domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tolerância zero


Não partilho da opinião da maioria das vozes de que, a tolerância de ponto no carnaval não fez sentido. Essas opiniões vão desde: ou porque, economicamente não fazem sentido; ou porque, fazendo sentido a decisão foi em cima da hora; ou ainda porque, é injusta uma vez que há muitas empresas do setor privado e publico, cujos Acordos Colectivos de Trabalho (ACT) não permitem abolir, unilateralmente, essa regalia.

Se ficássemos à espera da abolição unanime chegaríamos a 2013 ainda a discutir a questão, à boa maneira portuguesa. A prova de que a decisão foi acertada, vê-se na iniciativa dos Bancos de reverem o seu ACT.

Um bom sinal de que o que precisamos é começar a agir e a decidir de forma rápida, porque os mais resistentes acabam por se render à evidencia.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Brincar aos Vinhos



A visita à “Essência do Vinho”, no Porto, confirmou a suspeita: a estratégia da maioria dos produtores não se adequa ao mercado, sobretudo internacional.

Cada produtor apresenta no mínimo oito variedades. A quantidade produzida de cada uma é necessariamente reduzida e os vinhos são muito diferentes entre si, não se gerando um padrão reconhecível. Na maioria, nem sequer são excepcionalmente bons, o que poderia permitir a construção de um mercado premium (uma aposta difícil).

Quantidades baixas e dispersão alta impedem a entrada nos distribuidores internacionais ou a afirmação de uma marca mass. Por outro lado, as edições são limitadas, mas não são preciosidades. São apenas limitadas, tal como a estratégia.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 24 de Fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Destino Traçado



A Segurança Social é o organismo do Estado, que habitualmente deteta os primeiros sinais de dificuldade das empresas quando estas não cumprem as suas obrigações.


Como os interesses na proteção do emprego se sobrepõem, na maioria das vezes, à análise de viabilidade económica da empresa, o Estado dá paliativos, e os efeitos nefastos aparecem mais cedo ou mais tarde. 


Mudando este paradigma, e com regras que impeçam alguns maus gestores de perdurarem à frente dos destinos dessas empresas, os credores sentirão maior confiança e poderão fazer parte da solução. Não me parece que a nova lei de insolvências dê passos nesse sentido.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Responsabilidade



Os principais bancos portugueses registaram prejuízos conjuntos de mais de mil milhões de euros relacionadas com reconhecimento de crédito malparado e, principalmente, com perdas nos investimentos em dívida grega.

É surpreendente que os responsáveis por essas decisões de investimento tentem “escapar entre os pingos da chuva”, como se não se tivesse tratado de uma decisão sem fundamento do ponto de vista da gestão de portfolio. Aceita-se uma aposta em obrigações gregas, mas não o montante alocado susceptível, como se verificou, de provocar resultados ruinosos.

Foi uma decisão incompreensível que levaria ao despedimento de um qualquer iniciado em gestão de carteiras.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 9 de Fevereiro de 2012

Ferir a Paz Social



Na comparação entre a situação de Portugal e a Grécia há duas diferenças que sobressaem. A primeira é que Portugal tem implementado as medidas da troika, indo até mais longe em alguns aspectos. A segunda é que, ao contrário da Grécia, a população está calma e não se vive na iminência de um caos social. Há um sentimento colectivo de sacrifício.

Mais do que “no bolso”, é nas medidas simbólicas que se pode perder a confiança das pessoas. Primeiro foi um conjunto de nomeações duvidosas e a criação de regimes de excepção para escapar à austeridade na função pública. Agora elimina-se um feriado, “em cima da hora”, porventura o único que até tem impacto económico positivo.

Cuidado.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 10 de Fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

“Aposto” que é Ponzi



A promessa recente de rentabilidade de 8% ao mês está a atrair o interesse de muitos particulares, que são seduzidos a aplicar as suas poupanças num gestor de apostas desportivas.

É evidente que as apostas podem ser rentáveis para alguns, mas a transformação num instrumento de investimento é altamente questionável quer em termos de resultados, quer em termos de enquadramento legal. Neste ponto, cabe ao regulador estar atento e actuar.

As semelhanças com outras promessas de retorno “certo”, como a compra de selos, “jogo da bolha”, Dona Branca ou Madoff é notória.

Por isso, “aposto que vai dar asneira”.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 1 de Fevereiro de 2012

Energias




O maior problema da operação das empresas é o custo da energia. Primeiro, porque é uma fatia enorme do custo, e depois porque é a única parte dos custos onde a racionalização é quase sempre impraticável. Pior, é uma fatia mais pesada do que a da concorrência internacional, o que levanta sérios problemas de competitividade das exportações.

Não há soluções fáceis, porque a dependência externa é óbvia e as energias alternativas são caras demais. Vale a pena pensar se subsidiar energias sustentáveis faz sentido no curto prazo, quando essa medida prejudica as exportações e portanto a recuperação económica

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Noite e Álcool


Há uns anos atrás tive oportunidade de viver em Liverpool, onde aprendi uma nova forma de sair à noite. As pessoas bebem mais, mas nunca – jamais - conduzem. Saem todos de táxi, partilham táxis, vão a pé, mas nem sequer ponderam levar as suas viaturas.

Esses são os saltos culturais que precisamos de dar para evoluir. Acções concertadas como as que a PSP do Porto tem realizado nas últimas semanas durante a noite, se forem consistentes continuadas, acabam por mudar hábitos, sem condicionar os negócios

E é dessa forma que a sociedade evolui..

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sobre os Feriados




Em 2012 o Brasil terá mais dois feriados do que no ano passado e ainda 3 “pontes”. Como se sabe, a situação em Portugal é a inversa. É mais um “sinal dos tempos”, mostrando que a dinâmica económica é diferente em várias partes do mundo, com reflexos na vida quotidiana.

Pode discutir-se até que ponto o Brasil não estará a “abusar da sorte” relativamente ao período que atravessa, mas acreditar que a redução de feriados resolverá problemas em Portugal significa miopia acerca dos indutores de competitividade.

Actualmente, os custos com a energia são o maior bloqueio à competitividade em grande parte das empresas. Não os salários, nem as férias ou os feriados.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 27 de Janeiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Com a verdade me enganas

Por vezes transparecem no espaço mediático as lutas de poder e influência que estão em marcha. Cada vez mais, comunicar – o acto de pôr em comum – assemelha-se a um teatro de marionetas; um jogo de espelhos entre o que se diz sem querer e o que se quer sem dizer. Paradoxalmente, mesmo quando não se quer e não se diz, está-se a comunicar.
Neste circo são tão graves os espaços cinzentos, onde há sobreposição e ruído, quanto os brancos, em que, ao nada inscrever, se deixa espaço para que cada um lá coloque o que bem entender – seja na forma, seja no conteúdo…
Luís Ferreira, Exertus – Consultores
Publicado no jornal Metro em 26-Jan-2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Choque de Competitividade




Têm sido tomadas medidas para melhorar a competitividade da economia. O foco tem estado no factor trabalho, cuja produtividade é relativamente baixa, num mercado caracterizado por vários elementos de rigidez.

Mas nada tem sido feito, pelo contrário, num dos pontos mais cruciais para a competitividade das empresas por ser um dos seus principais custos - a energia. Seja na electricidade ou nos combustíveis, tem sido a queixa mais frequente referida pelas empresas.

Os aumentos nas tarifas e no acesso à rede pulverizam o efeito na produtividade que se poderá obter com o fim de 3 ou 4 feriados. Isto para não falar nos custos de transporte, por terra ou por mar.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 20 de Janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Piratas Móveis




Vulnerabilidades na tecnologia das redes GSM, geridas pelas operadoras, estão a permitir que actividade de hackers provoque danos financeiros consideráveis.

O ataque mais comum passa por controlar os telefones das vítimas para efectuar chamadas, mensagens e a subscrever serviços de valor acrescentado, normalmente relacionados com empresas asiáticas, africanas ou do Leste europeu. Os utilizadores só se apercebem dos ataques quando recebem a conta.

Espera-se que este tipo de ataques se intensifique dado que, segundo os especialistas, a rede GSM é a parte mais vulnerável do ecossistema móvel.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 6 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Postais de Natal




O número de sms enviado nesta quadra natalícia terá sido menor do que em anos anteriores. As razões são duas: a crise que vivemos e o cansaço de uma forma tão banal e intrusiva de saudar a lista de amigos, quase “sem esforço”. 

As sms foram trocadas por redes sociais e aplicações gratuitas, que resolvem o problema do custo.

A tendência de longo prazo é outra: postais de Natal tradicionais, telefonemas diretos, visitas inesperadas e outras formas de dar muito a poucos em vez de pouco a muitos. Porque o valor vem da escassez, da exclusividade e da proximidade.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Do It While You Can



Parece ser óbvio, e no entanto é onde gestores e empresários tantas vezes falham. Na vida pessoal como profissional "há sempre um tempo para cada coisa". Há um momento - por vezes pequeno - em que as condições se alinham para que determinado objectivo ou acção possa ser alcançado, concretizado, empreendido.

Depois de passar esse momento,  pode ser extremamente complicado conseguir avançar com o processo desejado, atingir as metas antes planeadas, empreender a acção imaginada.

Saber o momento certo é uma arte que advém de um misto de experiência, dedução racional que decorre da avaliação da variáveis isoladas quando misturadas num momento no tempo e intuição.

A esta arte chama-se gestão.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Consumerismo vs Consumismo


O momento adverso que a maioria da população atravessa obrigou a novos hábitos de consumo, com mais racionalidade na escolha dos presentes.

Mais consumerismo, abandonando o consumismo enquanto hábito inconsciente de compras por impulso, tem sido o mote deste Natal.

A sustentabilidade destes atos dependerá de cada um, aprendendo com os erros do passado.

Mas é na Educação das crianças e dos jovens que surge a maior oportunidade para imprimir este "novo" conceito.

De pequenino se torce o pepino.

Feliz Natal

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Reinventar

Imagine-se o acionista principal de uma grande cadeia de supermercados, ocupando a 2ª posição nacional de quota de mercado e a uma apreciável distância do líder.

O objetivo é ocupar a 1ª posição num curto espaço de tempo. Que decisões tomar ? Mais pontos de venda ? Mais promoções de produtos ? Mais ações de marketing e publicidade ?

A decisão brilhante da TESCO http://www.youtube.com/watch?v=fGaVFRzTTP4 mostra bem que é possível reinventar uma série de negócios tradicionais.

Antecipar à concorrência e preparar bem o futuro, é o mote. Investir na reflexão interna; mobilizar as equipas; profissionalizar os processos de decisão da empresa, contratando os melhores do mercado quando não há expertize.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Encomendas



Os grupos de Facebook são um recente formato que junta pessoas com os mesmos interesses num mesmo tema, seja futebol, roupa ou gadgets. Alguns são extemporâneos e voláteis, outros criam verdadeiras comunidades. São tendencialmente auto regulados pelas regras que a comunidade cria implicitamente, às quais se juntam as regras da sociedade onde são inseridas - no comportamento, na educação e  nos costumes. Os administradores são normalmente coordenadores e dinamizadores, ou juizes em caso de problemas, mas raramente são eles a definir para onde o grupo realmente vai. Isso faz destas comunidades um bom exemplo do "The World is Flat" de Friedman, cada uma para clãs diferentes "We are all weird".

O grupo funciona numa base de partilha assente em níveis de reputação confiança individual dos seus membros. Tem-se assistido contudo a acções de shunting, lobbying e outros tipos de manobras de diversão para impactar a opinião do grupo no sentido positivo ou negativo, a partir de membros individuais, ou sub-grupos do mesmo.

As "encomendas" mais habituais são:

-> Elogiar alguém de forma indirecta mas pré acordada. A elogia indirectamente o trabalho de B de forma pública. C e D vêm imediatamente dar força aos pontos positivos, acrescentando links e outra informação. Tudo parece casual. Nem sempre é .... A comunidade deixa-se influenciar pelo consenso, que é uma das coisas mais perigosas da sociedade moderna.

--> A,B e C põem-se de acordo para prejudicar a imagem de D. A critica D, e B e C dão lhe força (logo ou depois de D responder). Atacam com moderação, para que a comunidade não sinta que D foi injusticiado.

--> A.B, C, D e E colocam regularmente informação uns dos outros, para aumentar as referências e melhorar a reputação no resto da comunidade. Este é o efeito que os locutores e gestores de programa televisiva já usavam há décadas, com convites cruzados que pareciam fazer acreditar que aqueles eram de facto os eleitos, seja para o que for.

Estes são apenas três entre muitos exemplos que convém conhecer, no mesmo escopo que o comportamento das pessoas num ambiente de grupo de trabalho. Sociologicamente é interessante e profissionalmente pode ser relevante.  



sábado, 26 de novembro de 2011

Boas Vendas

Atualmente as empresas estão focadas em cortes de custo, por vezes a pedir ao fornecedor de clips que reduza em 20% o preço. A crise significa que há empresas a morrer todos os dias e portanto consumidores que deixam de ter o seu produto disponível. Este é o tempo certo de transformar a sua empresa numa máquina de vendas, focar nos diferentes mercados em que o produto pode ser vendido. A oportunidade está aí. Falta saber se é dos que fica exclusivamente a trabalhar internamente na redução de custos ou se pretende crescer e também focar a sua organização no exterior garantindo mais vendas.
Paulo Sousa
Publicado no Jornal Metro de 24/11/2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

agonia



A agonia começa a chegar ao retalho. Conscientes dos problemas, os operadores procuram agora concentrar-se nas vendas do Natal, enquanto minimizam custos e adiam investimentos. Não será de estranhar se alguns lojistas da distribuição moderna não conseguirem operar na próxima Primavera, sobretudo se os bancos não estenderem linhas de crédito.


Os centros comerciais não estão melhor, e alguns têm risco de ver corredores inteiros esvaziados em breve. Naturalmente, serão os centros mais bem preparados e com mais tráfego a assegurar a sustentabilidade. As crises sempre foram momentos de oportunidade …

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pior do que parece


Existem acções na Bolsa Portuguesa que não param de cair, de tal forma que hoje valem apenas 10 ou 20% do seu valor há um ano.  Estão mais do que em saldo, estão em liquidação final. Nesta circunstância, não é de estranhar que ninguém lance uma OPA sob bancos como o BCP? 

Mesmo com dificuldades de crédito internacional, o benco português é agora um alvo fácil de operadores de média dimensão internacional. Se tal não acontece, mesmo com os activos polacos, tal só pode significar uma coisa: a situação está ainda pior do que nos parece.

Aproveitar os pontos fortes



O Google+ está agora a competir directamente com o Facebook pelo mercado empresarial. A rede social da Google irá beneficiar do facto de se poder integrar nas demais plataformas e serviços da empresa, o que lhe permitirá, por exemplo, aparecer muito mais destacada nas pesquisas do motor de busca mais utilizado a nível mundial.

Ou seja, as empresas poderão chegar aos utilizadores de forma mais eficiente e mais barata através do Google+, o que ameaça o Facebook.

Falta saber a reacção dos utilizadores, que até agora têm mostrado pouco entusiasmo relativamente ao Google+.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 18 de Novembro de 2011

Hegemonia a pedido


A crise da dívida está a pressionar os europeus a aderir ao federalismo. Nunca a Alemanha teve tantas condições para conseguir, a pedido das outras nações, a hegemonia que não alcançou por outros métodos.

Países do centro e Bruxelas estão a pretender impor um modelo que poderá não seguir os trâmites democráticos que a tradição europeia exige. Por outro lado, reconheça-se que escolher o lento caminho democrático levará, com grande probabilidade, à desintegração do euro, da UEM e quiçá da UE.

Não é uma escolha fácil, mas 2012 deverá ser clarificador. Provavelmente, a opção escolhida pela generalidade dos países não será a da ratificação democrática.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 17 de Novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Diversificar


Surpreende a história recente de HortaOsório, CEO do Lloyds, um dos maiores bancos do mundo? O português passou de líderbrilhante e com uma intensidade sem precedentes (7 dias por semana, 18 h/dia) aum executivo cabisbaixo, desmotivado e desamparado, sem capacidade de liderar.

Acabou por encostar às boxes, resignado. A lição é óbvia: a vida tem de ter diversificaçãode interesses, com equilíbrio entre trabalho, família e terceiros interesses.  Qualquer comportamento mono enfocado e degrande intensidade tem de ser necessariamente temporário.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O joio e a floresta

Tempos difíceis exigem maior sentido crítico: saber separar o trigo do joio e não confundir a árvore com a floresta.

A este propósito parece-me perigoso – além de demagógico – o caminho que se vem seguindo de perseguição às remunerações mais elevadas. Se não percebermos que talento e criatividade são portas de saída da situação em que nos encontramos, jamais conseguiremos alicerçar um plano de sucesso.

Tal como é louvável corrigir oportunismos e injustiças, é fulcral premiar e distinguir o mérito, resistindo à tentação de cortar os picos para nivelar – não traz melhores resultados e inibe muitas soluções.

Luís Ferreira, Exertus - Consultores.

Publicado no jornal Metro em 10-Nov-2011

Bancos mais seguros?


A banca nacional pode necessitar de capitais do Estado, com eventual nacionalização a prazo, o que suscita a questão sobre a segurança dos depósitos.

Naturalmente, bancos mais capitalizados conferem mais segurança e não parece haver, ao nível da zona euro, abertura política a que os clientes possam perder depósitos, sob pena de uma corrida aos bancos que os responsáveis europeus tudo farão para evitar.

Existe um fundo de garantia que pretende “proteger” 100 mil euros por titular/conta e que mesmo que não tenha capacidade de fazer face a um desmoronar do sistema, pode servir de bitola a um auxílio aos depositantes no caso de um problema desse tipo.

Portanto, mais do que a propriedade ou o capital dos bancos, poderá ser mais relevante o montante por conta/banco.

 

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 11 de Novembro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

EDP & Facebook

A EDP baniu um utilizador por contestar o plano nacional de barragens, alegando o seu código de conduta. O utilizador partilhou isso na rede com uma imagem e explodiram as criticas à esmpresa. Em segundos, milhares de pessoas entraream no site da eléctrica para contestar ou gozar.

A empresa demorou a reagir e explicou que podem ser colocadas opiniões, mas que existe um código de conduta (...). Em suma, não pediu desculpa. Não acalmou ninguém, irritou ainda mais gente e a bola de neve continua a crescer. Está a acontecer agora.

Lições :

1- Escrever um codigo de conduta não chega quando as pessoas não concordam com ele. Salvo insultos ou ameaças, apagar posts é simplesmente inadequado.

2 - Pedir deculpa rapidamente e mostrar humildade genuína é o unico caminho.

Pedro Barbosa

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A Cultura e a Crise

Sim é importante. A Cultura contribui significativamente para o desenvolvimento do conhecimento e da criatividade de um País; para além de ser estratégica para o fortalecimento da Identidade Nacional.

Conhecimento e criatividade são fundamentais para a resolução da crise e, com a inevitabilidade de “Mais Europa”, a Identidade Nacional necessita do seu contributo.

Não sendo uma das funções fundamentais do Estado como a Justiça ou a Defesa, não deve ser grátis mas, como a Educação, “engenhosamente” colocada ao serviço do desenvolvimento.

António Jorge

Consultor e Docente Universitário

Publicado no Jornal Metro em 14Out11

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Day After

Foto: Luís Ferreira

Falta futuro à gestão e, sobretudo, à comunicação da crise. Inconsistentemente, atiram-nos com os “porquês” das fortes medidas de austeridade, escasseando, porém, os “para quê” e os “como”. Para estar disponível para a mudança, preciso saber melhor o caminho e com que cores se pinta o dia seguinte.

Neste particular, mais parecem aqueles – governo, líderes de opinião e mass media – apostados em comunicar a desgraça do que os que deveras promovem a construção de um caminho alternativo. Em 37 anos de democracia, criámos bombeiros e alguns gestores; fomos incapazes de gerar estadistas – de largas vistas e brilho de futuro.

Luís Ferreira, Exertus – Consultores

Publicado no Jornal Metro em 30-Set-2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Acreditar

De acordo com o memorando da Troika, os bancos tem uma tarefa hercúlea até 2015 para reduzir o GAP de liquidez, com vista a alcançar um rácio do crédito sobre os recursos de balanço de 120%.
Com este “fechar da torneira” do crédito, e que está em curso, as empresas já estão a ser afectadas na sua atividade e nos seus investimentos planeados, com óbvias repercussões no seu crescimento, e com dificuldades de negociação a montante e a jusante da sua cadeia de valor. Os particulares também estão a deixar de poder assegurar o seu habitual nível de vida, em muitos casos elevado porque estava alavancado no crédito ao consumo, obrigando-os a efetuar cortes drásticos nos gastos pessoais. A juntar a isto tudo temos o aumento de impostos diretos e indiretos, com um efeito devastador no rendimento das famílias e na atividade das empresas. E o que mais está para vir!
Contudo, a correr bem esta “receita” da Troika, é dito que no final de 2013 começaremos a ver uma “luz ao fundo do túnel”. É este ponto que tem sido muito discutido nos media, com muitos comentadores a duvidar que tal vá acontecer. Mas é razoável defender que, se uma empresa ou uma família deixar de estar endividada em relação à receita que gera, e demonstrar que são capazes de reestruturar a situação de aflição em que se envolveram, os bancos voltarão a analisar e a financiar os investimentos certos ao novo crescimento. É isto que se espera que aconteça no final de 2013; que tenhamos feito o trabalho de casa e que consigamos voltar a ter acesso aos mercados, para os bancos voltarem a financiar as famílias e as empresas, de uma forma virtuosa.
O ministro das finanças disse há dias que para sairmos desta situação não há um só caminho, mas que o Governo está a tentar tomar as medidas acertadas. Os portugueses normalmente colocam sempre em causa as decisões de quem manda. E quando a previsão ou o projeto corre mal, a primeira coisa que lembram é que na altura pensavam precisamente o contrário. É cultural.
Mas é preciso acreditar. É preciso acreditar que é possível sair desta infeliz situação e entrar numa nova espiral, numa espiral de enriquecimento.

Percepção



A descoberta da real situação financeira da Madeira está a causar desconforto aos portugueses do continente.

Sem prejuízo do sucedido em anos anteriores, percebeu-se que o Governo Regional continuou a gastar, desviando fundos e sonegando informação, mesmo quando o país já apresentava sinais de grande debilidade financeira. Os portugueses sentem-se enganados e abusados.

Mas, simultaneamente, há muitas criticas à forma como a opinião pública dos países do norte e centro da Europa tratam os países do Sul, precisamente nas questões relacionadas com o sobreendividamento e informação escondida.

É uma questão de percepção...

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 22 de Setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Processo



Kafka explicou-nos como o absurdo, quando repetido, corre o risco de ser levianamente assumido. Não será também o nosso sistema financeiro um processo?  Porquê assumir limites como metas? O défice não deveria ser nulo?
Economicamente falando, a questão é discutível.  Muitas vezes é melhor optar por gastar (via investimento) mais do que se pode, porque supostamente se gera mais valor do que a taxa do respectivo crédito e para não perder oportunidades do mercado.
Este não é, infelizmente, o nosso caso. Preparar ao país para défice nulo no longo prazo é tornar Portugal Sustentável.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Jogo da corda

Os Bancos tem um único objectivo até final do ano, e anos seguintes, até 2013: Diminuir a carteira de crédito e aumentar os recursos de balanço, ou seja, controlar o GAP de liquidez.

Esta estratégia está em linha com a desalavancagem prevista no programa da Troika e portanto será uma inevitabilidade.

As empresas e os particulares estão também a fazer a sua desalavancagem, reduzindo e pedindo menos crédito. Quem não o estiver a fazer, já pode ter colocado em causa a viabilidade da sua própria empresa ou a solvência pessoal enquanto particular.

O Governador do Banco de Portugal veio hoje afirmar, que os Bancos deveriam utilizar as ajudas previstas no acordo da Troika para continuar a apoiar a economia real. Isso implicaria uma entrada do Estado no capital da banca e, sinceramente, não me parece que isso vá acontecer de forma generalizada. O que a banca efectivamente pretende é receber o que o Estado lhe deve, ganhando liquidez e financiar a economia.

Parece haver um efectivo desencontro de interesses nesta matéria, e um bom exemplo é o acordo que tarda a acontecer sobre a alteração contratual anunciada nas linhas PME Invest que estão em curso, e que implica uma moratória no reembolso do capital aos bancos por mais um ano.

Partindo a corda, a "coisa" pode melhorar.

Falta de Seriedade


Infelizmente, os portugueses tem sido vitimas da sua própria falta de seriedade. Falta de seriedade na cidadania de discutir os problemas reais do país, em vez de concursos de famosos ou penalties por assinalar. Este clima de falta de responsabilidade generalizado - e de falta de sentido de discussão dos problemas (em vez de criticar politicos e seguir para outro assunto) - conduziu a este estado, em que governantes usam e abusam do poder que têm, perante total impunidade e silêncio dos mais altos órgãos de Estado.

Para cúmulo, os supervisores vêm agora dizer que a responsabilidade é de quem enganou, e não de quem foi enganado. Sejamos sérios, todos. É evidente que a culpa foi dos governantes da Madeira ( e sobretudo dos eleitores, que os elegeram já consecientes dos tipos de políticas que praticam), mas é para isso que existem supervisores pagos por todos. Se não cumprem, são culpados também. Tão simples como isso. O mercado puro é um blogue, não é um axioma.

Pelo menos que não fiquem impunes os culpados de todo este disparate. Os contribuintes da ilha devem pagar pelos erros daqueles que elegeram, enquanto os que esconderam para baixo do tapete a falta de seriedade que até agora praticaram devem ser responsabilizados pelos órgãos de Estado competentes. Pode não servir de muito para resolver este problema, mas evita outros, e reduz o volume da diarreia verbal que temos vindo a ouvir do líder do Governo local.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Auto estima

A forma ténue como recentemente destacamos nos media os elogios do FMI, sobre os resultados positivos alcançados no nosso caminho da execução orçamental, revelam muito pouco auto estima por aquilo que estamos a fazer bem e num ambiente de grande adversidade.

A prova, foi retirada pela forma exacerbada como destacamos as recentes notícias do “buraco” da Madeira, abafando por completo as notícias positivas que simultaneamente estavam a ser produzidas pelo FMI e UE.

Este é um mal geral e que só se altera através de uma mudança de mentalidades, as quais, são talvez as mais resistentes à mudança.

Livres


Já muita tinta foi consumida a escrever sobre os horários de funcionamento do comércio. A polémica entre os que defendem uma visão mais próxima dos consumidores – procurando a compatibilização de horários de acordo com os desejos e necessidades destes – e os que consideram que esse principio está errado – os horários devem ser marcados segundo a agenda de quem vende e não de quem compra – é antiga e não existe consenso. Os exemplos internacionais são de tal forma diversificados que também não marcam a pauta neste tema.


Os mercados abertos e de livre concorrência geram melhores resultados para todos. Para os clientes, que têm acesso a melhores preços, a mais variedade de oferta e quase sempre a melhor atendimento e serviço. Para as empresas de distribuição, porque mantém princípios de boa gestão e altos níveis de competitividade (o erro paga-se caro e tem de ser evitado ou corrigido rapidamente), preparando-se assim para se defenderem de potenciais concorrentes enquanto adquirem competências para outros mercados.

Em livre concorrência é o equilíbrio entre a oferta e a procura que define o mercado, mas tendencialmente existe mais oferta que procura, pelo que acabam por ser os consumidores a tomar – cada vez mais – as decisões relevantes. Neste contexto, parece evidente quem pode e deve marcar quais os horários em que quer fazer as suas compras, sobretudo quando o concorrente digital está aberto 24H.

Com honrosas excepções que merecem aprofundado estudo, as regulações e limitações impostas por reguladores, leis, governos nacionais ou regionais, apenas acarretam maior assimetria entre oferta e procura, com óbvias perdas de produtividade e competitividade. As limitações de horários que continuam a existir nos mercados constituem cedências que não acarretam valor a uns nem a outros, mesmo que com decrescente relevância.

De facto, que sentido faz hoje não ser possível vender produtos de noite onde o ruído não é problema? Porque é que só se podem vender fraldas, revistas ou manteiga em postos de abastecimento depois da meia noite? Porque é que um bar não pode servir refeições toda a noite, mas as roulottes de duvidosa higiene obtêm licenças para tal? Até onde nos levam estes proteccionismos? Nem sequer aprofundo a questão dos fármacos, porque esses merecem um artigo para si só, tal é a gravidade da situação.

Como disse um dia o falecido Ernâni Lopes, existem muitas e fortes razões para liberalizar até ao limite o funcionamento do comércio, mas a principal é a competitividade e a produtividade do mercado. Não é esta a questão do momento?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Patinagem Artística



O novo ministro das finanças trouxe para o palco mediático nacional uma forma diferente de comunicar.

As suas intervenções são pausadas, ponderadas, estruturadas e é agradável verificar uma clara demarcação de face ao tom populista e espampanante que costuma caracterizar o discurso político em Portugal.

Mas, analisando mais o conteúdo do que a forma, verifica-se que Vítor Gaspar permanece titubeante, nomeadamente pela recorrente dificuldade de apresentar os "cortes sem precedentes na despesa pública".

Parece ser um caso de boa nota artística, mas com nota técnica bastante comprometedora.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no jornal Metro em 16 de Setembro de 2011


Muita táctica pouca estratégia

Para acreditar numa estratégia, é preciso que ela inclua um conjunto de medidas que façam sentido entre si e que, há luz de acontecimentos do passado, presente e previsão de futuro, sejam implementadas com determinação.
Mas os sinais que assistimos da política económica é de ajustamentos sucessivos e muitas vezes contraditórios, agravando o sentimento de incerteza nos mercados. Este clima é propício para que a iniciativa privada se mantenha com uma atitude demasiado prudente, face aos indicadores económicos das principais economias mundiais.
Falta estratégia que inspire confiança, e que retire o sentimento actual de que só os Estados é que têm condições para promover a recuperação da economia.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mercado Paralelo



Já se escreveu muito (nunca é demasiado) sobre o facto dos Governos serem incapazes de fazer um corte na despesa, abusando da sua condição de monopolista sobre os seus accionistas. Tem-se escrito pouco sobre os efeitos nefastos e perigosos de algumas das medidas.
O aumento generalizado de impostos e taxas e a diminuição das deduções constitui um estímulo à fuga ao fisco e ampliação do mercado paralelo existente em Portugal. É questionável se estas são as melhores medidas, mas é inquestionável que têm de ter um prazo, sob pena de condicionarem o sistema em definitivo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Quem Paga a Crise?

A componente da crise a ser resolvida com o aumento das receitas do Estado tem duas vias, os impostos sobre o Capital/Património e os impostos sobre o Trabalho.

Ambos os lados da receita terão de dar o seu contributo, com uma percentagem que dependerá das opções políticas. Ultimamente tem-se enfatizado os argumentos para evitar a tributação do Capital afim de evitar a fuga de divisas mas, de igual modo, pode existir fuga de Trabalho, facto mais prejudicial ao País pois perdemos especialização e talento.

Outros Países já compreenderam esta realidade pedindo esforços doseados em conformidade, como será em Portugal?

António Jorge

Marketeer e Docente Universitário