Uma das primeiras coisas que se aprendem nos cursos de informática é a distinção entre dados e informação, onde estes são dados propriamente tratados. Infelizmente, essa distinção poucas vezes é feita quando o assunto são estudos estatísticos, onde simples dados numéricos são apresentados como factos, sem qualquer contexto ou laço com o mundo real.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Mentir com números
domingo, 15 de novembro de 2009
PuraMente #33 - "FREE"
Nome: FREE
Autor: Chris Anderson
Data Original : Julho 2009
Frase: “People are making lots of money charging nothing”
Keywords: Free; Marginal Cost; Freemium; Piracy; Freeconomics; Nonmonetary markets
Apreciação: *****
Depois do êxito de “The Long Tail”, Chris Anderson regressa em grande com “FREE – The Future of a Radical Price”, candidato natural a livro do ano, na esfera dos negócios.
O livro aborda a economia do “grátis” de uma forma inovadora e consistente, explicando como tantos negócios se tendem a fazer em torno de pricings nulos com rentabilidades interessantes.
A obra sistematiza 4 diferentes formatos de gratuito : “direct cross-subsidies”, “three party market”, “freemium” e “nonmonetary markets”. O primeiro modelo é o tradicional (ex: promoção “2 por 1”); no segundo junta-se um terceiro que subsidia totalmente o custo marginal da transacção – um exemplo clássico é a rádio, gratuita a troco de investimentos em publicidade; o terceiro é o modelo mais explorado no livro e consiste em ter a esmagadora maioria dos clientes com um serviço gratuito enquanto uma pequena minoria o paga – portanto uns clientes subsidiam os demais - , com base em limites estabelecidos no serviço gratuito, como limitação de tempo, dimensão, velocidade, abrangência ou tipo de cliente; o quarto representa um mercado não monetário, onde blogs e wikipedia são um bom exemplo – o acesso gratuito deve-se ao facto de milhões de pessoas estarem dispostas a produzir sem incentivo financeiro, sendo compensadas com notoriedade ou reputação.
Free constitui um milestone na nova abordagem aos mercados, com uma sistematização economicamente consistente – a escassez e a abundância suportam a razão em grande parte dos capítulos – e detalhadamente explicitada. O autor não deixa de explorar a diferença entre o físico e o digital (atoms & bits), estudando as diferenças, importantes sobretudo na qualidade do produto e no
custo marginal.
Uma obra absolutamente obrigatória.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
PuraMente #32 - "Green to Gold"
Nome: "Know-How"
Autor: Daniel Esty e Andrew Winston
Data: Outubro 2006 Yale University Press
Frase: "Empresas inteligentes conquistam vantagens competitivas através da gestão estratégica dos desafios ambientais"
Palavras Chave: "Green Wave"; "Eco Advantage"; "Environment lens"; "Natural Capital"
Apreciação: ****
"Green to Gold" está presente em quase todas as listas de leituras recomendadas, sobretudo nos cursos de pós-graduação em gestão ou estratégia. Trata-se, por isso e pelos temas abordados, de um "best seller" quase obrigatório. A capa do livro é muito esclarecedora quanto ao conteúdo: "Como empresas inteligentes utilizam a estratégia ambiental para inovar, criar valor e construir vantagens competitivas". O objectivo dos autores é fazer a ponte entre os mundos da preservação do planeta e da estratégia empresarial, sempre com um tom realista; ou seja, considerando que a moral e os valores são importantes, mas não totalmente imperativos. A orientação e necessidades do negócio têm primazia e por isso a preocupação com o ambiente é estratégica.
Actualmente "Green to Gold" já não é tão inovador como em 2006. Muito mudou desde então e os argumentos de marketing ambiental já são "mainstream". A meu ver, esse facto não retira interesse ao livro, pelo contrário. O número de pessoas que precisa de o ler livro aumentou, já que a interacção entre ambiente e negócio é agora uma realidade e não apenas uma aspiração. Por outro lado, o leitor já pode analisar os conceitos e estratégias propostos de uma forma mais madura e até com conhecimento de causa.
Após uma introdução pertinente, o livro apresenta-se em quatro partes: "Preparando um mundo novo", "A construção de eco-vantagens", "O que fazem as empresas-líder" e "Juntando tudo". Considero que as duas primeiras partes, mais conceptuais, são as mais interessantes e enriquecedoras. O 12º capítulo descreve as ideias e frameworks do livro, sendo escrito como se de um artigo para uma revista de gestão se tratasse.
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado em 8 de Setembro de 2009 no Jornal de Negócios
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Manifesto pelo talento
Foto: Luís Ferreira Publicada no Jornal "METRO" em 11-Nov-09
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
As lições do Pinho, de Pepe e do Padre
Momentos de desespero podem surgir do nada. Quando o jogador Pepe fez um penalty perto do fim do jogo, compreendeu que um golo do Getafe colocava o Real Madrid fora do título. Entrou em desespero, pontapeou o adversário várias vezes e quase agredia o árbitro. Na Assembleia da República, Manuel Pinho faz os célebres "corninhos" à bancada do PCP. Esgotado, física e mentalmente, sentiu-se injustiçado e cansou-se de ouvir as provocações em surdina de Bernardino Soares, um deputado que nunca faz parte da solução. Pepe e Pinho sucumbiram à pressão e perderam a cabeça, felizmente sem uma arma à mão. Pediram desculpas, foram "castigados", mas as consequências não foram realmente graves.
Pensemos agora no médico que matou na semana passada 13 colegas na maior base militar dos EUA no Texas. Ou em Jason Rodriguez que na 5ª feira expressou o seu desepero pela situaçao de desemprego da pior maneira, matando uma pessoa e ferindo outras cinco. O que fez a diferença, pela negativa, nos casos americanos não foi a cultura. O desespero é sempre o mesmo, mas o contexto e o acesso à armas é que podem transformar uma explosão emocional numa tragédia.
Imagine-se, se um dia o padre Fernando Guerra entra na missa revoltado... e de caçadeira!
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 26 de Outubro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Um Natal Feliz, Apesar da Crise
O início da época de Natal, suscitou-me a interrogação, “Como será o Natal num ano de Crise?”; e a positiva conclusão de que vai ser “Feliz”.
O cérebro humano busca coerência e prazer, por isso, quando o deixamos fazer o seu trabalho; isto é, quando mesmo nas piores vivências procuramos ou deixamos que ele procure os efeitos positivos que sempre se podem tirar de qualquer experiência humana, podemos viver, na crise, momentos de elevada riqueza emocional.
Na actualidade o Natal é um equilíbrio entre a componente emocional (sua verdadeira origem) e a componente consumista (fruto da dinâmica de Mercado). Obviamente que em tempos de crise, para uma igual satisfação, teremos de privilegiar a componente emocional, ou seja, atendermos mais aos aspectos elementares e fundamentais da dimensão social; a vida em família e amigos enquanto elemento crucial da condição humana.
Esta realidade tem uma dupla vantagem, pois para além da felicidade natalícia, reincorpora com um peso maior; talvez o adequado; a dimensão emocional, social e humana da Sociedade; relativizando a dimensão económica que, sem hipocrisias, é importante; contudo tem assumido uma preponderância às vezes selvática e desprovida de princípios e valores; facto que aliás está na raiz desta crise.
Vivamos um Natal emocionalmente rico e recuperaremos forças que contribuirão para o fim da crise.
António Jorge
Consultor em Estratégia Marketing e Vendas
Publicado no Jornal Metro de 4NOV09
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Prioridades trocadas (*)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Outro Sexo
Um dos temas de crescente discussão nas mais importantes universidades do mundo e nos seminários de gestão avançada pela sua relevância no mundo empresarial norte-americano e com importantes consequências sócio-afectivas, relacionais e de desempenho nas equipas,é a mudança de sexo de um colaborador. Em Portugal o tema pode parecer tabu ou mesmo surreal, mas em breve poderá vir a ser uma realidade para a qual os gestores têm de estar preparados. quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Preços Negativos
Nos últimos anos, instalou-se nos mercados uma tendência de produtos low cost, que oferecem menos serviços mas não necessariamente piores serviços a um preço muito inferior ao do mercado. Estes preços fazem com que mais e mais pessoas comprem esses produtos e serviços, e assim se construa uma economia de escala que sustenta esses peços muito baixos. Paradoxalmente, é neste formato de low cost, quando bem gerido e com uma dimensão de mercado suficiente, que as empresas que trabalham os mercados de massas estão a ganhar dinheiro. segunda-feira, 26 de outubro de 2009
"Mises" en scène
É fácil perceber que a economia se comporta de forma inevitavelmente cíclica. A uma fase positiva, de expansão, segue-se outra negativa, de recessão, e a quantidade de moeda disponível vai assumindo um papel central em toda a dinâmica. Governos e bancos centrais, defensores da teoria do crescimento endógeno, injectam "dinheiro" nas alturas de maior dificuldade, com o objectivo de inverter o momento mais negativo do ciclo. É isso que tem sido feito desde há um ano, resultando em taxas de juro baixas e muita moeda a ser emitida. Mas, mesmo com esses estímulos, o que se observa é uma enorme dificuldade em o investimento arrancar fora dos mercados financeiros.
Ao que parece não existe muita vontade por parte dos investidores, o que se compreende dadas as muitas incertezas. Mas o problema maior parece estar do lado dos bancos. Não emprestam, nem querem emprestar. A liquidez do sistema bancário é maior do que há um ano atrás, mas os bancos estão mais interessados em investir nos mercados de capitais, gerando comissões e valorizações, do que em conceder empréstimos. Percebe-se, porque o risco é alto, mas o velho economista Mises tem toda a razão.
O risco de colapso pode ter passado, mas sem investimento "a sério" a economia não sobe degraus..
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 26 de Outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Olha quem vende!
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 16 de Outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Reabilitação Urbana
A Diferença está nas Pessoas
Numa época em que a informação flui on-line, as empresas dificilmente conseguem vantagens e diferenciações suportadas em tecnologia.
Na Era Industrial da Economia, os equipamentos e maquinaria faziam a diferença entre empresas; ditando quem vencia e quem era derrotado. Hoje o tempo que leva a copiar uma vantagem adquirida por via de um determinado equipamento ou maquinaria, não passa de alguns meses ou, no máximo, um ano; isto é, se uma empresa inova, por exemplo, através de uma nova embalagem; não demorará muito tempo até que o seu concorrente possa ter uma embalagem igual ou semelhante.
Estamos assim na Era do Primado das Pessoas; uma vez que é através destas, do seu conhecimento e da forma como se relacionam que é possível obter uma vantagem competitiva difícil de copiar, pois as pessoas e o ambiente por elas gerado é único.
Para obter esta vantagem competitiva a empresa tem de recrutar bem, lançar desafios constantes aos colaboradores por forma a permitir a sua satisfação e realização e ainda, por via da liderança, de criar as condições de cultura empresarial e de relacionamento interpessoal propicias à realização de tarefas e actividades mais inovadoras e produtivas que as da concorrência.
A diferença estar nas pessoas é uma boa notícia, uma vez que nos valoriza e torna inquestionável o investimento na nossa formação.
António Jorge
Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas
Publicado no Jornal Metro em 14 de Outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Cuidado com os juros baixos...
Em Portugal, a descida da Euribor tem ajudado as famílias com crédito à habitação. O impacto é tal que, mesmo num contexto de crise e desemprego, o rendimento disponível parece estar a aumentar. Não admira. Nos últimos anos, os portugueses endividaram-se para além do recomendável e, por isso, esta "folga" nota-se bem no orçamento familiar.
Mas podem surgir dificuldades a partir de meados de 2010. O BCE começa a demonstrar alguma preocupação com os défices dos governos, a alta das bolsas e a formação de novas "bolhas" especulativas. Ou seja, está alerta quanto aos riscos de inflação no futuro e pronto a agir. Provavelmente o Banco Central Europeu apenas alterará as taxas de referência daqui a um ano, mas as Euribor podem começar a subir mais cedo.
Os portugueses adaptam-se de forma demasiadamente fácil a condições favoráveis, que incorporam como permanentes. Por isso será difícil voltarem a confrontar-se com juros a níveis mais "normais", a 2% ou 3%. Face às taxas actuais, estamos a falar de duplicar ou triplicar os juros. Como a economia, o mercado de trabalho e os salários não deverão estar muito melhor do que agora... há que ter cuidado!
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 21 de Setembro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
Subsídio dependência
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Votar não é para todos
No domingo passado votaram cerca de 5,7 milhões de eleitores. Em 2005 foram apenas mais 50 mil. A taxa de abstenção subiu, mas por outros motivos:
- Os cadernos eleitorais contêm muitos eleitores "fantasma". Portugueses que já faleceram, ou que já não residem em Portugal e imigrantes. Há distritos, como Vila Real e Bragança, com mais eleitores que habitantes. Aliás, estão inscritos 9,3 milhões de eleitores, mas estima-se (INE) que haja em Portugal apenas 8,6 milhões de adultos.
- Há cada vez mais cidadãos deslocados, dentro do país ou no estrangeiro. Trabalhadores, estudantes, indivíduos em trânsito, doentes ou de férias, que estão privados de exercer o seu direito porque o país não lhes oferece as condições de o fazer.
- Os métodos de votação para internados, emigrantes, militares são difíceis de utilizar e há recenseados automaticamente que não sabem que podem votar.
É delicado alterar procedimentos eleitorais, mas o assunto é pouco explorado porque o número de eleitores tem influência nos mandatos por distrito e no orçamento das juntas de freguesia.
Votar é difícil e é um privilégio. Há que estar bem de saúde e ter as condições, até financeiras, de poder deslocar-se à freguesia de recenseamento, naquele dia, àquelas horas.
Não é para todos..
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Metro em 1 de Outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Novos Nómadas
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A aposta acertada
O sector da energia tem vindo a mudar gradualmente em todo o Mundo dando expressão à necessidade de mudarmos o nosso paradigma energético. Esta alteração trará consequências a diversos níveis, desde o nosso papel como agentes deste sistema (passarmos de consumidores para sermos também microprodutores), a novas formas de transporte sustentável (o uso de electricidade como força motriz dos nossos veículos) e ao papel das novas redes de transporte de energia (redes inteligentes que possibilitarão outros usos diferentes dos actuais).
Portugal importa mais de 85% das suas necessidades energéticas e não tem reservas de combustíveis fósseis. Como responder as estas ameaças para o nosso desenvolvimento económico nesta era de globalização?
Continuando a implementar acções que têm vindo a ser desenvolvidas nos últimos anos como o programa de desenvolvimento das energias renováveis e o programa de apoio à microgeração. Sabendo que a aposta nas energias renováveis poderá gerar mais de 20 mil postos de trabalho altamente qualificados entre 2007 e 2015, que já levou à instalação em Portugal de empresas de matriz tecnológica nesta área e, tem permitido o desenvolvimento de centros nacionais de competência nesta área de reconhecido mérito internacional, não deverá ser este o caminho que deveremos querer para o nosso País? Reduzir a nossa dependência energética? Sustentar o desenvolvimento da nossa economia numa matriz mais tecnológica, criando emprego qualificado?
Este futuro não vai esperar por indecisões no presente.
Publicada no Jornal "Metro" de 28-Set-2009
sábado, 3 de outubro de 2009
PuraMente #31 - Know How
Nome: "Know-How"
Autor: Ram Charan
Data: 2007 Crown Business (original) - Actual Editora (edição portuguesa)
Frase: "Precisamos de líderes que saibam o que estão a fazer"
Palavras Chave: Know-how; Competências; Discernimento; Sistema Social; Reposicionamento; Mudança contínua
Apreciação: ***
O livro está dividido em nove capítulos. No primeiro deles, o autor explica o que entende por "Know-how", que define como "os motivos ocultos que conduzem os líderes ao sucesso ou ao fracasso"; ou seja o que é necessário fazer e ser, para conduzir um negócio. Esse é um texto interessante, que merece atenção. Nos oito capítulos seguintes descrevem-se as oito competências essenciais do "know-how". E é aqui que o livro se apresenta mais volátil. Alguns capítulos aportam valor, como o relacionado com o posicionamento do negócio (de longe a melhor parte do livro) ou o da definição de objectivos. Mas há outros, como "Identificar a mudança externa" ou "Como se fazem líderes" que acabam por não ser mais do que um conjunto de lugares comuns. Todos os capítulos estão polvilhados de exemplos verdadeiros, mas de pertinência variável. No final do livro aparece uma carta a um futuro líder e um resumo das oito competências de "know-how", ambos dispensáveis.
No seu conjunto, o livro é uma mais valia sobretudo para os que lêem relativamente pouco e aos mais iniciados no percurso da gestão. A mensagem que as competências de liderança são o produto de uma construção e que o sucesso nunca é definitivo, passam de forma segura. Não deixa é de "saber a pouco", tratando-se de uma obra escrita por Ram Charan.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado em 25 de Agosto de 2009 no Jornal de Negócios
sábado, 26 de setembro de 2009
PuraMente #30 - The Power of Less
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Colar Cartazes
Este Setembro chegou maduro; no ar pesado paira o travo intenso do combate político. O poder é fascinante! E um grande mercado. As eleições um profundo oceano vermelho, cada vez mais competitivo e feroz. Com um produto mau, vendedores desacreditados e cada vez menos consumidores, as receitas ressentem-se. Não será só pela crise. Pelo menos não da mais palpável, da financeira e global; talvez da mais oculta e dolorosa, a interna – aquela que se revela na deterioração de valores, na ausência de rumo agregador, na falta de solução inspiradora para a nação. Enfim, no "medo de existir".
No meio de tanta neblina, será possível afastarmo-nos das “nano-mini-micro” disputas que têm saturado os dias e, ousando diferente, concentrarmo-nos em inovação de valor? Isto é, numa clara mas robusta proposta de desenvolvimento para o país, com tanto de ousado quanto de inspirador?
Oferecendo ao debate novos e úteis elementos, os argumentos estéreis destinados a produzir “sound bites” seriam substituídos por ideias e opções de desenvolvimento e respectivos planos de acção devidamente detalhados (no tempo e nos custos).
Enquanto a grande maioria dos políticos apenas sabe “colar cartazes” outros (poucos) conseguem mover multidões. Estes despertam, inspiram e insuflam a sociedade de ar fresco, marcando novos rumos. Isso sim. Seria juntar utilidade e benefícios aos clientes – afinal todos nós –, construindo um novo oceano azul na política.
Publicada no Jornal "Metro" em 23-Set-2009
Legislativas (*)
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A bolha dos bónus vai rebentar?
O actual sistema de compensação dos executivos de topo tem por base a teoria da agência (muito em voga nos anos 90), segundo a qual quando uma pessoa (principal) incumbe a outra pessoa (agente) a prestação de serviços, envolvendo a delegação de poder de decisão, existe razão para acreditar que o agente nem sempre vai agir no interesse do principal, mas sim na tentativa de maximizar o seu benefício próprio.
Os principais conflitos discutidos nesta teoria respeitam ao empenho dos gestores, ao controlo dos gestores sobre os bens da empresa e a uma atitude face ao risco diferente da assumida pelos accionistas. Os gestores assumem uma grande responsabilidade perante os accionistas, pelo que deveriam receber prémios relacionados com o retorno das acções, opções sobre acções e remuneração indexada a indicadores de desempenho.
Assim, assistimos nos últimos anos à distribuição de incentivos generosos, numa cultura tão insaciável que observámos os directores da seguradora AIG, salva da falência pelo Estado, a reclamarem o direito aos seus prémios exorbitantes.
Na cimeira do G20, que decorrerá nos dias 24 e 25 próximos em Pittsburgh (EUA), pretende-se chegar a um acordo quanto à definição de normas globais para limitar os prémios pagos na banca. A este respeito, espera-se que haja um confronto entre a posição da Alemanha, França, Reino Unido e outros países europeus e a posição dos EUA que hesitam em definir níveis de compensação individuais.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Não queremos mais!
Muitos sinais estão aí à vista de todos para quem os quiser ver: o consumidor mudou!
Há quem diga que tal é uma consequência directa da recessão e da crise de confiança que terá impactos duradouros nos comportamentos dos consumidores. Outros há, que consideram que tais alterações são devidas à evolução natural do consumidor nas sociedades avançadas. Nesta perspectiva, estes consumidores estarão num estádio avançado de maturidade, levando a que o seu consumo seja muito mais ponderado e consciente, de um ponto de vista económico, social ou ambiental.
Seja como for, a verdade é que quando se pergunta aos consumidores dos países ricos se querem consumir mais, a resposta é “Não!”. Quando se olham os números da evolução das vendas de retalho na Europa e nos Estados Unidos a conclusão é evidente: existe uma diminuição anual no volume de vendas desde 2007 que se tem vindo a acentuar. Algumas empresas foram capazes de ler estes sinais e traduziram-nos em acções com vista a captar um mercado que teima em encolher. Para o fazer, as empresas terão que estar atentas aos seus consumidores, actuais e potenciais, por forma a conseguirem identificar necessidades não atendidas ou frustrações existentes.
Este exercício irá permitir identificar novas oportunidades de crescimento através da segmentação de perfis de clientes não endereçados e de necessidades não cobertas no modelo de negócio actual...mesmo que estes sejam os clientes que nos dizem: “Não queremos mais!”
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O Marketing e as eleições
As Empresas também Sonham
O poeta português António Gedeão, no seu poema “Pedra Filosofal”, chegou a uma verdade profundamente ligada à natureza humana, a de que “O Sonho Comanda a Vida”.
As empresas e as suas equipas também precisam de ter um sonho partilhado por todos os colaboradores; que os une, que os faz ter um caminho comum e que os impulsiona a unir esforços, trabalhar e realizar. Se uma empresa não tiver esse sonho as pessoas não se mobilizam em torno da sua realização, mais, não geram energia positiva e vontade para superar as dificuldades melhorando constantemente o seu desempenho.
Esta linguagem algo literária tem uma tradução para a linguagem empresarial; o Sonho chama-se Visão e contém normalmente o que a organização quer ser e ainda não é. A uma visão está associada uma Estratégia (a forma de chegar ao sonho) e Valores (conjunto de princípios que orientam o comportamento dos colaboradores no desempenho das suas funções).
A qualidade do sonho é determinante para o desempenho da empresa, se este for injusto (apenas satisfaz alguns colaboradores e/ou accionistas) as pessoas não aderem ao sonho e não dão o seu melhor. Todos nós conhecemos empresas de que gostamos e onde não nos importaríamos ou gostaríamos de trabalhar e outras de que nem queremos ouvir falar.
A responsabilidade de criar este sonho é da administração. Definir o sonho para uma empresa é construir a sua base.
Empresa que não Sonha não viverá muito tempo.
António Jorge
Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas
Publicado no Jornal Metro do dia 14/09/09.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Uma questão de honra
Apesar de estar longe de ser uma solução livre de problemas - desde logo o dinheiro iria certamente para aqueles que menos precisam dele - os artistas que com ou sem pirataria vendem milhares de unidades - é uma solução que pode ser interessante caso seja equilibrada; nem uma mensalidade muito baixa de modo a que as editoras não se sintam defraudadas, nem tão alta que afaste potenciais clientes dispostos a aderir a este "sistema de honra". E não podemos esquecer aqueles que compram os discos e frequentam concertos!
Uma forma eficaz de incentivar a compra seria criar algo no mesmo formato que um cartão de descontos de um supermercado, em que uma determinada percentagem de cada compra seria descontada na mensalidade seguinte. Isto não só permitia distribuir as taxas de uma forma mais equilibrada, como devolver algo aos que de facto "compram se gostarem" ou suportam economicamente a banda a ir aos seus concertos.
Num mundo imperfeito são raras as soluções perfeitas e ainda menos a que têm sucesso. Mas qualquer tentativa é melhor que a forma como a indústria lida, actualmente, com o download ilegal e quem o pratica.
Luís Silva
Crítico musical
Públicado no jornal Metro do dia 7 de Setembro
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Regressar lentamente
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Governo a Mais
Está instalada mundialmente a tendência de os governos serem mais influentes. É verdade que o grau de intervencionismo estatal tem um carácter cíclico, mas não é uma boa notícia.
Espera-se de um Estado moderno a garantia da segurança (nas suas várias dimensões), da justiça e da educação. As últimas décadas, sobretudo a partir dos anos 80, caracterizaram-se por uma desregulamentação e liberalização, com o Estado a centrar-se nas áreas em que não podia, efectivamente, ser substituído. Como consequência, viveu-se até ao início deste século um período de progresso económico e social sem precedentes, em que cada indivíduo passou a ter mais oportunidades para concretizar e desenvolver o seu potencial.
Uma série de eventos, como o 11 de Setembro e a actual crise económica, têm levado os cidadãos a admitir e até a exigir maior intervenção do Estado. Os políticos, que sabem que "Poder gera Poder", aproveitam para ganhar terreno. Definem cada vez mais regras e limites e até decidem caminhos de evolução tecnológica, algo que deveria pertencer à sociedade civil. A recente opção a nível mundial de apoio aos automóveis híbridos, sem grandes discussões sobre qual a melhor solução, é um exemplo dessa influência.
A História dos últimos 250 anos diz-nos que quando o Estado desempenha funções em excesso na economia e sociedade, o progresso ressente-se. A igualdade de oportunidades para empresas e indivíduos é comprometida quando há decisões meramente políticas e não se avalia a eficiência e o mérito. Por outro lado, Estados mais fortes tendem para o proteccionismo, sentimentos nacionalistas e maior probabilidade de conflitos. Ou seja, é governo a mais.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
PuraMente #29 - Cultura e Organizações
Nome: "Culturas e Organizações"
Autor: Gert Hofstede
Data: 1991 (original) - 2003 - Edições Sílabo (edição portuguesa)
Frase: "Mesmo após ter sido informado, o observador estrangeiro é susceptível de deplorar certas tendências da outra sociedade"
Palavras Chave: Atitudes; Valores; Cultura; Programação Mental; Relativismo Cultural;
Apreciação: ****
Hofstede publicou o seu primeiro estudo sobre estas matérias em 1980, depois de ter tido acesso a um vasto conjunto de dados sobre os trabalhadores da IBM, uma das multinacionais presentes em mais países naquela época. Analisou estatisticamente esses dados e sistematizou-os, construindo o "corpo" da sua teoria.
O livro começa com um guia de leitura e divide-se depois em quatro partes: Definições conceptuais; Culturas nacionais; As consequências organizacionais; Implicações práticas. Naturalmente, a segunda parte é a mais interessante.
Tal como sucede em muitos dos livros mais recentes, "Culturas e Organizações" é complementado por um sítio na internet (www.geert-hofstede.com) onde se podem visualizar graficamente os resultados de cada país. São também incorporadas actualizações aos estudos. Num outro sítio, www.clearlycultural.com, podem observar-se as diferenças entre os países através de mapas-múndi.
Este é um livro importante para quem lida com ambientes multiculturais, mas igualmente útil na compreensão da nossa própria matriz cultural. Não é um livro "fácil" ou rápido de ler, dado o seu carácter conceptual, nisso podendo aí residir a maior crítica. Porém, o esforço decerto compensará.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios em 11 de Agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
PuraMente #28 - The 80/20 Principle
Nome: The 80/20 Principle
Autor: Richard Koch
Data: 1997 - Nicholas Brealey Publishing
Frase: "The secret of achieving more with less"
Palavras Chave: Realocação; Assimetria; Insight; "Productive laziness"; Hedonismo; "Vital Few";
Apreciação: ****
"The 80/20 Principle" divide-se em quatro partes: Explicação do princípio 80/20; Aplicação nas empresas; Aplicação pelo individuo; Extensão à sociedade e futuro. A primeira parte é, de longe, a mais importante. Ao longo dos capítulos aparecem referências a outros conceitos, que nos transportam para obras como as de Gladwell. As ideias "core" de Blink, Tipping Point e Outliers estão em "80/20"...
O livro acaba por surpreender em três dimensões: em primeiro lugar, pelo amplo espectro de temas em que o "80/20" é relevante; em segundo, porque consegue alterar paradigmas na mente do leitor; e, finalmente, porque se trata de uma obra de 1997, sobre um conceito enunciado há mais de 120 anos que permanece perfeitamente actual e universal.
O livro passa uma mensagem crucial, a de que é preciso garantir tempo disponível para pensar, sem o qual não é possível seguir um processo dialéctico constante de melhoria.
O tempo gasto neste livro fez parte dos 20% que contribuem para 80% do desenvolvimento pessoal.
Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no Jornal de Negócios em 28 de Julho de 2009

