sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Outro Sexo

Um dos temas de crescente discussão nas mais importantes universidades do mundo e nos seminários de gestão avançada pela sua relevância no mundo empresarial norte-americano e com importantes consequências sócio-afectivas, relacionais e de desempenho nas equipas,é a mudança de sexo de um colaborador. Em Portugal o tema pode parecer tabu ou mesmo surreal, mas em breve poderá vir a ser uma realidade para a qual os gestores têm de estar preparados.
Poucas empresas planearam estes processos de transição de género. As principais questões que os gestores se põem são: Trata-se de um assunto do foro médico ou moral? Trata-se de um tema em que o enfoque deve ser o cumprimento da lei ou de normas éticas? De que forma esta questão afectará os demais colaboradores, o ambiente de trabalho e sobretudo o relacionamento com os clientes? Que passos devem ser dados no longo processo de transição? Como gerir aspectos práticos como a utilização de WC´s? Existem questões religiosas que possam gerar conflitos graves? Está desenvolvido um mercado de coaching para este tipo de situações?
O que parece certo é que a empresas se devem antecipar, preparando-se para situações desta natureza antes que elas se concretizem. Por outro lado, parece consensual o facto de se tornar necessário planear com o colaborador a melhor forma de comunicar a decisão e de gerir o processo de transição, uma vez que são de esperar barreiras e resistência por parte de colegas, fornecedores e clientes.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Preços Negativos

Nos últimos anos, instalou-se nos mercados uma tendência de produtos low cost, que oferecem menos serviços mas não necessariamente piores serviços a um preço muito inferior ao do mercado. Estes preços fazem com que mais e mais pessoas comprem esses produtos e serviços, e assim se construa uma economia de escala que sustenta esses peços muito baixos. Paradoxalmente, é neste formato de low cost, quando bem gerido e com uma dimensão de mercado suficiente, que as empresas que trabalham os mercados de massas estão a ganhar dinheiro.
Ao low cost juntou-se mais tarde o no cost, que se baseia na comercialização a preços nulos.
O no cost será um novo standard de mercado, que veio para ficar e marcará as próximas gerações de forma decisiva. Enquanto este modelo conquista os mercados, um outro, mais ousado, ganha forma: preços negativos. Ninguém se deve admirar se em breve algum canal de televisão pagar aos consumidores para verem os seus conteúdos ou um site a pagar a cada unique IP adicional – ou ainda algum grupo de música pagar uns cêntimos por cada download, sabendo que algum sponsor de bebidas, portáteis ou leitores de mp3 lhe paga em posicionamento tanto mais, quanto maior for a sua largura de banda de ouvintes.
Os preços negativos surgirão em mercados onde o grátis se tornar standard, como forma de diferenciação. Neste posicionamento, como no modelo no cost, é necessário saber comunicar de forma muito cautelosa e eficaz, de forma a manter a credibilidade e atrair os clientes alvo e não demais.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Mises" en scène



O economista Ludwig von Mises disse em 1944  que "para uma expansão sólida da economia é necessária uma quantidade adicional de bens de investimento e não apenas dinheiro e outros meios financeiros". A frase e tão actual que parece ter sido escrita há cinco minutos.

É fácil perceber que a economia se comporta de forma inevitavelmente cíclica. A uma fase positiva, de expansão, segue-se outra negativa, de recessão, e a quantidade de moeda disponível vai assumindo um papel central em toda a dinâmica. Governos e bancos centrais, defensores da teoria do crescimento endógeno, injectam "dinheiro" nas alturas de maior dificuldade, com o objectivo de inverter o momento mais negativo do ciclo. É isso que tem sido feito desde há um ano, resultando em taxas de juro baixas e muita moeda a ser emitida. Mas, mesmo com esses estímulos, o que se observa é uma enorme dificuldade em o investimento arrancar fora dos mercados financeiros.

Ao que parece não existe muita vontade por parte dos investidores, o que se compreende dadas as muitas incertezas. Mas o problema maior parece estar do lado dos bancos. Não emprestam, nem querem emprestar. A liquidez do sistema bancário é maior do que há um ano atrás, mas os bancos estão mais interessados em investir nos mercados de capitais, gerando comissões e valorizações, do que em conceder empréstimos. Percebe-se, porque o risco é alto, mas o velho economista Mises tem toda a razão.

O risco de colapso pode ter passado, mas sem investimento "a sério" a economia não sobe degraus..


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 26 de Outubro de 2009



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Olha quem vende!



A valorização registada pelas acções nos últimos meses está a voltar a atrair os pequenos investidores, agora menos assustados com a possibilidade de um colapso da economia. Mas a subida de mais de 50% dos índices, com muitas acções a duplicar de cotação, e a vaga de novos vendedores que está a chegar aos mercados, devem servir de aviso.
 
Nas bolsas encontram-se a oferta e procura de acções. A maior parte da atenção dirige-se às empresas que já estão cotadas, mas talvez não fosse errado estar atento às que entram pela primeira vez no mercado e o que isso pode significar. É verdade que na bolsa portuguesa ainda não recomeçaram as operações de abertura de capital, mas o mesmo não se verifica internacionalmente, nomeadamente nos Estados Unidos.
 
Quem coloca as empresas no mercado são os proprietários iniciais. Trata-se da venda de parte do seu património. Há algumas vantagens para uma empresa em estar cotada em bolsa, nomeadamente ter mais visibilidade, tornar o valor mais transparente e ter acesso a financiamento. Mas só vende quem acha que o preço é atractivo e está a fazer um bom negócio. Ainda estaremos no início deste processo de abertura de capital por parte das empresas, mas não deixa de ser o primeiro sinal de alerta aos investidores, o que se acentuará quando surgirem as operações de fusões e aquisições. 
 
Há quem seja mais optimista e considere que algo se terá aprendido com a crise financeira. Mas, como já se tem escrito, "Wall Street será sempre Wall Street" e não há que estranhar os novos exageros que o futuro continuará a trazer.


Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 16 de Outubro de 2009



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Reabilitação Urbana

O conceito de reabilitação urbana surgiu na Europa na década de 70. Num quadro de crise económica caracterizado por uma decadência urbana e, particularmente, de censura ao modelo de crescimento e aos programas de intervenção de constante expansão.
No Porto, este conceito surge mais tarde, associado à (re)valorização das áreas mais antigas da cidade e do centro histórico.
Hoje é consensual e reconhecida a utilidade de actuação neste âmbito integrando os discursos, social, técnico e político, como é possível comprovar na campanha eleitoral autárquica.
Todavia não surgem propostas nem iniciativas com impacto no actual estado de degradação da edificação urbana.
Considerando o quadro conceptual e legal, e exemplos diversificados de algumas experiências que vêm sendo desenvolvidas, terá de ser encontrada uma nova fórmula que sirva de incentivo a investidores e a quem deseje morar numa zona central da cidade.
A inevitável aposta na reabilitação, com raras excepções louváveis, tem vindo a ser adiada por ser complexa e por exigir o encontro de diversas perspectivas.
Algo que nascesse de uma congregação de interesses entre; Associação de Inquilinos, Ordens Profissionais (Arquitectos e Engenheiros), Associação de Construtores, Associações de Promotores Imobiliários e os inevitáveis Bancos, poderia conduzir a uma solução que servisse o mercado.
Publicado no Jornal Metro em 09-10-2009

A Diferença está nas Pessoas

Numa época em que a informação flui on-line, as empresas dificilmente conseguem vantagens e diferenciações suportadas em tecnologia. Na Era Industrial da Economia, os equipamentos e maquinaria faziam a diferença entre empresas; ditando quem vencia e quem era derrotado. Hoje o tempo que leva a copiar uma vantagem adquirida por via de um determinado equipamento ou maquinaria, não passa de alguns meses ou, no máximo, um ano; isto é, se uma empresa inova, por exemplo, através de uma nova embalagem; não demorará muito tempo até que o seu concorrente possa ter uma embalagem igual ou semelhante. Estamos assim na Era do Primado das Pessoas; uma vez que é através destas, do seu conhecimento e da forma como se relacionam que é possível obter uma vantagem competitiva difícil de copiar, pois as pessoas e o ambiente por elas gerado é único. Para obter esta vantagem competitiva a empresa tem de recrutar bem, lançar desafios constantes aos colaboradores por forma a permitir a sua satisfação e realização e ainda, por via da liderança, de criar as condições de cultura empresarial e de relacionamento interpessoal propicias à realização de tarefas e actividades mais inovadoras e produtivas que as da concorrência. A diferença estar nas pessoas é uma boa notícia, uma vez que nos valoriza e torna inquestionável o investimento na nossa formação. António Jorge Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas Publicado no Jornal Metro em 14 de Outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cuidado com os juros baixos...


Há cerca de um ano os bancos centrais de todo o mundo começaram a baixar os juros para mínimos históricos. A medida, tomada para impedir o colapso do sistema financeiro, tem também ajudado os consumidores, empresas e até os governos a enfrentar a conjuntura de crise económica. Mas, até quando?

Em Portugal, a descida da Euribor tem ajudado as famílias com crédito à habitação. O impacto é tal que, mesmo num contexto de crise e desemprego, o rendimento disponível parece estar a aumentar. Não admira. Nos últimos anos, os portugueses endividaram-se para além do recomendável e, por isso, esta "folga" nota-se bem no orçamento familiar.

Mas podem surgir dificuldades a partir de meados de 2010. O BCE começa a demonstrar alguma preocupação com os défices dos governos, a alta das bolsas e a formação de novas "bolhas" especulativas. Ou seja, está alerta quanto aos riscos de inflação no futuro e pronto a agir. Provavelmente o Banco Central Europeu apenas alterará as taxas de referência daqui a um ano, mas as Euribor podem começar a subir mais cedo.

Os portugueses adaptam-se de forma demasiadamente fácil a condições favoráveis, que incorporam como permanentes. Por isso será difícil voltarem a confrontar-se com juros a níveis mais "normais", a 2% ou 3%. Face às taxas actuais, estamos a falar de duplicar ou triplicar os juros. Como a economia, o mercado de trabalho e os salários não deverão estar muito melhor do que agora... há que ter cuidado!

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 21 de Setembro de 2009



sábado, 10 de outubro de 2009

Subsídio dependência

Nos últimos dias, Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto e candidato à reeleição, afirmou-se contra a cultura de subsídio dependência preconizada e incentivada pelo Governo de José Sócrates. Uns dias antes, também no Porto, teve lugar a apresentação do novo livro de Medina Carreira – porventura, a figura pública mais céptica acerca do destino do nosso país – cuja tese principal se desenrola em redor dos seis milhões de portugueses que recebem ajudas do Estado. Enfim, as críticas estão em crescendo porque cresce também a opinião de que, em muitos casos, a atribuição de subsídios se faz entre aqueles que, simplesmente, não querem trabalhar. Ora, para se redistribuir riqueza, é necessário que esta exista – como aponta, muito bem, Medina Carreira. Porém, dada a situação do país, que todos os dias se endivida e todos os dias perde competitividade, é crucial que os mecanismos da Segurança Social protejam quem deles realmente precisa, sem cair no erro de criar um sistema que incentive ao ócio. Portugal tem hoje três e meio milhões de reformados e uma estrutura etária que, dia após dia, envelhece progressivamente mais, diminuindo o peso da população activa. Por isso, são aqueles pensionistas que mais devemos atender. Quanto aos demais, aos subsidiados que estão em idade de trabalhar, é crucial que a fiscalização seja leonina, para não cheguemos ao dia em que não exista nada para ninguém. Cuidado: o Estado social não é um buraco sem fundo! Há limites para tudo.
Publicado no jornal "METRO".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Votar não é para todos



A tese do "divórcio" entre os portugueses e a política parece reforçada com 40% de abstencionistas nas legislativas - um "aumento" face aos 35.8% de 2005. É uma ideia discutível porque, em Portugal, votar não é para todos e o processo não se encontra bem organizado.

No domingo passado votaram cerca de 5,7 milhões de eleitores. Em 2005 foram apenas mais 50 mil. A taxa de abstenção subiu, mas por outros motivos:

- Os cadernos eleitorais contêm muitos eleitores "fantasma". Portugueses que já faleceram, ou que já não residem em Portugal e imigrantes. Há distritos, como Vila Real e Bragança, com mais eleitores que habitantes. Aliás, estão inscritos 9,3 milhões de eleitores, mas estima-se (INE) que haja em Portugal apenas 8,6 milhões de adultos.
- Há cada vez mais cidadãos deslocados, dentro do país ou no estrangeiro. Trabalhadores, estudantes, indivíduos em trânsito, doentes ou de férias, que estão privados de exercer o seu direito porque o país não lhes oferece as condições de o fazer.
- Os métodos de votação para internados, emigrantes, militares são difíceis de utilizar e há recenseados automaticamente que não sabem que podem votar.
É delicado alterar procedimentos eleitorais, mas o assunto é pouco explorado porque o número de eleitores tem influência nos mandatos por distrito e no orçamento das juntas de freguesia.

Votar é difícil e é um privilégio. Há que estar bem de saúde e ter as condições, até financeiras, de poder deslocar-se à freguesia de recenseamento, naquele dia, àquelas horas.
Não é para todos..

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 1 de Outubro de 2009



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Novos Nómadas

É estonteante como a internet nos invadiu. Primeiro, entrou devagarinho em casa; depois, acelerando para conteúdos e interesses alargados, com uma massificação sem precedentes, ocupou os espaços públicos até chegarmos ao sempre presente estado “on line”.
Num mundo dinâmico, novas realidades despontam. Inquéritos recentes mostram que os acessos sem fios à internet já ultrapassam as ligações convencionais, ao mesmo tempo que contam duas em três pessoas com telemóvel que acedem a dados nos seus equipamentos (contra uma em quatro, há 3 anos). Na mesma linha, engorda a fatia de “smart phones” nas compras de telemóveis; nas novas opções, cada vez mais impera a internet móvel, com acesso integrado no portátil, em detrimento das ligações com fios.
Parece consolidar-se a ideia que desponta uma nova era – a da internet nómada. Neste contexto, de direcção e velocidade de transformação indeterminada, que novos trilhos se vislumbram? Será que os conteúdos, as interacções e a estrutura da internet que conhecemos migram, pura e simplesmente, para este mundo global sem fios? Será que os principais actores (redes móveis, sistemas operativos e equipamentos) têm capacidade para aproveitar todo o potencial de negócio que o novo conceito descobre, em muitos casos disruptivo face às suas actuais cadeias de valor? Quais os híbridos e inexplorados territórios de que faremos o nosso futuro?
Publicado no Jornal "METRO" em 7-Out-09.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A aposta acertada

O sector da energia tem vindo a mudar gradualmente em todo o Mundo dando expressão à necessidade de mudarmos o nosso paradigma energético. Esta alteração trará consequências a diversos níveis, desde o nosso papel como agentes deste sistema (passarmos de consumidores para sermos também microprodutores), a novas formas de transporte sustentável (o uso de electricidade como força motriz dos nossos veículos) e ao papel das novas redes de transporte de energia (redes inteligentes que possibilitarão outros usos diferentes dos actuais). Portugal importa mais de 85% das suas necessidades energéticas e não tem reservas de combustíveis fósseis. Como responder as estas ameaças para o nosso desenvolvimento económico nesta era de globalização? Continuando a implementar acções que têm vindo a ser desenvolvidas nos últimos anos como o programa de desenvolvimento das energias renováveis e o programa de apoio à microgeração. Sabendo que a aposta nas energias renováveis poderá gerar mais de 20 mil postos de trabalho altamente qualificados entre 2007 e 2015, que já levou à instalação em Portugal de empresas de matriz tecnológica nesta área e, tem permitido o desenvolvimento de centros nacionais de competência nesta área de reconhecido mérito internacional, não deverá ser este o caminho que deveremos querer para o nosso País? Reduzir a nossa dependência energética? Sustentar o desenvolvimento da nossa economia numa matriz mais tecnológica, criando emprego qualificado? Este futuro não vai esperar por indecisões no presente. Publicada no Jornal "Metro" de 28-Set-2009

sábado, 3 de outubro de 2009

PuraMente #31 - Know How

Nome: "Know-How"


Autor: Ram Charan


Data: 2007 Crown Business (original) - Actual Editora (edição portuguesa)

 

Frase: "Precisamos de líderes que saibam o que estão a fazer"

 

Palavras Chave: Know-how; Competências; Discernimento; Sistema Social; Reposicionamento; Mudança contínua


Apreciação: ***

 

A curiosidade em torno de "Know-how" era grande, sobretudo depois da recente visita de Ram Charan a Portugal e logicamente também de toda a fama e reconhecimento de que o autor goza. Charan é aliás considerado por Stephen Covey (autor de "7 habits") como o "Michael Porter do século XXI". Este é um livro supostamente sobre liderança, mas acaba por pretender tocar num largo espectro de assuntos, o que lhe retira acutilância e até pertinência. O resultado final é algo difuso e desequilibrado, existindo capítulos interessantes e outros com muito pouco "sumo".

O livro está dividido em nove capítulos. No primeiro deles, o autor explica o que entende por "Know-how", que define como "os motivos ocultos que conduzem os líderes ao sucesso ou ao fracasso"; ou seja o que é necessário fazer e ser, para conduzir um negócio. Esse é um texto interessante, que merece atenção. Nos oito capítulos seguintes descrevem-se as oito competências essenciais do "know-how". E é aqui que o livro se apresenta mais volátil. Alguns capítulos aportam valor, como o relacionado com o posicionamento do negócio (de longe a melhor parte do livro) ou o da definição de objectivos. Mas há outros, como "Identificar a mudança externa" ou "Como se fazem líderes" que acabam por não ser mais do que um conjunto de lugares comuns. Todos os capítulos estão polvilhados de exemplos verdadeiros, mas de pertinência variável. No final do livro aparece uma carta a um futuro líder e um resumo das oito competências de "know-how", ambos dispensáveis.

No seu conjunto, o livro é uma mais valia sobretudo para os que lêem relativamente pouco e aos mais iniciados no percurso da gestão. A mensagem que as competências de liderança são o produto de uma construção e que o sucesso nunca é definitivo, passam de forma segura. Não deixa é de "saber a pouco", tratando-se de uma obra escrita por Ram Charan.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado em 25 de Agosto de 2009 no Jornal de Negócios





sábado, 26 de setembro de 2009

PuraMente #30 - The Power of Less

Nome: The Power of Less
Autor: Leo Babauta
Data Original : Julho 2009
Frase: “Choose the essential and cleanout the rest – do more doing less”
Keywords: Focus; Lifestyle; D-stress; Effectiveness; start small; Log; Limit;
Apreciação: ****
O primeiro livro de Leo Babauta, conhecido bloguista do “Zen Habits”, não é um memorando teórico e fundamentalista sobre a vida num estado zen – é antes um manual de como compatibilizar vidas com projectos e objectivos em excesso, melhorando a eficácia e a qualidade de vida.
A obra parametriza o mundo actual como aquele onde cada um tem mais compromissos, tarefas, metas e ocupações, com o mesmo tempo disponível, conduzindo a um estado de stress, pouca eficácia e constante salto de tema em tema, de mail em mail, de reunião em reunião, raramente concretizando efectivamente aquilo a que se propunha, ao que era necessário.
O autor propõe uma simplificação, num modelo que sumariamente se mecaniza em 6 princípios essenciais, onde menos é mais – realizando menos maximiza-se eficácia e resultados. A resposta passa por um processo que se inicia com um Plano de Desenvolvimento Pessoal, que procura responder a perguntas como “ Quais são os objectivos de longo prazo?”, “Quais são as prioridades”, ou “O que traz mais valor para a minha vida” e que depois é sub composto em objectivos, subdivididos em tarefas. O processo de simplificação passa por criar limites em todas as áreas - sobretudo as menos relevantes – conduzindo a um processo de escolha. A este processo de simplificação e escolha junta-se um outro, de enfoque em cada uma das tarefas e projectos que se escolheu fazer em cada dia, em cada mês, adicionando rotinas para um posto de trabalho zen, uma casa ordenada, uma condução eficaz e uma verificação de mail regrada.
Leo Babauta transpôs para um modelo um conjunto de princípios óbvios mas nem sempre respeitados, juntando-lhe uma mão cheia de novidades criativas que, seguidos com rigor mas critério, conduzirão certamente a melhores resultados e a uma melhor vida.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Colar Cartazes

Foto: Luís Ferreira

Este Setembro chegou maduro; no ar pesado paira o travo intenso do combate político. O poder é fascinante! E um grande mercado. As eleições um profundo oceano vermelho, cada vez mais competitivo e feroz. Com um produto mau, vendedores desacreditados e cada vez menos consumidores, as receitas ressentem-se. Não será só pela crise. Pelo menos não da mais palpável, da financeira e global; talvez da mais oculta e dolorosa, a interna – aquela que se revela na deterioração de valores, na ausência de rumo agregador, na falta de solução inspiradora para a nação. Enfim, no "medo de existir".

No meio de tanta neblina, será possível afastarmo-nos das “nano-mini-micro” disputas que têm saturado os dias e, ousando diferente, concentrarmo-nos em inovação de valor? Isto é, numa clara mas robusta proposta de desenvolvimento para o país, com tanto de ousado quanto de inspirador?

Oferecendo ao debate novos e úteis elementos, os argumentos estéreis destinados a produzir “sound bites” seriam substituídos por ideias e opções de desenvolvimento e respectivos planos de acção devidamente detalhados (no tempo e nos custos).

Enquanto a grande maioria dos políticos apenas sabe “colar cartazes” outros (poucos) conseguem mover multidões. Estes despertam, inspiram e insuflam a sociedade de ar fresco, marcando novos rumos. Isso sim. Seria juntar utilidade e benefícios aos clientes – afinal todos nós –, construindo um novo oceano azul na política.

Publicada no Jornal "Metro" em 23-Set-2009

Legislativas (*)

A poucos dias das eleições, confesso que há muito que me resignei politicamente. As expectativas que tenho acerca do que sairá do próximo sufrágio são tão reduzidas que representam apenas uma esperança – sempre a última a morrer –, mas pouco mais do que isso. É que apesar de algumas diferenças programáticas aqui e acolá, nas grandes decisões, o próximo governo, provavelmente, não revolucionará nem reformará. De resto, um dos problemas que a democracia portuguesa enfrenta neste momento é a irrelevância política a que os governantes estão destinados, nomeadamente em face dos nossos compromissos europeus. E que, relembro, tenderão a acentuar-se a partir de 2013, quando Portugal passar a ser contribuinte líquido (!) da União Europeia. Contudo, ainda estamos em 2009. E, no presente, temos um país que não mexe. Um país que não progride. Temos um país profundamente desigual, em que 58% dos agregados familiares ganham menos de 13.500 euros por ano e que são o reflexo da nossa falta de produtividade e competitividade. Mas a culpa é nossa e de mais ninguém. Portanto, ao próximo governo peço apenas uma coisa: libertem o país! Abaixo com a burocracia. Abaixo com a rigidez das leis. Abaixo com a incompetência dos tribunais. Abaixo com a má gestão dos dinheiros públicos. Abaixo com os mil e um impostos. Abaixo com os subsídios para quem não quer trabalhar. Para a frente Portugal! Enfim, esta é a minha ténue esperança. (*) Publicado no jornal “Metro” a 24/09/2009.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A bolha dos bónus vai rebentar?

O actual sistema de compensação dos executivos de topo tem por base a teoria da agência (muito em voga nos anos 90), segundo a qual quando uma pessoa (principal) incumbe a outra pessoa (agente) a prestação de serviços, envolvendo a delegação de poder de decisão, existe razão para acreditar que o agente nem sempre vai agir no interesse do principal, mas sim na tentativa de maximizar o seu benefício próprio. Os principais conflitos discutidos nesta teoria respeitam ao empenho dos gestores, ao controlo dos gestores sobre os bens da empresa e a uma atitude face ao risco diferente da assumida pelos accionistas. Os gestores assumem uma grande responsabilidade perante os accionistas, pelo que deveriam receber prémios relacionados com o retorno das acções, opções sobre acções e remuneração indexada a indicadores de desempenho. Assim, assistimos nos últimos anos à distribuição de incentivos generosos, numa cultura tão insaciável que observámos os directores da seguradora AIG, salva da falência pelo Estado, a reclamarem o direito aos seus prémios exorbitantes. Na cimeira do G20, que decorrerá nos dias 24 e 25 próximos em Pittsburgh (EUA), pretende-se chegar a um acordo quanto à definição de normas globais para limitar os prémios pagos na banca. A este respeito, espera-se que haja um confronto entre a posição da Alemanha, França, Reino Unido e outros países europeus e a posição dos EUA que hesitam em definir níveis de compensação individuais.
Susana Peixoto
Docente do IDEP
Artigo publicado no METRO, em 22/09/2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Não queremos mais!

Muitos sinais estão aí à vista de todos para quem os quiser ver: o consumidor mudou!
Há quem diga que tal é uma consequência directa da recessão e da crise de confiança que terá impactos duradouros nos comportamentos dos consumidores. Outros há, que consideram que tais alterações são devidas à evolução natural do consumidor nas sociedades avançadas. Nesta perspectiva, estes consumidores estarão num estádio avançado de maturidade, levando a que o seu consumo seja muito mais ponderado e consciente, de um ponto de vista económico, social ou ambiental.
Seja como for, a verdade é que quando se pergunta aos consumidores dos países ricos se querem consumir mais, a resposta é “Não!”. Quando se olham os números da evolução das vendas de retalho na Europa e nos Estados Unidos a conclusão é evidente: existe uma diminuição anual no volume de vendas desde 2007 que se tem vindo a acentuar. Algumas empresas foram capazes de ler estes sinais e traduziram-nos em acções com vista a captar um mercado que teima em encolher. Para o fazer, as empresas terão que estar atentas aos seus consumidores, actuais e potenciais, por forma a conseguirem identificar necessidades não atendidas ou frustrações existentes.
Este exercício irá permitir identificar novas oportunidades de crescimento através da segmentação de perfis de clientes não endereçados e de necessidades não cobertas no modelo de negócio actual...mesmo que estes sejam os clientes que nos dizem: “Não queremos mais!”

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Marketing e as eleições

O Marketing Político é, hoje, uma ciência... e é o momento certo para dele falar! Se observarmos à volta, as razões estão à vista: a verdade é que alguns dos nossos candidatos locais bem podiam aprender um pouco mais sobre esta ciência... Basta ver um desses cartazes que se espalham pelas nossas freguesias! Comecemos então por uma pequena lição: em primeiro lugar definir o que é Marketing Político. Sintetizando as definições de autores de referência, como Jennifer Lees-Marshment, o Marketing Político pode ser visto como comunicação/informação que tem por fim influenciar positiva ou negativamente as ideias do eleitor sobre propostas, candidatos, governos... Num sentido mais lato, e mais exacto também, marketing político não é, contudo, somente comunicação, como na definição acima pode parecer: é, mais que isso, criar e ajustar os “produtos” (medidas governamentais...) às necessidades da população para que esta fique e se sinta, efectivamente, melhor servida. Para uma pequena análise das autárquicas, não necessitamos ir tão longe quanto o marketing político na sua totalidade. Basta-nos ficar pela Comunicação e Vendas para saber que muito há a melhorar, a começar pela “embalagem”. Das fotos dos candidatos – muitas, verdadeiramente anedóticas! - aos slogans indecifráveis ou vazios, podemos ver de tudo. Já na vertente comunicação, os candidatos às legislativas não estão mal de todo... mas se pensarmos no marketing político na sua real abrangência... então tudo parece ainda por fazer.

As Empresas também Sonham

O poeta português António Gedeão, no seu poema “Pedra Filosofal”, chegou a uma verdade profundamente ligada à natureza humana, a de que “O Sonho Comanda a Vida”. As empresas e as suas equipas também precisam de ter um sonho partilhado por todos os colaboradores; que os une, que os faz ter um caminho comum e que os impulsiona a unir esforços, trabalhar e realizar. Se uma empresa não tiver esse sonho as pessoas não se mobilizam em torno da sua realização, mais, não geram energia positiva e vontade para superar as dificuldades melhorando constantemente o seu desempenho. Esta linguagem algo literária tem uma tradução para a linguagem empresarial; o Sonho chama-se Visão e contém normalmente o que a organização quer ser e ainda não é. A uma visão está associada uma Estratégia (a forma de chegar ao sonho) e Valores (conjunto de princípios que orientam o comportamento dos colaboradores no desempenho das suas funções). A qualidade do sonho é determinante para o desempenho da empresa, se este for injusto (apenas satisfaz alguns colaboradores e/ou accionistas) as pessoas não aderem ao sonho e não dão o seu melhor. Todos nós conhecemos empresas de que gostamos e onde não nos importaríamos ou gostaríamos de trabalhar e outras de que nem queremos ouvir falar. A responsabilidade de criar este sonho é da administração. Definir o sonho para uma empresa é construir a sua base. Empresa que não Sonha não viverá muito tempo. António Jorge Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas Publicado no Jornal Metro do dia 14/09/09.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Uma questão de honra

Durante a idade média a Igreja vendia as chamadas indulgências, que permitia aos pecadores chegar ao reino dos céus mediante uma doação monetária. Por alto, esse é o conceito da taxa fixa que muitos defendem como último recurso para tentar lucrar com o download ilegal - o utilizador paga uma determinada quantia mensal e durante esse mês tem uma "amnistia" para as suas actividades.

Apesar de estar longe de ser uma solução livre de problemas - desde logo o dinheiro iria certamente para aqueles que menos precisam dele - os artistas que com ou sem pirataria vendem milhares de unidades - é uma solução que pode ser interessante caso seja equilibrada; nem uma mensalidade muito baixa de modo a que as editoras não se sintam defraudadas, nem tão alta que afaste potenciais clientes dispostos a aderir a este "sistema de honra". E não podemos esquecer aqueles que compram os discos e frequentam concertos!

Uma forma eficaz de incentivar a compra seria criar algo no mesmo formato que um cartão de descontos de um supermercado, em que uma determinada percentagem de cada compra seria descontada na mensalidade seguinte. Isto não só permitia distribuir as taxas de uma forma mais equilibrada, como devolver algo aos que de facto "compram se gostarem" ou suportam economicamente a banda a ir aos seus concertos.

Num mundo imperfeito são raras as soluções perfeitas e ainda menos a que têm sucesso. Mas qualquer tentativa é melhor que a forma como a indústria lida, actualmente, com o download ilegal e quem o pratica.

Luís Silva
Crítico musical

Públicado no jornal Metro do dia 7 de Setembro

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Regressar lentamente

Foto: Luís Ferreira
Setembro é mês de regressos. Enquanto voltamos a povoar os “sítios de sempre”, reencontramos os “amigos do costume”. Ainda que um pouco melancólica, regressar é uma ideia feliz e enraizada em cada um de nós. Quem não gosta voltar ao aconchego do ninho? Ao porto de largada? À cidade de despedida? Em certa medida é certeza do caminho andado; até do dever cumprido.
São conceitos fortes que o marketing apodera: das campanhas de “regresso às aulas” às ajudas para voltar ao trabalho, regressando, também, as modas com as cores e as formas da estação. Neste vai-e-vem construímos expectativas, criando espaço para (novos) consumos.
“Slow down” (abrandar) é uma tendência em franca expansão. O “slow movement” ganha adeptos, explorando maneiras ecologicamente sustentáveis de pensar, viver e interagir na Comunidade Global. São distintas as formas onde se revela: é provável vermos inscrito em menus “slow food”, mas o seu âmbito alarga-se a todo o sistema alimentar (veja-se o renascer das pequenas hortas familiares); surgem “slow books” – pela redescoberta do prazer da leitura – e “slow travels” – viajar fazendo parte da vida local, ligando-nos às gentes e aos sítios; nesta senda, eclodem “slow cities”, burgos onde o espaço e o tempo comuns são fruídos de modo particular – “slow way of life”.
Não se confunda a descontracção das propostas com resignação. Pelo contrário, exigem maior identificação connosco e com o meio que nos rodeia, regressando ao conceito de sustentabilidade. Esta “filosofia de vida” surge em reacção à compressão que a globalização vem forçando no tempo e no espaço. Um Mundo integrado e plural tem estes paradoxos.
Publicado no Jornal "Metro" em 3-Set-2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Governo a Mais



Está instalada mundialmente a tendência de os governos serem mais influentes. É verdade que o grau de intervencionismo estatal tem um carácter cíclico, mas não é uma boa notícia.

Espera-se de um Estado moderno a garantia da segurança (nas suas várias dimensões), da justiça e da educação. As últimas décadas, sobretudo a partir dos anos 80, caracterizaram-se por uma desregulamentação e liberalização, com o Estado a centrar-se nas áreas em que não podia, efectivamente, ser substituído. Como consequência, viveu-se até ao início deste século um período de progresso económico e social sem precedentes, em que cada indivíduo passou a ter mais oportunidades para concretizar e desenvolver o seu potencial.

Uma série de eventos, como o 11 de Setembro e a actual crise económica, têm levado os cidadãos a admitir e até a exigir maior intervenção do Estado. Os políticos, que sabem que "Poder gera Poder", aproveitam para ganhar terreno. Definem cada vez mais regras e limites e até decidem caminhos de evolução tecnológica, algo que deveria pertencer à sociedade civil. A recente opção a nível mundial de apoio aos automóveis híbridos, sem grandes discussões sobre qual a melhor solução, é um exemplo dessa influência.

A História dos últimos 250 anos diz-nos que quando o Estado desempenha funções em excesso na economia e sociedade, o progresso ressente-se. A igualdade de oportunidades para empresas e indivíduos é comprometida quando há decisões meramente políticas e não se avalia a eficiência e o mérito. Por outro lado, Estados mais fortes tendem para o proteccionismo, sentimentos nacionalistas e maior probabilidade de conflitos. Ou seja, é governo a mais.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado no jornal Metro em 1 de Setembro de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PuraMente #29 - Cultura e Organizações



Nome: "Culturas e Organizações"

 

Autor: Gert Hofstede

 

Data: 1991 (original) - 2003 - Edições Sílabo (edição portuguesa)

 

Frase: "Mesmo após ter sido informado, o observador estrangeiro é susceptível de deplorar certas tendências da outra sociedade"

 

Palavras Chave: Atitudes; Valores; Cultura; Programação Mental; Relativismo Cultural;

 

Apreciação: ****

 

"Culturas e Organizações" é uma obra já razoavelmente conhecida, sobretudo no ambiente das grandes multinacionais. O livro tem como principal objectivo identificar e descrever a diversidade cultural entre os diferentes países. Utilizam-se quatro grandes referenciais segundo os quais cada país é classificado, construindo-se uma matriz cultural nacional que, apesar de simplificada, é sólida e pertinente. As quatro dimensões utilizadas pelo autor, Geert Hofstede são: Distância hierárquica; Individualismo; Masculinidade; Tolerância à incerteza. Posteriormente abre espaço a uma quinta dimensão: A orientação para o longo prazo.

Hofstede publicou o seu primeiro estudo sobre estas matérias em 1980, depois de ter tido acesso a um vasto conjunto de dados sobre os trabalhadores da IBM, uma das multinacionais presentes em mais países naquela época. Analisou estatisticamente esses dados e sistematizou-os, construindo o "corpo" da sua teoria.

O livro começa com um guia de leitura e divide-se depois em quatro partes: Definições conceptuais; Culturas nacionais; As consequências organizacionais; Implicações práticas. Naturalmente, a segunda parte é a mais interessante.

Tal como sucede em muitos dos livros mais recentes, "Culturas e Organizações" é complementado por um sítio na internet (www.geert-hofstede.com) onde se podem visualizar graficamente os resultados de cada país. São também incorporadas actualizações aos estudos. Num outro sítio, www.clearlycultural.com, podem observar-se as diferenças entre os países através de mapas-múndi.

Este é um livro importante para quem lida com ambientes multiculturais, mas igualmente útil na compreensão da nossa própria matriz cultural. Não é um livro "fácil" ou rápido de ler, dado o seu carácter conceptual, nisso podendo aí residir a maior crítica. Porém, o esforço decerto compensará.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Artigo publicado no Jornal de Negócios em 11 de Agosto de 2009



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

PuraMente #28 - The 80/20 Principle



Nome: The 80/20 Principle

 

Autor: Richard Koch

 

Data: 1997 - Nicholas Brealey Publishing

 

Frase: "The secret of achieving more with less"

 

Palavras Chave: Realocação; Assimetria; Insight; "Productive laziness"; Hedonismo; "Vital Few";

 

Apreciação: ****

 

O princípio 80/20 é um conceito reconhecido e enunciado frequentemente. Mas, provavelmente, a maioria não terá lido este livro de Richard Koch, que em 1987 tentava provocar uma revolução na forma de pensar de empresas e indivíduos. Desde Pareto (finais do séc. XIX) que se constata a existência de assimetrias e de desequilíbrios dentro das populações estatísticas. O mundo não é linear, no sentido de que inputs e outputs não se relacionam de forma proporcional. O princípio 80/20 diz que "numa população, algumas coisas são mais importantes do que outras; Uma minoria de causas leva à maioria dos efeitos". Trata-se de um conceito simples, mas poderoso: é preciso identificar os 20% e realocar recursos. Logicamente o 80/20 não é um número mágico que tenha sempre que ser respeitado, mas antes um paradigma de reflexão e análise.

"The 80/20 Principle" divide-se em quatro partes: Explicação do princípio 80/20; Aplicação nas empresas; Aplicação pelo individuo; Extensão à sociedade e futuro. A primeira parte é, de longe, a mais importante. Ao longo dos capítulos aparecem referências a outros conceitos, que nos transportam para obras como as de Gladwell. As ideias "core" de Blink, Tipping Point e Outliers estão em "80/20"...

O livro acaba por surpreender em três dimensões: em primeiro lugar, pelo amplo espectro de temas em que o "80/20" é relevante; em segundo, porque consegue alterar paradigmas na mente do leitor; e, finalmente, porque se trata de uma obra de 1997, sobre um conceito enunciado há mais de 120 anos que permanece perfeitamente actual e universal.

O livro passa uma mensagem crucial, a de que é preciso garantir tempo disponível para pensar, sem o qual não é possível seguir um processo dialéctico constante de melhoria.
O tempo gasto neste livro fez parte dos 20% que contribuem para 80% do desenvolvimento pessoal.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Artigo publicado no Jornal de Negócios em 28 de Julho de 2009



segunda-feira, 27 de julho de 2009

PuraMente #27 - O Processo



Nome: "O Processo"

Autor: Franz Kafka

Data: 1925 (1ª edição). Edição em português consultada: Europa América 2ª ed. (1989)

Frase: "A minha inocência não torna o caso (...) mais simples"

Palavras Chave: Processo; Burocracia; Controlo; Falácia; Formalidades

Apreciação: *****

Há um "antes e depois" da leitura de "O Processo". É um livro que marca. O enredo é relativamente simples, mas a descrição detalhada de um universo surreal e difuso impressiona e acaba até por ser constrangedora à medida que o leitor se identifica com o personagem principal.

Em "O Processo", o protagonista Joseph K. é acusado por um tribunal e preso, sem saber o motivo. A principio K. não dá importância ao caso, mas à medida que se apercebe do deteriorar da sua posição tenta reconquistar o controlo, o que nunca consegue. A descrição de todo o processo judicial é muito pormenorizada, mas o que fica na memória é a forma como K. é envolvido num caso que desconhece e que o arrasta para o abismo, sem defesa possível, até porque nem sequer sabe de que é acusado. O final é naturalmente trágico. É a esta espiral de acontecimentos inexplicáveis, de uma dimensão irreal e absurda,  mas que aparentemente são processualmente coerentes, que se atribui o adjectivo "kafkiano".

"O Processo" pode ser relevante de várias formas, mas destacaria essencialmente duas perspectivas: Em primeiro lugar, do ponto de vista conceptual, o livro mostra-nos que as instituições podem desvirtuar-se, abandonando os seus objectivos ou funções, bastando que se percam numa teia de procedimentos, hierarquias, paradigmas e práticas, aniquilando a sua razão de existência e quem quer que esteja ao seu redor. Em segundo lugar, evidencia como, para o individuo, é crucial compreender a necessidade de, desde o início, controlar os processos (de qualquer tipo) e de não deixar a mínima margem para que a burocracia, os ritos, as práticas instaladas ou mesmo terceiros aparentemente prestáveis o afastem ou inviabilizem os seus objectivos.

Imperdível. Por vezes incómodo, mas obrigatório.


Filipe Garcia


Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
www.puramenteonline.com
Publicado no Jornal de Negócios em 14 de Julho de 2009


quarta-feira, 22 de julho de 2009

PuraMente #26 - Predictably Irrational

Nome: Predictably Irrational
Autor: Dan Ariely
Data Original: Novembro 2008
Frase: "We are not only irrational, but predictably irrational"
Keywords: irrationality; procrastination; expectations; emotions & behaviour; decoy effect; arbitrary coherence;
Apreciação: ****
Praticamente desconhecido entre os gestores nacionais, “Predictably Irrational” constitui uma nova referência no panorama mundial dos estudos comportamentais e da sua influência na economia. O movimento de obras desta natureza teve “início” com o consagrado “Freakonomics” (Levitt), umbrella do movimento de Tim Harford & Companhia. Com esta obra, Dan Ariely põe em causa o core do pensamento dos economistas racionais.
O livro é constituído por surpreendentes capítulos que se complementam numa interessante diversidade de experiências levadas a cabo no kernel do mundo supostamente racional : as turmas de MBA de Harvard, MIT e UCLA. É neste ambiente cientifico que Ariely prova, vezes sem conta, a irracionalidade do ser humano, não só em assuntos de grande complexidade, mas em temas do dia a dia e funções de carácter, como comparação de preços, gestão de expectativas, honestidade e sentimento de propriedade. Mas o autor vai mais longe, e faz prova de que os melhores gestores e economistas do mundo não só são irracionais, como previsivelmente irracionais. E é esta previsibilidade que, em grande parte, constitui a importância desta obra que passará para o grupo dos obrigatórios, com interesse para absolutamente todos os que procuram evoluir. No entanto, destina-se sobretudo a estrategas de instituições, para melhor posicionarem os seus negócios com a aquisição do conhecimento da irracionalidade que altera o comportamento em momentos críticos do ciclo de compra.
Deixando claro quais são as forças ocultas que influenciam as decisões das pessoas, esta obra de fácil leitura terá maior valor quando lida depois de Levitt, Harford e Nordstrom. Quer numa perspectiva pessoal, quer na perspectiva de valor para funções de gestão, este livro é uma proposta de valor cujo investimento tem retorno garantido.

domingo, 19 de julho de 2009

Puramente #25 - Fast Second

Nome: Fast Second
Autor: Constantinos Markides
Data Original: Outubro 2005
Frase: "Creating Radical new markets is not where the money is"
Keywords: innovation; dominant design; scale up; colonizer and consolidator; Fast Second Strategy
Apreciação: ****
“Fast Second” pode ser visto um livro de gestão da inovação, ou de estratégia empresarial. Aplica-se a empresas, sectores e mercados que operam através de inovação radical, e não aos que optimizam produtos e processos de forma incremental.
O autor explica de uma forma inesperada e refrescante o domínio de inovações radicais, seja por incorporação de saltos tecnológicos relevantes, seja por criação ou invenção de novos produtos, serviços ou outras formas de valor. Estes processos são divididos em duas fases -convenientemente dissecadas na obra. Na primeira fase estão as empresas colonizadoras, imensas e cada uma lutando com o seu formato ou metodologia por um standard, em absoluto caos de divergências interempresariais. Na segunda estão os consolidadores, constituídos pelas empresas que são capazes de criar ou adoptar o que autor denomina de design dominante, momento em que os colonizadores sem sucesso desaparecem.
A tese deste livro postula que empresas de grandes dimensões e já instituídas devem lutar por entrar na inovação apenas no segundo processo, adoptando um framework que denomina de “Fast Second Strategy” e que passa por ser o primeiro a adoptar o design dominante criado por terceiros, e tendo as condições ideias para fazer o market scale-up, precisamente onde está o dinheiro que pode sustentar lucros importantes. Nesta abordagem Markides e Geroski explicam que colonizadores e consolidadores são processos absolutamente distintos e que exigem competências distintas e até incompatíveis no seu DNA, o que sustenta a hipótese de optimização de startups hábeis e leves na primeira parte e porta aviões consistentes e bem estruturados na segunda.
Fast Second é um livro essencial para compreender como se pode fazer um bypass à inovação radical e entrar nos novos mercados directamente para posições de liderança.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O Automóvel do Futuro

A indústria automóvel ainda se encontra a tentar perceber o novo paradigma do mercado, onde a procura e a oferta têm de estar equilibradas, deixando os fabricantes de impor uma dimensão de mercado, na maior parte dos casos inexistente, e passando de uma estratégia Push para uma estratégia Pull.

É muito positiva a forte dinâmica de investigação e desenvolvimento de novas tecnologias e modelos, com os fabricantes a apresentarem, de forma regular nos últimos tempos, inúmeras novidades e concepts de novos modelos. Estas novas tecnologias vão trazer imensos benefícios no futuro, não só aos consumidores mas também ao ambiente e a um desenvolvimento sustentável.

Automóveis mais leves, com maior percentagem de materiais recicláveis, mais eficientes e com recurso a energias alternativas farão parte do portfólio futuro de qualquer marca.

Curioso é ver como esta tendência é transversal a todos os segmentos de mercado, estando a totalidade das marcas – das generalistas às premium - empenhadas em comunicar a sua nova abordagem a esta realidade. Só nas últimas duas semanas, a General Motors anunciou que pondera mudar a cor do seu logótipo de azul para verde para salientar uma postura mais ecológica, a Jaguar acabou de apresentar o seu novo Flagship XJ onde a sustentabilidade teve um papel importante no caderno de encargos e a Aston Martin apresentou um estudo de um modelo citadino, que permite uma mobilidade inteligente e sensível com um nível de exclusividade e inovação nunca visto neste tipo de veículos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PuraMente #24 - Ethical Prospects: Economy, Society and Environment


Nome: Ethical Prospects: Economy, Society and Environment

 

Autor: Laszlo Zsolnai e outros

 

Data: Março de 2009 Springer

 

Frase: "Nothwidthstanding the best of intentions, there are constraints to achieve socially responsible behaviours"

 

Palavras Chave: CSR; Republicanism; Rights of the Unborn; Market Liberalism; Buddhist Economics; Ethical Banking;

 

Apreciação: ****


A escolha deste livro resultou da necessidade de abordar temas ligados à responsabilidade social e corporativa e à ética, que constituem preocupações actuais e futuras para indivíduos e organizações.


“Ethical Prospects”, editado pela Springer, é uma colectânea de textos organizados por Zsolnai, professor da universidade de Budapeste. Recolhe contribuições de 27 autores oriundos de várias partes do globo, pretendendo reunir ideias “de ponta”. O carácter conceptual disruptivo das propostas é muito variável, não sendo de estranhar a existência de algumas ideias menos realistas, próprias do experimentalismo.


O livro tem quatro partes: “Novas perspectivas e descobertas”, “Práticas inovadoras e reformas, “O desafio das gerações futuras” e “Debate entre o liberalismo republicano e de mercado”. Nota-se um tom contra o status quo (por vezes exagerado), a que não será alheio o facto de muitos textos terem sido influenciados pela crise económico-financeira.


É difícil fazer referência a todas as ideias importantes num livro com 20 textos tão diversos, mas destacam-se alguns contributos: A necessidade de legislar e não esperar apenas que as empresas assumam por si comportamentos éticos; O conceito de budismo económico; A necessidade de representar as gerações futuras nos órgãos de tomada de decisão e de convergência entre o dinheiro e os valores éticos. Discute-se a viabilidade de um consenso entre todos os stakeholders, dado que na história tal nunca sucedeu, o que não impediu a construção de um corpo ético.


É imprescindível ler a introdução, na qual Zsolnai resume os textos em dois ou três parágrafos. O leitor pode então escolher o que mais lhe interessa, rentabilizando a leitura.


O livro tenta, e penso que consegue, ser uma base de reflexão e inspiração. Os temas abordados exigem ainda um considerável crescimento por parte da maioria dos decisores.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Artigo publicado no Jornal de Negócios de 30 de Junho de 2009





terça-feira, 14 de julho de 2009

A Gestão do Risco



Segundo o Financial Times e a Greenwich Associates, as empresas estão a prestar mais atenção aos riscos que correm nos mercados de matérias-primas. Num contexto de crise, com lucros em baixa e com o acentuar da volatilidade nos preços das commodities, o assunto parece merecer a devida atenção.

Estima-se que, em 2008, 55% das empresas na Europa, Ásia e América do Norte efectuaram operações de cobertura de risco de variação de preço, face a 45% em 2007. Mais relevante do que os números parece ser a alteração no processo de tomada de decisão. Cada vez mais empresas levam as decisões de cobertura até ao nível hierárquico mais alto, um sinal claro da importância deste assunto. Segundo a Greenwich, 96% das empresas afirma que as estratégias de gestão de risco são da responsabilidade da administração, tendo muitas delas criado um cargo específico.

Até há poucos anos as empresas optavam por uma gestão passiva deste tipo de riscos. Ou seja, as flutuações cambiais, de taxas de juro ou de preço das commodities eram encaradas como um factor exógeno sobre o qual nada poderia ser feito. Posteriormente as empresas foram experimentando algumas formas de cobertura, frequentemente de forma desajustada e com maus resultados. Os instrumentos e estratégias escolhidas, quase sempre por pressão dos bancos, revelaram-se piores do que não fazer nada.

Felizmente as empresas parecem estar a chegar a um processo de maior maturidade, desenvolvendo competências internas e recorrendo ao outsourcing especializado. Daqui resulta um maior controlo efectivo da empresa, não fosse a Gestão do Risco um dos pilares do (bom) Governo das Sociedades.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Meia Hora de 14 de Julho de 2009


Observando o Impasse

Com o “stand by” do aeroporto e alta velocidade discute-se a pertinência de um observatório para as obras públicas. Não poderia concordar mais com a iniciativa embora duvide um pouco do seu principal desafio – a contenção das derrapagens orçamentais. Desta forma não se combate a causa conduzindo a um maior enfoque nas consequências. Os orçamentos derrapam porque os projectos são desadequados ou mal executados, porque a Entidade Executante não tem capacidade para executar bem e no prazo, ou porque a fiscalização não controla devidamente as acções de quem constrói. A aposta em construção de qualidade e com orçamento controlado não é impossível. Os Donos de Obra são o princípio de tudo e o principal segredo reside numa mudança da sua abordagem perante o investimento que efectuam. Tem-se assistido a um crescente desinvestimento em quadros técnicos experientes e capazes. Subcontrata-se a Fiscalização quase só para tratar da parte administrativa, resolvendo-se as grandes questões directamente com o Empreiteiro e no rigor da agenda política. É um ciclo vicioso, as empresas que se dedicam à fiscalização ou ao projecto, na pressão da sobrevivência apostam cada vez mais e só, em recém universitários sem o devido apoio de técnicos mais experientes. Não é possível compreender que quem lança milhões de euros em obras por ano, não enquadre um conjunto de técnicos ou empresas que directamente possam ser os agentes fiscalizadores. Tem que ser sentido na pele, tem que doer um pouco mais…para que a discussão se centre na necessidade e viabilidade dos projectos e não na sua concretização.
Publicado no MeiaHora em 07-07-2009

Estratégia de Deslocalização

Apesar de várias abordagens e perspectivas diferentes na solução para a crise, um factor é defendido por todos – Aumentar as Exportações.
O sector da construção no alto do seu esplendor de grande pilar da economia nacional, não fica de fora e volta a demonstrar a sua natureza.
As grandes empresas de construção portuguesas já concretizam bem o conceito estabelecido por Gary Hamel. A optimização da eficiência operacional dá lugar à procura de uma eficiência estratégica. Hoje aposta-se em mercados com margens mais promissoras, preterindo o mercado nacional que afinal até não está assim tão mal, como provam os últimos dados disponíveis (excluindo a fatia da habitação).
O problema é que se atalhou a parte da eficiência operacional, demonstrando a habitual falta de paciência, dedicação, trabalho e recusando um retorno certamente mais lento.
Neste sector não estamos a exportar serviços eficientes e de qualidade, limitamo-nos a deslocalizar os recursos. É meramente uma luta pela sobrevivência e uma subversão de um modelo de desenvolvimento empresarial. A melhoria continua é abandonada, opera-se do mesmo modo mas num mercado diferente tentando aproveitar circunstâncias distintas e específicas. Em Angola e no Magrebe concorre-se essencialmente com os chineses, revelando bem a que “Liga” se pertence. Está na hora destas empresas olharem para dentro, exorcizar práticas obsoletas e adoptar modelos operacionais orientados para a monitorização e melhoria.
Quando o crescimento destes mercados desacelerar, vão sobrar novamente empresas em dificuldades e mais distantes da sua origem.
Publicado no MeiaHora em 21-05-2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Repensar a Economia de Mercado

A ideia de repensar os fundamentos da Economia de Mercado (lucro, livre iniciativa e gestão dos recursos escassos), surgiu quando vi o filme “HOME” e reforçou-se com a leitura da última Encíclica Papal. Nestes documentos é demonstrado que a dinâmica socioeconómica está a ameaçar a Vida na Terra e não está a contribuir para o Desenvolvimento Integral do Homem.

As evidências de incapacidade do sistema são inegáveis: a má gestão da área financeira e a ausência de regulação e de controlo do Estado empurraram o Mundo para uma profunda crise económica; a dinâmica dos agentes económicos está a ameaçar a Vida no Planeta e as assimetrias entre ricos e pobres não se têm reduzido. Em suma, a actividade económica do Homem, face à sua idiossincrasia, não pode ser deixada em auto-regulação.

Eis algumas ideias que procuram, de forma sistémica, contribuir para a discussão.

A Economia deve incorporar na sua equação, o bem escasso que é a qualidade ambiental e tem de repensar o papel do Estado, Organizações Supra Nacionais e Empresas. O Estado/Organizações devem considerar que a sua grande ameaça é a agressão aos seus activos naturais e não qualquer potencial beligerante; devem ainda utilizar as suas funções reguladoras e de controlo para evitar que a vontade individual colida com o bem comum. As Empresas não podem pensar apenas no lucro e têm de, voluntária ou coercivamente, incorporar o bem comum como restrição às suas decisões; ou seja, desenvolver objectivos multidimensionais para satisfazer todos os stakeholders.

António Jorge

Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas