domingo, 19 de julho de 2009

Puramente #25 - Fast Second

Nome: Fast Second
Autor: Constantinos Markides
Data Original: Outubro 2005
Frase: "Creating Radical new markets is not where the money is"
Keywords: innovation; dominant design; scale up; colonizer and consolidator; Fast Second Strategy
Apreciação: ****
“Fast Second” pode ser visto um livro de gestão da inovação, ou de estratégia empresarial. Aplica-se a empresas, sectores e mercados que operam através de inovação radical, e não aos que optimizam produtos e processos de forma incremental.
O autor explica de uma forma inesperada e refrescante o domínio de inovações radicais, seja por incorporação de saltos tecnológicos relevantes, seja por criação ou invenção de novos produtos, serviços ou outras formas de valor. Estes processos são divididos em duas fases -convenientemente dissecadas na obra. Na primeira fase estão as empresas colonizadoras, imensas e cada uma lutando com o seu formato ou metodologia por um standard, em absoluto caos de divergências interempresariais. Na segunda estão os consolidadores, constituídos pelas empresas que são capazes de criar ou adoptar o que autor denomina de design dominante, momento em que os colonizadores sem sucesso desaparecem.
A tese deste livro postula que empresas de grandes dimensões e já instituídas devem lutar por entrar na inovação apenas no segundo processo, adoptando um framework que denomina de “Fast Second Strategy” e que passa por ser o primeiro a adoptar o design dominante criado por terceiros, e tendo as condições ideias para fazer o market scale-up, precisamente onde está o dinheiro que pode sustentar lucros importantes. Nesta abordagem Markides e Geroski explicam que colonizadores e consolidadores são processos absolutamente distintos e que exigem competências distintas e até incompatíveis no seu DNA, o que sustenta a hipótese de optimização de startups hábeis e leves na primeira parte e porta aviões consistentes e bem estruturados na segunda.
Fast Second é um livro essencial para compreender como se pode fazer um bypass à inovação radical e entrar nos novos mercados directamente para posições de liderança.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O Automóvel do Futuro

A indústria automóvel ainda se encontra a tentar perceber o novo paradigma do mercado, onde a procura e a oferta têm de estar equilibradas, deixando os fabricantes de impor uma dimensão de mercado, na maior parte dos casos inexistente, e passando de uma estratégia Push para uma estratégia Pull.

É muito positiva a forte dinâmica de investigação e desenvolvimento de novas tecnologias e modelos, com os fabricantes a apresentarem, de forma regular nos últimos tempos, inúmeras novidades e concepts de novos modelos. Estas novas tecnologias vão trazer imensos benefícios no futuro, não só aos consumidores mas também ao ambiente e a um desenvolvimento sustentável.

Automóveis mais leves, com maior percentagem de materiais recicláveis, mais eficientes e com recurso a energias alternativas farão parte do portfólio futuro de qualquer marca.

Curioso é ver como esta tendência é transversal a todos os segmentos de mercado, estando a totalidade das marcas – das generalistas às premium - empenhadas em comunicar a sua nova abordagem a esta realidade. Só nas últimas duas semanas, a General Motors anunciou que pondera mudar a cor do seu logótipo de azul para verde para salientar uma postura mais ecológica, a Jaguar acabou de apresentar o seu novo Flagship XJ onde a sustentabilidade teve um papel importante no caderno de encargos e a Aston Martin apresentou um estudo de um modelo citadino, que permite uma mobilidade inteligente e sensível com um nível de exclusividade e inovação nunca visto neste tipo de veículos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PuraMente #24 - Ethical Prospects: Economy, Society and Environment


Nome: Ethical Prospects: Economy, Society and Environment

 

Autor: Laszlo Zsolnai e outros

 

Data: Março de 2009 Springer

 

Frase: "Nothwidthstanding the best of intentions, there are constraints to achieve socially responsible behaviours"

 

Palavras Chave: CSR; Republicanism; Rights of the Unborn; Market Liberalism; Buddhist Economics; Ethical Banking;

 

Apreciação: ****


A escolha deste livro resultou da necessidade de abordar temas ligados à responsabilidade social e corporativa e à ética, que constituem preocupações actuais e futuras para indivíduos e organizações.


“Ethical Prospects”, editado pela Springer, é uma colectânea de textos organizados por Zsolnai, professor da universidade de Budapeste. Recolhe contribuições de 27 autores oriundos de várias partes do globo, pretendendo reunir ideias “de ponta”. O carácter conceptual disruptivo das propostas é muito variável, não sendo de estranhar a existência de algumas ideias menos realistas, próprias do experimentalismo.


O livro tem quatro partes: “Novas perspectivas e descobertas”, “Práticas inovadoras e reformas, “O desafio das gerações futuras” e “Debate entre o liberalismo republicano e de mercado”. Nota-se um tom contra o status quo (por vezes exagerado), a que não será alheio o facto de muitos textos terem sido influenciados pela crise económico-financeira.


É difícil fazer referência a todas as ideias importantes num livro com 20 textos tão diversos, mas destacam-se alguns contributos: A necessidade de legislar e não esperar apenas que as empresas assumam por si comportamentos éticos; O conceito de budismo económico; A necessidade de representar as gerações futuras nos órgãos de tomada de decisão e de convergência entre o dinheiro e os valores éticos. Discute-se a viabilidade de um consenso entre todos os stakeholders, dado que na história tal nunca sucedeu, o que não impediu a construção de um corpo ético.


É imprescindível ler a introdução, na qual Zsolnai resume os textos em dois ou três parágrafos. O leitor pode então escolher o que mais lhe interessa, rentabilizando a leitura.


O livro tenta, e penso que consegue, ser uma base de reflexão e inspiração. Os temas abordados exigem ainda um considerável crescimento por parte da maioria dos decisores.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Artigo publicado no Jornal de Negócios de 30 de Junho de 2009





terça-feira, 14 de julho de 2009

A Gestão do Risco



Segundo o Financial Times e a Greenwich Associates, as empresas estão a prestar mais atenção aos riscos que correm nos mercados de matérias-primas. Num contexto de crise, com lucros em baixa e com o acentuar da volatilidade nos preços das commodities, o assunto parece merecer a devida atenção.

Estima-se que, em 2008, 55% das empresas na Europa, Ásia e América do Norte efectuaram operações de cobertura de risco de variação de preço, face a 45% em 2007. Mais relevante do que os números parece ser a alteração no processo de tomada de decisão. Cada vez mais empresas levam as decisões de cobertura até ao nível hierárquico mais alto, um sinal claro da importância deste assunto. Segundo a Greenwich, 96% das empresas afirma que as estratégias de gestão de risco são da responsabilidade da administração, tendo muitas delas criado um cargo específico.

Até há poucos anos as empresas optavam por uma gestão passiva deste tipo de riscos. Ou seja, as flutuações cambiais, de taxas de juro ou de preço das commodities eram encaradas como um factor exógeno sobre o qual nada poderia ser feito. Posteriormente as empresas foram experimentando algumas formas de cobertura, frequentemente de forma desajustada e com maus resultados. Os instrumentos e estratégias escolhidas, quase sempre por pressão dos bancos, revelaram-se piores do que não fazer nada.

Felizmente as empresas parecem estar a chegar a um processo de maior maturidade, desenvolvendo competências internas e recorrendo ao outsourcing especializado. Daqui resulta um maior controlo efectivo da empresa, não fosse a Gestão do Risco um dos pilares do (bom) Governo das Sociedades.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Artigo publicado no jornal Meia Hora de 14 de Julho de 2009


Observando o Impasse

Com o “stand by” do aeroporto e alta velocidade discute-se a pertinência de um observatório para as obras públicas. Não poderia concordar mais com a iniciativa embora duvide um pouco do seu principal desafio – a contenção das derrapagens orçamentais. Desta forma não se combate a causa conduzindo a um maior enfoque nas consequências. Os orçamentos derrapam porque os projectos são desadequados ou mal executados, porque a Entidade Executante não tem capacidade para executar bem e no prazo, ou porque a fiscalização não controla devidamente as acções de quem constrói. A aposta em construção de qualidade e com orçamento controlado não é impossível. Os Donos de Obra são o princípio de tudo e o principal segredo reside numa mudança da sua abordagem perante o investimento que efectuam. Tem-se assistido a um crescente desinvestimento em quadros técnicos experientes e capazes. Subcontrata-se a Fiscalização quase só para tratar da parte administrativa, resolvendo-se as grandes questões directamente com o Empreiteiro e no rigor da agenda política. É um ciclo vicioso, as empresas que se dedicam à fiscalização ou ao projecto, na pressão da sobrevivência apostam cada vez mais e só, em recém universitários sem o devido apoio de técnicos mais experientes. Não é possível compreender que quem lança milhões de euros em obras por ano, não enquadre um conjunto de técnicos ou empresas que directamente possam ser os agentes fiscalizadores. Tem que ser sentido na pele, tem que doer um pouco mais…para que a discussão se centre na necessidade e viabilidade dos projectos e não na sua concretização.
Publicado no MeiaHora em 07-07-2009

Estratégia de Deslocalização

Apesar de várias abordagens e perspectivas diferentes na solução para a crise, um factor é defendido por todos – Aumentar as Exportações.
O sector da construção no alto do seu esplendor de grande pilar da economia nacional, não fica de fora e volta a demonstrar a sua natureza.
As grandes empresas de construção portuguesas já concretizam bem o conceito estabelecido por Gary Hamel. A optimização da eficiência operacional dá lugar à procura de uma eficiência estratégica. Hoje aposta-se em mercados com margens mais promissoras, preterindo o mercado nacional que afinal até não está assim tão mal, como provam os últimos dados disponíveis (excluindo a fatia da habitação).
O problema é que se atalhou a parte da eficiência operacional, demonstrando a habitual falta de paciência, dedicação, trabalho e recusando um retorno certamente mais lento.
Neste sector não estamos a exportar serviços eficientes e de qualidade, limitamo-nos a deslocalizar os recursos. É meramente uma luta pela sobrevivência e uma subversão de um modelo de desenvolvimento empresarial. A melhoria continua é abandonada, opera-se do mesmo modo mas num mercado diferente tentando aproveitar circunstâncias distintas e específicas. Em Angola e no Magrebe concorre-se essencialmente com os chineses, revelando bem a que “Liga” se pertence. Está na hora destas empresas olharem para dentro, exorcizar práticas obsoletas e adoptar modelos operacionais orientados para a monitorização e melhoria.
Quando o crescimento destes mercados desacelerar, vão sobrar novamente empresas em dificuldades e mais distantes da sua origem.
Publicado no MeiaHora em 21-05-2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Repensar a Economia de Mercado

A ideia de repensar os fundamentos da Economia de Mercado (lucro, livre iniciativa e gestão dos recursos escassos), surgiu quando vi o filme “HOME” e reforçou-se com a leitura da última Encíclica Papal. Nestes documentos é demonstrado que a dinâmica socioeconómica está a ameaçar a Vida na Terra e não está a contribuir para o Desenvolvimento Integral do Homem.

As evidências de incapacidade do sistema são inegáveis: a má gestão da área financeira e a ausência de regulação e de controlo do Estado empurraram o Mundo para uma profunda crise económica; a dinâmica dos agentes económicos está a ameaçar a Vida no Planeta e as assimetrias entre ricos e pobres não se têm reduzido. Em suma, a actividade económica do Homem, face à sua idiossincrasia, não pode ser deixada em auto-regulação.

Eis algumas ideias que procuram, de forma sistémica, contribuir para a discussão.

A Economia deve incorporar na sua equação, o bem escasso que é a qualidade ambiental e tem de repensar o papel do Estado, Organizações Supra Nacionais e Empresas. O Estado/Organizações devem considerar que a sua grande ameaça é a agressão aos seus activos naturais e não qualquer potencial beligerante; devem ainda utilizar as suas funções reguladoras e de controlo para evitar que a vontade individual colida com o bem comum. As Empresas não podem pensar apenas no lucro e têm de, voluntária ou coercivamente, incorporar o bem comum como restrição às suas decisões; ou seja, desenvolver objectivos multidimensionais para satisfazer todos os stakeholders.

António Jorge

Consultor em Estratégia, Marketing e Vendas

Harvard Trends #10 - Riscos a Evitar

2009 tem sido um ano diferente para Harvard. Crise ou novo estado da economia?, uma das perguntas a que só o futuro responderá. Entretanto, uma quase ilimitada nova série de temas tem surgido como base de discussão no âmbito da gestão moderna, ora para evitar novas crises ora para criar uma nova, mais madura, abrangência dimensional à gestão futura.

Um dos assuntos em discussão crescente é o da gestão de riscos. Conhecer e gerir os vários riscos em cada área da gestão da empresa é uma ferramenta que passou de desejável a obrigatória em muito pouco tempo. Harvard tem tratado também dos riscos mais ignorados, como a falta de dados actualizados, sobretudo em empresas que se baseiam no “histórico” como sustento do futuro. A crescente taxa de mudança pode fazer mudar os pressupostos demasiado rapidamente e resultar num epicentro de novos riscos, raramente equacionados.

Os seminários de Harvard têm ainda dissertado sobre os riscos desconhecidos, tradicionalmente vistos como intratáveis. Os novos modelos estatísticos de gestão de risco possibilitam o tratamento e previsão destes riscos como peça fundamental de uma gestão consistente com a transparência para com os shareholders.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Dimensão

Foto: Luís Ferreira
Esqueçamos, por momentos, as agruras da crise. Olhemos para a integração e a interacção como fenómenos que a globalização colocou na ordem do dia; junte-se a crescente complexidade dos mercados e dos negócios; e verifiquemos que a escala é, hoje mais do que nunca, um factor competitivo estratégico: as vagas de desenvolvimento que se vislumbram exigem um alargamento de horizontes que muitas vezes só é conseguido com mudança de dimensão.
Neste contexto, o aumento da dimensão das empresas portuguesas apresenta-se como vital para uma competitividade que demanda: escala global, que permita a actuação em mercado alargado; grande agilidade, de modo a ter resposta rápida às necessidades; elevada produtividade, satisfazendo a baixo custo produtos de elevado valor para o cliente; alto nível de inovação, face a ciclos de vida do produto cada vez mais curtos.
Estas condicionantes impõem elevados investimentos em tecnologia, organização e recursos humanos, apenas possíveis de suportar através de processos de cooperação competitiva (sinergias) ou de ganho de escala através de concentrações (fusões e aquisições).
Voltemos ao momento, à crise. Entendamo-la como época de promoções – com a forte desvalorização dos activos e das empresas, é um bom momento para ir às compras. Quem conseguir organizar-se financeira e estrategicamente encontrará boas oportunidades; quem sabe, aquela propulsora de um salto competitivo que organicamente exigiria vários anos a labutar.
Haja ambição e mercado puro!
Publicada no Jornal "Meia-Hora" em 10-Jul-2009.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Negócios de Verão

Começa hoje o primeiro dos grandes festivais de Verão em Portugal. Se as vendas de discos estão em baixa, as vendas de bilhetes para os mais diversos festivais têm estado em alta, e prevê-se um Verão cheio de música ao vivo.

Embora em Portugal a popularidade dos festivais possa em parte ser atribuída ao baixo preço dos bilhetes, o mesmo fenómeno no resto do mundo sugere outra causa. É frequente ouvir falar nas "tours de promoção para o álbum", mas nos tempos que correm os álbuns parecem mais servir como veículo de promoção da banda junto dos organizadores de música ao vivo. O ciclo inverteu-se.

Uma crítica muito positiva num site de referência irá tornar essa banda numa das coqueluches veraneantes e a sua presença será disputada entre promotores que esperam que o nome da banda no cartaz seja o factor decisivo para que os fãs marquem presença no seu festival. Prova disso é que enquanto os lamentos das vendas minguantes de discos crescem, estamos perante uma verdadeira era dourada para a música ao vivo em Portugal, com diversas bandas conceituadas a visitar o país. O lado negativo é que já se nota alguma saturação na oferta e, por isso, alguns desses festivais têm cartazes incaracterísticos, incoerentes e mal estruturados, apenas para tentar atrair o maior número de pessoas. Ver os concertos como a principal fonte de rendimento não é novidade para as maiores bandas, mas graças à internet até bandas do circuito alternativo podem conquistar fãs desejosos de os ver ao vivo em mercados periféricos de outro continente. Tal como cantavam os Pulp em 1995 "Será assim que dizem que é suposto o futuro sentir?".
Luís Silva
Crítico musical
Publicado no jornal Meia Hora de 9 de Julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Incumprimento

Na passada sexta-feira, a edição do jornal “Público” noticiou, na sua secção de Economia, que a “SLN Valor falha acerto de contas com clientes que adquiriram títulos no BPN”. De acordo com a notícia, confirmada posteriormente por outros órgãos de comunicação social, trata-se do reembolso – quer dizer, da ausência de reembolso – de uma emissão de papel comercial da SLN Valor, até aqui a accionista maioritária do BPN, avaliada em 50 milhões de euros vencida a 19 de Junho deste ano. E, de acordo com a mesma fonte, em Agosto vence outra emissão, também da SLN Valor, avaliada em 100 milhões de euros – a qual, provavelmente, terá desfecho semelhante. O recurso à emissão de papel comercial é uma alternativa ao financiamento bancário. É uma forma de as empresas – financeiras ou não financeiras, cotadas ou não cotadas – se financiarem no curto prazo. Trata-se de uma prática corrente em qualquer país desenvolvido, mas que em Portugal não é particularmente comum. Ou seja, não é nenhum esquema. Contudo, no nosso país, a distribuição e comercialização destas emissões nem sempre obedece às melhores práticas e de acordo com aquela edição do “Público”, alguns clientes do BPN, a quem foram distribuídas parcelas significativas desta emissão específica, alegam que a “aplicação lhes foi vendida pelos funcionários do banco como um produto de capital e juros garantidos (…) e que em muitos casos a autorização foi dada oralmente”. Os mesmos funcionários que agora escreveram ao Presidente da República, temendo pela sua integridade física. Tivessem-se lembrado disso antes.
(*) Publicado no jornal "Meia Hora" a 7/06/2009.

Especialistas ou Generalistas ?

No inicio, as lojas pequenas que vendiam as suas especialidades. Depois, o supermercado, uma surpreendente fusão de mercearia, frutaria, talho, padaria e drogaria. Da especialização para a generalidade, juntando-se ambiente moderno e auto-serviço , que permitia uma apetecível estratégia de precings.
O hipermercado juntou novas secções, como têxtil, puericultura, electrodomésticos, cultura e jardim.
A proposta de valor mudou radicalmente, com atributos como horizontalidade e preço a destacarem-se, ao mesmo tempo que o conceito se tornava moda, carimbo de urbanidade.
Depois de perseguidos de forma injusta por alegadamente contribuírem para a decadência daquilo que os leigos inocentemente apelidavam de “comércio tradicional”, os hipermercados – ou retalho generalista – viram aparecer um novo tipo de concorrência, capaz de por em causa a sua hegemonia antes inabalável: o retalho especializado. Estas lojas, especialistas em áreas como a electrónica, bricolage ou desporto, rapidamente puseram em causa o sistema instalado, pela especialização e superior economia de escala. Nasceram os category killers.
Recentemente, algo mudou. O retalho especializado tornou-se mais generalista, com as lojas de electrónica a venderem livros e as de material de escritório a afirmarem-se na informática. Os department stores, no sentido inverso, iniciaram um processo de especialização. Qual será o conceito vencedor? Especialização ou maximização de horizontalidade? A pergunta não tem resposta conhecida, mas encerra um tema da maior importância na definição dos modelos de comércio sustentáveis.

PuraMente #23 - A Gift to My Children



Nome: A Gift to My Children

 

Autor: Jim Rogers

 

Data: Maio de 2008 John Wiley and Sons Ltd


Frase: "Swim your own races"


Palavras Chave: Questioning; Dedication; Details;  Mob Psychology; "Do your homework"


Apreciação: ***

 

Jim Rogers é amplamente conhecido  no mundo financeiro por ter sido um dos co-fundadores, com Geroge soros, do Quantum Fund. Este fundo foi responsável pela saída da libra do Sistema Monetário Europeu em 1992. De Rogers são também conhecidas as suas posições de investimento pró-China, o que levou a ensinar mandarim às suas filhas desde o berço. Reformou-se aos 37 anos, residindo actualmente em Singapura.


Embevecido pela paternidade, Rogers pretende neste livro deixar alguns conselhos que considera serem relevantes para todos. O próprio autor destaca os mais importantes: trabalhar arduamente, pensar por si mesmo, questionar tudo e nunca seguir a multidão. Rogers utiliza um exemplo forte (algo raro neste livro) para construir a ideia de "swim your own races" -  devemos competir connosco próprios e não tanto contra os outros, já que isso pode limitar a nossa evolução. Outra ideia interessante é que só devemos pedir conselhos a alguém depois de já sabermos, por nós próprios, tudo o que for possível sobre o assunto em causa.


A meio do livro o autor não resiste a sair do registo paternalista e começa a falar de investimentos, nomeadamente das suas perspectivas de longo prazo. Destaque para a perspectiva sobre os BRIC - Rogers está muito optimista para o Brasil e China, pessimista para Rússia e céptico quanto à Índia. "Well, the 21st century belongs to China" diz quase tudo.


"A Gift to My children" consagra as principais ideias de investimento de Rogers - China, commodities e fuga ao que estiver na moda. É um livro para uma viagem curta e que pode constituir um checkpoint simples à forma como cada um tem levado a sua vida, apesar de faltarem exemplos fortes, originais e relevantes . "Be who you are, be original, be bold".


  

Filipe Garcia


Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Artigo publicado no Jornal de Negócios em 16 de Junho de 2009


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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Moedas Sociais



As moedas sociais são meios de pagamento não oficiais utilizados por um determinado grupo de pessoas, que visam fomentar a troca de bens ou serviços dentro de um conjunto limitado de agentes económicos. São uma ferramenta para o desenvolvimento económico local já que se pretende que a moeda possa circular o maior tempo possível dentro da comunidade, gerando um ciclo virtuoso. Existem várias formas de funcionamento, mas, na mais frequente, o consumidor troca a moeda corrente pela moeda social e obtém um desconto ao utilizar esse meio de pagamento dentro da comunidade. Ou seja, em vez de pagar 100 euros por um serviço na sua cidade, rua ou bairro, pagaria por exemplo 95 unidades da moeda social.

Historicamente, as moedas sociais surgiram como alternativa à troca directa, tentando organizá-la. Há registos de moedas sociais na antiga Babilónia (4000 A.C.), mas os exemplos são recorrentes e acompanham-nos até aos dias de hoje. O sucesso destes sistemas é significativo no Brasil, onde existem mais de 30 moedas locais, inclusivamente com notas próprias. Na União Europeia os números não são rigorosos, mas haverá mais de 60 moedas deste tipo a circular, muitas da quais na Alemanha. O caso de Wörgl, em 1932, é famoso pelo seu sucesso.

Os benefícios de ter um sistema de pagamentos autónomo são evidentes e levaram também à criação de outros instrumentos como os linden dollars do Second life, o e-gold ou até mesmo os "cheques-oferta" e descontos em cartão das grandes superfícies.

Perante um cenário de empobrecimento das cidades médias e de pequena dimensão em Portugal, talvez a criação de moedas sociais pudesse ser uma experiência válida a tentar. As economias locais poderiam ganhar algum dinamismo e os consumidores prefeririam adquirir bens e serviços na comunidade, com base em argumentos concretos como o preço e não tanto num vago "compre o que é nosso", cuja sustentabilidade é muito duvidosa.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Artigo publicado no Jornal Meia Hora em 2 de Julho de 2009




terça-feira, 30 de junho de 2009

Portugal precisa de um novo Estudo Porter

Mais de uma década após o Estudo Estratégico sobre a Economia Portuguesa, efectuado por Michael Porter; Portugal necessita reequacionar as suas vantagens competitivas e seu papel no Mundo. O desenvolvimento económico português depende essencialmente da sua capacidade de exportar e internacionalizar as suas empresas; hoje num contexto Internacional radicalmente alterado, que torna obvia a necessidade de repensar. O Estudo Porter permitiu posicionamento estratégico, captação de investimento, cooperação empresarial e desenvolvimento sectorial. Este tipo de estudos contribui ainda para uma dinâmica social, há muito ausente de Portugal. A sua ampla discussão na sociedade civil, nas empresas, nos media e na politica, centra o debate do futuro do País nas oportunidades concretas e na eliminação de debilidades estruturais e; por consequência, dá foco e visão há população, determina horizontes e galvaniza esforços. Actualmente, o Mundo procura criar a nova ordem financeira mundial, as empresas debatem-se com excesso de capacidade instalada, os Países procuram desenvolvimento através de projectos que permitam encontrar ideias inovadoras, geradoras de novas necessidades e oportunidades, como por exemplo, viver na Lua, utilizar viaturas eléctricas ou construir cidades auto-sustentáveis.
E Portugal? Que sectores devem ser revalidados e quais devem ser objecto de desinvestimento? Haverá novos? Que lacunas estruturais tem o País? Recorramos a especialistas para obter as respostas, pois certamente não as encontraremos no efémero discurso político.
António Jorge Consultor em Estratégia Marketing e Vendas
Publicado no Jornal "Meia-Hora" em 30-Jun-09

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vícios públicos, virtudes privadas?

Distraídos com as vias para desatar a crise – entre obras públicas e controlo do deficit – somos abalados por uma perversa mescla das esferas pública e privada da economia.
Já deveríamos estar avisados que quando o Estado brinca ao mercado não se sai muito bem. Ilustrativo tem sido o exemplo da PT: quer na OPA da Sonae, quer agora na compra de parte da Media Capital, o Estado sai chamuscado, evidenciando clamorosos erros de sentido e tacto. Noutro capítulo, a dura lição de que o mercado sozinho tem dificuldade em se disciplinar é bastante evidenciada pelos recentes factos do caos em que o BCP se transformou.
O que resulta daqui? Parece que nem vícios públicos nem virtudes privadas se recomendam em excesso, mormente quando são ampliados pela confusão sobre o papel de cada um na economia. Ao Estado competirá sobretudo regular e fiscalizar, enquanto aos privados empreender e gerir; nem aquele é bom em iniciativas empresariais, nem estes na regulação do mercado.
Encontraremos na fragmentação do poder, que alguns patrocinam, a resolução desta tensão? Parece ser resposta frágil. Pelo contrário, jogos de poder – na disputa leal, transparente e ética entre diferentes forças que, conscientes das funções, procuram ocupar devidamente o seu espaço – podem gerar equilíbrios dinâmicos. Ou seja, é do efectivo confronto (poder/ contra-poder) que nasce o progresso, num permanente encontro de vícios e virtudes que demanda muito mais pensamento estratégico que promiscuidade.
Publicado no Jornal "Meia-Hora" em 29-Jun-2009.

Harvard Trends #9 - Web 3.0

Desde que Berners-Lee (criador da WWW) presidiu ao W3C que tem procurado potenciar uma Web mais eficaz, onde as procuras resultem mais rapidamente em valor. Curiosamente, na Web 2.0, foi o Google e a Wikipedia que aceleraram a eficácia na procura, tanto em rapidez como em qualidade dos resultados.
Enquanto a Web 2.0 se expande rapidamente, com redes sociais, comunidades virtuais e datafeeds, Harvard tem acompanhado de perto o nascimento e crescimento de todo um novo formato Web, que revolucionará a forma como cada um interage com a Internet : a Web 3.0!
A Web Semântica (3.0) não se centrará em documentos, como faz a versão actual, mas em conteúdos que estão referenciados com determinado tema. As relações serão asseguradas directamente entre os dados não só dentro de um documento, como em toda a Web. As procuras deixarão de ter como resultados milhares de ficheiros, mas assemblagens de partes de documentos só na parte do conteúdo desejado, um aumento drástico de eficácia entre tempo investido e resultado obtido.
Em causa ficam motores de busca e todos os modelos que destes dependem directamente, quase tora a Web actual. O desafio nos próximos três a cinco anos é saber migrar para a nova plataforma no day one.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A nova febre do ouro



O ouro fascina o Homem desde sempre, levando a exageros e a movimentos de massas. Os preços do ouro estão a subir mais de 35% desde Outubro, tendo já estado em alta de quase 50% quando, em Fevereiro, atingiu a cotação de 1000 dólares por onça. Num prazo mais longo a valorização é ainda mais impressionante, com o metal precioso a triplicar de preço desde 2001. Esta febre do ouro fará sentido?

A subida de preços dos últimos meses pode explicar-se por três razões: grande influxo de dinheiro que regressou aos fundos de matérias primas, descida do dólar e procura de activos de refúgio num contexto de crise. Os argumentos a favor do ouro já se tornaram populares a ponto de serem discutidos em qualquer café ou conversa de amigos, o que é, no mínimo, um sinal de alerta. Mas qual a sustentabilidade desta subida? Não será uma nova "bolha" especulativa?

Olhando para as estatísticas mais recentes do World Gold Council verifica-se que o consumo de ouro para joalharia caiu 24% no primeiro trimestre do ano, em termos homólogos. A utilização do metal na indústria caiu 31% no mesmo período. Em 2008 já se tinha registado uma queda, embora inferior a 10%, face ao ano anterior. Já o investimento em ouro "físico" disparou 248% e sob a forma de activos financeiros subiu uns impensáveis 540%!

Há dois anos o investimento em ouro há representava 25% da procura total, mas representou nos primeiros três meses de 2009 essa valor já era superior a 60% do mercado. Bastará que o interesse investidor se atenue para que os preços caiam a pique.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros
Publicado no Jornal Meia Hora de 26 de Junho de 2009


quinta-feira, 25 de junho de 2009

O respeito enquanto marketing

Os entendidos das ciências humanas dirão que o respeito é uma das bases para qualquer relacionamento bem sucedido. Podemos comprovar-lo a ao observar dois dos ícones do rock alternativo dos anos 90, Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Billy Corgan (Smashing Pumpkins).

Reznor é visto como uma das faces do futuro da indústria. Para ele os fãs são e serão uma peça "chave". Lançou um site onde os seus seguidores podem fazer as suas próprias remisturas, ofereceu um álbum completo, bem como centenas de gravações para que os fãs possam construir o seu próprio DVD ao vivo. O resultado é que apesar de estar já longe da popularidade que o fez um dos "homens do ano" para a Time em 1997, um dos seus últimos lançamentos (um álbum instrumental de 4 CDs, o primeiro dos quais disponibilizado livremente) esgotou a edição limitada de 300 Dólares em poucas horas. Numa semana já tinha vendido perto dos 1.6 milhões de Dólares.

Corgan perdeu o respeito dos fãs. Depois de várias alterações nos membros da banda e outras polémicas, o último álbum foi um fracasso comercial. Corgan, agora o único membro original dos Smashing Pumpkins para desagrado de muitos fãs, já anunciou a sua intenção de se dedicar apenas a singles, não sem antes afundar o resto da sua credibilidade ao apoiar à fusão Ticketmaster/LiveNation e ao anunciar um serviço pago com material que a maior parte dos músicos disponibiliza livremente.

Embora não seja tão fundamental como a qualidade do trabalho, estender a mão aos fãs um músico pode conseguir o seu respeito e assim fazê-los pensar que talvez mereça uma compra.


Luís Silva
Crítico musical

Publicado no Jornal Meia Hora de 25 de Junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Puramente #22 - A Geografia das Compras

Nome: A Geografia das Compras
Autor: Paco Underhill
Data Original: Dezembro 2004
Frase: "Ao estudar o centro comercial podemos aprender bastante sobre nós próprios."
Keywords: centro comercial; retalho; design de lojas; distribuição; serviço; mix comercial;
Apreciação: ***
Editado originalmente nos Estados Unidos em 2004, na sequência do sucesso de vendas que foi “A Ciência das Compras”, este livro - de Paco Underhhill - teve tradução em lingua portuguesa em 2009 . Trata-se de uma obra que está destinada a todos os técnicos gestores ou curiosos que pretendam apreender sobre o local onde são realizadas as trocas comerciais: lojas, armazéns e sobretudo centros comerciais.
Os capítulos são uma simulação do que consiste uma visita a um centro comercial, numa óptica de estudo comportamental dos seus visitantes e de técnicas dos que gerem os espaços comerciais e unidades de retalho especializado. A importância do parque de estacionamento, da segurança, da manutenção ou da limpeza são sublinhadas, em paralelo com a necessidade de uma gestão menos imobiliária e mais comercial. De certa forma, os gestores portugueses de centros comerciais não aprenderão tanto como os de outros países com este livro, dado que neste sector Portugal é um standard internacional de liderança – como refere o próprio livro, com várias referências ao Vasco da Gama e ao Colombo.
Enquanto explicita e deambula sobre temáticas de valor apenas para o cluster, Paco Underhill não deixa de se questionar sobre o que acontecerá à enorme massa de centros comerciais que em breve terão mais de 20 anos, uma questão incontornável não só do comércio americano, como também da própria sociedade – famílias, bairros, emigrantes e demais flutuações que dependem destes gigantes do comércio.
Num livro que vale a pena para quem se preocupa com o tema, mas está muito longe de ser obrigatório, o autor termina perguntando se não será o centro demasiado hermético e assim um fiasco ameaçado por soluções mais convenientes e apetecíveis.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Subsídios Imorais

Parece quase um lugar comum afirmar que o desemprego é, nesta altura, o mais importante dos índices, sobretudo pela relevante correlação com o consumo interno privado, que tem a importância que se conhece. A subir de forma quase descontrolada e com previsões de agravamento em 2010 o desemprego, como qualquer regulação, tem um lado de grande promiscuidade, que convém suster, em particular no presente momento.
A questão que se põe é: o que fazem esses milhares de portugueses que usufruem do fundo de desemprego ou rendimento social de inserção? Uns não fazem nada, outros fazem trabalhos não declarados e uma minoria procura efectivamente emprego. É esta a realidade de um país que trata melhor os que não contribuem do que aqueles que geram valor para a Nação, para a economia e para os fundos que alimentam os “não inseridos”. Numa sociedade madura e onde se espera que as pessoas não fujam ao pagamento dos seus impostos, torna-se vital um processo de transparência para os que recebem esses rendimentos.
Nomeadamente, proponho que os receptores de subsídios de desemprego façam trabalhos de importância marginal para o Estado e que de outra forma não seriam feitos, mas que lhes ocupem o tempo e criem algum valor, devolvendo moralidade ao sistema. Impõe-se ainda a criação de um sistema de controle em toda a linha, sobretudo na aceitação de novas propostas de trabalho. Um sistema de “cliente mistério” resolveria parte das situações, reduzindo os encargos que o Estado paga todos os meses a quem não quer trabalhar e criando espaço para os que efectivamente procuram um novo rumo para a sua vida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

De retalhar o passado a inventar o Futuro

As revoluções tecnológicas que se têm vindo a assistir nas últimas décadas e que têm tido impactos impressionantes no modo de vida das pessoas não tiveram, salvo em raras excepções, um reflexo de igual dimensão nas estruturas públicas e nas empresas privadas.

Um exemplo dessa mudança são as comunidades virtuais online, onde os jovens de hoje se movimentam com total à vontade, permitindo-lhes uma ligação à sua rede de contactos (quase) grátis e 24 horas por dia.

Num momento em que que se questiona e analisa a educação que queremos dar às novas gerações, verificamos que estamos na presença de tecnologias que há 10 anos não existiam. Olhando para a forma como a Educação está a caminhar em Portugal teremos que nos perguntar: até que ponto não será esta parecida com aquela que eu próprio tive, onde os telemóveis e as comunidades virtuais faziam parte de um futuro ainda por inventar? E até que ponto será ela hoje radicalmente diferente do modelo de educação que os meus pais tiveram?

Note-se que esta realidade não se aplica apenas à Educação, aplicando-se também à Saúde, à Justiça, à Política ou em tantos outros sectores onde o futuro tem vindo a ser construído com remendos ao passado e com soluções baseadas na história e na pesada herança que arrastamos.

Para mudar, antes demais é necessário um forte desejo de mudança que não será possível se não se considerar a mudança como necessária (o que me parece óbvio no caso de Portugal e para os Portugueses que o vivem e constroem).

Para tal teremos que ser capazes de olhar o país e o mundo com outros olhos ou pelo menos através de umas lentes que nos permitam inventar e criar um novo futuro, e não apenas remediar o passado ou copiar realidades que não se adequam à nossa.

E porque não começar por mudar radicalmente a forma de como a Educação é feita em Portugal? Não só aproveitando a tecnologia disponível e que começa já a fazer parte do passado mas indo ainda mais longe escrevendo páginas de um futuro ainda por inventar.

Teremos que em conjunto inventar um novo futuro para Portugal e para os Portugueses, sem ficar à espera que o destino ou alguém o faça por nós. Obviamente muitos dirão que é uma loucura. Mas qual será a loucura maior? A daquele que julga que pode mudar o mundo ou a de quem para ele olha e nada tenta mudar?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O novo paradigma da consultoria financeira

Nos últimos meses temos vindo a assistir a uma profunda crise financeira que está a provocar mudanças significativas na forma como se está a oferecer produtos financeiros ao mercado. Neste cenário, a consultoria financeira está também a evoluir e tem um papel fundamental a desempenhar como um importante agente do mercado financeiro. O peso estrutural do canal clássico que representa o retalho bancário, tem diminuído relativamente ao surgimento de outros canais alternativos, nomeadamente a Internet. Por outro lado, a pressão da optimização dos resultados em face da diminuição da margem de intermediação financeira, tem conduzido a uma redução global dos custos operacionais das Instituições Financeiras. Este emagrecimento dos custos reflecte-se sobretudo numa maior dificuldade na prestação de um serviço personalizado aos seus clientes. Esta área de actividade tem permitido, desde então, sobretudo na área do crédito oferecer um serviço de aconselhamento financeiro independente e muito mais amplo que aquele que é facultado por um banco ou financeira. Isto para além de ser um serviço mais personalizado e próximo do cliente final, sem o estigma de estar a negociar com uma Instituição Financeira, numa luta negocial muito desequilibrada. A sua posição de charneira entre as Instituições Financeiras e quem acede aos seus produtos, aliado à independência e especialização da sua actividade, concorre para que os particulares e as empresas procurem estes profissionais para encontrar, não apenas a melhor solução de financiamento, mas fundamentalmente, um serviço financeiro integrado que lhes permita obter uma solução personalizada e adequada às suas necessidade actuais em consonância com as suas perspectiva de futuro.
--Publicada por António Godinho em Mercado Puro a 6/18/2009 01:50 AM

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Harvard Trends #8 - Neuroplasticidade

Uma descoberta recente na área da neurologia tem despertado particular interesse entre estudantes e professores de Harvard. Trata-se de uma discussão em torno da capacidade de inteligência, enquanto factor de criação de informação célere e acertada para a melhor tomada de decisão, bem assim como na sua correlação com a criatividade. Apesar de fenómenos da vida real sugerirem que as pessoas mais activas mentalmente exercitavam mais o cérebro e assim tinham maior capacidade intelectual do que as demais, a ciência postulava que uma parte importante dos neurónios morriam depois da adolescência. Agora a mesma ciência prova que estímulos naturais desencadeados a pedido do cérebro criam novas séries de neurónios – a nova buzzword chama-se neuroplasticidade.
Num outro registo, a importância desta descoberta encontra-se no fenómeno que maximiza este efeito de dinâmica cerebral – a saída da rotina para interesses altamente desafiantes. É neste contexto que pela primeira vez se sugere de forma racional e apoiada que tem melhores condições os gestores quando não se centram apenas nos seus trabalhos, famílias e rotinas, mas também em outras paixões, que desafiem o seu intelecto a ir mais longe, fazer diferentee adaptar-se constantemente.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A necessária partilha de esforços

O Dia Mundial do Ambiente (5 de Junho) fica este ano marcado na agenda das acções para o combate às alterações climáticas.
O Ministério do Ambiente lançou uma plataforma online com disponibilização de informação sobre o cumprimento dos objectivos nacionais definidos no Protocolo de Quioto (http://www.cumprirquioto.pt/). Também neste dia foram publicadas no Jornal Oficial das Comunidades quatro directivas comunitárias que servirão de base para a implementação do pacote “Energia e Clima” da União Europeia. Tratam-se sem dúvida de mais “ferramentas” que apoiarão o País e a UE a concretizar a sua política energética e de combate às alterações climáticas.
No entanto, uma semana depois, as notícias internacionais nesta matéria não são tão decisivas. Em Bona, a 12 de Junho, terminaram de forma inconclusiva duas semanas de negociações com vista à preparação de um acordo, sucedâneo do Protocolo de Quioto, que será concretizado em Dezembro em Copenhaga. Os 183 países não chegaram a acordo sobre a partilha de esforço na redução das emissões de gases com efeito de estufa. Porquê? Porque o próximo acordo global obrigará a uma participação activa de todos os grandes emissores, quer eles sejam países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Todos os países sabem da urgência em limitar as emissões de gases com efeito de estufa, mas existe preocupação sobre o seu impacto nas economias nacionais.
Certo é que quaisquer decisões a serem tomadas sobre este assunto terão reflexo na regulamentação aplicável às empresas, mas também, e cada vez mais, nos nossos hábitos de consumo e na nossa vida quotidiana.
Publicado dia 16 de Junho no Jornal Meia-Hora

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Piratas e Falsários

O costume, é verdade, tem servido de escusa a muitos disparates e excepções. O hábito e a tradição, não raramente, abafam o argumento e a razão. Se cá estivessem os avós que com suposição nada mais do que egocêntrica tradição dizem querer respeitar, nada mais soltariam do que um lamento. Um lento e agoniado lamento.
Em tempo de Internet a 100 Mbps e neuroplasticidade, os portugueses convivem tranquilamente com o que se passa todas as semanas, todos os dias, nas feiras.
Pior, fazem-no sem o mais ténue sentido de critica ou, ainda menos, culpa. Refiro-me não à venda legal de artigos que complementam o comércio tradicional, mas à enorme e revoltante malga de ilegalidades que se pratica nas feiras. Desde logo, porque a factura como documento é quase sempre uma miragem e o IVA um insulto. É grave, mas é pouco quando se compara com a óbvia contrafacção de marcas, digna de países como poderia ser o Sudão ou o Congo Francês. A cereja no topo do bolo é o policiamento, pago por todos os contribuintes, por aquelas mesmas unidades que o MAI insiste em cobrar em recintos desportivos e outros espectáculos. Em nome de um comércio desleal mas policiado, supremo da ironia.
Uma palavra também para as “vendas de alimentos” das feiras. Numa loja de rua, aqueles espaços duravam pouco tempo. Num centro comercial duravam um dia ou dois. Na feira, só falta serem elogiados. Muitas vezes sem as mínimas condições para operar dentro dos limites de higiene e segurança, oferecem “produtos tradicionais” que aumentam desnecessariamente o risco alimentar.
Quando mais tempo precisam os portugueses de perceber que estas ilegalidades retiram valor, pilham o orçamento do Estado e surripiam emprego legal? Quanto mais tempo precisam as autoridades para regular devidamente estes espaços e controlar falsários e piratas?

domingo, 14 de junho de 2009

Harvard Trends #7 - Humble Bee

Desde há algum tempo que existem em Harvard inúmeras discussões, trabalhos, e frameworks para testar a maximização da utilidade das redes sociais no ambiente empresarial, nomeadamente as que se centram no ambiente Web 2.0, como o LinkedIn, Twitter, Facebook ou Myspace.
A corrente dominante apoia o método Humble Bee - as abelhas organizam-se enviando “escuteiros” à procura de espaços para captação de pólen, e num momento seguinte enviam grupos de teste que confirmam, através de uma dança, os melhores locais, e na sequência da decisão das pequenas maiorias, tomam decisões.
O que o processo Humble Bee traz de novo é uma clara separação entre o que o que é recolha/ descoberta/ invenção e o que é integração de informação. O sucesso do processo de comunicação das abelhas centra-se no facto de gerirem estas duas necessidades de formas distintas, sugerindo que nas empresas deve haver uma estrutura que permita um comportamento mais individual/de poucas interacções na captação de informação das redes wiki ou na gestão de criatividade e outro de grande intensidade comunicacional (ex: grupos de trabalho) na fase de integração da informação recolhida/criatividade desenvolvida. Gerir convenientemente será saber adoptar a cada momento o adequado processo comunicacional.

sábado, 13 de junho de 2009

Puramente #21 - A Sense Of Urgency

Nome: A Sense of Urgency
Autor: John Kotter
Data Original: Dezembro2008
Frase: "Success produces complacency, failure conduces frenetic activity – both threats to organizations."
Keywords: Real sense of urgency; Change Management; Crisis Opportunities; Nono; The Outside In
Apreciação: ***
Este livro surge na sequência do bestseller “Leading Change”, lançado pelo mesmo autor alguns anos antes. Nesse livro, o Framework de oito passos do processo de gestão tinha como ponto inicial a consciencialização do sentido de urgência. Kotter é peremptório ao afirmar que este é, de entre as oito fases, a mais importante e influente num processo de mudança.
Kotter defende que o sucesso produz complacência, um mal que se encontra frequentemente em grande número em empresas de topo, fruto do seu glorioso passado recente. Os complacentes são inibidores à evolução, mas não se encontram entre os castradores de processos de mudança. Situação mais grave e de maior dificuldade de resolução são os casos de falso sentido de urgência, onde as actividades frenéticas e inconsequentes são consequência de falta de estratégia.
O livro propõe uma estratégia para a criação de um sentido de urgência em toda a organização, assente em quatro tácticas complementares: Visão “outside-in”; atitude de gestão de topo coerente em permanência; encontrar oportunidades nas crises; gerir os “nonos” que existem em todas empresas e que, ao contrário dos cépticos – que podem ser uma mais valia num processo deste tipo – apenas destroem e portanto devem ser geridos com cuidado, em vez de ignorados. As tácticas são originais e curiosas, propondo o autor inclusivamente a criação de crises por parte do gestor como forma de evoluir mais rápida e controladamente no processo!
Para quem procura um livro de gestão de mudança para lidar da melhor forma com esse tipo de processos, este não é o livro ideal, por não ser suficientemente abrangente. Está antes indicado para os que já leram algumas obras e procuram detalhar aspectos e procurar novas tendências do processo.
Publicado no Jornal de Negócios dia 9/06/2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

PuraMente #20 - José Mourinho


Nome: José Mourinho

Autor: Luís Lourenço

Data: Julho de 2003 - Prime Books

Frase: "Confiança, determinação, vontade de transmitir a indómita vontade de vencer""

Palavras Chave: Treino; Descoberta Guiada; Grupo; Chicotada Metodológica;

Apreciação: **

Há algum risco em apresentar  "José Mourinho", já que se fala muito de futebol e de episódios que estiveram, ou poderiam ter estado, num jornal desportivo. Já passaram seis anos desde os factos relatados neste livro de Luís Lourenço e Mourinho já conquistou mais títulos. No entanto, Mourinho não foi sempre campeão e tem derrotas importantes no seu currículo. Mesmo o melhor dos líderes não tem a capacidade de mudar tudo e, mais do que isso, não atinge o sucesso sozinho. Mourinho vence devido à sua energia, trabalho e competências, mas precisa estar inserido em boas organizações, alavancando-as e promovendo a mudança. Não há sucesso nas organizações sem bons líderes e bons líderes, por si só, também resolvem pouco. Esta é a primeira lição que o livro oferece.

O prefácio é "obrigatório". Em duas páginas Manuel Sérgio extrai o essencial das 180 seguintes. Explica o que faz de Mourinho melhor e diferente e nunca separa o líder da organização em que se insere. Põe em cima da mesa conceitos "chave" como tribo, respeito, amizade, estudo, decisão, planeamento, discernimento, liderança.

Ao longo do livro - que termina com a vitória da Taça Uefa - sucedem-se episódios que permitem conhecer a linha de acção e raciocínio do líder, sem esconder os maus momentos, erros e arrependimentos.

Na minha leitura destacaria três pontos para reflexão:
- Mourinho como disruptivo dentro da sua classe, um "first mover".
- Os jogos contra a Lázio e o conflito "Ética vs Legalidade"
- O jogador como um todo: técnica, inteligência, potencial de progressão, solidariedade, carácter.

Obviamente que não se trata de um livro conceptualmente sólido, mas de exemplos de liderança. Só que os temas abordados são aplicáveis a muitas áreas fora do desporto, a linguagem é simples e são apresentados casos, exemplos e personagens com que a maioria estará muito familiarizada. É aqui que reside o verdadeiro poder diferenciador deste livro - o seu alcance em termos de público leitor. "José Mourinho" pode ser a forma mais simples de transmitir conceitos base de liderança a quase todos.

Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

www.puramenteonline.org

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sexy Convém?

A última década e meia foi fértil em novos formatos de comércio integrado. Centros comerciais, retail parks e outlet centers foram nascendo pelo país, em particular nas zonas suburbanas que circundam as duas maiores metrópoles. Esse movimento está na fase de maturação, com os próximos anos a trazerem pouco mais do que novas unidades de pequena e média dimensão em cidades que são precisamente de pequena e média dimensão. Esta é, desde logo, uma incontornável mas quase invisível vantagem que resulta da actual crise: aumento de sustentabilidade da oferta existente no médio prazo.
Incontornável é também que os portugueses, como quase todos os povos civilizados, não gostam de centros comerciais. Não gostam, mas compram. Desprezam, mas usam. O curioso é que muitos deles começaram por dizer que não gostavam “de ir ao centro comercial” por pressão social dos seus círculos, mas acabaram por verdadeiramente não gostar da experiência de comprar nesses espaços, e muito menos elegê-lo como destino de lazer.
No extremo oposto, a baixa do Porto está ao rubro, com noites loucas de milhares de pessoas na rua, parques de estacionamento que transbordam, bares a abrir a cada semana, restaurantes a multiplicarem-se, festas a sucederem-se. A baixa está trendy. Está sexy.
Os centros comerciais não são sexy, mas são outra coisa que hoje ainda vale mais : são convenientes. Boa oferta, estacionamento, segurança, limpeza, ou seja uma proposta que racionalmente aumenta o risco de satisfação, embora também de previsibilidade.
A questão que sobra é: Até quando o conveniente convém mais do que o sexy?

"Stop loss" (*)

Na bolsa, a longevidade e o sucesso dos investidores não depende necessariamente do número de vezes em que se acerta. Mais importante do que a taxa de acerto é a diferença entre aquilo que se ganha quando se acerta e aquilo que se perde quando se falha. Ou seja, o valor esperado da estratégia de transacção. Ao mesmo tempo, a evidência mostra que, na bolsa, uma taxa de acerto igual ou superior a 60% é considerada muito boa, resultando daqui que, em média, qualquer investidor acertará e falhará um número aproximadamente igual de vezes. Portanto, para que o valor esperado seja positivo, a perda média não deverá ser superior ao ganho médio. Infelizmente, a natureza humana equipou-nos muito mal neste domínio! Por um lado, a maioria das pessoas não está disposta a admitir que, em média, acerta e falha de forma quase indiferenciada. Por outro lado, em geral, a natureza humana revela-se muito intolerante com os ganhos, tomando mais valias de forma relativamente prematura, e muitíssimo tolerante com as perdas, permitindo a acumulação de menos valias. Isto não acontece apenas na bolsa; também acontece nas empresas. Nas boas – distribuindo recompensas demasiado generosas em épocas de vacas gordas. E nas más – adiando, em tempo útil, a inadiável liquidação dessas mesmas sociedades. O caso que afecta o BPN é um claro exemplo deste tipo de conduta. Desde a sua nacionalização, o Estado português já lá meteu quase 2,5 mil milhões de euros que, provavelmente, nunca mais recuperará. E, desgraçadamente, não há fim à vista. Não há “stop loss”. (*) Artigo publicado no jornal “Meia Hora” a 3 de Junho de 2009.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Janela 80-20

No estudo que realizou, em 1897, sobre a distribuição dos rendimentos, Vilfredo Pareto chegou à conclusão que 80% da riqueza se concentrava em 20% da população. Nos anos de 1940, Joseph Juran, um dos “pais” da Gestão da Qualidade, alargou o princípio de Pareto a esta área de trabalho, com particular ênfase na relação entre os problemas observados e as respectivas causas. Concluiu Juran que, também aqui, se verificava a relação 80-20 e, em homenagem ao engenheiro e economista italiano, estabeleceu a conhecida “Lei de Pareto”. Nos 160 anos que medeiam entre o nascimento de Pareto (1848) e a morte de Juran (2008) a sociedade experimentou profundas transformações. A esperança média de vida situa-se actualmente no patamar dos 80 anos. Em Portugal coexistem dois fenómenos preocupantes, que tendem a tornar-se estruturais: i) a dificuldade em encontrar trabalho para os que chegam a este mercado, que se estendem por vezes até aos 30/35 anos; ii) a falta de oportunidades para as pessoas que chegam à faixa dos 50/55 anos. Verificamos, pois, que o período potencial de aproveitamento da capacidade profissional das pessoas se restringe a uma janela de cerca de 20 anos, num horizonte de vida de 80 anos. São poucos anos a produzir e muitos a consumir. Os problemas de índole social que emergem desta janela tão estreita já estão aí, por exemplo nos elevados índices de stress com que vivemos ou nas dificuldades de sustentabilidade da Segurança Social. A Lei de Pareto aplica-se a muitas situações. Será que estamos em presença de mais uma?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Safety car

Gosto da perspectiva revelada ao olhar o actual momento da economia mundial como o da entrada em pista do “safety car”– embora condicionada, a corrida continua. Este elemento (a crise), impondo uma velocidade mais lenta e concentrando os competidores, faz ver uma (nova) oportunidade.
Assim, quando as empresas questionam o que fazer neste interregno, encontram resposta: preparem-se para uma nova aceleração. Como? Assumindo uma clara orientação para o mercado, através de dois grandes desafios: reduzir o “time-to-market” e melhorar o acesso a mercados.
Desenvolver empresas ágeis, com menos gordura (combate feroz ao desperdício) e mais massa muscular (capacidade de resposta); ou seja, melhorar as competências internas críticas (concepção, logística, serviço, etc.) para uma rápida e eficaz resposta ao mercado. Se há tendência que está consolidada é esta compressão do tempo.
Aprender a usar a informação para o sucesso de estratégias internacionais. Demasiado penduradas no “velho Mundo”, precisam apostar mais em mercados emergentes, como seja o Norte de África pacífico, a Europa Central e Oriental ou o Próximo e Médio Oriente. Que oportunidades conhecem nestes mercados? Quais os factores críticos de sucesso? Podem estar preparadas para aí competir?
As empresas vivem tempos duros mas óptimos para quebrar mitos. Mais do que subserviência a subsídios, é necessária resiliência, para os próximos meses, e audácia com trabalho duro – apostando na criatividade, no conhecimento, na inovação, na cooperação – para desenhar o futuro.
Publicado no Jornal Meia-Hora em 01-Jun-09.