preparada, com a procura a exceder largamente a oferta e a capacidade instalada de meios e pessoas.

Não é caso único; O bottleneck é muito comum acontecer quando não se prevê o impacto de certas acções comerciais.

Com a experiência dos gestores deste Grupo de Distribuição, não deixa de ser surpreendente.


Nada é perpétuo

Em final de 2010 o BES emitiu obrigações perpétuas (sem data fixa de vencimento), que garantiam um juro anual de 8.5% nos cinco primeiros anos.
Um ano depois o BES aprovou a troca das obrigações por acções do banco, a 1.80 euros por acção, numa altura em que os títulos já cotavam abaixo de 1.30 euros – quem quisesse sair do investimento perderia quase 30%.
E talvez o devesse ter feito porque hoje as acções do BES cotam em torno de 60 cêntimos (mais direitos de subscrição) e os accionistas “à força”, que antes eram obrigacionistas, foram convidados a colocar mais dinheiro para participar num aumento de capital em Maio.
Quem sabe, sabe e o BES sabe. Sabe bem mais do que os seus clientes.

Filipe Garcia Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado no jornal Metro em 26 de Abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Talento que brilha

A criatividade, em doses generosas de atitude e de capacidade, é vital para o padrão de vida que o modelo social europeu requer. A geração de valor que sustente o nosso nível de bem-estar deve ser encontrada numa acutilante procura pelo distinto, que revele, através de inusitados caminhos, aptidão para formular ideias criadoras.
Assim, o maior desafio reside em acolher, estimular e orientar as nossas mentes brilhantes para um desenvolvimento sustentado. Implicando territórios, organizações e pessoas, devemos responder à questão central: como usar o imenso poder da criatividade?
Luís Ferreira, Exertus – Consultores
Publicado no jornal METRO em 19-Abr-2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Matar o paciente com a cura



Há cada vez mais a percepção que a receita de austeridade e desalavancagem das economias europeias, por ser feita conjunto, não conduz a resultados positivos. O motivo reside no facto de a liquidez da economia real ser cada vez menor, provocando o abrandar do crescimento, desemprego e o encerramento de empresas economicamente viáveis.

Arrisca-se “matar o paciente com a cura”.

Portanto, parece provável que surja pressão política para que os bancos emprestem às empresas, sobretudo nas economias periféricas. Nesse sentido, é também de esperar uma flexibilização dos objectivos de consolidação orçamental e mesmo dos rácios de capital da banca

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado em 12 de Abril de 2012 no jornal Metro

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Economia "solidária"



O Pingo Doce reduziu o prazo de pagamento aos fornecedores de frescos de 30 para 10 dias. Medida solidária e com impacto, mas que denota interesse económico.

Assistindo à falência de muitos pequenos produtores/operadores nacionais e aos receios de uma maior dependência do estrangeiro em produtos de alimentação base, mudam as regras de pagamento mantendo o negócio logisticamente viável.

Imaginem aumentarmos a importação de couves, ovos, maçãs, etc, todos os dias do estrangeiro, onde a maioria desses países não são excedentários, na generalidade daqueles produtos e, além do mais, exigem transportes específicos com consequente encarecimento dos produtos, para já não falar do elevado preço dos combustíveis.

Vejo que há alguma solidariedade mas também muito interesse !

sexta-feira, 30 de março de 2012

OPA, só às vezes...



Nos últimos meses aconteceram várias operações de alteração no controlo accionista de empresas cotadas em bolsa, nomeadamente na EDP, REN e BCP.

Aparentemente, outras podem concretizar-se em breve, provavelmente na ZON, GALP e CIMPOR. Em nenhum dos casos as cotações subiram significativamente, até porque as operações não deram origem a uma OPA, como seria de esperar, e pela qual estão a lutar alguns pequenos accionistas da EDP.

Compreende-se que o contexto financeiro actual seja bem mais delicado, mas fica a sensação que as leis de mercado (e o seu espírito) nem sempre merecem a mesma atenção, o que prejudica e afasta os pequenos investidores.

(P.S. - Após a elaboração deste texto dois accionistas da BRISA anunciaram OPA sobre as acções da empresa. Pode discutir-se o preço, mas a atitude está correcta. Notar que, neste caso, os accionistas em questão já detinham o controlo efectivo da BISA)

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

quinta-feira, 29 de março de 2012

Não há dinheiro!




Muitas empresas viradas para o mercado interno enfrentam reduções de procura, o que não significa a paralisação da actividade. No sector exportador a procura existe, bem como a capacidade de inovar e conquistar mercados.

O problema é que as empresas, mesmo as mais activas, relatam enorme carência de liquidez, que as obriga a atrasar pagamentos, investimentos, contratações e, pior, a reduzir a actividade mesmo quando há procura.

O programa de ajustamento, necessário e virtuoso na generalidade, arrisca-se a falhar porque a liquidez não passa dos bancos para as empresas. É aqui que deve incidir a atenção dos políticos - portugueses e europeus.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 29 de Março de 2012 (pág. 5)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Shale Gas



O sucesso da extracção de gás que existe entre as placas de xisto nos Estados Unidos, conhecido por shale gas, está a levar a um interesse global sobre o tema. Desde que o shale gas começou a ter importância nos EUA, em 2008, os preços do gás natural caíram mais de 50%.

Esta semana soube-se que a China vai explorar as suas reservas, que se estimam serem as maiores do mundo, planeando produzir 6.5 mil milhões de metros cúbicos/ano a partir de 2015.

Na Europa, a Polónia está a iniciar a exploração, ainda que as reservas sejam apenas 10% do que se pensava. Em França os projectos estão parados devido a pressões ambientalistas.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 23 de Março de 2012 (pág. 6)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Maus Exemplos



Ao ouvir os tempos de antena dos partidos que se associaram à Greve Geral de amanhã, percebe-se que o objectivo da luta é fazer cair o governo, tendo em vista o não pagamento da dívida que Portugal constituiu ao longo de décadas.

Perante a situação actual, estes e outros políticos defendem o incumprimento. O exemplo que se dá o de não honrar compromissos, como se esse fosse um comportamento virtuoso. Com exemplos destes, como esperar que a sociedade, em especial os mais novos, se sintam motivados para o exercício da cidadania?

Honrar compromissos deveria ser incentivado e não o contrário.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 21 de Março de 2012 (pág. 6)