sábado, 26 de setembro de 2009
PuraMente #30 - The Power of Less
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Colar Cartazes
Este Setembro chegou maduro; no ar pesado paira o travo intenso do combate político. O poder é fascinante! E um grande mercado. As eleições um profundo oceano vermelho, cada vez mais competitivo e feroz. Com um produto mau, vendedores desacreditados e cada vez menos consumidores, as receitas ressentem-se. Não será só pela crise. Pelo menos não da mais palpável, da financeira e global; talvez da mais oculta e dolorosa, a interna – aquela que se revela na deterioração de valores, na ausência de rumo agregador, na falta de solução inspiradora para a nação. Enfim, no "medo de existir".
No meio de tanta neblina, será possível afastarmo-nos das “nano-mini-micro” disputas que têm saturado os dias e, ousando diferente, concentrarmo-nos em inovação de valor? Isto é, numa clara mas robusta proposta de desenvolvimento para o país, com tanto de ousado quanto de inspirador?
Oferecendo ao debate novos e úteis elementos, os argumentos estéreis destinados a produzir “sound bites” seriam substituídos por ideias e opções de desenvolvimento e respectivos planos de acção devidamente detalhados (no tempo e nos custos).
Enquanto a grande maioria dos políticos apenas sabe “colar cartazes” outros (poucos) conseguem mover multidões. Estes despertam, inspiram e insuflam a sociedade de ar fresco, marcando novos rumos. Isso sim. Seria juntar utilidade e benefícios aos clientes – afinal todos nós –, construindo um novo oceano azul na política.
Publicada no Jornal "Metro" em 23-Set-2009
Legislativas (*)
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A bolha dos bónus vai rebentar?
O actual sistema de compensação dos executivos de topo tem por base a teoria da agência (muito em voga nos anos 90), segundo a qual quando uma pessoa (principal) incumbe a outra pessoa (agente) a prestação de serviços, envolvendo a delegação de poder de decisão, existe razão para acreditar que o agente nem sempre vai agir no interesse do principal, mas sim na tentativa de maximizar o seu benefício próprio.
Os principais conflitos discutidos nesta teoria respeitam ao empenho dos gestores, ao controlo dos gestores sobre os bens da empresa e a uma atitude face ao risco diferente da assumida pelos accionistas. Os gestores assumem uma grande responsabilidade perante os accionistas, pelo que deveriam receber prémios relacionados com o retorno das acções, opções sobre acções e remuneração indexada a indicadores de desempenho.
Assim, assistimos nos últimos anos à distribuição de incentivos generosos, numa cultura tão insaciável que observámos os directores da seguradora AIG, salva da falência pelo Estado, a reclamarem o direito aos seus prémios exorbitantes.
Na cimeira do G20, que decorrerá nos dias 24 e 25 próximos em Pittsburgh (EUA), pretende-se chegar a um acordo quanto à definição de normas globais para limitar os prémios pagos na banca. A este respeito, espera-se que haja um confronto entre a posição da Alemanha, França, Reino Unido e outros países europeus e a posição dos EUA que hesitam em definir níveis de compensação individuais.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Não queremos mais!
Muitos sinais estão aí à vista de todos para quem os quiser ver: o consumidor mudou!
Há quem diga que tal é uma consequência directa da recessão e da crise de confiança que terá impactos duradouros nos comportamentos dos consumidores. Outros há, que consideram que tais alterações são devidas à evolução natural do consumidor nas sociedades avançadas. Nesta perspectiva, estes consumidores estarão num estádio avançado de maturidade, levando a que o seu consumo seja muito mais ponderado e consciente, de um ponto de vista económico, social ou ambiental.
Seja como for, a verdade é que quando se pergunta aos consumidores dos países ricos se querem consumir mais, a resposta é “Não!”. Quando se olham os números da evolução das vendas de retalho na Europa e nos Estados Unidos a conclusão é evidente: existe uma diminuição anual no volume de vendas desde 2007 que se tem vindo a acentuar. Algumas empresas foram capazes de ler estes sinais e traduziram-nos em acções com vista a captar um mercado que teima em encolher. Para o fazer, as empresas terão que estar atentas aos seus consumidores, actuais e potenciais, por forma a conseguirem identificar necessidades não atendidas ou frustrações existentes.
Este exercício irá permitir identificar novas oportunidades de crescimento através da segmentação de perfis de clientes não endereçados e de necessidades não cobertas no modelo de negócio actual...mesmo que estes sejam os clientes que nos dizem: “Não queremos mais!”
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O Marketing e as eleições
As Empresas também Sonham
O poeta português António Gedeão, no seu poema “Pedra Filosofal”, chegou a uma verdade profundamente ligada à natureza humana, a de que “O Sonho Comanda a Vida”.
As empresas e as suas equipas também precisam de ter um sonho partilhado por todos os colaboradores; que os une, que os faz ter um caminho comum e que os impulsiona a unir esforços, trabalhar e realizar. Se uma empresa não tiver esse sonho as pessoas não se mobilizam em torno da sua realização, mais, não geram energia positiva e vontade para superar as dificuldades melhorando constantemente o seu desempenho.
Esta linguagem algo literária tem uma tradução para a linguagem empresarial; o Sonho chama-se Visão e contém normalmente o que a organização quer ser e ainda não é. A uma visão está associada uma Estratégia (a forma de chegar ao sonho) e Valores (conjunto de princípios que orientam o comportamento dos colaboradores no desempenho das suas funções).
A qualidade do sonho é determinante para o desempenho da empresa, se este for injusto (apenas satisfaz alguns colaboradores e/ou accionistas) as pessoas não aderem ao sonho e não dão o seu melhor. Todos nós conhecemos empresas de que gostamos e onde não nos importaríamos ou gostaríamos de trabalhar e outras de que nem queremos ouvir falar.
A responsabilidade de criar este sonho é da administração. Definir o sonho para uma empresa é construir a sua base.
Empresa que não Sonha não viverá muito tempo.
António Jorge
Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas
Publicado no Jornal Metro do dia 14/09/09.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Uma questão de honra
Apesar de estar longe de ser uma solução livre de problemas - desde logo o dinheiro iria certamente para aqueles que menos precisam dele - os artistas que com ou sem pirataria vendem milhares de unidades - é uma solução que pode ser interessante caso seja equilibrada; nem uma mensalidade muito baixa de modo a que as editoras não se sintam defraudadas, nem tão alta que afaste potenciais clientes dispostos a aderir a este "sistema de honra". E não podemos esquecer aqueles que compram os discos e frequentam concertos!
Uma forma eficaz de incentivar a compra seria criar algo no mesmo formato que um cartão de descontos de um supermercado, em que uma determinada percentagem de cada compra seria descontada na mensalidade seguinte. Isto não só permitia distribuir as taxas de uma forma mais equilibrada, como devolver algo aos que de facto "compram se gostarem" ou suportam economicamente a banda a ir aos seus concertos.
Num mundo imperfeito são raras as soluções perfeitas e ainda menos a que têm sucesso. Mas qualquer tentativa é melhor que a forma como a indústria lida, actualmente, com o download ilegal e quem o pratica.
Luís Silva
Crítico musical
Públicado no jornal Metro do dia 7 de Setembro
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Regressar lentamente
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Governo a Mais
Está instalada mundialmente a tendência de os governos serem mais influentes. É verdade que o grau de intervencionismo estatal tem um carácter cíclico, mas não é uma boa notícia.
Espera-se de um Estado moderno a garantia da segurança (nas suas várias dimensões), da justiça e da educação. As últimas décadas, sobretudo a partir dos anos 80, caracterizaram-se por uma desregulamentação e liberalização, com o Estado a centrar-se nas áreas em que não podia, efectivamente, ser substituído. Como consequência, viveu-se até ao início deste século um período de progresso económico e social sem precedentes, em que cada indivíduo passou a ter mais oportunidades para concretizar e desenvolver o seu potencial.
Uma série de eventos, como o 11 de Setembro e a actual crise económica, têm levado os cidadãos a admitir e até a exigir maior intervenção do Estado. Os políticos, que sabem que "Poder gera Poder", aproveitam para ganhar terreno. Definem cada vez mais regras e limites e até decidem caminhos de evolução tecnológica, algo que deveria pertencer à sociedade civil. A recente opção a nível mundial de apoio aos automóveis híbridos, sem grandes discussões sobre qual a melhor solução, é um exemplo dessa influência.
A História dos últimos 250 anos diz-nos que quando o Estado desempenha funções em excesso na economia e sociedade, o progresso ressente-se. A igualdade de oportunidades para empresas e indivíduos é comprometida quando há decisões meramente políticas e não se avalia a eficiência e o mérito. Por outro lado, Estados mais fortes tendem para o proteccionismo, sentimentos nacionalistas e maior probabilidade de conflitos. Ou seja, é governo a mais.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
PuraMente #29 - Cultura e Organizações
Nome: "Culturas e Organizações"
Autor: Gert Hofstede
Data: 1991 (original) - 2003 - Edições Sílabo (edição portuguesa)
Frase: "Mesmo após ter sido informado, o observador estrangeiro é susceptível de deplorar certas tendências da outra sociedade"
Palavras Chave: Atitudes; Valores; Cultura; Programação Mental; Relativismo Cultural;
Apreciação: ****
Hofstede publicou o seu primeiro estudo sobre estas matérias em 1980, depois de ter tido acesso a um vasto conjunto de dados sobre os trabalhadores da IBM, uma das multinacionais presentes em mais países naquela época. Analisou estatisticamente esses dados e sistematizou-os, construindo o "corpo" da sua teoria.
O livro começa com um guia de leitura e divide-se depois em quatro partes: Definições conceptuais; Culturas nacionais; As consequências organizacionais; Implicações práticas. Naturalmente, a segunda parte é a mais interessante.
Tal como sucede em muitos dos livros mais recentes, "Culturas e Organizações" é complementado por um sítio na internet (www.geert-hofstede.com) onde se podem visualizar graficamente os resultados de cada país. São também incorporadas actualizações aos estudos. Num outro sítio, www.clearlycultural.com, podem observar-se as diferenças entre os países através de mapas-múndi.
Este é um livro importante para quem lida com ambientes multiculturais, mas igualmente útil na compreensão da nossa própria matriz cultural. Não é um livro "fácil" ou rápido de ler, dado o seu carácter conceptual, nisso podendo aí residir a maior crítica. Porém, o esforço decerto compensará.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios em 11 de Agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
PuraMente #28 - The 80/20 Principle
Nome: The 80/20 Principle
Autor: Richard Koch
Data: 1997 - Nicholas Brealey Publishing
Frase: "The secret of achieving more with less"
Palavras Chave: Realocação; Assimetria; Insight; "Productive laziness"; Hedonismo; "Vital Few";
Apreciação: ****
"The 80/20 Principle" divide-se em quatro partes: Explicação do princípio 80/20; Aplicação nas empresas; Aplicação pelo individuo; Extensão à sociedade e futuro. A primeira parte é, de longe, a mais importante. Ao longo dos capítulos aparecem referências a outros conceitos, que nos transportam para obras como as de Gladwell. As ideias "core" de Blink, Tipping Point e Outliers estão em "80/20"...
O livro acaba por surpreender em três dimensões: em primeiro lugar, pelo amplo espectro de temas em que o "80/20" é relevante; em segundo, porque consegue alterar paradigmas na mente do leitor; e, finalmente, porque se trata de uma obra de 1997, sobre um conceito enunciado há mais de 120 anos que permanece perfeitamente actual e universal.
O livro passa uma mensagem crucial, a de que é preciso garantir tempo disponível para pensar, sem o qual não é possível seguir um processo dialéctico constante de melhoria.
O tempo gasto neste livro fez parte dos 20% que contribuem para 80% do desenvolvimento pessoal.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios em 28 de Julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
PuraMente #27 - O Processo
Nome: "O Processo"
Autor: Franz Kafka
Data: 1925 (1ª edição). Edição em português consultada: Europa América 2ª ed. (1989)
Frase: "A minha inocência não torna o caso (...) mais simples"
Palavras Chave: Processo; Burocracia; Controlo; Falácia; Formalidades
Apreciação: *****
Há um "antes e depois" da leitura de "O Processo". É um livro que marca. O enredo é relativamente simples, mas a descrição detalhada de um universo surreal e difuso impressiona e acaba até por ser constrangedora à medida que o leitor se identifica com o personagem principal.
Em "O Processo", o protagonista Joseph K. é acusado por um tribunal e preso, sem saber o motivo. A principio K. não dá importância ao caso, mas à medida que se apercebe do deteriorar da sua posição tenta reconquistar o controlo, o que nunca consegue. A descrição de todo o processo judicial é muito pormenorizada, mas o que fica na memória é a forma como K. é envolvido num caso que desconhece e que o arrasta para o abismo, sem defesa possível, até porque nem sequer sabe de que é acusado. O final é naturalmente trágico. É a esta espiral de acontecimentos inexplicáveis, de uma dimensão irreal e absurda, mas que aparentemente são processualmente coerentes, que se atribui o adjectivo "kafkiano".
"O Processo" pode ser relevante de várias formas, mas destacaria essencialmente duas perspectivas: Em primeiro lugar, do ponto de vista conceptual, o livro mostra-nos que as instituições podem desvirtuar-se, abandonando os seus objectivos ou funções, bastando que se percam numa teia de procedimentos, hierarquias, paradigmas e práticas, aniquilando a sua razão de existência e quem quer que esteja ao seu redor. Em segundo lugar, evidencia como, para o individuo, é crucial compreender a necessidade de, desde o início, controlar os processos (de qualquer tipo) e de não deixar a mínima margem para que a burocracia, os ritos, as práticas instaladas ou mesmo terceiros aparentemente prestáveis o afastem ou inviabilizem os seus objectivos.
Imperdível. Por vezes incómodo, mas obrigatório.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
www.puramenteonline.com
Publicado no Jornal de Negócios em 14 de Julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
PuraMente #26 - Predictably Irrational
domingo, 19 de julho de 2009
Puramente #25 - Fast Second
Nome: Fast Second
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O Automóvel do Futuro
A indústria automóvel ainda se encontra a tentar perceber o novo paradigma do mercado, onde a procura e a oferta têm de estar equilibradas, deixando os fabricantes de impor uma dimensão de mercado, na maior parte dos casos inexistente, e passando de uma estratégia Push para uma estratégia Pull.
É muito positiva a forte dinâmica de investigação e desenvolvimento de novas tecnologias e modelos, com os fabricantes a apresentarem, de forma regular nos últimos tempos, inúmeras novidades e concepts de novos modelos. Estas novas tecnologias vão trazer imensos benefícios no futuro, não só aos consumidores mas também ao ambiente e a um desenvolvimento sustentável.
Automóveis mais leves, com maior percentagem de materiais recicláveis, mais eficientes e com recurso a energias alternativas farão parte do portfólio futuro de qualquer marca.
Curioso é ver como esta tendência é transversal a todos os segmentos de mercado, estando a totalidade das marcas – das generalistas às premium - empenhadas em comunicar a sua nova abordagem a esta realidade. Só nas últimas duas semanas, a General Motors anunciou que pondera mudar a cor do seu logótipo de azul para verde para salientar uma postura mais ecológica, a Jaguar acabou de apresentar o seu novo Flagship XJ onde a sustentabilidade teve um papel importante no caderno de encargos e a Aston Martin apresentou um estudo de um modelo citadino, que permite uma mobilidade inteligente e sensível com um nível de exclusividade e inovação nunca visto neste tipo de veículos.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
PuraMente #24 - Ethical Prospects: Economy, Society and Environment
Nome: Ethical Prospects: Economy, Society and Environment
Autor: Laszlo Zsolnai e outros
Data: Março de 2009 - Springer
Frase: "Nothwidthstanding the best of intentions, there are constraints to achieve socially responsible behaviours"
Palavras Chave: CSR; Republicanism; Rights of the Unborn; Market Liberalism; Buddhist Economics; Ethical Banking;
Apreciação: ****
A escolha deste livro resultou da necessidade de abordar temas ligados à responsabilidade social e corporativa e à ética, que constituem preocupações actuais e futuras para indivíduos e organizações.
“Ethical Prospects”, editado pela Springer, é uma colectânea de textos organizados por Zsolnai, professor da universidade de Budapeste. Recolhe contribuições de 27 autores oriundos de várias partes do globo, pretendendo reunir ideias “de ponta”. O carácter conceptual disruptivo das propostas é muito variável, não sendo de estranhar a existência de algumas ideias menos realistas, próprias do experimentalismo.
O livro tem quatro partes: “Novas perspectivas e descobertas”, “Práticas inovadoras e reformas, “O desafio das gerações futuras” e “Debate entre o liberalismo republicano e de mercado”. Nota-se um tom contra o status quo (por vezes exagerado), a que não será alheio o facto de muitos textos terem sido influenciados pela crise económico-financeira.
É difícil fazer referência a todas as ideias importantes num livro com 20 textos tão diversos, mas destacam-se alguns contributos: A necessidade de legislar e não esperar apenas que as empresas assumam por si comportamentos éticos; O conceito de budismo económico; A necessidade de representar as gerações futuras nos órgãos de tomada de decisão e de convergência entre o dinheiro e os valores éticos. Discute-se a viabilidade de um consenso entre todos os stakeholders, dado que na história tal nunca sucedeu, o que não impediu a construção de um corpo ético.
É imprescindível ler a introdução, na qual Zsolnai resume os textos em dois ou três parágrafos. O leitor pode então escolher o que mais lhe interessa, rentabilizando a leitura.
O livro tenta, e penso que consegue, ser uma base de reflexão e inspiração. Os temas abordados exigem ainda um considerável crescimento por parte da maioria dos decisores.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios de 30 de Junho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
A Gestão do Risco
Estima-se que, em 2008, 55% das empresas na Europa, Ásia e América do Norte efectuaram operações de cobertura de risco de variação de preço, face a 45% em 2007. Mais relevante do que os números parece ser a alteração no processo de tomada de decisão. Cada vez mais empresas levam as decisões de cobertura até ao nível hierárquico mais alto, um sinal claro da importância deste assunto. Segundo a Greenwich, 96% das empresas afirma que as estratégias de gestão de risco são da responsabilidade da administração, tendo muitas delas criado um cargo específico.
Até há poucos anos as empresas optavam por uma gestão passiva deste tipo de riscos. Ou seja, as flutuações cambiais, de taxas de juro ou de preço das commodities eram encaradas como um factor exógeno sobre o qual nada poderia ser feito. Posteriormente as empresas foram experimentando algumas formas de cobertura, frequentemente de forma desajustada e com maus resultados. Os instrumentos e estratégias escolhidas, quase sempre por pressão dos bancos, revelaram-se piores do que não fazer nada.
Felizmente as empresas parecem estar a chegar a um processo de maior maturidade, desenvolvendo competências internas e recorrendo ao outsourcing especializado. Daqui resulta um maior controlo efectivo da empresa, não fosse a Gestão do Risco um dos pilares do (bom) Governo das Sociedades.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Meia Hora de 14 de Julho de 2009
Observando o Impasse
Estratégia de Deslocalização
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Repensar a Economia de Mercado
A ideia de repensar os fundamentos da Economia de Mercado (lucro, livre iniciativa e gestão dos recursos escassos), surgiu quando vi o filme “HOME” e reforçou-se com a leitura da última Encíclica Papal. Nestes documentos é demonstrado que a dinâmica socioeconómica está a ameaçar a Vida na Terra e não está a contribuir para o Desenvolvimento Integral do Homem.
As evidências de incapacidade do sistema são inegáveis: a má gestão da área financeira e a ausência de regulação e de controlo do Estado empurraram o Mundo para uma profunda crise económica; a dinâmica dos agentes económicos está a ameaçar a Vida no Planeta e as assimetrias entre ricos e pobres não se têm reduzido. Em suma, a actividade económica do Homem, face à sua idiossincrasia, não pode ser deixada em auto-regulação.
Eis algumas ideias que procuram, de forma sistémica, contribuir para a discussão.
A Economia deve incorporar na sua equação, o bem escasso que é a qualidade ambiental e tem de repensar o papel do Estado, Organizações Supra Nacionais e Empresas. O Estado/Organizações devem considerar que a sua grande ameaça é a agressão aos seus activos naturais e não qualquer potencial beligerante; devem ainda utilizar as suas funções reguladoras e de controlo para evitar que a vontade individual colida com o bem comum. As Empresas não podem pensar apenas no lucro e têm de, voluntária ou coercivamente, incorporar o bem comum como restrição às suas decisões; ou seja, desenvolver objectivos multidimensionais para satisfazer todos os stakeholders.
António Jorge
Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas
Harvard Trends #10 - Riscos a Evitar
2009 tem sido um ano diferente para Harvard. Crise ou novo estado da economia?, uma das perguntas a que só o futuro responderá. Entretanto, uma quase ilimitada nova série de temas tem surgido como base de discussão no âmbito da gestão moderna, ora para evitar novas crises ora para criar uma nova, mais madura, abrangência dimensional à gestão futura.
Um dos assuntos em discussão crescente é o da gestão de riscos. Conhecer e gerir os vários riscos em cada área da gestão da empresa é uma ferramenta que passou de desejável a obrigatória em muito pouco tempo. Harvard tem tratado também dos riscos mais ignorados, como a falta de dados actualizados, sobretudo em empresas que se baseiam no “histórico” como sustento do futuro. A crescente taxa de mudança pode fazer mudar os pressupostos demasiado rapidamente e resultar num epicentro de novos riscos, raramente equacionados.
Os seminários de Harvard têm ainda dissertado sobre os riscos desconhecidos, tradicionalmente vistos como intratáveis. Os novos modelos estatísticos de gestão de risco possibilitam o tratamento e previsão destes riscos como peça fundamental de uma gestão consistente com a transparência para com os shareholders.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Dimensão
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Negócios de Verão
Começa hoje o primeiro dos grandes festivais de Verão em Portugal. Se as vendas de discos estão em baixa, as vendas de bilhetes para os mais diversos festivais têm estado em alta, e prevê-se um Verão cheio de música ao vivo.
Embora em Portugal a popularidade dos festivais possa em parte ser atribuída ao baixo preço dos bilhetes, o mesmo fenómeno no resto do mundo sugere outra causa. É frequente ouvir falar nas "tours de promoção para o álbum", mas nos tempos que correm os álbuns parecem mais servir como veículo de promoção da banda junto dos organizadores de música ao vivo. O ciclo inverteu-se.
Uma crítica muito positiva num site de referência irá tornar essa banda numa das coqueluches veraneantes e a sua presença será disputada entre promotores que esperam que o nome da banda no cartaz seja o factor decisivo para que os fãs marquem presença no seu festival. Prova disso é que enquanto os lamentos das vendas minguantes de discos crescem, estamos perante uma verdadeira era dourada para a música ao vivo em Portugal, com diversas bandas conceituadas a visitar o país. O lado negativo é que já se nota alguma saturação na oferta e, por isso, alguns desses festivais têm cartazes incaracterísticos, incoerentes e mal estruturados, apenas para tentar atrair o maior número de pessoas. Ver os concertos como a principal fonte de rendimento não é novidade para as maiores bandas, mas graças à internet até bandas do circuito alternativo podem conquistar fãs desejosos de os ver ao vivo em mercados periféricos de outro continente. Tal como cantavam os Pulp em 1995 "Será assim que dizem que é suposto o futuro sentir?".
Crítico musical
Publicado no jornal Meia Hora de 9 de Julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Incumprimento
Especialistas ou Generalistas ?
No inicio, as lojas pequenas que vendiam as suas especialidades. Depois, o supermercado, uma surpreendente fusão de mercearia, frutaria, talho, padaria e drogaria. Da especialização para a generalidade, juntando-se ambiente moderno e auto-serviço , que permitia uma apetecível estratégia de precings.
PuraMente #23 - A Gift to My Children
Nome: A Gift to My Children
Autor: Jim Rogers
Data: Maio de 2008 - John Wiley and Sons Ltd
Frase: "Swim your own races"
Palavras Chave: Questioning; Dedication; Details; Mob Psychology; "Do your homework"
Apreciação: ***
Jim Rogers é amplamente conhecido no mundo financeiro por ter sido um dos co-fundadores, com Geroge soros, do Quantum Fund. Este fundo foi responsável pela saída da libra do Sistema Monetário Europeu em 1992. De Rogers são também conhecidas as suas posições de investimento pró-China, o que levou a ensinar mandarim às suas filhas desde o berço. Reformou-se aos 37 anos, residindo actualmente em Singapura.
Embevecido pela paternidade, Rogers pretende neste livro deixar alguns conselhos que considera serem relevantes para todos. O próprio autor destaca os mais importantes: trabalhar arduamente, pensar por si mesmo, questionar tudo e nunca seguir a multidão. Rogers utiliza um exemplo forte (algo raro neste livro) para construir a ideia de "swim your own races" - devemos competir connosco próprios e não tanto contra os outros, já que isso pode limitar a nossa evolução. Outra ideia interessante é que só devemos pedir conselhos a alguém depois de já sabermos, por nós próprios, tudo o que for possível sobre o assunto em causa.
A meio do livro o autor não resiste a sair do registo paternalista e começa a falar de investimentos, nomeadamente das suas perspectivas de longo prazo. Destaque para a perspectiva sobre os BRIC - Rogers está muito optimista para o Brasil e China, pessimista para Rússia e céptico quanto à Índia. "Well, the 21st century belongs to China" diz quase tudo.
"A Gift to My children" consagra as principais ideias de investimento de Rogers - China, commodities e fuga ao que estiver na moda. É um livro para uma viagem curta e que pode constituir um checkpoint simples à forma como cada um tem levado a sua vida, apesar de faltarem exemplos fortes, originais e relevantes . "Be who you are, be original, be bold".
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios em 16 de Junho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Moedas Sociais
Historicamente, as moedas sociais surgiram como alternativa à troca directa, tentando organizá-la. Há registos de moedas sociais na antiga Babilónia (4000 A.C.), mas os exemplos são recorrentes e acompanham-nos até aos dias de hoje. O sucesso destes sistemas é significativo no Brasil, onde existem mais de 30 moedas locais, inclusivamente com notas próprias. Na União Europeia os números não são rigorosos, mas haverá mais de 60 moedas deste tipo a circular, muitas da quais na Alemanha. O caso de Wörgl, em 1932, é famoso pelo seu sucesso.
Os benefícios de ter um sistema de pagamentos autónomo são evidentes e levaram também à criação de outros instrumentos como os linden dollars do Second life, o e-gold ou até mesmo os "cheques-oferta" e descontos em cartão das grandes superfícies.
Perante um cenário de empobrecimento das cidades médias e de pequena dimensão em Portugal, talvez a criação de moedas sociais pudesse ser uma experiência válida a tentar. As economias locais poderiam ganhar algum dinamismo e os consumidores prefeririam adquirir bens e serviços na comunidade, com base em argumentos concretos como o preço e não tanto num vago "compre o que é nosso", cuja sustentabilidade é muito duvidosa.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal Meia Hora em 2 de Julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Portugal precisa de um novo Estudo Porter
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Vícios públicos, virtudes privadas?
Distraídos com as vias para desatar a crise – entre obras públicas e controlo do deficit – somos abalados por uma perversa mescla das esferas pública e privada da economia.

